31.1.21

Crônica diária

 

 Desamigado por descer a lenha com madeira santa.

 Foi no Nelson Moraes, escritor da melhor qualidade, que encontrei essas expressões maravilhosas. Desamigado, referindo-se aos petistas que o desamigaram por ele "descia a lenha" no Lula. E agora desamigado pelos seguidores da seita do Messias. Pergunta o Nelson de que qualidade é a madeira da sua lenha? Provavelmente não seria madeira santa. Deve ser pau que bate em Chico.

30.1.21

Crônica diária

 Boas notícias para homens e mulheres

 Eu posso não ser a pessoa mais informada da paróquia, mas lendo o que o Meio envia toda manhã vou tirando  minhas conclusões. A quatro dias atrás, por exemplo, li com grande alívio e esperança que seja verdade, e uma realidade no Brasil, até minha próxima consulta com o Dr. Marmo Lucon, meu urologista, amigo e meu leitor.  Desde os quarenta faço esse desagradável  exame da próstata. Dela já fui operado, sofri  o preconceito que isso representa, e continuo com ela integra e funcionando. A notícia do Meio é a seguinte: “O preconceito em relação ao exame de toque faz com que o câncer de próstata seja um dos mais letais entre os homens. Mas uma técnica de inteligência artificial desenvolvida por cientistas sul-coreanos pode identificar com precisão de quase 100% a presença desse tumor em apenas vinte minutos com um simples exame de urina. A informação foi divulgada pela revista da Associação Americana para o Progresso da Ciência.” Uma auspiciosa e grande notícia para quem ainda tem próstata. E para suas mulheres. 

29.1.21

Crônica diária

 Bateu saudade


 Fazia muito tampo que esse jovem, velho amigo lisboeta não aparecia em minha página do FB. E foi com uma saudade boa que recebi essa visita. Discreta, silenciosa como de hábito sempre foi Luis Bento. Em 2011 fiz dele uma caricatura, e ele agradeceu publicando em seu blog. Foi a sorte, a original sumiu do meu Vítima da Quinta. Acontece com as coisas que estão nas nuvens. Até a chuva às vezes caiem dela. Mas encontrei nos arquivos do Varal,. blog onde nos conhecemos, e me deu a honra e prazer de escrever o prefácio de seu livro. Ser convidado por um Português para escrever a apresentação de um livro mostra bem que "santo de casa não faz milagre". Por duas razões, tendo tantos bons escritores em Portugal, e eu não tendo sido muitas vezes convidado a prefaciar outros livros no Brasil. Mas também não posso reclamar, dia desses a Betty Vidigal postou os cinco ou seis livros que prefaciou. Eu ando quase lá, contando os prefácios que ainda são inéditos como o do Valter Ferraz

28.1.21

Crônica diária

  Passei a ler o Meio

“Novidade do Twitter. Pela nova ferramenta Birdwatch os usuários podem agora sinalizar desinformação em tuítes e adicionarem notas informativas ao conteúdo. O projeto, no entanto, ainda é piloto e está disponível apenas nos EUA.” Notícias como essa e de todas as outras áreas, com enfoque no dia anterior é enviada para seu e-mail, gratuitamente, pela plataforma denominada Meio. Passei a assinar e levo exatos oito minutos por dia, a partir das 7 ou 7:30 da manhã, de segunda a sexta. Foi meu amigo Alvaro Abreu quem dela me falou, enviando um ótimo texto sobre o fim das democracias no mundo. Textos mais profundos são por assinatura paga, e enviados pelo Meio aos sábados.  Com essa ferramenta deixei definitivamente de ligar nos jornais da TV. Estavam insuportáveis. Como não leio mais jornal impresso, e o jornal digital do Mainardi só enfoca política, o Meio veio cobrir essa lacuna. Recomendo.

27.1.21

Crônica diária

 

  467 anos não tendo, e nem podendo comemorar nada. Talvez seu pior ano desde sua fundação, levando em conta as proporções. Em número de mortes, em número de lojas e escritórios fechados, e no seu deplorável aspecto visual. Paredes pichadas e placas de vende-se e aluga-se por toda parte. Alguns bairros e ruas parecem de cidades desertas, ou pobres como as do Paraguai. Uma tristeza. E se São Paulo esta deste jeito, fico imaginando o resto do Brasil.

26.1.21

Crônica diária

 Transtornos na insônia

 Minha velha amiga postou uma foto sua com um cigarro em brasas na boca. O título da postagem era: "Tenho tido transtornos com a insonia".

Eu e todo mundo entendeu que ela estava com problemas em dormir. E brincando escrevi que poderia ser o cigarro. Ela respondeu para todos os que comentaram:

"Rindo de vocês, eu não me expliquei, eu amo a insônia e tenho dormido muito. Odeio dormir. Estou tendo distúrbios na insônia e não no sono . Quero minha insônia de volta !!!!
"Eu adoro dormir. Adoro poder perder a consciência ao redor, e desse mundo maluco que estamos vivendo."
  • Fernando Macedo comentou:
    que inveja de você. Não passo nunca de só 4 horas no máximo dormindo.
     
  • Tania responde:
    "Fernando Macedo, e já é muito. Gosto de pequenos cochilos ao longo das 24 hs, mas sem perder a consciência de tudo ao redor." 
     
  • E comentei:
  • "Eu adoro dormir. Adoro poder perder a consciência ao redor, e desse mundo maluco que estamos vivendo.

 

25.1.21

Postagem do blog VIRTUAL/REAL

 

VIRTUAL / REAL - Jorge Pinheiro/Eduardo P.L.

6.4.12

EDUARDO - O SENHOR DOS VARAIS

Naquele tempo, os blogues não tinham cara. As caras não tinham rosto. Ninguém tinha face. Havia um anonimato implícito na blogoesfera, como se a virtualidade não tivesse nome. Reconhecer o Eduardo não foi fácil. Era Junho. Ano, o longínquo 2008. Foi em Lisboa. Já não me recordo como cheguei ao Varal de Ideias (o blogue do Eduardo). Cheguei num estendal atlântico. Fizemos uma ponte inter-continental. Ele estava em Lisboa. Houve uma empatia imediata. Traçámos planos na mesa do jantar. Surgiram blogues colectivos: Tertúlia Virtual; A Favor e Contra; Mobilling; Pé de Moça... Já nem sei! Sei que foi a primeira vez que encontrei alguém que era "apenas" virtual.
Estar na blogoesfera não é fácil. Há uma permanente exposição pública... voluntária. O Eduardo gosta de se expôr. Pela última contabilidade, ele tem 59 blogues e não vai ficar por aqui. Quem é o Eduardo? Seguramente uma pessoa complexa e multifacetada. Pintor, escultor, apaixonado pelas artes, apaixonado pela vida. Um homem, simultaneamente, ponderado e exuberante. Abrangente e teimoso. Seguro das suas ideias, certo dos seus propósitos. Não gosta de voltar atrás e de pedir desculpa. Somos o oposto. Eu estou sempre a voltar atrás e a pedir desculpa. Então porque ficámos amigos? Curioso nesta relação, é que há uma uma sensação de irmandade recíproca. Uma ligação de personalidades fortes e afirmativas que se respeitam e complementam. Algo que não se explica.
Em Janeiro de 2010 fui à Piacaba. Entrei por São Paulo. Fizemos depois o trajecto de carro até Santa Catarina. Um trajecto de dez horas que deu para muita conversa. A Piacaba é o paraíso do Eduardo. Uma casa fantástica, atelier de escultura, estúdio de pintura... Um Brasil diferente.  Choveu três dias seguidos. O Eduardo gosta mais de ouvir do que de falar. Tem opiniões precisas e "quase" inabaláveis. O seu atelier respira criatividade. Creio que há no Eduardo uma necessidade imperativa de agregação. E, no entanto, ele é muito exclusivo. São estas contradições que fazem as personalidades cativantes.
Uma casa no meio da mata. A praia ali tão perto. Esta é a Picaba. Foi em 2000 que Eduardo concretizou o sonho. Para um europeu, tudo é estranho nestas paragens. Há um espaço que custa a entender. Uma grandeza que se perde na imensidão do horizonte. Os turistas não são espanhóis, mas argentinos. Não há queijo da Serra e o bacalhau é uma miragem. Nem sempre entendemos o que nos dizem e temos de falar devagar para ter algum reconhecimento verbal. Mas, se não fosse assim, mais valia ficar em Lisboa. É uma sensação magnífica ouvir a nossa língua falada com vibração. Cantada com poesia. Entoada com as mil cores da mata atlântica.
Não sou de cerimónias. Andei pela casa toda. Fotografei tudo o que mexe. Este é o quarto do Eduardo. Às vezes ponho-me a pensar no gozo que deve ter dado planificar este sítio. Os planos que foram feitos. O prazer de ver a obra concretizada. Este é um quarto de sonho. Quem tem um quarto destes, tem de ser especial.
Estar por detrás de um grande homem quando se é uma grande mulher, não é fácil. Paulinha não está atrás. Está ao lado. Uma "paulista" convicta, Paula é uma personalidade cativante. Há encontros que estão pré-destinados. Este foi um deles. Eduardo é um homem de sorte.
Eduardo é o Senhor dos Varais e o Homem das Mil Caras. Com ele a blogoesfera nunca acabará. Tenho por ele uma profunda estima e um enorme carinho. Estranho, sinto um à vontade com ele que não sinto com muitos amigos "reais". Talvez haja entre nós uma ligação primordial.

Crônica diária

 Quem cedo madruga

Existe  um ditado que diz: "Deus ajuda a quem cedo madruga". Já ouvi uma réplica dizendo que: "quem cedo madruga, dorme menos". O certo é que tenho acordado cada dia mais cedo, não na esperança de que Deus me ajude, mas que as horas passem rápido para poder falar a partir das 8 com a secretária do meu dentista. Ela ainda não chegou. As 9 com o meu contador. Atende a telefonista e informa que ele não tem vindo ao escritório antes das 11. Pergunto pelo Rafael, seu assistente, e ela informa que hoje ele não virá ao escritório. Deixo recado para me ligarem. Ligo para o celular do meu advogado, toca até cair a ligação. Ligo para seu escritório, nem ele nem seu assessor virão antes do meio dia, estão numa reunião. Definitivamente nem esperava que Deus me ajudasse, mas que esses profissionais atendessem ao telefone. 

24.1.21

Crônica diária

 Confidencialidade

 Meu sobrinho Jike postou na quinta passada uma mensagem nos seguintes termos: "Na confusão em torno do Covid 19, não se esqueça que amanhã começa a nova regra no Facebook de que nossas fotos podem ser usadas. Lembre-se que o prazo é hoje. Eles podem ser usados em processos judiciais contra nós. Tudo o que publicamos hoje se torna público, até mesmo as mensagens deletadas. Não é preciso nada para fazer uma simples cópia e colar: melhor seguro do que lamentar. ′′

 Respondi nos comentários:

"Jick  a minha página é publica, e tudo que posto pode e deve ser lido por todos. Aqui nada é privado ou secreto. Respondo integralmente pelo que posto, e autorizo sua divulgação, que no final das contas é o objetivo de quem escreve nesta plataforma. E temos a felicidade que não tinham os cronistas que publicavam seus textos nos jornais, que acabavam embrulhando peixe ou usados em outras funções menos nobres. Forte abraço."

 

23.1.21

Crônica diária

 O porre continua

 

 A expressão "é um porre!" não sei se é reconhecida como: "uma coisa chata, intolerável, desagradável" além da literal interpretação de excesso de bebida alcoólica. Tenho alguns leitores em Portugal, e sou obrigado a me preocupar com eles. Mas anda "um porre" essa coisa de Covid 19, quarentena, e agora recentemente "vacina". Não se lê,e não se vê outra coisa na mídia. O assunto único e exclusivo é "vacina". Nem a saída do Trump, e a posse do Joe Biden ofuscaram no noticiário "a vacina". Primeiro os negativistas contra, depois a campanha para toma-la, e agora (...que porre! ) os fura fila. Não aguento mais tanta mesmice, máscara e álcool gel.

Crônica do Alvaro Abreu

 


Com e sem pescoço

Assistindo um noticiário de TV, me dei conta da falta de pescoço do general que ocupa um dos mais importantes cargos do país em tempo de pandemia. Devo dizer que acreditei na informação de que ele era considerado um especialista em logística, algo extremamente relevante e estratégico em tempos de emergências, quando o abastecimento de produtos e meios se faz indispensável. Em países continentais e heterogêneos como o nosso, essa capacidade se mostra ainda mais indispensável à vida.

 

Morrer gente dentro de hospitais por falta de oxigênio é algo absolutamente vergonhoso e inaceitável. É uma espécie de crime de lesa pátria, uma boa justificativa para gente que é séria pedir demissão e, sobretudo, para que sejam emitidas ordens de prisão preventiva de todos os irresponsáveis. 

 

Dói saber que estamos em pleno retrocesso na saúde pública. É mais do que sabido que o Brasil detinha, até pouco tempo, reconhecimento mundial por sua capacidade de vacinar sua população inteira, sempre que necessário. Nosso Ministério da Saúde e o SUS eram respeitados mundo afora, por oferecer serviços de alto padrão de qualidade e eficiência. 

 

Como se isso não bastasse, está claro que a prepotência e a desfaçatez praticadas em larga escala pelo Governo Federal nas suas relações com outros países estão nos custando caro. Nas relações bilaterais e nos negócios, prevalecem as vontades, os valores e as razões dos poderosos, daqueles que decidem se pode ser, quando será e sob quais condições. É a lei do mais forte que impera, sempre. Com arrogância e idiotices não se vencem disputas, sobretudo as inventadas. 

 

Convém não esquecer que o processo da vacinação está apenas começando e tomando forma. É algo pra durar mais de ano, sujeito a todo tipo de perrengues e interferências. É de se esperar que a China, a Índia e outros produtores de vacinas e de insumos vão fazer valer suas políticas e seus interesses de donos do mercado. Para seguir nos entendimentos, eu soube que pediram a cabeça do desvairado do Itamaraty. 

 

Voltando ao pescoço do Ministro da Saúde, que praticamente não se vê, dá pra imaginar que ele será cortado em breve, a título de transferência de responsabilidade e em busca de sobrevivência política. O Presidente já deu mostras de que governa aos solavancos e defenestra quem esteja ao seu lado, ainda que obedecendo às suas ordens e passando vergonhas. 

 

Vitória, 21 de janeiro de 2021

Alvaro Abreu

Escrita para

22.1.21

Crônica diária

Diário do Carlinhos Oliveira

 Alguma coisa conspirava contra esta crônica. Deve ser a alma do Carlinhos. Escrevi minhas dez linhas na quarta feira, para posta-la na sexta. Na quinta fui procurar e havia desaparecido. Talvez tivesse escrito em outro blog, ou arquivado em outro lugar. Procurei e não achei. Como eram só dez linhas reescrevi tentando manter o mesmo espírito, e talvez tenha até ficado mais engraçado. Quando fui copiar para posta-la num dos blogs que posto, misteriosamente apareceu a que havia escrito na quarta. Reli uma e outra e optei pela primeira, menos engraçada mas verdadeira. Deletei a segunda. Quando fui copiar a primeira inadvertidamente (e não é a primeira vez) apertei o contra C do teclado e o texto sumiu. PQP (um palavrão), e volto a reescrever, pela terceira vez, minha crítica ao livro Diário Selvagem do Carlinhos Oliveira. Comprei pensando tratar-se de um nome fantasia de mais uma obra do jornalista e escritor nascido no Espírito Santo, e radicado no Rio de Janeiro. Mas não, é de fato um diário como todos que uma adolescente escreveria. Dia mês e ano, e anotações do que comeu, bebeu, escreveu, sem deixar de registrar suas cólicas, punhetas, e falta de amor. Não é uma leitura leve, e daí talvez o título " Selvagem". Mas recomendo para estudantes de jornalismo, e escritores e pessoas com pretensões literárias. É uma ducha de água fria.

21.1.21

Crônica diária

 A vacina

 

 Nos últimos meses não tenho ouvido, ou lido, nada na mídia, que não seja notícias dessa vacina da Covid 19. Realmente um feito excepcional e notável, do avanço da medicina e da ciência. Nunca em tempo algum se produziu uma vacina em pouco menos de um ano. Não importa se com 50 ou 75% de eficácia. As suas capacidades de imunização só serão conhecidas com a aplicação das duas doses, e as mutações da cepa do vírus mortal. O que é certo, e pouco divulgado, é que a vacina a curto e médio prazo, pode ter um efeito contrário ao esperado na população. Como não há doses suficientes para todos, e necessidade da segunda dose de reforço, muita gente ficará sem vacinar, e portanto sujeita a contaminação, e suas eventuais consequências. Outro perigo eminente é a impressão que possa dar a quem foi vacinado que seu efeito é imediato, e o relaxamento do uso da máscara, álcool gel, e distanciamento social. A vacina só começa a produzir efeito após trinta dias, quando é aconselhável a segunda doze. Como nem a primeira esta garantida para a maioria da população, o que a ciência chama de imunização do rebanho, fica comprometida. E termino este alerta com uma crítica veemente ao comportamento mesquinho, irresponsável, e apátrida de quem usou a vacina para disputa política. 

20.1.21

Crônica diária


 A falta de estadistas

 

 É impressionante a mediocridade dos homens que nos governam. Com o relaxamento dos costumes, e liberação em todas as áreas das atividades humanas e sociais, não como consequência, mas por coincidência, o nível dos homens públicos chegou em seu mais baixo nível. Acompanhou a deterioração do ensino nas escolas. São homens sem cultura, sem conhecimentos de economia, de administração,  de visão de mundo. Despreparados e na sua maioria irresponsáveis. Não há quadros políticos de homens que pensem o pais com objetividade, patriotismo, e projeto de curto, médio e longo prazo. Equipes despreparadas, improvisadoras, e incompetentes. Qualquer grupo de jornalistas é mais preparado, bem informados e capacitados para analisar e criticar um prefeito, um governador, ou um presidente de plantão. Não é por acaso que não são mais as universidades que fornecem cabeças pensantes para concorrerem a cargos administrativos. São os animadores de programas de auditório, ou repórteres policiais, que se candidatam a nos gerir. Populistas por força da profissão. Populares pela audiência, mas não necessariamente competentes para gerir uma nação. 

19.1.21

Crônica diária

 Cabeçalho do Varal

                                     American Gothic, numa versão do Guilherme Lunardelli

Este ano 2021, se eu chegar até 6 de novembro, meu blog Varal de Ideias completará 15 anos de postagens diárias e ininterruptas. É realmente um feito e u´a marca a se considerar. Chegou a ter nos áureos tempos 2008 e 2009 cerca de 700 seguidores. Hoje tem a marca de 1,879,428 visitas. Mas apesar de continuar alimentando-o, tenho talvez apenas dois leitores permanentes. E pior, o motivo é que esses dois leitores não gostam do Facebook, e por essa razão me leem no Varal. Raramente comentam. Não sei se os outros 7200 leitores das duas páginas do FB seriam tão fiéis como estes dois. Mas também não sei se vou continuar fazendo a vontade e atendendo às implicância desses queridos e velhos amigos. Se a Ford fechou as fábricas no Brasil depois de 100 anos aqui instalada, não vou ser eu a manter o Varal por capricho de dois amigos. E por falar em Varal, estou pensando em mudar seu cabeçalho criado pelo meu filho Guilherme, por outro de sua criação, em homenagem a um filhote do Varal que é o blog Vítima da Quinta, que vai muito bem de saúde, obrigado. Hoje o Vítima conta com 1143 caricaturas, de quinta categoria, e os mesmos 152 seguidores de sempre. Mas continuam crescendo o número de visitas. Hoje temos registrado 79. 392 visualizações. 

18.1.21

Crônica diária

 O som das panelas

Numa postagem do Zoca Moraes onde dizia que o som das panelas que voltamos a ouvir nos bairros de Higienópolis e Pinheiros não derrubam presidente. Comentou sobre o mesmo tema, com outras opiniões o lúcido Nelson Porto. Foi quando Janete Leao Ferraz fez um comentário defendendo o panelaço contra Bolsonaro, que chamou de "verme", e disse que por ter "lado", nunca bateu panelas contra Dilma, e assemelhados. "É preciso ter lado". Essa frase me tirou do sério. Não tinha nada que me meter nos comentários. Mas não aguentei: " Janete Leao Ferraz, é preciso ter princípios e não "lado". As panelas, não importam onde são batidas, falam por sí. Lula, Dilma e Bolsonaro fizeram, e fazem, por merece-las, não importando de que lado você esteja." Zoca Moraes literalmente escreveu: "Perdoem-me o excesso de realismo, mas quando celebramos panelaços em Higienópolis e Pinheiros como se fossem no Jardim Ângela e Taboão, continuamos confundindo o Facebook com o mundo real. Este reside nas periferias que ainda não se fizeram ouvir." Mas é sempre bom lembrar que o som das panelas sempre começam onde elas ainda tem abundância de alimentos. Jardim Angela e Taboão já estão na eminência de nem terem mais panelas para bater. Mas o som delas, sejam de onde partirem, sempre incomodam os governos de plantão.

17.1.21

Crônica diária

 

Um sopro de vida

 Não vou vos falar das mortes pela Covid 19. Vou lhes falar do sopro de vida que a maravilhosa natureza da às coisas. No caso específico das plantas. Imaginem vocês que depois de velho resolvi aprender e cultivar bonsai. Como sabem essa arte milenar implica em paciência, conhecimento, perseverança e muitos anos de vida. Um pré bonsai tem no mínimo cinco a sete anos. Depois de se tornar um verdadeiro bonsai, em bandeja apropriada, com rega e cuidados diários pode viver centena de anos. Em novembro passado matei três pré bonsais de cinco a sete anos. Adubei com granulado em dose exagerada. O gás de enxofre expelido pelos grãos do fertilizante mataram minhas plantas em poucas horas. E eu não fui capaz de perceber o mal a tempo. Perderam as folhas e não consegui fazer recupera-las. A tristeza diante de tanto tempo investido num sonho, mostra como a vida é delicada. Aquilo que dei pensando saciar a fome, matou minhas plantas. Foi uma  grande  lição. Faz parte do aprendizado.  Num almoço com meu cunhado Carlos Eduardo Novaes fiquei sabendo que na sua fazenda a seca do ano que se findou, matou palmeiras imperiais de mais de vinte anos, no seu jardim. Em bandejas de bonsai ou na terra de jardins as plantas como os animais, aves e peixes requerem muito cuidado. A vida é um sopro, e nada mais. 

16.1.21

Cabeçalho do blog Vítima da Quinta

 

                   Presente do meu filho Guilherme, responsável pela seleção entre as 1144 caricaturas

Crônica diária

 Retrato a óleo

 

 Em 2008, portanto há treze anos, publiquei no blog Varal de Ideias um post sobre o artista alemão Tony Koegl, que em 1949 andou pintando muita gente em São Paulo. Naquele tempo, quando uma cunhada era pintada, todas as outras da família também ganhavam um retrato. Foi assim que meu pai mandou fazer o da minha mãe. Ela odiava ser fotografada, e por timidez, deve também ter relutado em aceitar o presente. Eu tinha seis anos e lembro que uma das sessões de pose para o pintor, no seu atelier, ela me levou para inibir o artista, que segundo ela, estava interessado em seus seios. Volto a relembrar essa cena, e história, por conta de um post da amiga Ducha Dorei, que postou o retrato da Maria Eleonora de Odivellas, que acredito pela pose, e decote, ser do mesmo pintor Tony Koegl. Minhas tias Olga, Rosalina, Branca, Maria Lucia, Zulmira, entre outras foram retratadas por ele, e os tecidos levemente transparentes e e colo descoberto eram sua especialidade.

 

15.1.21

Crônica diária

 

 Eu nas nuvens

Até pouco tempo outras coisas me davam prazer enorme. Hoje em dia o que mais prazer me proporciona são comentários positivos que tenho recebido dos leitores do meu ultimo livro "Oitavo". Só ontem as manifestações calorosas, vindas de Cataguases, Minas Gerais, na pessoa de um dos seus mais ilustre poeta e escritor Ronaldo Werneck. Depois um telefonema do escritor Aloísio de Almeida Prado afirmando ter gostado muito da leitura, e arrisca dizer que estou escrevendo muito bem. Não fosse dele esse comentário teria passado desapercebido, mas ele e o Paulo meu irmão são os dois maiores caçadores de Wally. Procuram pelo em casca de ovo. Desta vez nem Paulo deixou de elogiar, me perguntando se a crônica do roubo do pernil era ficcional. Em seguida minha irmã Elisa liga de Valparaiso para elogiar como o melhor dos livros meus que leu. Partindo da família tem valor enorme. Sempre foram muito críticos, chegando a pedirem que eu deixasse de escrever. No mesmo dia outro escritor, este paulista residente em Brasília, Roberto Klotz posta em sua página, e crônica das terças-feiras, uma com o título: "Oitavo",  fala sobre o livro. Tão bom o texto que vou usa-lo no prefácio do meu próximo. E não por acaso se chamará "Nono". E aqueles que ainda não leram, mas estão se manifestando positivamente com relação à capa, como Betty Vidigal , Claudino Nóbrega, e Cândida Botelho, fico muito agradecido. Escrever e publicar é uma tarefa custosa, e que só se paga com essas manifestações espontâneas e verdadeiras.

14.1.21

Crônica diária

 Minha tolerância no limite

 Acabo de ouvir numa agência do Itau um correntista dizer para o caixa, ao meu lado: " Tenho setenta anos e prefiro morrer de Covid a tomar a vacina".  

Chego em casa, abro meu computador e leio um leitor amigo escrever: "Não creio que o "Estados Unidos do Brasil" copie os "Estados Unidos".

 Diante destas duas afirmações prefiro não vos escrever nenhuma linha a mais.

 

13.1.21

Crônica diária

 Viver e aprender

 Fui ao cartório reconhecer minha firma num contrato. Era o segundo da fila de idosos. Há que haver uma vantagem quando se é considerado idoso. Mesmo levando em conta que essa idade mínima esta sempre aumentando. E numa velocidade mais rápida que os anos vão passando. Antes eram 60 anos, hoje já estão contemplando os de 80 como mínimo. Eu nos meus 77 entro na fila, e passo sem ninguém reclamar. Foi-se o tempo que enganávamos, para mais, porteiro de cinema e boate.  Não vou esperar os oitenta. Ao ser atendido a menina  perguntou se eu era o Eduardo. Confirmei, e acrescentei: " Renovei minha assinatura não faz 30 dias". Não deu outra, cinco minutos depois, outra escrivã, todas de óculos, me chamou pelo número da senha, e disse que eu precisava preencher o cartão de assinatura. Eu reclamei: "Outra vez?" Não houve resposta. A confirmação do pedido foi me passando uma bic azul. Assinei duas vezes, e preenchi a frente do cartão. Ela virou o cartão e pediu que completasse as informações do  verso. Foi aí que se deu a descoberta. Pela primeira vez em 77 anos que me solicitam a informação com esta palavra: "Naturalidade". Coloquei "brasileiro", e ela corrigiu: " É São Paulo". Logo abaixo vinha outra pergunta: "Nacionalidade", e aí sim brasileiro. Foi a primeira vez que li essas duas solicitações explicitadas. 

12.1.21

Crônica diária

 "Crie corvos, e eles te arrancarão os olhos"

Esse provérbio espanhol, citado pela Fernanda Magnotta, resume em meia dúzia de palavras uma verdade inconteste. Nos Estados Unidos o corvo da vez é o Trump, aqui no Brasil seu discípulo Bolsonaro. Elegemos um corvo para nos livrar de outro, o Lula, e continuamos correndo os mesmos perigos. Perder os olhos. 

 


 

11.1.21

Crônica diária

 Mais uma vez a depredação do Capitólio

 Como não moro em Washington, e não assisti pela TV a depredação do Capitólio dia 6 passado, escrevi ontem uma crônica contando a "verdade" sobre a depredação segundo uma professora Mônica de Bolle, da PUC Rio, e assessora do Banco Mundial que assistiu pela janela do seu apartamento e defende a tese de que é a maioria negra americana se manifestando contra a minoria branca que o Trump representa. Algumas pessoas discordaram desse opinião, e entre elas o Luis Levy, que mora nos USA me mandou o seguinte texto, muna tradução mecânica:

"Origem

Em 6 de janeiro de 2021, partidários do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, convergiram violentamente para o Capitólio dos EUA em Washington, D.C. em apoio às falsas alegações de Trump de que a eleição presidencial de novembro de 2020 foi afetada por fraude eleitoral em grande escala que levou à sua perda.

Os apoiadores de Trump no Capitol brigaram com a polícia e romperam as barricadas, eventualmente invadindo o prédio enquanto o Congresso estava no processo de contagem dos votos do colégio eleitoral e confirmando a vitória do presidente eleito Joe Biden.

Algumas pessoas nas redes sociais começaram a espalhar boatos infundados de que o caos violento estava sendo instigado não por partidários de Trump, mas por ativistas antifascistas, coloquialmente conhecidos pela portmanteau antifa.

Não há nenhuma evidência de que a multidão que está atacando os terrenos do Capitólio e envolvendo violentamente a polícia seja antifa - na verdade, as contas de mídia social que espalham o boato são seguidores da teoria da conspiração QAnon. Aqui está um exemplo de um desses tweets, que diz: “QUEBRANDO: OS PATRIOTAS NÃO ESTÃO ATORMANDO NADA !! PAGO POR ANTIFA FAZ, PERÍODO !! ”:

Me considerei um dos que espalhou boatos pela rede social. Retiro tudo que eu disse, e confesso que não posso tirar conclusões de uma política que não conheço. Apenas tomei o depoimento da Mônica de Bolle como verdadeiro, como aceito plenamente os argumentos enviados pelo Luis. Espero que um dia a verdadeira causa da depredação, seja historicamente desvendada. Por ora, aguardo a posse de Biden,  sucessor do Trump,  e melhores dias para a América, e que nenhuma outra depredação ou ato de violência seja copiado aqui no Brasil.

10.1.21

Crônica diária

 A verdade sobre a depredação do Capitólio

Nos dias de hoje todos os atos de violência servem para radicalizar as demandas de vários segmentos da sociedade, chamadas de "minorias",  que continuam defendendo seus direitos de forma radical. Li aqui na internet que se os invasores brancos, quase nus, e portando chifres, que depredaram o Capitólio dia 6 passado fossem negros não seriam gentilmente convidados a se retirarem. Acontece que essa depredação foi causada, segundo Mônica de Bolle, professora da PUC Rio, assessora do Banco Mundial,  moradora em Washington,  e que assistiu da janela de seu apartamento o movimento do dia 6 ultimo  exatamente pelo movimento negro, contra a supremacia branca republicana, que passa a ser, definitivamente minoria, subjugada, nos Estados Unidos, por uma maioria jovem e atuante de cor negra. Ao contrário do que a imprensa transmitiu, e deu ao mundo uma impressão de golpe, ao movimento, ele tem conotações raciais e racistas. Isso, no entanto, não invalida o temor que essa manifestação violenta, como todas na história norte americana, ainda segundo a professora, contagie, digo eu,  outras democracias ao redor do mundo.

 

9.1.21

Crônica diária

 Se cada um fizesse a sua parte 

 Vou tomar como exemplo uma empresa genuinamente brasileira, hoje com o controle acionário da cervejaria canadense Molson. A Antártica, fabricante do não menos brasileiro e refrigerante que enfrentou galhardamente a concorrência da mundialmente conhecida Coca-cola. Ela trás estampada na tampa de sua garrafinha de Guaraná , em vermelho, esta informação: "0,99 Preço máximo sugerido".  Se todas as empresas, de todos os produtos e serviços,  fizessem o mesmo, a economia dos menos favorecidos seria enorme. A especulação sobre produtos de primeira necessidade é escandalosa. Sou irrestritamente a favor do livre mercado. Da concorrência leal. Mas intransigente quando esse mercado onde a lei da oferta e da procura atinge níveis escandalosos, como no preço da garrafa de água, do papel higiênico, do botijão de gás, e dos juros bancários, para ficar só em quatro exemplos, sem falar nos remédios. O produto ou serviço deveria sempre levar estampado o preço máximo a ser comercializado. A concorrência se daria com descontos sobre esse teto. Mas num país onde o primeiro mandatário não compra seringa para vacinar sua população, por causa da especulação do valor, em épocas de escassez de produto, e as seringas são importadas, não tenho esperança que esse exemplo da brasileira Antártica venha a ser uma regra de mercado. 

Crônica do Alvaro Abreu

 



Bodoque pra neto

 

Cá estou eu às voltas com um pedido de Biel, meu neto de sete anos. Nem imagino de onde saiu esse desejo dele de ter uma seta, um bodoque, daqueles que as crianças de antigamente usavam para brincar atirando bagas de mamona, e, os meninos mais velhos, para caçar passarinhos no alto dos morros, depois de produzir a própria munição. Passávamos horas enrolando pelotas de barro do tamanho de bola de gude, que depois secávamos numa chapa de ferro com fogo embaixo.

 

Doda, o caçula dos seis filhos de Bebeta e Seu Jorge, adoráveis agregados de papai e mamãe, era um exímio usuário de seta. Dono de pontaria invejável, ele acertava com facilidade rolinha pousada na ponta de um esteio e anu-branco se equilibrando num fio de baixa tensão. Caçar passarinho era programa frequente quando a gente ia passar uns dias em Cachoeiro. 

 

Naquele tempo, a garotada fazia seus próprios brinquedos: botão de coco pra jogar futebol de mesa, pipas com papel de seda e rabiolas de pano, vara de pescar, carrinho de rolimã. Até hoje uso muito do que aprendi menino pra dengar neto. 

 

Pra começar o serviço, precisei arranjar um bom gancho de seta, que fosse adequado para um menino canhoto. A firmeza é a alma da segurança e da pontaria. A forquilha deve permitir a passagem da pedra com folga e o cabo tem que oferecer pega cômoda e bem firme, com os três dedos pressionando a madeira contra a palma da mão. O polegar e o fura bolo são usados para controlar a angulação da forquilha, indispensável à precisão da mira. 

 

Cortei com dó um galho da nossa fertilíssima goiabeira, para aproveitar uma bifurcação jeitosa que estava mais perto do chão. As tiras de borracha serão cortadas de uma velha câmara de ar de bicicleta e o porta pelota será feito de couro branco. Nas amarrações, usarei fio de tucum feito por índio.

 

Os dois elásticos, fixados nas pontas do Y e numa tira de couro, lugar da munição, deverão ser esticados com algum esforço com o braço se afastando do corpo e a mão sendo trazida para perto do olho de pontaria. Os movimentos de esticar os elásticos devem ser contínuos e precisos, de modo que a mira vá sendo calibrada durante o processo. É pá, pou! Nada de ficar mirando o alvo com os braços estirados, que começam a tremer. 

 

A produção de pelotas será intensa nos próximos dias. Vou arranjar barro com uma amiga que acaba de virar ceramista. O problema vai ser ensinar o moleque a atirar pelotas na direção certa. Afoito que é, corre o risco de acertar cabeça de irmão e vidro de janela na vizinhança. Por precaução, vou fazer um alvo de madeira e pedir que Manu pinte direitinho.

 

Enquanto isso, o Presidente da nação, talvez ciente do que esteja vindo por aí, intensifica a falação de abobrinhas disfarçantes, ao tempo que o seu colega do norte perde de vez a compostura e o respeito.

 

Vitória, 07 de janeiro de 2021

Alvaro Abreu 

Escrita para A GAZETA

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