Crônica diária
Gente bonita (Beautiful people)
Essa expressão é dos anos 50, mas até hoje muito apropriada para definir um grupo muito pequeno, é verdade, mas que ainda sobrevive em São Paulo e em outras cidades brasileiras. Houve um tempo em que ser rico não era vergonha, e a classe média invejava e curtia as festas e eventos que os cronistas sociais cobriam em suas colunas. Os comunistas tem poucos feitos a comemorar, mas um deles foi difundir uma ideia de que todo rico é um bandido a ser combatido. Num regime capitalista é um absurdo negativista. Mas como estamos na era dos que acreditam que a terra é plana, que o Covid 19 não mata, e quem mata é a vacina chinesa, culpar os ricos pelas misérias humanas nem é tão grave. Almocei domingo passado num restaurante frequentado por "gente bonita". Lá estava na mesa próxima à nossa, Maria Pia Matarazzo. A reconheci imediatamente. Comentei com meu irmão e cunhada, que por estarem de costas não a viam. E tentamos adivinhar sua idade. Impossível. O Google, que sabe tudo, me informou: ela tem exatamente um ano mais do que eu. Somos de 15 de novembro. Hoje fui ao Rogério Guimarães, meu dentista, e ele discretamente me sugeriu o branqueamento dos dentes. Está, como dizem os italianos: "di moda". Eu rechacei veementemente. Acho um absurdo pessoas da minha idade com o "teclado" de piano novo. Não orna. Parece, o que é pior, dentadura. Como não vejo nenhuma graça nas mulheres fazendo tatuagem na sobrancelha. De repente todas beldades estão com vistosas sobrancelhas, quando nunca tiveram. E esses dois pequenos detalhes sem falar no botox e similares. Desde moleque aprendi a admirar pessoas de idade com cabelos brancos, dentes amarelados pelo fumo, vinho, café e primaveras. Qualquer coisa que altere essas características, principalmente nos homens, é um horror. Cabelo caju, nessa linha de artifícios só perde ou empata com sapato de sola e salto alto.

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