Crônica diária
Ao divisar uma jovem
Usei a palavra "divisar" propositadamente, pois foi ela que o Carlinhos Oliveira usou na crônica datada de 1968. Ele "divisou" uma jovem no exato momento em que iria atravessar uma rua. Acontece que uns cinco ou seis camaradas, que iam em todas as direções interromperam a marcha para contempla-la. A garota justificava essa trégua. O Carlinhos descreve e eu transcrevo literalmente: " Morena queimada por muitos sóis, e sólida, e se visivelmente já foi inaugurada pela feminilidade, isso só pode ter ocorrido ontem. Um milímetro a menos de busto faria dela uma criança. Ei-la que atravessa. Há suspiros na rua México. Todo mundo decidiu de repente atravessar a rua." Carlinhos então conta que logo adiante encontra um amigo que ao cumprimenta-lo foi logo dizendo que contemplou aquela coisa espantosa que vi que você também estava apreciando. E foram tomar uma cerveja no bar logo na esquina. O amigo: "Você concorda que a minissaia foi a maior invenção do século?" Neste ponto paro de transcrever a crônica do Carlinhos para concordar inteiramente com a opinião do amigo dele. Passados 62 anos dessa conversa, a minissaia ficou comprida perto dos shortinhos que as meninas de hoje desfilam não só beira mar, mas nas calçadas da Rua Oscar Freire, no centro de São Paulo. A quantidade dessas garotas, mostrando o que Deus lhes deu, e o Carlinhos tão bem descreveu, é enorme.

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