Crônica diária
Ontem e hoje
No dia 24 de julho de 1968 o cronista Carlinhos de Oliveira escreveu um texto com esse título. Falou da diferença das crônicas de antigamente e a dos dias correntes. Achei graça porque exatamente ontem postei uma falando do mesmo assunto. Sinal que os tempos não mudam. Só muda a data do calendário. E olhe que se passaram 52 anos da crônica do Carlinhos. Ele relatava que havia ido ao Zumzum e viu a moça que ele amou loucamente: "Vem cá, eu quero falar com você". Ela respondeu: "Se você quer falar comigo, escreve no jornal que eu leio". Depois disso, na mesma noite foi ao Jirau e ali outra moça falou: "Quero que você me dê uma crônica. Você me dá?" Então lembrou Carlinhos de um velho jornalista que se perguntava: " Onde andarão as velhas e boas crônicas que falavam da namorada perdida ou coisas assim?" Conclui Carlinhos, grande cronista à época, que Antonio Maria escrevia crônicas saborosas "como almoço a dois no bistrô de Paris, cedeu lugar às do Nelsinho Mota que se esforça (e quase sempre consegue) por ser aliciadora de menores." Carlinhos completa: "A imaginação feminina abandonou o herói glamoroso, tipo Carlos Lacerda, e foi buscar seu homem com roupa branca maculada pelas fezes e pela poeira: Che Guevara." Mas continuam as mesmas pedindo crônicas aos escritores. E nós somos contra isso, não é Roberto Klotz?

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