5.8.20

Crônica diária

O Barbudo do Jangadeiro

Como a minha  opinião ainda continua "provisória" sobre o cronista Carlinhos Oliveira, esta é para rasgados elogios. A crônica esta na página 59 do livro "O homem na varando do Antonio´s".  "Um artista que surge" é o título, e Carlinhos de modo magistral narra a história do boêmio de quatro patas que atendia pelo nome de Barbudo, numa alusão a seu focinho hirsuto. Barbudo era um vira-latas de boa índole e que conhecia todos os frequentadores do Jangadeiro. Não tem casa nem dono exclusivo. Quando o bar se fecha, ele escolhe um freguês qualquer, e o segue por onde for. Todos nós já tivemos oportunidade de acolher o Barbudo, escreve Carlinhos. No dia seguinte volta para o Jangadeiro. Só tem um defeito, é racista. Investe contra qualquer negrinho que entre no bar para pedir dinheiro. Devezemquando desaparece por muito tempo. Quando reaparece é festa por muitos dias. Num bar qualquer coisa é motivo para se festejar. Ele começou a ficar meio esnobe: ao entrar no bar, como antes, na hora de sempre, mas não fazia mais festa a ninguém. Nós, dizia Carlinhos, é que tínhamos que ir até ele. E recebia as carícias com um ar de quem recebe homenagens que lhe são devidas por direito de conquista. "É assim que o sucesso desfigura as pessoas de caráter fraco." Barbudo tornou-se famoso, seu retrato saiu no Correio da Manhã, e todas as noites uma legião de admiradores vai vê-lo no Teatro Aurimar Rocha, onde atua na peça "Ratos e homens", de John Steinbeck. Dizem que é um ator nato. Seu papel é pequeno, ele entra no palco e late duas vezes, mas faz com tanta sabedoria, que parece ter feito curso de interpretação no Actor´s Studio. Carlinhos termina a crônica  dizendo que no Jangadeiro há um movimento objetivando fazer Barbudo voltar à razão. Ele anda tão mascarado que já faltou duas ou três vezes ao teatro. Essa demonstração de irresponsabilidade profissional, e de vaidade delirante podem liquidar, logo no início, com sua brilhante carreira, o que entristece a todos que torcem por ele. Novembro de 1962.

PS- O restaurante Jangadeiro, quando foi inaugurado em 1935, chamava-se Bar Rhenania e ficava na Rua Visconde de Pirajá nº 80, ao lado do antigo Cinema Ipanema, em frente ao Chafariz das Saracuras, na Praça General Osório. Em 1971, a especulação imobiliária forçou-o a se mudar para a Rua Teixeira de Melo nº 20, onde sobreviveu até 1985. Depois ainda se mudou para o nº 53 até fechar em 1995.

Um comentário:

valter ferraz disse...

Carlinhos de Oliveira era poeta de botequim, cronista de mesa de bar. Haviam dezenas deles, se não,centenas.Nenhum prosperou, nenhum passou à eternidade (não esquecendo do mestre de todos eles, Vinicius de Moraes que deixou o seu legado devido à sua genialidade).
De minha parte não vejo mérito nenhum em seus escritos. Um intelectualóide metido à besta.Esnobe,pouco afeito ao trabalho. Encaixava-se perfeitamente na categoria dos vagabundos.

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