Crônica diária
O Triumph do Carlinhos Oliveira
Quando
resolvi resgatar a memória do cronista Carlinhos Oliveira, provocado
pelo meu amigo Germano Fher Neto, não imaginava que a minha querida
amiga Regina Rocha pudesse ter sido inspiradora de uma crônica do
Carlinhos. Não por falta de méritos, muito pelo contrário, a Regina foi
uma das garotas mais lindas de São Paulo. Nos conhecemos em situação
constrangedora. Eu era casado e morava em Belém do Pará. Estava há dias
de cama como as febres terçãs benigna e malígna, juntas, mais conhecidas como malária. Quase morri
desse mal. Lá não tínhamos uma cama tradicional, e o colchão ficava
sobre um estrado de madeira, e o apartamento, antigo, tinha pé direito
alto. Na situação do colchão quase no rés do chão para quem estava
deitado era ainda maior. Certo dia minha mulher entra no quarto e
anuncia: "Olha que veio te visitar!" E era um primo meu, recém casado
com uma morena de olhos verde claros. Foram de São Paulo a Belém do Pará
de moto. Ela usava um "tamancão" da moda cuja plataforma era quase da
altura do estrado e colchão. (Lembram da Carmem Miranda?). E foi essa a
minha primeira visão da Regina na época. Muito magra, muito alta, e
muito bonita. Anos depois num carnaval em Teresópolis o Carlinhos se
apaixonou. Mas outra surpresa sexata feira passada, quando fui almoçar
no apartamento do Paulo meu irmão. Levei o livro de crônicas da Varanda
do Antonio´s, e perguntei se ele lembrava desse cronista. Ele riu, e me
contou que era solteiro e nosso pai tinha um carro esporte inglês
chamado Triumph,
azul claro. Pediu emprestado e foi passar um fim de semana no Rio. Lá,
nas imediações do Antonio´s estacionou e alguém chegou até ele, e
perguntou: "é do Carlinhos Oliveira?" Ele respondeu meio ofendido: "Não,
é meu". E foi assim que soube da existência do Carlinhos. Em São Paulo
pouca gente lia o caderno B do Jornal do Brasil. Mas o que mais me
espantou nessa história é que o Carlinhos além de alcoólatra, e boêmio
duro, em suas crônicas sempre pegava carona, ou andava de táxi. Teria
mesmo sido dono de Triumph,
carro importado, e caro? O certo é que esse azul claro acabou sendo
comprado pelo meu amigo Olivier Perroy. E outro detalhe é que eu nunca
dirigi esse, e nenhum Triumph. Carro nunca foi minha paixão. Mas era a do meu pai, e a do Paulo meu irmão.


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