25.8.20

Crônica diária

Por que será?

Este assunto é para especialistas, mas vou me aventurar em seara alheia. Por que será que certas denominações estrangeiras são insubstituíveis em nosso idioma? Por exemplo boy do inglês, que literalmente é menino, não funciona quando usado como cowboy, office-boy, moto-boy. "Menino vaqueiro" não combina com a imagem do cowboy fumando Mallboro. Menino de escritório", parece trabalho infantil. Moto-boy, se não fosse uma atividade para maiores de 18 anos, seria crime de transito. Menino da moto não combina com os marmanjos e idosos nessa atividade. Mas o mais curioso é não haver uma denominação para essas atividades na língua portuguesa. Office-boy de tribunais é meirinho. Por que não tem um nome para os de escritório?  Vaqueiro é o sinônimo de cowboy, não fosse o cinema ter criado uma imagem bem diferente do vaqueiro americano e dos outros do resto do mundo. Tanto no Brasil como em Portugal ou na Europa como um todo, quem cuida do gado não se assemelha ao cowboy do Mallboro. Outras palavras estão definitivamente aposentadas. Copeira, era uma profissão de empregadas domesticas, quando as casas tinham copa. Hoje ela foi abolida, e a própria cozinha incorporada à sala. As casas tinham hall de entrada, hoje substituídos pelos de elevador. Tinham sala de estar, sala de visita, sala de jantar, e outros cômodos além dos quartos e banheiro. Propositadamente coloquei banheiro no singular porque eram poucos no final de um longo corredor. Foi a única peça da casa que aumentou com a modernidade. Hoje cada quarto tem o seu, e são denominados suítes. E tem ainda o lavabo social, e o das empregadas. Num país com mais de 15 milhões de desempregados, essa palavra e função foi demonizada pela esquerda, e passaram a chamar de secretárias do lar, e outros eufemismos idiotas. Nem o criado-mudo escapou dessa sanha obscurantista, e hoje é chamado de mesa de cabeceira, isto quando o quarto comporta uma cama de casal e dois criados-mudos.

Um comentário:

valter ferraz disse...

Mania do brasileiro querer copiar estrangeirismos.
Somos aculturado, como o foram os portugueses. Por pouco tempo tentamos copiar o francês e trouxemos o abatjour, o réchaud.
Só não trouxemos cultura e educação.

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