Crônica diária
Por que será?
Este assunto é para especialistas, mas vou me aventurar em seara alheia.
Por que será que certas denominações estrangeiras são insubstituíveis
em nosso idioma? Por exemplo boy do inglês, que literalmente é menino,
não funciona quando usado como cowboy, office-boy, moto-boy. "Menino
vaqueiro" não combina com a imagem do cowboy fumando Mallboro. Menino de
escritório", parece trabalho infantil. Moto-boy, se não fosse uma
atividade para maiores de 18 anos, seria crime de transito. Menino da
moto não combina com os marmanjos e idosos nessa atividade. Mas o mais
curioso é não haver uma denominação para essas atividades na língua
portuguesa. Office-boy de tribunais é meirinho. Por que não tem um nome
para os de escritório? Vaqueiro é o sinônimo de cowboy, não fosse o
cinema ter criado uma imagem bem diferente do vaqueiro americano e dos
outros do resto do mundo. Tanto no Brasil como em Portugal ou na Europa
como um todo, quem cuida do gado não se assemelha ao cowboy do Mallboro.
Outras palavras estão definitivamente aposentadas. Copeira, era uma
profissão de empregadas domesticas, quando as casas tinham copa. Hoje
ela foi abolida, e a própria cozinha incorporada à sala. As casas tinham
hall de entrada, hoje substituídos pelos de elevador. Tinham sala de
estar, sala de visita, sala de jantar, e outros cômodos além dos quartos
e banheiro. Propositadamente coloquei banheiro no singular porque eram
poucos no final de um longo corredor. Foi a única peça da casa que
aumentou com a modernidade. Hoje cada quarto tem o seu, e são
denominados suítes. E tem ainda o lavabo social, e o das empregadas. Num
país com mais de 15 milhões de desempregados, essa palavra e função foi
demonizada pela esquerda, e passaram a chamar de secretárias do lar, e
outros eufemismos idiotas. Nem o criado-mudo escapou dessa sanha
obscurantista, e hoje é chamado de mesa de cabeceira, isto quando o
quarto comporta uma cama de casal e dois criados-mudos.

Um comentário:
Mania do brasileiro querer copiar estrangeirismos.
Somos aculturado, como o foram os portugueses. Por pouco tempo tentamos copiar o francês e trouxemos o abatjour, o réchaud.
Só não trouxemos cultura e educação.
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