Crônica diária
A nova vida, de máscara
Quem diria que iríamos um dia usar máscara no cotidiano? Pois é, tive
que tomar um táxi para ir apanhar meu novo passaporte. O antigo valia
por cinco anos. O novo me deram dez de validade. Com a certeza de que
não usarei todo esse tempo. Fui de casa até a esquina, onde tem um
ponto, e o único carro estava com o porta malas aberto e o motorista, um
senhor de idade, chupando laranja. Ao ser perguntado se estava livre,
me ofereceu uma, com a boca cheia. Entrei no banco traseiro, pensando no
distanciamento do "novo normal". Em geral uso o banco do carona, e vou
conversando com o motorista. Ele fechou o porta mala, e entrou no carro
sem máscara. Lá pelas tantas se deu conta e num sinal de transito,
aproveitou a parada para descer e ir apanhar a máscara que havia
esquecido. Eu no banco traseiro, de máscara e a porta do táxi aberta, me
senti estranho. Olhava as pessoas dos carros ao lado, que não estavam
entendendo o que se passava. E na verdade era apenas um motorista a
procura de sua máscara. Hoje sair sem ela, é impossível. Sem meia, sem
gravata, ou sem cueca, ainda vai. Sem máscara não dá.

Um comentário:
Logo as cuecas serão obrigatórias. Questão de segurança. Vai que o ozônio também o seja?
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