Crônica diária
Duas boas definições
Duda Cavalcanti, em foto do marido e fotógrafo Otto Stupakoff - Instituto Moreira Salles
Só um alcoólatra e boêmio poderia ter escrito essa frase com tanta propriedade: "A aceitação de qualquer bebida é moralmente inquietante, pois atravessa a fronteira que separa o prazer do vício."
O autor? Carlinhos Oliveira, cronista dos bares e restaurantes do Rio,
durante 23 anos bebendo e escrevendo para o caderno B do Jornal do
Brasil.
É
dele, outra definição maravilhosa, de serenata. Estavam num bar, para
variar, e o Chico Buarque lamentou as moças não morarem mais em casas, e
o inconveniente de se fazer serenata para quem morava no quarto andar.
Foi quando o Hugo Carvana lembrou que a Duda Cavalcante morava em casa.
Ligou para ela e marcou uma surpresa às três da manhã. Carlinhos definiu
o que é uma serenata: "É uma declaração de amor platônico, feita em
grupo e em homenagem a uma pessoa determinada -- a qual possui janela e
não tem sono."
PS-
...Duda
Cavalcanti ? Muitos cronistas da época a consideram a verdadeira Garota
de Ipanema. Não aquela que entrou de gaiata na história e fatura até
hoje em cima. Duda Cavalcanti foi a precursora daquilo que se
convencionou como a mulher liberada do final dos anos 60. Somente
igualada em comportamento e atitude a verdadeiros ícones da república
ipanemense como Leila Diniz, Danuza Leão e Vera Barreto Leite. Dona de
uma rara beleza de raízes puramente brasileiras, Duda Cavalcanti
celebrizou-se no raiar dos anos 60 como modelo e depois como atriz
(Arrastão, 1966, direção Antoine d´Ormesson). Foi a primeira modelo a
participar de um ensaio fotográfico de moda no Brasil, obra do seu
namorado da época, o fotógrafo Otto Stupakov, que emprestara um vestido
do costureiro paraense e queridinho da "haute couture" tupiniquim, Dener
Pamplona de Abreu. Primeiro ensaio fotográfico de moda no Brasil, 1958.
Edu Lobo e Duda Cavalcanti, Paris, 1966... Namorou ou foi casada com
cineastas, fotógrafos, gente da moda, jornalismo ou cinema. Estabeleceu
parâmetros modernos na passarela, foi capa das principais revistas
brasileiras e posou para dezenas de editoriais. Encheu o saco da
caretice brasileira e se mudou para Paris, onde permaneceu vários anos.
Deixou saudades e atrás de si o mito da musa, que ainda hoje perdura
quando aparece aqui e ali em eventos de moda. Quem viu uma vez Duda
Cavalcanti, jamais esquece...
Fonte: pasquineiras.blogspot.com.br

2 comentários:
Tinha pelos nos lugares nescessários?
Se estiver viva, pelos brancos... 76 anos.
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