31.8.20

HILDA HILST

                                                                       Escritora minha vítima nº 979

Crônica diária

O Triumph do Carlinhos Oliveira

Quando resolvi resgatar a memória do cronista Carlinhos Oliveira, provocado pelo meu amigo Germano Fher Neto, não imaginava que a minha querida amiga Regina Rocha pudesse ter sido inspiradora de uma crônica do Carlinhos. Não por falta de méritos, muito pelo contrário, a Regina foi uma das garotas mais lindas de São Paulo. Nos conhecemos em situação constrangedora. Eu era casado e morava em Belém do Pará. Estava há dias de cama como as febres terçãs benigna e malígna, juntas, mais conhecidas como malária. Quase morri desse mal. Lá não tínhamos uma cama tradicional, e o colchão ficava sobre um estrado de madeira, e o apartamento, antigo, tinha pé direito alto. Na situação do colchão quase no rés do chão para quem estava deitado era ainda maior. Certo dia minha mulher entra no quarto e anuncia: "Olha que veio te visitar!" E era um primo meu, recém casado com uma morena de olhos verde claros. Foram de São Paulo a Belém do Pará de moto. Ela usava um "tamancão" da moda cuja plataforma era quase da altura do estrado e colchão. (Lembram da Carmem Miranda?). E foi essa a minha primeira visão da  Regina na época. Muito magra, muito alta, e muito bonita. Anos depois num carnaval em Teresópolis o Carlinhos se apaixonou. Mas outra surpresa sexata feira passada, quando fui almoçar no apartamento do Paulo meu irmão. Levei o livro de crônicas da Varanda do Antonio´s, e perguntei se ele lembrava desse cronista. Ele riu, e me contou que era solteiro e nosso pai tinha um carro esporte inglês chamado Triumph, azul claro. Pediu emprestado e foi passar um fim de semana no Rio. Lá, nas imediações do Antonio´s estacionou e alguém chegou até ele, e perguntou: "é do Carlinhos Oliveira?" Ele respondeu meio ofendido: "Não, é meu". E foi assim que soube da existência do Carlinhos. Em São Paulo pouca gente lia o caderno B do Jornal do Brasil. Mas o que mais me espantou nessa história é que o Carlinhos além de alcoólatra, e boêmio duro, em suas crônicas sempre pegava carona, ou andava de táxi. Teria mesmo sido dono de Triumph, carro importado, e caro? O certo é que esse azul claro acabou sendo comprado pelo meu amigo Olivier Perroy. E outro detalhe é que eu nunca dirigi esse, e nenhum Triumph. Carro nunca foi minha paixão. Mas era a do meu pai, e a do Paulo meu irmão.

30.8.20

NELSON TOSTES RAMOS

                                                                                    Minha vítima número 978

Crônica diária

Aniversário na quarentena 
A moda, durante a quarentena da pandemia Covid19, para comemorar um aniversário, sem a presença dos amigos e da família, é de mensagens virtuais. Funciona assim: o pai, a mãe, a mulher, ou o marido, dependendo de quem é o aniversariante, liga para os amigos e parentes do festejado, para gravar, via celular, um depoimento com imagem e som. Claro que o agraciado não sabe de nada. É sempre uma surpresa. Essas imagens, muitas vezes às dezenas, são editadas e exibidas no jantar comemorativo, que presencialmente só conta com os membros da casa. Não raro um casal. As formas de exibição variam. Podem ser em filme sequencial, ou abertas uma a uma, através desse quadradinho preto e branco chamado " QR Code", que pode ser espetado, ou amarrado com fitinhas nos presentes, nas flores, ou até numa paella, como foi o caso do aniversário do Cristiano Moreira, em Ribeirão Preto. Para tanto basta um celular, que além de telefone, hoje em dia, é o responsável pela alegria das festa de aniversário.

29.8.20

THAÍS OYAMA (Escritora)


Crônica diária

A garota de Ipanema

                                                                                           Monique Evans, Duda Cavalcanti e Hêlo Pinheiro
Inútil ficar discutindo se foi a Hêlo Pinheiro ou a Duda Cavalcanti que inspiraram a música Garota de Ipanema. O certo e indiscutível é que foram as garotas de Ipanema, em algum momento representadas pela Hêlo ou pela Duda. Esse comentário surgiu quando o nosso querido  amigo e profundo conhecedor de mulheres, pelo menos digitalmente, Marcelo Aranha, postou uma foto da Monique Evan, saindo do mar de biquíni, com a legenda: "...anos 80, que coisa...". Ao comentar completei a frase: "que coisa mais linda, foi inspirado nela". Claro que eu sei que a Monique (1956) tinha 6 aninhos de idade quando as Hêlos e Dudas" inspiraram o Tom e Vinícius em 1962. Foi só para completar a "coisa" que o Marcelo escreveu. Quis dizer que tinha todos os atributos e credenciais para ter sido. Mas o amigo do Marcelo, Adriano Dall Acqua, fez questão de me corrigir. Então lembrei que esse era exatamente esse o papo de bar, de boteco, que por conta do Covid19 não temos mais. Então ficamos falando de abobrinhas na internet.

28.8.20

Ana Miranda

                                      
                                               Escritora Ana Miranda, minha vítima nº 976

Crônica diária


Sobre os glúteos femininos no Brasil
              Sabrina Sato em foto do projeto Pele Project – Foto: Reprodução/ Instagram

Dizem que os seios são a parte mais cobiçada da mulher nos Estados Unidos. Mulher para aparecer na revista Playboy tinha que ter peitos grandes. Já no Brasil a coisa é diferente. Quem faz sucesso são as bundas. Carlinhos de Oliveira na década de 60 escreveu que foi fazer uma pesquisa no Canecão e assistir a banda Herman´s Hermits para imaginar o que ocorreria se os Beatles viessem um dia tocar aqui. Nunca vieram, mas o Carlinhos depois do show dos Herman´s concluiu que:
1º O conjunto que "O Globo" havia descrito como sendo os "Beatles sem LSD", eram mais do que isso. Sem LSD e sem John, George, Paul, e Ringo.
2º Iniciado o show as moças e os rapazes correram para perto dos cinco. Um pouco mais atrás os jovens trepavam nas mesas. Cinco moças improvisaram um grupo de go-go girls. Uma dessas garotas, gentilmente despida de minissaia, devezemquando se abaixava para esticar a meia soquete. Era um gesto displicente, estudado, e atrevido. Uma espontaneidade cruel, tão de acordo com a conduta das mocinhas de hoje, escreveu Carlinhos (1967).
3º Sentado e tomando a sua dose de uísque o cronista ficou multiplicando por mil aquele extraordinário espetáculo. O da bunda da moça, claro. E eram apenas os Herman´s  Hermits, mil vezes menos admirados do que os Rolling Stones e dez mil vezes menos do que os Beatles.
Conclusão: se John, George, Paul e Ringo viessem cantar no Canecão, veríamos o maior festival de bumbum de todos os tempos.
Tanto é verdade que Tio Cristalino, grande pescador e desembargador muito respeitado e querido no Espírito Santo, dizia que "a personalidade da mulher brasileira está na bunda".


"Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda.
Rita Lee."

27.8.20

José Luis Borges

                                                    Minha vítima de número 975

Crônica diária

A caminho das 1000 vítimas

                                                                       Lima Barreto e Rainer Castello

Tenho um amigo novo, que de cara foi minha 960º Vítima da Quinta. Para os recém chegados explico que Vítima da Quinta é um blog onde coleciono até o momento 960 caricaturas.  Pretendo chegar a 1000 até o fim do ano. Seu nome é Rainer Castello e posta diariamente textos de escritores brasileiros famosos. Textos escolhidos a dedo. E de brincadeira, como costumo fazer, constantemente, ao comentar, coloco uma caricatura do autor do texto. Outro dia o texto era do Lima Barreto. Comentei que não tinha uma caricatura dele. E depois fui lá no blog, escrevi Lima Barreto no "procura-se" e lá estava desde 2019, e eu nem lembrava mais. Já foram tantos os caricaturados que perdi a conta e memória. Vamos ver se o meu estoque de Vítimas dará conta das postagens do Castello. 
PS https://www.vtmadaquinta.blogspot.com

26.8.20

Jan Op De Beeck

 Jan Op De Beeck numa demonstração de como se faz uma caricatura do John Lewis

Crônica diária

Tabuismo, substantivo masculino

Objeto de decoração

Duvido que a maioria dos meus mais cultos e intelectualmente preparados leitores saibam o significado de : "Tabuísmo". Nem o meu corretor de texto sabia. Insiste em troca-la por "tabagismo".
Tabuismo é a palavra, locução ou acepção tabu. As consideradas chulas, grosseiras, e ofensivas na maioria dos textos e contextos. São chamados palavrões, palavras de baixo calão, impróprias, obscenas. Referem-se geralmente ao metabolismo (evacuar, urinar), ou aos órgãos e funções sexuais que me abstenho de nominar, porque de conhecimento e uso de todos. Incluem no tabuismo os disfemismos pesados como puta, veado, cabrão, bicha, e expressões tabuizadas como puta que pariu, filho da puta, ou foda-se. A maioria quase absoluta não sabia o que era tabuísmo, mas usam, ou usaram, em determinadas circunstâncias. Essas palavras ou expressões tabuizadas cada dia são mais usadas, e menos consideradas tabu. Nas livrarias o número de títulos com "foda-se" é acachapante. Numa rápida busca na livraria Cultura encontrei oito títulos:
Foda-se o estresse
A sutil arte de ligar o foda-se
O coach do Foda-se
Liberdade, Felicidade & Foda-se
Em caso de necessidade aperte o Foda-se
Des Foda-se
Pílulas de Foda-se
Tens de comer, Foda-se
Na ilustração é um objeto de decoração.

25.8.20

ERNESTO PRIEGO

                                            Caricaturista, minha 972º Vítima da Quinta

Crônica diária

Por que será?

Este assunto é para especialistas, mas vou me aventurar em seara alheia. Por que será que certas denominações estrangeiras são insubstituíveis em nosso idioma? Por exemplo boy do inglês, que literalmente é menino, não funciona quando usado como cowboy, office-boy, moto-boy. "Menino vaqueiro" não combina com a imagem do cowboy fumando Mallboro. Menino de escritório", parece trabalho infantil. Moto-boy, se não fosse uma atividade para maiores de 18 anos, seria crime de transito. Menino da moto não combina com os marmanjos e idosos nessa atividade. Mas o mais curioso é não haver uma denominação para essas atividades na língua portuguesa. Office-boy de tribunais é meirinho. Por que não tem um nome para os de escritório?  Vaqueiro é o sinônimo de cowboy, não fosse o cinema ter criado uma imagem bem diferente do vaqueiro americano e dos outros do resto do mundo. Tanto no Brasil como em Portugal ou na Europa como um todo, quem cuida do gado não se assemelha ao cowboy do Mallboro. Outras palavras estão definitivamente aposentadas. Copeira, era uma profissão de empregadas domesticas, quando as casas tinham copa. Hoje ela foi abolida, e a própria cozinha incorporada à sala. As casas tinham hall de entrada, hoje substituídos pelos de elevador. Tinham sala de estar, sala de visita, sala de jantar, e outros cômodos além dos quartos e banheiro. Propositadamente coloquei banheiro no singular porque eram poucos no final de um longo corredor. Foi a única peça da casa que aumentou com a modernidade. Hoje cada quarto tem o seu, e são denominados suítes. E tem ainda o lavabo social, e o das empregadas. Num país com mais de 15 milhões de desempregados, essa palavra e função foi demonizada pela esquerda, e passaram a chamar de secretárias do lar, e outros eufemismos idiotas. Nem o criado-mudo escapou dessa sanha obscurantista, e hoje é chamado de mesa de cabeceira, isto quando o quarto comporta uma cama de casal e dois criados-mudos.

24.8.20

Luis Ordoñez

                                                  Caricaturista, minha Vítima Nº 971

Crônica diária


Longe pra bedel

Muita gente deve lembrar de ter ouvido ou usado a expressão: "longe pra bedel". Alguns dizem que não é "bedel" e sim "dedeu". Há controvérsias, caro Ronaldo Werneck. Eu acredito que essa expressão tenha nascido de um diálogo entre um professor e o reitor da universidade. O bedel deveria levar uma encomenda para algum lugar muito distante, e o reitor alertou o professor que seria inconveniente manda-lo. Era longe pra bedel. Agora se não é "bedel", e sim "dedeu, não faço ideia de como pode ter surgido. Com a palavra os sabidos.  

23.8.20

Nelson Moraes

                                                                    Minha vítima nº 970
                                         O velho autor do blog "O ALMIRANTE, NELSON"

Crônica diária

A nova vida, de máscara

Quem diria que iríamos um dia usar máscara no cotidiano? Pois é, tive que tomar um táxi para ir apanhar meu novo passaporte. O antigo valia por cinco anos. O novo me deram dez de validade. Com a certeza de que não usarei todo esse tempo. Fui de casa até a esquina, onde tem um ponto, e o único carro estava com o porta malas aberto e o motorista, um senhor de idade, chupando laranja. Ao ser perguntado se estava livre, me ofereceu uma, com a boca cheia. Entrei no banco traseiro, pensando no distanciamento do "novo normal".  Em geral uso o banco do carona, e vou conversando com o motorista. Ele fechou o porta mala, e entrou no carro sem máscara. Lá pelas tantas se deu conta e num sinal de transito, aproveitou a parada para descer e ir apanhar a máscara que havia esquecido. Eu no banco traseiro, de máscara e a porta do táxi aberta, me senti estranho. Olhava as pessoas dos carros ao lado, que não estavam entendendo o que se passava. E na verdade era apenas um motorista a procura de sua máscara. Hoje sair sem ela, é impossível. Sem meia, sem gravata, ou sem cueca, ainda vai. Sem máscara não dá.   

22.8.20

Ricardo Olszewski

                                                                  Escultor minha vítima 969

Crônica diária

A mãe do namorado

Um dia eu capotei. Já aconteceu com algum de vocês? Minha namorada, minha filha, um namorado dela e eu dirigindo capotamos na altura de Sorocaba. A pista estava molhada, passei pelo posto da Polícia Rodoviária, e logo em seguida o carro aquaplanou, deslizou pelo asfalto como pedra de gelo no mármore, entrou o acostamento subiu um barranco de grama, o que foi a sorte, pois perdeu totalmente a velocidade, e lentamente capotou. Alguém de vocês já ficou de cabeça para baixo presos no assento pelo cinto de segurança? Naquele tempo não havia air bag. A situação é no mínimo constrangedora. Você leva uns segundos para entender o mundo por aquele ângulo. Olhei para o lado e a Paula estava na mesma situação. Mas bem. Sem conseguir olhar para o banco traseiro perguntei: " Estão todos bem?" A resposta foi positiva. As rodas pararam de rodar. O motor continuava funcionando, mas minha luta era com o cinto. Meu peso e a ação da gravidade conspiravam contra meu desejo. A Paula foi mais feliz nessa empreitada. Conseguiu desatar o seu cinto e caiu na capota. Aí me ajudou soltar o meu, e cai também. Olhamos para trás e minha filha sangrando na cabeça, era ajudada pelo namorado a sair pelo vidro traseiro, que espatifará no capotamento. Abrir a porta sentado na capota interior foi a luta seguinte. Mas saímos do carro. Garoava, e as primeiras pessoas começaram a parar e vir ver o que tinha acontecido. A Policia chegou em seguida. Com o cabelo da minha filha empapado de sangue, chamaram uma ambulância e os três foram para o hospital de Sorocaba, a pouca distância do ocorrido. Fiquei na chuva fina a espera dos procedimentos policiais. Me liberaram e não lembro como fui para o hospital encontrar a Paula, minha filha e o namorado dela. Feita radiografia (depois soubemos que de péssima qualidade) ficamos numa varanda úmida assistindo o entra e sai de ambulâncias e doentes, a espera de alta dos médicos. Um helicóptero foi aventado para levar minha filha para São Paulo. O mau tempo impedia. Finalmente a Paula e o namorado da minha filha foram de táxi para casa, e eu acompanhei na ambulância minha filha que não havia sofrido nada além de pequenos ferimentos provocados pelos estilhaços do vidro. Mas no dia seguinte fizemos uma nova chapa da cabeça. Foi quando os médicos comentaram o péssimo estado do raio X de Sorocaba. Espero que ninguém tenha passado por uma experiência dessas. Alguns dias depois, com o seguro dando como perda total do carro, fui chamado à justiça, num procedimento padrão,  onde me apresentei sem advogado. Ouviram minha filha, e o namorado, e eu em separado. Me senti um assassino. O juiz me tratou decentemente, apesar da notícia de que a mãe do namorado, que nada sofreu, quisesse me incriminar. Essa talvez tenha sido a pior parte. Moral da história: nunca capote com os namorados de sua filha a bordo. Eles tem mãe.

Crônica do Alvaro Abreu

Tempos bicudos


Para não falar de assuntos desagradáveis, grandes tragédias e temores crescentes, achei por bem escrever sobre Amora, minha querida arara Canindé, que ganhei de presente no meu aniversário de 70 anos de meus filhos, irmãos e amigos próximos. Disseram que era pra me fazer companhia e matar as saudades da Aurora, que tinha vindo pra nós ainda bem novinha lá em Brasília. Ela veio conosco pra Vitória se equilibrando na barra de alumínio, um poleiro improvisado, atrás da minha cadeira de motorista do nosso ônibus. Viveu conosco por uns sete anos, circulando livremente pela varanda, no quintal e sobre os muros. Fugiu e foi levada umas oito vezes e eu não consegui recuperá-la na última vez.

Amora foi comprada de um criador credenciado no Estado do Rio e chegou no aeroporto de Vitória totalmente estressada e agressiva, com uma anilha numerada na canela direita. Gastei uma manhã inteira para ganhar sua confiança, usando uma varinha de bambu para lhe oferecer água fresca e mamão maduro. Um treinador me disse que comida e carinho são elementos básicos para firmar amizade duradoura com os animais e me informou que as araras vivem setenta anos. 

O viveiro de bom tamanho que ganhamos permanece sempre aberto e está colocado diante da janela da cozinha para que Amora possa ficar, de cima de seu telhado, acompanhando a movimentação, sempre fazendo graça, se exibindo e pedindo comida.

Fiz um balanço de dois andares com paus de enxada, que ganhei de Manoel Araújo, antes que fechasse a sua utilíssima loja na Av. Leitão da Silva, e o pendurei com arame na viga da varanda. Amora adora ficar nele, sobretudo quando tem gente por lá. Para chamar a atenção ou se divertir, ela bate as asas com força suficiente para ganhar impulso e poder ficar balançando pra lá e pra cá, de cabeça pra baixo e peito aberto, dando gritinhos. 

Para que ela pudesse viver solta e perto da gente, inventei um super-poleiro móvel, montado sobre um pé de cadeira de escritório com cinco rodinhas, que permite levá-la pra todo lado, em especial ao lado da minha bancada, para ela poder ficar observando atentamente o que eu esteja fazendo. Ali, vou lhe dando lascas de bambu, que ela mastiga e estraçalha sem dó. Me impressiona o enorme poder de destruição de seu bico, com o qual consegue esticar arame, partir coquinho e arrancar prego. Nisso, as araras são como cachorros em crescimento, que roem pés de mesa, esburacam tapetes e destroem brinquedos, só pra coçar os dentes.

Ninguém previu que aquele presente, meio inusitado, seria tão útil na quarentena. Tanto, que vou precisar de mais uma crônica para contar as suas peripécias e a evolução da nossa amizade.

Vitória, 20 de agosto de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

21.8.20

Helio Estellita Herkenhoff Filho

Minha vítima nº 968
Escritor

Crônica diária

Não conhecia essa voz bem humorada e lúcida que vem de Goiânia, Nelson Moraes. É amigo de uma turma de gente inteligente que descobri aqui no Facebook. E o mais curioso é que encontrei na página do Nelson um monte de amigos comuns. Entendam como amigos virtuais. E eles nunca me falaram do Nelson. E o Nelson nunca ouviu falar de mim. Mas feitas as apresentações, conto o que li hoje lá na sua página. A história não é nova, mas todas as histórias que envolvem escritores do gabarito do Fernando Sabino e Otto Lara Resende são memoráveis. Conta o Nelson, que contou o Fernando que escrevia sua crônica semanal no Jornal do Brasil, e que certo dia recebeu um telefonema do Otto dizendo que a do dia anterior estava de amargar, e recomendava que tirasse umas férias. O Fernando entrou em profunda depressão, e resolveu deixar de publicar, e comunicou o jornal que iria fazer um ano sabático. Passado um tempo voltou ao jornal e na falta de inspiração e remexendo no fundo das gavetas encontro a fatídica crônica. Resolveu, na falta de outra, mandar ela mesmo. Dois dias depois o Otto liga: "Ei, queria te parabenizar. Voltou em grande forma, viu? A crônica estava ótima." O Fernando espumando de ódio, abobalhado e sem entender como tinha amargado todo esse tempo achando que por conta da crítica do Otto, não sabia mais escrever, contou para ele que a crônica era a mesma que ele tinha execrado.
- Uai. Agora eu gostei muito. Ou ela melhorou ou eu piorei.

20.8.20

Lya Luft

                                                                            Minha Vítima nº 967

Crônica diária

Duas boas definições

                             Duda Cavalcanti, em foto do marido e fotógrafo Otto Stupakoff - Instituto Moreira Salles
Só um alcoólatra e boêmio poderia ter escrito essa frase com tanta propriedade: "A aceitação de qualquer bebida é moralmente inquietante, pois atravessa a fronteira que separa o prazer do vício."  O autor? Carlinhos Oliveira, cronista dos bares e restaurantes do Rio, durante 23 anos bebendo e escrevendo  para o caderno B do Jornal do Brasil. 
É dele, outra definição maravilhosa, de serenata. Estavam num bar, para variar, e o Chico Buarque lamentou as moças não morarem mais em casas, e o inconveniente de se fazer serenata para quem morava no quarto andar. Foi quando o Hugo Carvana lembrou que a Duda Cavalcante morava em casa. Ligou para ela e marcou uma surpresa às três da manhã. Carlinhos definiu o que é uma serenata: "É uma declaração de amor platônico, feita em grupo e em homenagem a uma pessoa determinada -- a qual possui janela e não tem sono." 

PS- 
...Duda Cavalcanti ? Muitos cronistas da época a consideram a verdadeira Garota de Ipanema. Não aquela que entrou de gaiata na história e fatura até hoje em cima. Duda Cavalcanti foi a precursora daquilo que se convencionou como a mulher liberada do final dos anos 60. Somente igualada em comportamento e atitude a verdadeiros ícones da república ipanemense como Leila Diniz, Danuza Leão e Vera Barreto Leite. Dona de uma rara beleza de raízes puramente brasileiras, Duda Cavalcanti celebrizou-se no raiar dos anos 60 como modelo e depois como atriz (Arrastão, 1966, direção Antoine d´Ormesson). Foi a primeira modelo a participar de um ensaio fotográfico de moda no Brasil, obra do seu namorado da época, o fotógrafo Otto Stupakov, que emprestara um vestido do costureiro paraense e queridinho da "haute couture" tupiniquim, Dener Pamplona de Abreu. Primeiro ensaio fotográfico de moda no Brasil, 1958. Edu Lobo e Duda Cavalcanti, Paris, 1966... Namorou ou foi casada com cineastas, fotógrafos, gente da moda, jornalismo ou cinema. Estabeleceu parâmetros modernos na passarela, foi capa das principais revistas brasileiras e posou para dezenas de editoriais. Encheu o saco da caretice brasileira e se mudou para Paris, onde permaneceu vários anos. Deixou saudades e atrás de si o mito da musa, que ainda hoje perdura quando aparece aqui e ali em eventos de moda. Quem viu uma vez Duda Cavalcanti, jamais esquece... 
Fonte: pasquineiras.blogspot.com.br

19.8.20

Hélio Pellegrino

                                                                 Minha Vítima da Quinta nº 966

Crônica diária

Sobre amizades

Quantas definições, e quantas história já ouvimos sobre  amizades. Mas foi lendo uma crônica do Carlinhos Oliveira que deparei com uma frase que me chamou atenção. "Dispensamos tacitamente tanto a longa convivência quanto qualquer dos ritos preparatórios da amizade." Poucas vezes isso acontece na vida. Mas acontece. E comigo aconteceu há uns três anos (ou faz mais tempo?) com o Alvaro Abreu. A responsável foi uma queridíssima amiga comum  Graziela Debbane. Tive outro amigo e colega de internato em Cataguases, José Roberto Noronha, que conheci no exato momento em que por pura coincidência chegávamos de São Paulo para passar dois anos e meio internos. O encontro foi desarrumando a mala e tentando colocar tudo num pequeno escaninho, que chamavam de "seu ármario". Entramos no colégio no mesmo dia e ano, e saímos (expulsos) na mesma data e hora. Infelizmente só encontrei com ele uma única vez, depois disso na casa do Thomas Souto Correa e Guaracy Mirgalowska. Morreu num acidente de automóvel. Não lembro de outras amizades que não tenham percorrido os quesitos de convivência e ritos preparatórios.

18.8.20

O meu Freud no Google

A minha caricatura do Lucian Freud no Google. Uma honra.

Crônica diária

Uma mini biografia

Hoje vou abrir meu coração e contar para vocês uma coisa que nunca contei aqui. Eu detesto aulas e nunca gostei de escolas. Sou auto didata em quase tudo que fiz e faço na vida. Fui sempre péssimo aluno. Só no Dante fui reprovado no ginásio duas vezes. Fui convidado a sair. Fui interno em Cataguases, Minas Gerais. Lá fiquei dois anos e meio. No meio do ano liderei uma grave e fui expulso. Eu e meu amigo José Roberto Noronha, parceiro e grande amigo, com quem desenvolvi um projeto de poder, no colégio. Fundamos um jornal, mantínhamos um programa na rádio, ele foi eleito presidente da RAI, Reunião dos Alunos Internos, eu presidente do Grêmio Literário Machado de Assis, cargo esse nunca antes ocupado por um ginasiano, e interno. Era quase um prêmio para os nativos no ultimo ano do Clássico. Depois fui candidato a presidente da UPES -União Paulista dos Estudantes Secundários, e fui seu vice-presidente na gestão do José Moisés. Fui membro de várias associações, como diretor, vice-presidente, e diretor e superintendente de algumas empresas ligadas ao agronegócio, parcelamento do solo, e indústria de álcool e açúcar. Durante todas essas atividades, e por cinquenta anos, pintei como amador. Nunca tive numa escola ou orientação de nenhum artista, como é usual. Na escultura tomei uma semana de aulas diurnas e noturnas com o artista e escultor Israel Kinslansky. Durante toda a vida li muito. Livros, jornais, e revistas. Das revistas importadas, de arte e arquitetura, eu sonhava ter um dia quadros pintados por mim, nas paredes daquelas casas maravilhosas, que essas revistas publicavam. Nunca cheguei lá, mas tenho telas minhas, em algumas casas, dignas dessas matérias. Quando fui obrigado a deixar as tintas, por uma intoxicação, passei a me dedicar aos blogs, e tive 60. Foi quando comecei a escrever. Hoje tenho uma dúzia de livros publicados e continuo a ler e escrever uma crônica diária. Resolvi fazer esta autobiografia para atender à curiosidade de novos leitores aqui no Facebook. Dois dias atrás um leitor se surpreendeu com minhas caricaturas. Chamou-a de "sensacional", e outros adjetivos que me fizeram ir dormir feliz. Pronto, já tenho uma biografia, e como imaginava, cabe numa página. Só esqueci de dizer que plantei muitas árvores, tive dois filhos e tenho quatro netos.

17.8.20

Desafio

Quais das três fotos corresponde à pia original de Lucian Freud?



Crônica diária

Carnaval no Rio

Vinte e um bares foram citados em 1964 pelo Carlinhos Oliveira em sua crônica que começa assim: " Vinícius de Moraes, em sua bela homenagem a Antonio Maria, lembrou que em 1953 vivia na mais completa falta de dinheiro, e também nessa época o costume era ir ao Clube da Chave." Boêmio abstêmio e rico eu nunca conheci. E o Carlinhos escreveu em outro texto esta pérola: "Sou boêmio profissional, e o carnaval é para os amadores." No que ele estava cheio de razão. Mas finalmente descobri porque o cronista Carlinhos Oliveira e sua literatura não chegou até os dias de hoje, como a dos seus pares da época, Rubem Braga, Fernando Sabino, Antonio Maria, e tantos outros. Porque ele era um chato. Baixinho, magrinho e feio. E por cima chato. Ele próprio conta que numa determinada noite de carnaval, ele sem camisa, como manda a fantasia de havaiano, sentado à mesa florida do Ibraim Sued,  bebendo whiskies, quando viu na mesa à frente a atriz Romy Schneider. Achou-a "bonitinha". À sua esquerda uma morena com quem trocou palavras em francês. Ele lança um guardanapo na direção da Romy, e explicou com um gesto que estava suada. Ela recusou o guardanapo, abriu um guarda-pó de ouro e se empoou, depois de dizer "merci". A reação do Carlinhos, bêbado, chato: "Ora, "merci" coisa nenhuma, o que eu quero é uma comunicação mais profunda, madame." Foi até ela, tirou o chapéu de toureiro, e o colocou em sua cabeça. Ela ficou atrapalhada, preocupada em ajeitar os cabelos para não ser fotografada despenteada pelo chapéu, que pediu de volta. O chato e desagradável Carlinhos tirou o chapéu e colocou na cabeça da morena à sua esquerda, e esta devolveu a Romy. Todos nós já assistimos cenas desagradáveis como essa. Sem graça, e totalmente inconvenientes. Esse era o Carlinhos Oliveira. No dia seguinte foi saudado por amigos que viram fotos nos jornais onde ele aparecia ao lado de Romy Schneider. Coitada. Carnaval no Rio, nunca mais. (1965).
PS- Romy morreu de ataque cardíaco em 29 de maio, de 1982

16.8.20

Zoca Moraes


Crônica diária


A preparação para um golpe

No terceiro mês de governo Bolsonaro eu escrevi  que "as semelhanças entre Getúlio, Collor, Jânio Quadros, e outros que tentaram golpes, e o Bolsonaro, são evidentes". Faço entre aspas porque já republiquei essa minha "premonição", que se escancarava a olhos vistos em todas as falas presidências, e no comportamento inadequado do recém empossado. Depois continuei a criticar o presidente em quem votei. Meus leitores (tenho mais de 7 000 aqui no FB) se dividiram em dois grupos: bolsonaristas de raiz, que passaram a me tratar de "traidor", "comunista", "ingênuo" e outros adjetivos menos nobres, mas tão ofensivos quanto. O outro grupo de leitores mais atentos, e talvez socialistas e até petistas, me apoiaram com o silêncio. Escrevo por prazer, e parei de falar de política para não me aborrecer. Com fanáticos não há argumentos que os façam enxergar um palmo diante do nariz. E já faz um bom tempo que a manada bolsonarista me deu uma trégua. Eles não se interessam por literatura, muito menos por arte. Grande parte desses apoiadores do capitão acham que arte, em geral, é coisa de veado. E foram meses deliciosos escrevendo para gente inteligente. Mas a realidade se impõe. O comportamento pendular do presidente não deixa mais dúvidas. Os jornais sérios como O Estadão, Revista Crusoé, O Antagonista e Revista Piauí, sob sutil censura do STF, tem exposto as manobras do Palácio da Alvorada, no sentido de até pensarem em fechar o STF. As idas e vindas do Bolsonaro, no seu comportamento errante, oferecendo Cloroquina para as emas do Palácio, não usando máscara, desrespeitando o distanciamento social em passeios de moto, (que me faz lembrar as escapadas do General Figueiredo, que usava peruca no lugar do capacete). O presidente fazendo pouco das 100 mil mortes, e ironizando os governadores que cumpriam as determinações da ciência no combate ao Covid. Com a prisão do funcionário e amigo da família, Queiroz e sua mulher, o perigo de uma delação premiada fez com que o capitão mudasse de tom. Recolheu-se no Palácio, parou de fazer seus comícios diários no cercadinho da porteira do Palácio,  e virou por poucos dias o "Jairzinho paz e amor". Com medo de um provável impeachment juntou-se ao que há de pior no congresso, o Centrão. Fez do Temer embaixador especial para a ajuda ao Líbano. Como todo mundo sabe, Temer, respondendo a processos depois de preso por improbidade administrativa, será um bom fiador do Bolsonaro junto ao Centrão. Na mesma linha de fritura do Mandetta, do Moro, entrou seu ministro da Fazenda Paulo Guedes. A exemplo do ministério da saúde que até hoje não tem um médico, ou político que entenda da área, corremos o risco de não encontrar um economista independente e competente para tocar a área, tão sensível ao mercado. Ele, o mercado, já deu sinais do seu desagrado com a incerteza na condução da economia do país. Dólar em alta, bolsa em baixa, e capitais estrangeiros fugindo daqui. Não tendo conseguido criar seu partido político, acena com a possibilidade de voltar ao PSL, com quem se elegeu. Mas o líder desse partido no Congresso, Major Olímpio, ex aliado do Presidente, afirmou à imprensa que é mais fácil aceitarem o Lula do que o Bolsonaro. Mas não faltarão partidos que o queiram. Sempre é bom, em política, estar próximo ou dentro do poder. Os três pilares que elegeram o capitão, um depois de brigar, morreu, Bebiano. Os outros dois, Moro e Guedes parecem ter o mesmo destino do Mandetta. E o que é de estarrecer: ele continua com quase 50% do eleitorado o apoiando. Pesquisa por telefone, pouco confiável. A razão a meu ver são duas: a ajuda emergencial de R$ 600,00 por mês, e que acaba em Setembro, e o desconhecimento desses eleitores do que publica a Revista Piauí, Crusoé, e O Antagonista. O Brasil para sair da grave crise financeira e econômica, que a pandemia nos mergulhou, precisa de uma liderança transparente, desinteressada de se manter no poder por muitos anos, sem nenhuma preocupação de se defender, e à sua família, de crimes pregressos. Um governo que não tenha  desmontado a Lava Jato, e feito o que prometeu o em campanha: uma política liberal, desestatizante, moralmente comprometida com a moralidade e contra a velha política. Tudo que esse governo não fez, e não pretende fazer. Mas assim mesmo tem quase 50% de apoio. Se essa massa eleitoral, depois da pandemia, sair às ruas, dará motivo para o Bolsonaro concretizar seu desejo. Dar o golpe. Desculpem o tamanho do texto, mas a situação exige e é grave.   

15.8.20

Desenho do Guilherme com 11 anos

Festa na casa da avó Sylvia Kowarick

Crônica diária

A solidão

Foi o Germano Fher quem me pediu para falar do Antonio Maria, quando eu escrevia sobre Rubem Braga, dia sim, outro também. Depois foi ele também quem me pediu que lesse as crônicas do Carlinhos Oliveira. E foi o Carlinhos em outubro de 1964 quem escreveu que Antonio Maria havia morrido. Começa sua crônica dizendo: "Antonio Maria morreu perto da vida, diante da comida e da bebida que ninguém soube louvar mais do que ele." Numa frase, define e saúda o amigo boêmio com precisão cirúrgica. "Morreu perto da vida". Pode ter coisa mais poética do que isso? E o Carlinhos disse mais: "Ele gostava de escrever sobre o que estava ao seu redor: amigos, amores, a noite, a rua, a esquina; e sobre as preocupações que trazia. As constantes eram solidão, saudade e morte." E sobre solidão criou uma frase fantástica: "A única vantagem da solidão é poder ir ao banheiro com a porta aberta."

14.8.20

Claudio Chinaski, escritor

                                                    Minha 964º Vítima da Quinta

Crônica diária

Lição de casa
Quando eu pintava, resolvi fazer o que vi muito estudante de pintura fazendo nos museus: copiar obras de artistas famosos. E só fiz cópias dos que eu admirava. Nessa série que dei o nome de: "Lição de casa copiando os mestres que gosto". Não por acaso Lucian Freud, nessa série, tem duas obras copiadas. Um nu, e a pia do seu atelier. Casualmente dia 21 passado dois amigos postaram obras do Freud no mesmo dia. Foi quando lembrei das minhas duas telinhas. O nu, óleo sobre tela que mede 15x20cm. A Pia com a mesma técnica, 20x30 cm. E postei as fotos nas páginas de ambos. Além disso em 2011 fiz uma caricatura do Freud. Postei também. Não há nenhum mal em fazer esse exercício. Não se trata de uma falsificação. Ninguém pretende assinar Freud e deseja  que alguém possa acreditar ser um Lucian. Mas essa prática, tentando acertar as cores, imitar o estilo de cada artista, faz com que você acabe descobrindo o seu estilo, e sua palheta. Todo artista passa por esse processo. Nem todos conseguem criar um estilo próprio e original. No final me perguntam: e qual acabou sendo seu estilo? Eu na verdade assimilei um pouco de todos. De uns mais, de outros menos, mas todos deixaram algumas lições. Vejam na foto abaixo e tirem suas conclusões:
Retrato de Paula Canto, acrílica sobre tela, 50 x 50 cm, 1998.

13.8.20

Lucia Marques, pintora

Assinado e datado de 1982 
Meu amigo Edgard Faco Vidigal, Rio de Janeiro, postou meses atrás uma foto da sala da casa da família em Teresópolis. Uma parede com pratos, e noutra esta tela da Lucia Marques. Gentilmente fotografou a obra porque me interessei em saber o autor. Não conhecia nada da pintura da artista, e consegui "garimpar" estes cinco trabalhos a ela atribuídos. Obrigado Edgard pela gentileza.




                                                 Todos atribuídos a Lucia Marques

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