31.7.20

Paella

Almoço de aniversário do Cristiano Moreira pai dos meus três netos. Ribeirão Preto. 28/07/20

Crônica diária

A minha banhista 
A vida de artista e escritor não é mole. Só quem pratica arte por amor e vocação sabe da penúria que passam até serem reconhecidos. A maioria quase absoluta, e neste "quase" cabe muito pouca gente, tem esse reconhecimento de crítica e de público em vida. Uma outra parcela tão pequena quanto esse "quase", é reconhecida depois da morte. Uns chegam a cortar as orelhas, enlouquecerem, passam parte da vida em manicômios, ou atentam contra a vida com álcool, drogas, gás carbônico, gás de cozinha, ou armas. Por outro lado os pequenos grandes prazeres que vivenciam durante a vida não tem preço, e são privilégios de quem produz arte ou escreve. Um exemplo desse prazer aconteceu comigo dias atrás. Meu filho Guilherme que mora em Miami, onde é fotógrafo, veio nos visitar em São Paulo em plena pandemia. Depois de ter passado dez dias com a família, soube da interdição de brasileiros retornarem aos Estados Unidos, por conta do Covid19. Ele ainda não tem o Green Card, apesar de licença para trabalhar, casa alugada e residente há dois anos com a filha na escola. Só uma quarentena de 14 dias no México, Canadá, ou países que não foram atingidos por essa lei americana, tem autorização de entrar em seu solo.  Voos para o México na sua maioria fazem escala nos USA e isso inviabiliza o plano de ficar 14 dias  em Tulum, perto de Cancun, para acabar de chegar em casa, por empresas aérias que fazem essa escala. Outra opção seria a companhia mexicana se não tivesse cancelado o voo três dias antes do embarque.  Enquanto não conseguia  um novo plano de viagem, foi visitar amigos de longa data. Um deles o pai tem casa em Laranjeiras, perto de Paraty. Lá estavam hospedados além do pai, um amigo dele, que ao saber o sobrenome do Guilherme pegou o telefone e começou a ligar para parentes que meu filho nem sabia quem eram. Tem gente assim, sociáveis e socializantes. Ligava e dizia, "fulano, olha quem esta aqui"  e  passava o aparelho para meu filho que não tinha ideia de com quem iria falar. Situação que algumas vezes todos nós já nos encontramos. Mas o resultado foi surpreendente. Um deles, o Guilherme identificou, e apesar de ser filho de primo meu, da geração dele, não é muito chegado, mas conhecia.  E a surpresa foi a foto que enviou pelo celular. Acompanhava um texto escrito. "Essa bundinha do seu pai, ao lado de um Dali, são as obras que eu mais gosto". Pode ser um elogio maior, e bem humorado? Fui dormir feliz.  

30.7.20

Dois vasos

Dois vasos, óleo sobre tela, 30 x 40 cm. Coleção do autor

Crônica diária

Receita para 15 minutos de fama
                                             Thammy, antes e depois

Quinze minutos que podem render um bom dinheiro, e memória por muitos anos. 
A receita tem inúmeras variáveis, mas vou me abster ao fato da semana.
Tem também vários personagens, e empresas envolvidas. 
Vamos começar pela empresa: Natura. Ela precisa vender seus produtos. Mas precisa preservar o conceito de sua marca. E, como verão a seguir, costumam correr risco. 
A personagem era uma menina filha de uma cantora que adotou o nome artístico de Gretchen, que vendeu ao longo da carreira mais de 15 milhões de discos, e do delegado Silva Neto. Sua filha recebeu o nome de Thammy Cristina Brito de Miranda Silva. Depois de adulta e lésbica, resolveu virar homem. Tirou os seios, tomou hormônios, e se tornou transexual. Casou com uma mulher, e ela foi engravidada in vitro por um doador desconhecido. Nesse meio tempo resolveu se candidatar a Vereador em São Paulo. Teve mais de 12 mil votos, mas não se elegeu. Acabou assumindo quando o vereador eleito foi para a Assembleia Legislativa. Thammy até então era um vereador completamente desconhecido. Com um filho Bento, de seis meses, nascido em Miami, Thammy (sem o nome de Cristina) foi convidado pela Natura,  para fazer a campanha do dia dos pais. Esta semana, graças à coragem da Natura, que deve ter pago bom cache, Thammy tornou-se nacionalmente conhecido. Um pai transexual, um filho de seis meses, casado com uma mulher bonita. Um casal, quase, perfeito.
Aí estão os ingredientes básicos para se obter 15 minutos de fama, faturar uma grana, e se tiver sorte, e for capaz, se eleger deputado federal.

29.7.20

Bulimia sexual

Bulimia sexual, Homenagem a Francis Bacon, Triptico, acrílica sobre tela, 30 x 40 cm cada, 2004 Coleção Juracy, JUGIOLI

Crônica diária

PEN Internacional

"Livros e todas as formas de escrita são terror para aqueles que desejam suprimir a verdade."
Wole Soyinka

Revendo álbuns e caixas de velhas fotografias encontrei esta de quando trabalhei como Secretário do político Deputado Federal Herbert Levy, e que foi meu primeiro emprego de caderneta assinada.

                                       Waldo Domingos Claro, um representante  do PEN, e eu (1963)

Na foto aparecem o jornalista Waldo Claro, um representante do PEN Internacional e eu, no escritório do deputado federal Herbert Levy, no Banco da América (futuro Itau), na Rua São Bento em São Paulo. Isso me levou a relembrar o que foi e continua sendo o PEN Internacional.

Catharine Amy Dawson-Scott, poeta britânica, dramaturga e ativista da paz,  fundou o PEN como uma maneira de unir escritores após a devastação da Primeira Guerra Mundial. Inicialmente, não passava de um clube de jantar, fornecendo um espaço para os escritores compartilharem ideias e socializarem. Os clubes do PEN seriam riados em outras cidades europeias, para que os escritores em suas viagens tivessem um lugar para encontrar amigos e colegas.Os convidados do jantar de Dawson-Scott incluíram o primeiro presidente do PEN, John Galsworthy, que falou sobre as possibilidades de um movimento internacional - uma "Liga das Nações  para Homens e Mulheres de Letras".A organização conhecida hoje como PEN International começou em Londres, Reino Unido, em 1921, simplesmente como PEN. Em quatro anos, havia 25 Centros PEN na Europa e, em 1931, havia vários Centros na América do Sul e na China.Como o mundo ficou mais escuro pouco antes do início da guerra em 1939,  os Centros membros do PEN incluíram Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Egito, Índia, Iraque, Japão, México, Nova Zelândia, Palestina, Uruguai, EUA e outros. Todos os países escandinavos foram contabilizados como membros, bem como vários países da Europa Oriental. Centros basco, catalão e iídiche também estavam representados.Por mais de nove décadas, foi uma organização genuinamente internacional, abrangendo uma ampla variedade de culturas e idiomas, e hoje a esmagadora maioria dos 100 Centros da PEN International vem de fora da Europa.O PEN foi uma das primeiras organizações não-governamentais do mundo e um dos primeiros organismos internacionais que defendem os direitos humanos.Foi a primeira associação mundial de escritores e a primeira organização a apontar que a liberdade de expressão e literatura são inseparáveis ​​– um princípio que continuam  a defender hoje e que está  expresso em sua Carta, um documento de assinado em 1926 e ratificação no Congresso de 1948 em Copenhague.O PEN enfrenta os desafios da literatura e da liberdade há quase cem anos, começando logo após a Primeira Guerra Mundial, ao surgimento e erupção da Segunda Guerra Mundial, depois durante a Guerra Fria e a queda da União Soviética e no clima mais sutil de hoje. no mundo todo. Ele respondeu às mudanças mais dramáticas da história moderna, e seus ativistas e defensores incluíram os intelectuais mais célebres de cada época, além de incontáveis, incansáveis ​​e dedicados membros globais que lutam para garantir que o direito de escrever, falar, ler e publicar livremente seja para sempre no coração da nossa cultura global.O nome foi concebido como um acrônimo: "Poetas, ensaístas, romancistas" (posteriormente ampliado para "Poetas, dramaturgos, editores, ensaios, romancistas").Após a Segunda Guerra Mundial,  a PEN ficou conhecida como PEN Internacional, compreendendo um número crescente de Centros em todo o mundo. Com o tempo, à medida que nossos membros se expandiram para incluir uma  gama mais diversificada de pessoas envolvidas com palavras e liberdade de expressão, as categorias mencionadas não definiram mais exclusivamente quem poderia participar. Hoje, o PEN é simplesmente PEN.Em 2010, como parte de uma renomeação geral, a organização foi renomeada para PEN International. Está ativa em mais de 100 países e ainda ecoa os princípios originais de Dawson-Scott e Galsworthy que defendem a liberdade de expressão, paz e amizade.

28.7.20

Da série RELEITURAS



 Releitura -Edouard Manet, Olímpia e Le Déjeuner sur l´Herbe - acrílica sobre tela- 120 x 80 cm - 2010 - Coleção do artista. (Na moldura da parede à esquerda, auto retrato).

Crônica diária

Ainda falando em batizar

Numa crônica dias atrás falei que uma das minhas manias era dar nome às coisas. Batizar propriedades especialmente. Mas havia esquecido de dizer que dei mais de 60 nomes para meus blogs, e muito antes disso tinha dado nomes à empresas e produtos que criei, ou trabalhei com eles. Foi minha amiga Irene Kantor quem num comentário, lembrou. Disse ela:
"O seu apto de casado era um duplex nos Jardins, não? Onde fui degustar aqueles congelados precursores deliciosos e encontrei a Suzana Campos, que não via há décadas. Nome que acho lindo era o do saveiro "Nuvem Passageira", de Stella Aguiar de Barros Rebecchi e Sylvio Rebecchi, no qual passeei muito com meus filhos ainda pequenos, em Itacuruçá."

Minha resposta na ocasião foi:
Irene Kantor,  você lembrou bem, o produto que você foi degustar era SUVIDE, outro nome que usei para batizar nossa empresa e o produto no Brasil, onde éramos pioneiros . Mas nunca morei em duplex nos jardins. A Suzana Campos era casada com um primo, e fui padrinho de casamento da Stella Rebecchi, quando casou com o meu querido e saudoso amigo Sergio Mattos, que também foi meu colega interno em Cataguases. Quanta história. Para ilustrar este comentário, uma foto de uma palestra que fiz no Colégio Sacré-coeur de São Paulo, para divulgar o SUVIDE.
Pois bem, nessa área de nome de produto e empresas tenho uma listinha grande, mas vale lembrar o óleo de girassol CAPITÓLEO. Foi o primeiro oleo puro de girassol produzido e comercializado no Brasil. Trabalho do meu pai, Santo Lunardelli, que além de pioneiro em inseminação artificial em animais da raça Nelore, foi o introdutor e produtor de Girassol para produção industrial do óleo vegetal. Outra empresa e nome que criei foi MISOMINAS, para uma exploração de ouro, numa mina no Estado do Pará. Por que Misominas? Porque a fazenda era do meu pai, e como pecuarista não achou nenhuma graça na descoberta de ouro na propriedade. Ouro chama garimpeiros e garimpeiros invasores, intrusos, bandidos, comerciantes, prostitutas e polícia. Acabam devastando e inviabilizando a propriedade rural. Daí meu pai ter ódio dessa atividade. Miso minas quer dizer literalmente isso. Oxilon foi outro nome que criei, para uma outra empresa, que apesar do aparente nome de remédio nada tinha a ver com o ramo farmacêutico.  Foi criado baseado na composição de vogais e consoantes de fácil pronúncia em português e inglês. Mas apesar disso nunca consegui batizar, no sentido de dar o nome a nenhum dos meus netos. Santo de casa não faz milagre. Nem filho de Santo.

27.7.20

Abundância

                                Garota na padaria não se compara com a garota do tempo.
Uma coisa é indiscutível, a mulher brasileira é favorecida
E viva o BRASIL

Crônica diária

Vermelhinho, um café no Rio

Numa crônica do Carlinhos de Oliveira ele conta, com muita graça, a história do nome do famoso café carioca Vermelhinho. O café que havia na Rua Araújo Porto Alegre defronte a ABI tinha, é claro,  o nome de "Café Porto Alegre" fundado por volta de 1938 quando os proprietários devem ter quebrado a cabeça a procura de um apelido que o diferenciasse dos outros bares e cafés, porque um bar, não tem nenhuma importância, mas o bar tal, "aquele" bar, possui personalidade, carisma, vida, e se torna insubstituível. É como uma pessoa, e a ela nos afeiçoamos. Somos feitos de ternura e pieguice. Mas depois de quebrar a cabeça durante vários dias, o dono do café, que como a maioria dos donos de cafés, não tem imaginação, apesar do estabelecimento ter cadeiras e mesas vermelhas, além das paredes revestidas de galalite da mesma cor, ele batizou-o de "Café Porto Alegre". Aí diz  o Carlinhos: "Oh, a estultice desses comerciantes". Os fregueses nunca levaram a sério os documentos de registro, e toda vida o chamaram de Café Vermelhinho. Hoje, segundo a crônica do Carlinhos, não há mais nem cadeiras nem mesas nem paredes vermelhas. Contudo o Café continua sendo Vermelhinho. 

26.7.20

Cópias do Lucian Freud

                                 Óleo s/tela 15 X 20   cm                                        Caricatura
 Pia óleo s/tela 20 X 30 cm
Numa série de cópias de mestres que eu gosto, aqui duas telas do Lucian Freud, e sua caricatura

Crônica diária

Germano Fher tinha razão
Sou obrigado a confessar mais uma vez que o Germano acertou. Primeiro em me recomendar um cronista de 23 anos de Jornal do Brasil, e que aos 16 já escrevia suas crônicas em Vitoria, no Espírito Santo. Carlinhos de Oliveira que se aventurou no romance e no conto, era essencialmente um boêmio e cronista. Eu nunca tinha lido nada dele e por falta de sorte (não se deve usar a palavra azar) o primeiro, dos três livros, que comprei no sebo, e o correio entregou no prazo, foi o romance "Terror e Êxtase". Sobre isso já escrevi. O tipo usado só é legível com lupa ou lente, além da dos meus óculos. Tão pequeno e espremido, entre linhas apertadas, que a leitura é quase impossível. (edição de 1978). E o texto, que consegui ler, me desagradou. O Germano não se deu por achado, e repicou na aposta: "leia "O homem na varanda do Antonio´s" crônicas da boemia carioca nos agitados anos 60/70, organizado por Jason Tércio." Acontece que eu havia comprado entre os três livros, exatamente esse, e levou mais de trinta dias para me entregarem. Culpa que o Correio jogou no Covid19. Iniciada a leitura, com tipos normais, espaçamento idem, editado em 2004, a decantada crônica do Carlinhos apareceu em todo seu esplendor. Comecei a entender porque teve toda a fama que o consagrou na época. Aumentou, por outro lado, meu estranhamento das razões de seu absoluto esquecimento. Irônico, mordas, e um misto de cronista e cronista social, estabeleceu seu escritório na varanda do bar Antonio´s, e de lá observava e comentava a vida boemia do Rio do seu tempo. Um registro crítico e bem humorado, apesar do meu amigo Alvaro Abreu, que o conheceu pessoalmente, e me segredou que era uma pessoa de convívio difícil, e antipático. As pessoas simpáticas são geralmente gordas, gentis e bem humoradas. Um exemplo: Jô Soares. Carlinhos era baixinho, magro, careca, e se vestia sem nenhum cuidado. Era um crítico feroz do provinciano que vinha tentar arte ou literatura na capital. Crítico dos medíocres, pseudo-artistas, e gente anônima da classe média que apareciam nos bares e não fazia parte da turma de intelectuais e seus amigos. Voltarei muitas vezes, daqui para frente, para lhes contar sobre o que o Carlinhos escrevia. E bem.

25.7.20

Meus pais

 Impossível fotografar um desenho sob vidro sem o anti reflexo
 Detalhe, ainda com reflexos
Detalhe com a tentativa de corrigir os reflexos
Desenho de carvão sobre papel. 1968

Crônica diária

Olhem o conselho do Datena da TV

  • A crônica de hoje é uma transcrição de um comentário de um leitor, e da minha resposta.
    Reynaldo Papacidero Ruiz escreveu:  "Hoje aprendi com o Datena da TV, que "um Livro lido , é um livro morto" decidi rasgar e jogar fora todos meus livros, gibis, etc. de infância, juventude, de 1944 até hoje. Exceto as Biblias".

  • Meu caro Reynaldo, acho que o Datena não tem nada a ensinar nessa área, muito pelo contrário, morrem os autores, morrem os leitores, o livro continua vivo e útil por gerações. Doe para bibliotecas públicas, e nunca rasgue ou queime um livro.

Crônica do Alvaro Abreu

Tempos e movimentos

Ao conversar com Carol em busca do tema desta crônica, ela sugeriu, com um sorriso safadinho, um assunto que é muito caro aos engenheiros de produção: racionalidade e desempenho. E isso porque estamos numa fase da existência em que o tempo é uma variável cada vez mais relevante e que, por conta da pandemia, ele esteja sobrando pra nós dois, retidos em casa, sem poder ir a lugar algum. 

Quando comecei a fazer o mestrado na UFRJ, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, enfrentava dois ônibus pra chegar lá e outros dois pra voltar pra casa. Gastava umas três horas no trânsito e, pra piorar, não podia fumar no coletivo. Logo depois que passei a ir de carona com amigos, o tempo no trânsito, ao invés de diminuir, piorou bastante com a queda do viaduto Paulo de Frontin, no caminho do Túnel Rebouças.

Em Brasília, sobrava tempo na minha vida de recém casado: gastava só uns cinco minutinhos para ir trabalhar no MEC, a bordo de um Corcel 73 novinho. Na época, havia quem dissesse que tempo sobrando acelerava os divórcios entre as primeiras levas de funcionários públicos transferidos do Rio. Lá não tinha engarrafamentos nem barzinho na esquina onde tomar cerveja com amigos.

No nosso caso, o convívio em tempo integral está muito agradável e produzindo bons resultados. Meio que virou uma boa oportunidade pra recalibrar a relação em busca de sorrisos e de obter satisfação fazendo muita coisa junto. 

Na falta de quem as fizesse profissionalmente, passei a brincar de engenheiro de produção ao realizar as tarefas indispensáveis que me cabem no dia a dia. A brincadeira consiste em fazer bem feita cada uma delas, com pouco esforço e no menor tempo possível. Um dos desafios domésticos que tenho enfrentado é como conseguir lavar louças, talheres e panelas rapidamente e, de quebra, economizar água e detergente. Nessa mesma linha, venho tentando preparar, em poucos minutos, um café da manhã caprichado com o que estiver disponível na geladeira e adjacências, pra começar o dia bem alimentado e ganhar os primeiros sorrisos. 

Profissional do ramo que sou, vou tomando emprestado princípios que Taylor, Fayol e Ford formularam, há mais de 110 anos atrás, para melhorar o desempenho da indústria americana. Aqui, o propósito é trabalhar achando bom e terminar tudo rapidinho, pra poder ir tratar do que não seja imposto pela rotina do lar: fazer muita colher, fotografar as fibras do bambu e minhas lixas velhas, escrever boas histórias, acompanhar as novidades nas redes, conversar com Carol, mexer nas plantas, brincar com Amora e tudo o mais.

Vitória, 23 de julho de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

24.7.20

Montanha sobre o armário

São Paulo 2020

Crônica diária

Página sonora

Dia desses minha prima Silvana Ponzio enviou um Youtuber com um álbum completo  da "Cidade e o Jazz", com Hector Costita, Ari Giorgi, Ricardo Baldacci,  Zeca Araujo, e na bateria seu filho Billy Ponzio. Uma delícia de disco. Adoro jazz. Aliás nos dias de hoje o único gênero de música popular que se pode ouvir. Me desculpem os admiradores de outros gêneros. Mas o assunto aqui, hoje, é uma sugestão aos donos do Facebook. Por que não há uma ferramenta para ao postar alguma coisa, não se possa agregar um som. Ficaria a critério de quem recebe a postagem, abrir ou não sonoramente. Ler minhas crônicas ao som do jazz acima citado seria um plus. A cada crônica eu sonorizaria com uma banda nova, e com música apropriada. No caso de texto seriam musicas instrumentais. Mas para quem posta gatinho, cachorrinho, paisagens poderiam ser com vocal e orquestra. Como aconteceu com o cinema. Nasceu mudo e foi sonorizado depois. Esta na hora do FB pensar nisso.
https://billyponzio.bandcamp.com/album/a-cidade-e-o-jazz

23.7.20

Figura criselefantina.


Coleção Sandra Moreira -atribuida a Gory
 mármore e bronze, da coleção de Sandra Moreira, SP -
 
Affortunato Gory (Gori) - (1895-1925)
Affortunato Gori nasceu em Florença. Estudou na Accademia di Belle Arti, em Florença sob Augusto Rivalta. No início do século 20, ele se mudou para Paris e completou sua educação sob Victorien-Antoine Basset. Exibiu no Salon des Artistes Français em 1902, 1904, 1912, 1914 e 1923. A sua obra é composta por esculturas de mulheres jovens, crianças e algumas figuras históricas. Ele trabalhou em mármore, bronze, marfim, muitas vezes combinando esses materiais que se chama figuras criselefantina.

Crônica diária

Medo de morrer ou mata-las

Quando Valter Ferraz e outros amigos leitores me aconselharam a deixar de lado os temas políticos e voltar a falar do Rubem Braga, teve gente que queria sangue, e recomendou o contrário. Eram os bolsonaristas que queriam continuar a me bater. Acolhi a recomendação não por falta de argumentos contra os defensores do capitão. Argumentos não faltam, infelizmente. Acabou foi minha paciência com os argumentos deles. E que bom voltar a ter gente educada, culta, gentil elogiando meus textos. Já disse, e reafirmo, que o hábito de escrever é muito prazeroso, viciante, e pessoal. O prazer de sentar e fazer um texto bem humorado é inenarrável. Quase tão bom quanto o de ler um bom livro. E não me refiro ao Kama-sutra, viu Roberto Klotz.  Escrevemos para nós mesmos. Não deixa de ser  muito agradável e gratificante quando é lido, e  agrada as pessoas. Vou continuar falando dos livros que li, dos filmes que assisti, do barulho da chuva, do vento, de receita de comida, que sempre agrada à Irene Kantor, e de histórias domésticas, únicos assuntos para quem esta confinado em casa, por conta da quarentena e do Covid19. Tenho que confessar que estou com saudade de ver gente sem máscara, abraçar e beijar as pessoas,  sem medo de morrer ou mata-las.

22.7.20

Vasco Prado

Mulher grávida sentada - alumínio com tinta Duco automotiva. Coleção Sandra Moreira, Ribeirão Preto, SP

Crônica diária

A lógica portuguesa

Muito já se escreveu sobre isso, mas toda vez que acontece, é motivo de riso.
Há um dispositivo nas páginas do Facebook chamada "Mensagem" que equivale ao "In box", ou "na caixa". Nele são trocadas mensagens particulares e só os que estão se correspondendo tem acesso. Muita gente não fica atenta ao aviso de mensagem na caixa. Outro dia escrevi uma para um amigo em Portugal. Fazia uma pergunta e demandava uma resposta com certa urgência. Como no dia seguinte não obtive resposta, escrevi na página um comentário: "Fulano, abra sua caixa de mensagem". Resposta: "Esta aberta acho."
Delicadamente fui obrigado a dizer:
"Disso tenho certeza, mas se mesmo aberta, você não ler, nunca terei a resposta. ( Caixa de mensagem ou "in box" é essa ferramenta aí da sua página, onde trocamos mensagens particulares, sem que o seu público leia)."
E daí para frente trocamos as informações normalmente. 

21.7.20

Luiz Sôlha

Luiz Sôlha, Xuxa, óleo sobre tela. Coleção EPL

Crônica diária

Estilo, e a foto do passaporte II

Em 9 de Outubro de 2014, portanto cinco anos e sete meses depois, volto a falar do mesmo assunto. Naquela data a crônica falava mais "de estilo", tendo a foto do passaporte como gancho. Eu havia perguntado para minha mulher se foto de passaporte necessitava de gravata. Ela me chamou de ridículo. Mas coloquei gravata por uma questão "de estilo", dizia eu naquele tempo. Termino a crônica contando que fui apanhar o passaporte uma semana depois e fiquei decepcionado porque a foto ia até o final do queixo, não aparecendo a gravata. Agora, cinco anos e sete meses depois, voltei a fazer a mesma pergunta, e ela respondeu, "não sei, mas acho que é só camisa branca". Para tirar a dúvida fui no Google, e obtive entre outras resposta, uma do meu próprio blog, com a dita crônica. Rimos muito. Acontece que não era para rir. Em fevereiro deste ano, com o passaporte já vencido desde outubro de 2019, portanto há quatro meses, agendei a emissão de um novo para 28 de abril, recolhi a taxa, e não pude comparecer por conta do Covide19. Fiquei em quarentena até hoje. Para não perder o valor da taxa, fui a São Paulo e a um posto da PF, com os comprovantes, todos vencidos desde 28 de abril, para me informar como proceder. A desculpa era a pandemia. Tentei antes de sair de casa, recomendação do governo paulista, reagendar pela internet. Não havia essa possibilidade de agendamento para o mesmo CPF. Logo o meu pedido estava valendo. Fui até um posto mais próximos e me reagendaram para dez dias depois, num Shopping longe pra burro. Na verdade só quis salvar a taxa paga, porque viajar tornou-se impossível. Para os Estados Unidos você precisa fazer 14 dias de quarentena em algum país que esteja com as fronteiras abertas e que tenha companhias aéreas operando. Inimaginável, até três meses atrás, uma situação dessas. Não é meu estilo ir no fluxo. A vida toda operei no contrafluxo. Desta vez não dá. O melhor lugar do mundo é em casa.

20.7.20

Bolo de aniversário

Sandra, 14 de julho, 2020 = 45 anos. Ribeirão Preto

Crônica diária

Mundo ignorante

Minha amiga Ana Maria De Almeida Prado comentou sobre a onda racista de remoção dos monumentos públicos pelo mundo como uma atitude de ignorantes. Ela tem toda razão. Se analisarmos de u´a maneira global, esses movimentos racistas que eclodem aqui e ali, mundo a fora, tem razões e motivos diversos, mas sempre lastreados em preconceitos e pura ignorância. O mais recente eclodiu nos Estados Unidos por conta do racismo e violência policial contra os negros americanos. Mas foi motivo para brancos em quase todos países da Europa, notadamente na Inglaterra, se manifestarem contra a violência policial, contra racismo, e contra símbolos de patriotismo de séculos passados, por conta de ideologias e problemas étnicos atuais. A ignorância, a falta de cultura e o islamismo provocam distorções históricas. Destroem templos, museus, monumentos, por conta de disputas religiosas e territoriais desde sempre. É a barbárie. É a ignorância.

19.7.20

Salada em Ribeirão Preto

Para herbívoros como eu, o melhor do almoço ou jantar é sempre a SALADA. Essa foi dia 14 de julho, em Ribeirão Preto, na comemoração do aniversário da minha filha Sandra.

Crônica diária

As Andorinhas


As Andorinhas é o título do livro da Nana Moraes. 
Na orelha Margarida Pressburguer escreve que Nana fotografou a alma das mulheres da vida, prostitutas, meretrizes, putas ou Andorinhas.
Foram cinco prostitutas da Via Dutra que, por mais de um ano, foram fotografadas e entrevistadas pela autora. 
O prefácio é de Walter Salles que compara Nana, com fotógrafos humanistas como Robert Doisneau, Cartier-Bresson ou Koudelka. Vai além, "Como estes mestres, seu olhar ajuda a entender melhor o mundo que nos cerca."
Nana da voz às cinco Andorinhas (como são conhecidas as putas de estrada), e as retrata em branco e preto, com filme de grande sensibilidade, e luz natural, com lente 50mm, segundo a fotógrafa, a mais natural. 
O texto é forte e contundente, e só poderia ter sido escrito por uma mulher, e uma retratista sensível. 
Conheci Nana ( nascida no Rio de Janeiro em 1963) com cinco anos de idade, em São Paulo, onde seu pais foram morar com a família. José Antonio seu pai já era um grande fotógrafo. Que orgulho poder ter deixado filhos e netos tão talentosos.

18.7.20

Jair Glass

Jair Glass, vale a pena conhecer.
 



Crônica diária

Álcool nas mãos e nos copos
 Não é um novo protocolo, mas o que mais se lê nas redes sociais. A quarentena fez aumentar o consumo de cerveja e outras bebidas alcoólicas. Pelo menos as de consumo em casa, por conta da Covid19. Muita gente acreditou que se o vírus é sensível ao álcool gel 70% na higienização das mãos,  por que não seria  ao bom e velho vinho, gim, whisky, cachaça, e Campari?  Alguns até lembraram dos benefícios do quinino da tônica, que acompanha o gim, e o Campari. Mas a falta da companhia dos amigos de bar, ao invés de diminuir o consumo solo, só fez aumentar, para compensar a ausência. A prova disso foi o que se viu nas calçadas em frente aos bares. No primeiro dia que abriram, com restrições de horário, e de lotação, sobrou muita gente na rua. E sem máscara, e sem respeitar ao distanciamento recomendado. Todos acreditando que o álcool os salvará.

17.7.20

Babinski, e "saudade de tudo".

               Maciej Babinski, foto do atelier, que me enviou pessoalmente ontem, 16 de julho de 2020.  

Crônica diária

Pensando em 2022

Era uma vez um país que precisava de reformas para poder sair de suas crises permanentes e voltar a crescer e se tornar um país menos pobre, e com menos desigualdades sociais. Foi governado por quatorze anos por um partido meia esquerda. A parte ideológica do governo tratou de aparelhar o Estado. Educação deixou de ter a qualidade como meta, e passou a fazer das escolas de baixíssimo nível educacional, fonte de doutrinamento ideológico. Saneamento básico significa obras embaixo da terra, e portanto pouco visíveis, caras e não rendem voto. Foram desprezadas. Deixou de lado um alinhamento automático com os Estados Unidos e investiu, a fundo perdido, em países comunistas, socialistas, e de terceiro mundo. Para se manter no poder institucionalizou a corrupção, e destruiu as maiores empresas do Estado. Fora do poder seu partido derreteu-se. Seu líder foi condenado por corrupção, e preso. Houve um governo intermediário, com um vice da presidente deposta que se propunha fazer as reformas urgentes e absolutamente necessárias. Foi flagrado combinando propina nos subsolos do palácio. Crise, perda de credibilidade, e as reformas mais uma vez não seguiram em frente. Um deputado do baixo clero, obscuro e pouco ativo se lança candidato com uma bandeira  liberal de direita. Tinha a bandeira mas não apresentou um projeto de governo. Aparentemente não tinha a menor chance de vitória. Mas venceu, e como era muito xucro, contestou o resultado alegando fraude nas eleições. Foi a primeira vez que um vencedor contesta os resultados de uma eleição. Mas não foi a única atitude desprovida de qualquer racionalismo. No primeiro ano de governo conseguiu atrapalhar no que pode o esforço do congresso em aprovar a Reforma da Previdência. Ela finalmente acabou passando. Mas todas as outras ficaram pelo caminho. A exemplo do Jânio Quadros tentou governar sem o congresso, hostilizou o STF, e só abaixou o tom, engoliu a língua, quando o seu amigo e assessor de longa data foi preso na casa de um seu advogado, onde estava escondido  da justiça há mais de um ano. Outros processos contra si e seus filhos filhos fizeram-no calar, e cooptar os deputados do chamado Centrão, aqueles que aderem ao governo de plantão em troca de cargos e possibilidades de continuarem a roubar. Todos envolvidos em processos de corrupção. Todos contrários a qualquer mudança, qualquer reforma. A única esperança para esse país é encontrar um candidato reformista, cuja campanha seja toda ela baseada nas reformas, e eleito por larga margem de votos. Só assim, com essa autoridade das urnas, conseguirá impor ao congresso as profundas mudanças para salvar o país do atraso eterno.

16.7.20

Um domingo em Paraty, por GUILHERME LUNARDELLI



O olhar atento do fotógrafo. 12/07/2020
Guilherme Lunardelli

Crônica diária

Duas mulheres incríveis

Numa mesma semana de junho descobri duas mulheres incríveis.
Tem muita gente me cobrando crônicas sobre política. Querem ler eu falando mal do Bolsonaro. Da sua família. Do seu governo. E querem ver eu levando pancada pesada dos fanáticos desses indivíduos medíocres que estão hoje no poder. Mesmo no tempo do PT, onde a mediocridade era competitiva, me recusava ficar falando de gente do gabarito da Dilma, Haddad, e coisas parecidas.
Vou vos falar de duas mulheres incríveis. Uma já comentei em crônicas esses dias, Nana Moraes, fotógrafa carioca, citada entre as sete mais famosas do mundo. Filha de um fotógrafo meu amigo, José Antonio, irmã do Sergio Moraes e mãe do Ricardo Moraes, todos fotógrafos dos bons. Sobre a Nana ainda falarei a respeito do seu livro Andorinhas. A outra  Eloisa Tregnago é uma escultora gaúcha, que mora e trabalha em Porto Alegre, e cuja a obra em mármore, cerâmica e bronze é pouco conhecida no eixo Rio-São Paulo. Estudou e trabalhou com Vasco Prado e Xico Stockinger mais de 25 anos. Não poderia ter tido melhor escola. Ilustro esta crônica com duas fotos da Nana, e duas obras da Eloisa. Para que perder tempo falando do Bolsonaro?



15.7.20

Banhistas

Algum tempo depois de ter criado minhas banhistas encontrei num site grego esta imagem. Autor desconhecido.

Crônica diária

Álcool gel na mesa

Para quem ainda não saiu de casa, e não conhece o novo normal, vou contar como foi o nosso primeiro almoço depois de quatro meses comendo em casa. Em casa, durante esse período, muitas vezes nos valemos do delivery, mas comida de restaurante, mesmo sendo uma pizza, depois de transportada, embalada, etc... não é a mesma coisa. Comer num restaurante é diferente, e agora ainda mais. Os espaços entre mesas, e o tamanho delas também mudou. Uma pessoa por mesa, ou duas até quatro se forem da mesma família.  Todos os funcionários usando máscaras e viseiras. Na entrada nossa temperatura e higienização dos sapatos e das mãos foi a primeira medida. Só depois de sentados é que tiramos as máscaras. O menu agora só através da leitura pelo celular através do programa de leitura do QR Code. Eu que não uso celular, tive que me valer do celular da minha mulher. Os talheres vem à mesa embalados em envelopes de papel, como nos serviços a bordo dos aviões, com a única diferença que ainda não são de plástico. E no lugar do vasinho de flores um vidro de álcool gel. E não é como substituto do vinho. Todas as bebidas alcoólicas são permitidas. Mas se for dirigir, beba com moderação.

14.7.20

Banhistas




Esculturas criadas em 2008, e postadas aqui no Varal em 2009, denominadas BANHISTAS. A primeira e original foi feita em cimento+argila+vermiculita. Ao ser feita a forma para fundir em bronze e tirar cópias em gesso, ela se perdeu. São dias caixas com as mesmas dimensões, uma de mármore branco e vidro (imitando água) e a banhista em bronze. Outra de granito preto, vidro e banhista em gesso. ( A ideia inicial é que a de gesso fosse de mármore branco, que nunca chegou a ser executada).

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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