Crônica diária
Brasília é uma cidade feliz?
Em 1959 perguntado se gostaria de morar em Brasília, Rubem Braga
respondeu, prontamente, que não, mesmo que lhe dessem um lote com
cartório. E perguntou numa crônica publicada no jornal O Globo quanto
tempo levaria para a nova cidade artificial tornar-se feliz?
"Quantos
anos a água represada se tornaria um lago com chorões à margem e as
colinas à sua beira deixarão de ser tristes e nuas. Quanto tempo levará
para alguém numa canoa erguer o braço e apanhar, distraidamente, um ingá
maduro?
A topografia e paisagem do planalto central é
insuportavelmente triste e nunca passará de uma aridez enfeitada. O
excesso de céu acachapa tudo.
Quanto tempo a cidade levará para se livrar das pranchetas e fabricar seus próprios mistérios, seu mel, seu veneno?
Onde vai morar o poeta bebado?
Que margem se deixou para o marginal?
Onde acamparão os ciganos que roubam cavalos?
Termina
a crônica com esta imagem melancólica de Brasília: "...a paisagem tem
oito décimos de céu, é muito céu, e nem sequer um minarete, uma palmeira
sequer um pícaro azulado".
Quantos anos passarão até que haja uma rede numa varanda?"
61 anos se passaram e com a palavra quem mora em Brasília.

Um comentário:
Os políticos adoram Brasília. Meca dos grandes negócios e negociatas. Donos de hotéis e restaurantes também.
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