26.5.20

Crônica diária

A procura de um tema

Qualquer coisa pode virar uma crônica. Uma janela aberta, um beija-flor, ou o ato de abrir uma gaveta há muito fechada. Mesmo que a vista da janela seja a fachada de cimento envelhecido do prédio ao lado, mesmo que não haja beija-flores nas cidade, ou ainda a falta de conteúdo na gaveta há muito trancada, podem ser temas para o cronista.  Gavetas, com ou sem chave, podem ficar anos sem serem abertas. Podem conter de A a Z, tudo que sua dimensão permita. Quando muito tempo fechadas adquirem um cheiro particular, a maioria das vezes exalado pela madeira, quando eram feitas de material maciço, como jacarandá ou outras preciosidades. Podem também cheirar mofo. Em geral eram forradas com papel colorido, que apesar de se preservarem por muitos anos, pela ausência da luz, costumavam mostrar um pó de ferrugem, nos quatro cantos, onde foram afixados percevejos, e sinais de traça ou cupim.  Uma argola oxidada, com duas ou três chaves, que nunca mais se soube de onde eram, são muito comuns serem encontradas nessas gavetas. Uma caderneta com espiral e anotações diversas pode fazer parte do seu conteúdo. Uma caixa de papelão amarela com fotos em preto e branco, hoje quase sépia, já eram antigas quando foram guardadas. Serrilhadas nos quatro lado, como era praxe os laboratórios fazerem naquele tempo. Mas que tempo seria esse? Os personagens das fotos são desconhecidos. Certamente familiares antepassados. No verso das fotos nenhum nome ou data, apenas um carimbo com o nome e endereço da Photoptica que fez as ampliações. Resta nesse caso voltar tudo para a gaveta, e tentar girar a chave. A ferrugem e falta de uso não permitem mais. Ficará destrancada por muito tempo ainda,  guardando fotos, chaves e uma caderneta inútil. Mas a bem da verdade, suficientes para salvar a crônica de hoje.

2 comentários:

João Menéres disse...

Aqui fica o que tenho para lhe contar a propósito :
Há 4 anos, quando me mudei da esplêndida moradia que mandara construir na Boavista para este apartamento na cercania, coloquei numa caixa de cartão uma série de coisas variadas de que não me queria desfazer a título algum pois tratavam-se de diversos documentos ( inclusivé fotografias ) que eu iria precisar a imediato prazo.
Pois, passado todo este tempo, a caixa está tal e qual como quando veio e eu não faço ideia do que me era INDISPENSÁVEL !
Estou sempre a pensar que é "hoje" ou "amanhã" que vou satisfazer a minha imensa curiosidade.
Será hoje ou amanhã ?
O mais certo é ser amanhã.
Veremos...

valter ferraz disse...

Todos sofremos do velho instinto de garrafeiro. Uns mais, outros menos.

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