30.4.20

Foto do bau

Minhas duas irmãs Elisa e Estela, com meus pais e o primeiro neto, filho da  minha irmã Elisa, Eduardo Novaes, no ombro dos avós.

Crônica diária

Cajueiro

Rubem Braga, olha ele aí de volta, escreveu uma crônica com esse título: Cajueiro" para falar sobre o livro "O cajueiro nordestino" do poeta pernambucano Mauro Mota. Ambos, o autor do livro e o da crônica, escrevem amorosamente sobre essa árvore brasileira do Maranhão, e que é uma das mais queridas do Brasil. 
Braga fala do cajueiro que ficava no morro atrás da casa dos pais em Cachoeiro, e da crônica que escreveu o dia que cortaram esse pé. 
Eu também tenho um cajueiro na memória. Era daqueles imensos que se esparramam e se alargam, não muito altos. Meus dois irmão e eu brincávamos em seus galhos. Ficava na porta da cozinha da casa da sede da Fazenda Aguapei, onde passávamos as férias de junho, e as de dezembro. Ao lado do cajueiro tinha o pé de jambolão, em cuja sombra fazíamos nossas fazendinhas, cujo gado eram sabugos de milho, brancos e vermelhos. 
Do caju, o que mais gosto é da castanha e da bebida que tomávamos no Bar Pandoro, na Avenida Cidade Jardim, em São Paulo. A bebida chamava "Caju amigo". Copo alto, gim, tônica, gelo, e no fundo do copo, afogado, um caju in natura, para ser comido antes do segundo copo. Depois do segundo ou terceiro, o caju encharcado de gim servia de sobre mesa. Era um bar, mas almoçávamos aos domingos ou comíamos o melhor sanduíche de pão francês com filé a milanesa. Entre putas, banqueiros, intelectuais, publicitários que frequentavam o Pandoro, lembro do jornalista Cesar Giobbi, que primeiro me chamou atenção, em sua página Persona, do Estadão, para esse sanduíche. Já o Caju amigo, era hors concours. Sem controvérsias, meu caro Ronaldo Werneck.

29.4.20

A dança das Montanhas

Sai a azul, entra a árvore no vento.

Crônica diária

Merece uma placa de bronze

Foi o comentário que o escritor Roberto Klotz (Brasília) fez dia desses, que inspirou-me  mandar fazer uma placa de bronze para afixar defronte ao meu laptop:
"As críticas são boas não para mudarmos de ideias, mas para pensarmos em outras formas de defende-las".
Assim, toda vez antes de responder às críticas que recebo da esquerda e da direita, releio atentamente a placa.

28.4.20

Do fundo do bau

Florbela Cunha e Jorge Pinheiro, com foto de Paula Canto, Oeiras, Lisboa.

Crônica diária

Enciclopédias da minha geração

As gerações dos meus filhos e netos não sabem o que era uma enciclopédia. No meu tempo (para usar uma expressão horrorosa) toda família de classe média comprava uma, pagava em suaves prestações, e exibia um número colossal de volumes, na sala principal da casa. Às vezes, só ela, e nenhum livro. No ginásio imperava soberano o "Tesouro da Juventude". Depois veio a "Barsa", e sempre a melhor e maior de todas a "Britânica". Há um hiato entre elas e o Google. Quando quero lembrar de algum nome ou coisa, e não encontro na internet, recorro ao Paulo, meu irmão, que tem boa memória. Mas já tem coisas que nem eu, nem ele e nem o Google sabem mais...


27.4.20

Salada de batata

Salada de batata com maionese, na Piacaba.

Crônica diária

Teste vocacional

Nesta fase de escritor de crônicas, acredito ainda não ter contado que fui analisado, na juventude, pelo Dr. Julio Gouveia, médico casado com uma russa, Tatiana Belinky, que produziam e dirigiam o Sítio do Pica-pau Amarelo. Programa infantil da TV Tupi, baseado no livro do José Bento Monteiro Lobato. Eu não perdia um programa e era fã da Emília, representada pela atriz Lucia Lambertini, que estreio no palel em 1952 e atuou até 1964. Foi assim que conheci o Lobato das batalhas do ferro e do petróleo. 
Diziam que o Dr. Gouveia e a mulher eram comunistas. Mas naquele tempo comunista ainda não "comia criancinha.". Eu devia estar no ginásio e meu pai, através do seu irmão médico, Hermínio, colega de turma do Dr. Julio, marcou um teste vocacional para mim. Fui algumas vezes ao consultório, que ficava na residência do casal, no bairro do Pacaembu. O teste era baseado na interpretação das manchas do Rochard. Nunca fiquei sabendo o resultado. Também nunca me formei. Será que o teste acertou? Por que nunca me disseram? Também nunca saberei.

 

26.4.20

Newton Braga, pela sua filha

Em 1941 Newton Braga contatou o Diário de Notícias do Rio de Janeiro, a fim de sugerir escrever uma coluna literária intitulada Uma Voz da Província. O “pedido de emprego” foi aceito e a primeira coluna foi publicada em 6 de abril de 1941:
 
UMA VOZ DA PROVÍNCIA
Newton Braga
Eu me explico: outro dia escrevi esta carta:
“Senhor redator do Suplemento Literário do Diário de Noticias,
Fiz, outro dia, uma carta igual a esta ao diretor da “Vamos Ler”. E, naturalmente, não recebi qualquer resposta. Faço, aqui, sem maiores esperanças, nova tentativa, perco meia hora e o selo, o que não é grande coisa... O nome que assina a carta lhe é absolutamente desconhecido; nem isso tem qualquer importância.
O que ocorre é que me proponho a redigir para o seu Suplemento uma opinião franca sobre livros de literatura que forem aparecendo. Seria Uma Voz da Província, e, como tal, simples e sincera. Não conheço os autores dos livros, não preciso deles nem das casas editoras e estou suficientemente longe para escapar à tentação de um elogio fácil, pelo prazer de relações vantajosas, e para não temer os efeitos de algumas verdades ditas sem maiores cerimônias.
Não vai cabotinismo excessivo na proposta, como, de princípio, poderá parecer. É que não me apresento com autoridade de crítico literário e minhas crônicas valeriam apenas como efeito causado por tal e tal livro sobre um leitor de nível mental e cultural médio e desligado de quaisquer contingencias que não as do simples agrado ou desagrado que a leitura provocar. Disponho de tempo, tenho lido bastante e acredito ter um bom senso razoável, capaz de evitar disparates de acentuado vulto. Eu mandaria duas crônicas gratuitamente, para experiência. Isto, afinal, é uma mercadoria como qualquer outra. Você veria, depois, se valeria a pena pagar alguma coisa por uma seção permanente em seu Suplemento.
Sem grandes esperanças de merecer qualquer resposta, sou, de qualquer modo, grato e admirador.”.
E recebi esta:
“Meu caro Sr. Newton Braga:
Recebi a sua carta e aqui estou para desmentir o pessimismo que ela traduz, o qual, aliás, é muito justificado. A sua idéia pareceu interessante a mim e ao diretor do Diário de Notícias, por ordem cronológica. Tenho, portanto, instruções para pedir-lhe que mande as duas crônicas iniciais, oferecidas a titulo de experiência.
Permito-me, porém, fazer-lhe uma sugestão, por minha conta própria, e de acordo com o que me parece de maior interesse, no quadro do Suplemento Literário. É que, em lugar de fazer, por exemplo, a crítica de um só livro, ou de dois em cada artigo, escreva cada um deles sob a forma de diversas notas coordenadas, uma sobre cada livro, e tratando de diversos, cinco, seis, talvez, à maneira do que se observa nas grandes revistas literárias francesas.
Será o modo de não colidir ou não se tornar redundante com a crítica oficial do Diário, atualmente a cargo do Sr. Sérgio Buarque de Holanda. Creio ter depreendido pela sua carta que era essa já a sua intenção, mas como não fiquei muito certo tomo a liberdade de especificar. Uma série de breves comentários de lauda e meia de cada um, escrito com graça e bem leve no estilo de sua carta, a que não falta uma forte dose de humor, parece-me o mais apropriado ao êxito.
A sua carta foi escrita à mão e considero esse autógrafo como precioso; mas não creio necessário lembrar que os originais são habitualmente datilografados, nos jornais modernos,.
Espero que façamos excelentes relações, com o tempo.
(a) Barreto Leite Filho, Encarregado do Suplemente Literário”
---------
Como se vê, isto é uma aventura literária de Barreto Leite Filho. Estamos jogando ambos no escuro, e contra vocês, leitores deste Suplemento. Das duas crônicas que eu devo remeter para experiência, esta é a primeira. O resto virá por si. Ou não virá.

Crônica diária

 Capicua
A palavra veio precedida de "primeira" capicua. Que diabo é isso? Foi o que desejou meu amigo João Menéres, lá do Porto, e como leitor diário das minhas crônicas, comentou a foto da minha neta com  o bolinho e velas de 11 anos. "Os meus parabéns pela primeira capicua." Fui obrigado a recorrer ao Google. "Capicua. Um número que pode ser lido de trás para frente, com o mesmo sentido. Com as palavras é chamado de PALÍNDROMO, com os números chama-se CAPICUA." Nunca havia ouvido, ou lido essa palavra. Políndromo, sim, mas Capicua, nunca. Seria eu o único? Ou não é usada no Brasil? Passei por seis "capicuas", e este ano de 2020 faço a sétima, na maior ignorância.

25.4.20

Um novo banco no novo deck

A montanha azul ganha um novo posto, no novo banco.

Crônica diária

 Estão morrendo escritores policiais

Dia 15 próximo passado morre no Rio de Janeiro o Acadêmico Rubem Fonseca. No dia seguinte noticio a morte do carioca do Luiz Alfredo Garcia-Rosa, grande escritor de policiais. Um com 94 outro com 84 anos. Aqui na minha quarentena começo a ficar ligeiramente preocupado, apesar de só ter 76, pois  cometi uns livrinhos policiais. Me  confortam os dois comentários, um da minha amiga Florbela Cunha, Lisboa, Portugal:
"Eduardo, tu és imortal".
Outro do escritor e biógrafo Aloísio de Almeida Prado:
"Eduardo, você é imortal".
Por enquanto vou discretamente acreditando. 

24.4.20

O botão da blusa

Quando um botão pode ser mais erótico do que um nu frontal. Autor desconhecido.

Crônica Diária

A biblioteca que não tenho

Tenho algumas prateleiras com três tipos de livros, revistas e catálogos. 
Na sala onde se fica, e aqui a palavra "fica" não tem a conotação que os jovens dão, e nem sei se continuam dando, para "transa sexual". Mas voltando à sala, que antigamente se chamava de "estar", ao lado da de jantar, ou de visita, que a arquitetura e a economia juntaram tudo no mesmo ambiente, só que nas dimensões de uma só, das três de outrora, tenho estantes com literatura diversa. Outra prateleira na copa-cozinha, conjugadas, ao lado do micro-ondas ficam uma dúzia de grossos livros com receitas fartamente ilustradas. São na verdade subusados, lamentavelmente. Quem cozinha, em geral, não gosta de ler. No andar de cima tenho as estantes com livros, revistas e catálogos de arte. No atelier de esculturas, ficam os livros relacionados a escultores, esculturas e como faze-las, em argila, bronze, ou mármore. Esse é o meu acervo atual. Já fiz três grandes doações. Os livros sempre estiveram onde morei. Belém, PA, Itapura, SP, São Paulo, capital e Piacaba, Imbituba, SC, atualmente (20 anos).

23.4.20

Raizes

Autor desconhecido

Crônica diária




"Pobre de mim"

Foi no Rubem Braga onde li que o Antonio Maria costumava dizer de si: " pobre de mim". Não posso mais falar do Antonio Maria sem lembrar do meu amigo e querido filho da Adelita e do Germano, Germaninho Fher. Há um ano me escreveu pedindo para que eu lembrasse do Maria em minhas crônicas. E nunca mais esqueci dos dois. 
Pobre de mim que só vi o Getúlio e o Gregório, seu guarda costa, uma única vez e de longe. Estava o  meu irmão Paulo (oito anos), meu pai, minha mãe, e eu (dez anos) no Parque da Água Branca, quando da sacada da casa principal aparece o Presidente, fumando seu charuto, acena para o povo, e é aplaudido. Minha mãe fez questão de manter os braços cruzados ostensivamente. Foi em respeito ao meu pai que lutou, com 17 anos, como voluntário, em 32, contra o Getúlio. Ele próprio não bateu palmas mas ficou olhando o "velho" com indiferença. No carro, na volta pra casa minha mãe explicou-nos a razão de sua atitude. 
O Rubem Braga detestava o ditador e continuou detestando o Presidente e ex-ditador. Escreveu em 1960: "...curioso que a geração mais nova (logo, a minha) talvez forme uma impressão diferente, influenciada mais pelo drama de sua morte que pela realidade de sua vida". Vejam como ele intuiu.
Convivi e admiro muito o Governador Carlos Lacerda. Num voo para Curitiba, em campanha para Presidente, na ultima convenção da UDN, tive a honra de ter meu opúsculo "Cristo cai da cruz" prefaciado pelo Lacerda. Mas essa é outra história. Cito aqui para enfatizar que além do meu pai, minha mãe e do Braga detestarem o Getúlio, pobre de mim, que só o vi uma única vez, aos dez anos, depois de ler a biografia (três volumes) do Lira Neto, passei a ter uma certa afeição pelo carisma do "velho". Mas pobre de mim, como dizia o Braga, que dizia o Maria, que o Germaninho tanto gosta.


22.4.20

Minha moça nua no jardim

Abril 2020

Crônicas diárias


Carnaval 2021

Ontem sonhei que era carnaval do ano 2021. Vejam só como ando de olho no futuro.
A letra da marchinha dizia mais ou menos isso:

Fica em casa
Se não o vírus vai te pegar
Vamos salvar vidas
Vamos salvar vidas
Com máscaras e sem trabalhar
Fica em casa
Fica em casa
Mesmo que a fome aperte
É melhor morrer de fome
Do que o outro, infectar
Fica em casa
Fica em casa
Até o vírus passar
A volta ao trabalho
Só vai atrapalhar
Fica em casa
Fica em casa
Faça o que a ciência mandar
Não tem vacina
E nesse caso sua casa
É o melhor lugar

Eu estava digitando esse sonho quando recebo um e-mail de um amigo encaminhando uma crônica do Nelson Rodrigues, sobre a gripe espanhola no Rio de Janeiro, que termina dizendo textualmente:
" Logo depois explodiu o Carnaval. A pandemia passou e, no Brasil, o Carnaval de 1920 representou um desafogo e a euforia geral tomou conta da população. E foi um desabamento de usos costumes, valores, pudores. Exatamente como antes."

21.4.20

Aroeira na quarta semana



Minha tentativa de fzer um bonsai, entra na quarta semana com grande brotação. Será que vamos conseguir fazer dela uma velha  pequena árvore?

Crônica diária

Espeto de pau, em casa de ferreiro

Ainda sobre a quarentena que já renderam, e continuarão rendendo histórias hilárias, e outras nem tanto. Nada contado pessoalmente. O distanciamento social sendo cumprido pela maioria consciente da população. As histórias vão sendo passadas de celulares e computadores para seus usuários. Há casos de vizinhas de muro que se falavam através dele e que na quarentena nem isso fazem mais. Vai saber a potência desse vírus que saiu do interior da China e chegou no Acre, se não é possível que pule o muro. 
As profissionais liberais, advogadas, corretoras, engenheiras, decoradoras, donas de lojas e comércio variado forçadas a ficarem em casa voltaram a fazer tarefas domésticas que há muito não faziam. Lavar, passar, cozinhar, e sobretudo faxina pesada. Aquelas que nenhuma empregada faz como a patroa desejaria, ouvi de uma delas. Teve outra que me contou que estava limpando o rejunte dos azulejos do banheiro com cotonete. Isso realmente empregada não faz. Por outro lado as diaristas passaram a ter tempo de fazer em suas próprias casas o que fazem todos os dias nas casas das patroas. É o tal do espeto de pau, em casa de ferreiro".

20.4.20

Melão com presunto

Com o presunto cru é ainda melhor, e nem precisa ser o Pata Negra.

Crônica diária

O pão de cada dia

 
A quarentena colocou em evidência um número enorme de pessoas que ganham o pão que vão comer, com o trabalho do mesmo dia. Isso quer dizer que sem um dia de trabalho é um dia sem comer. São os desassistidos, moradores de rua, desempregados, vendedores de qualquer coisa nas ruas, flanelinhas, guardadores de carro nas portas das igrejas, e estádios de futebol. Mulheres com três ou quatro crianças esmolando nas porta das farmácias. Numa quarentena essa gente não tem o que fazer, e nem podem fazer o que faziam. É proibido, e não tem publico. 
Por outro lado, e toda desgraça tem um lado engraçado, foram muitos os que aproveitaram para ocupar o tempo, presos em casa, para cozinharem e comerem. Desenvolverem seus talentos e receitas sofisticadas que na correria do dia a dia não encontravam espaço.
De Lisboa Jorge Pinheiro escreve e mostra a fotografia: 

"EMERGÊNCIA XLVI
A sopa de peixe ficou divinal. Estou a pensar seriamente abrir um restaurante. Esta experiência de confinamento é muito enriquecedora."
O filho da minha mulher passou para pegar a máquina de fazer macarrão. Os filhos colocaram "a mão na massa", literalmente. 
O meu mandou fotos do dia que passou "enchendo linguiça", também literalmente.
Leio no Facebook que tenho amiga, que nem gosta de doce, fazendo "brigadeiro de colher", para comer assistindo filmes na Netflix, com o marido.
Na sexta-feira santa foi dia de postagem e troca de receitas de bacalhau. Um melhor do que o outro. Minha prima Anna Sylvia comentou que a filha aproveitou para fazer receita de pão. Italiano, francês... Depois tudo vai parar nas redes sociais. Fotos maravilhosas de pratos extraordinários, no Instagram. Fotos amadoras de qualquer coisa, como ovo mexido, rendendo dezena de comentários de gente que não cozinhou, mas gostaria, e de gente que nunca precisou sair de casa para batalhar pelo pão daquele dia.

19.4.20

Meu novo posto de leitura

Ao ar livre, na sombra e sem vento. Antes que me perguntem, o livro é de Crônicas do Rubem Braga.

Crônica diária

Empurrando papel

O Brasil já teve até Ministro da Desburocratização. Mas a nossa tradição cartorial sempre foi mais forte. Em 1953 Rubem Braga escreveu uma crônica chamada "Dalva". Era o nome de uma senhora que "empurrava papel" numa repartição pública. Olha a  delícia do "termo" usado para definir a função da dona Dalva: "empurra papel". Sem ela, na ocasião, não haveria exportação, nem importação.  Acabaram com o papel, logo a tarefa da Dalva. Tudo passou a ser feito via computador, no em tanto com a mesma burocracia e lentidão. Sem dona Dalva quando cai o sistema, não há o que empurrar a não ser esperar o sistema voltar. A Dalva já morreu, mas a esperança é a ultima que morre.

18.4.20

Rui Silvares


Em Lisboa o artista e escritor Rui Silvares no almoço onde conheceu o nosso livro MANJAR BRANCO.

Crônica diária

Fazendo as contas

Se os 14 anos de desgovernos de esquerda e petista nos fizeram regredir 12 anos economicamente, agora com o Coronavírus a pandemia mundial levará o planeta ao patamar econômico de 2008, vamos ficar empatados. Estou suavemente otimista. 

Crônica do Alvsro Abreu

Minha preta pretinha

Tem morrido muita gente. Gente desconhecida e uns poucos que conheço. Acabo de saber que Rubem Fonseca foi um desses, de quem ouvi falar muito bem e de quem li, e gostei, uns dois ou três dos muitos livros que escreveu.

Dias passados foi Moraes Moreira que se foi, vítima de um infarto daqueles fulminantes. 
Sobre ele, acabo de ler a crônica emocionada de Gregorio Duvivier, contando seus encontros quase diários a caminho da padaria e fazendo graça com o verso “assim vou lhe chamar, assim você vai ser”, da inesquecível música Preta, Pretinha. 

Fui ao google em busca de confirmações e detalhes sobre a letra que sei de cor e dos sons que guardo por justas razões. É que sou daqueles brasileiros que estavam no Rio de Janeiro no comecinho dos anos 1970, quando os Novos Baianos surgiram para alegrar a festa, junto com Jorge Ben e Tim Maia. Tenho a imagem quase perfeita do show animadíssimo que eles fizeram entre os pilotis do térreo do prédio central da PUC, na Gávea. Estava lotado de gente bonita, coloridíssima, cabeluda e sonhadora. Homens de barba e moças sem sutiã cantavam e dançavam ao ritmo envolvente de Preta Pretinha e repetiam, com convicção, um chamamento daqueles tempos: “abre a porta e a janela e vem ver o sol nascer”.

Curioso foi constatar algo de que não me havia dado conta até agora. Na letra de Preta Pretinha, se destaca o verso que diz “Eu ia lhe chamar, enquanto corria a barca”. O mundo dá voltas para nos fazer perceber direito situações vividas em voltas anteriores. Pois bem, só agora me dou conta que foi num final de tarde, bem na proa de uma barca que corria de Niterói para a Praça XV, que eu aproveitei o momento para chamar Carol pra casar. Pois foi com a melhor cara deste mundo que ela me disse que iria pensar. 

Não me lembro dela me dizendo que aceitava se casar comigo. Mas o fato é que, dois meses depois, num dia ensolarado de dezembro, nos casamos. Foi uma festa animada, na casa de campo dos pais dela, em Itaipava, no alto da serra. Muitos familiares, amigos nossos e alguns alunos meus acompanharam atentos as palavras do juiz de paz e, logo em seguida, começaram a bater palmas, já ao som de Preta Pretinha.

Vitória 16 de abril de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

17.4.20

Minha neta Glória

Festinha na quarentena, em Miami. Bolo e foto feitos pelo pai Guilherme

Crônica diária

 "Mulher de olá"

Esse é o título de uma deliciosa crônica (desculpem a redundância) do Rubem Braga. Em 1948, em maio publicou no Diário de Notícias (Rio de Janeiro) um texto onde comentava a ascensão social da mulata. O mulato, dizia ele, já havia se imposto na política, nas artes, e nas letras. A mulata tinha sido educada para cuidar da casa, casar e continuar a cuidar da casa e dos filhos. Isso havia começado a mudar. As mulatas passaram a se desmulatizar  e se afastar do estereotipo da mulher bonita, gostosa, dengosa. E termina sua crônica (1948, notem bem) contando que ouviu do Newton Freitas que bebia com Di Calvalcante num bar em São Paulo,  quando entrou Aracy de Almeida, grande cantora e mulata. Um conhecido qualquer que estava na mesa cumprimentou-a com um "olá". Aracy com seu jeito mal criado e criadora de saboroso vocabulário fuleiro-popular, reclamou, orgulhosamente:
--Não sou mulher de olá!" 

16.4.20

Estão morrendo os escritores policiais

Ontem morre no Rio de Janeiro o Acadêmico Rubem Fonseca. Hoje noticio a morte do carioca do Luiz Alfredo Garcia-Rosa, grande escritor de policiais. Um com 94 outro com 84 anos. Aqui na minha quarentena começo a ficar preocupado, apesar de ter só 76, pois  cometi uns livrinhos policiais, ao que responde prontamente minha amiga Florbela Cunha:
"Eduardo, tu és imortal".

Muda de aroeira

 Primeira semana e seguinte

Terceira semana

Crônica diária




Bolsonaro e a gripezinha, parte II
Uma coisa não se pode negar ao Presidente: voluntarismo e determinação. Amparado pelos três filhotes, agora com a quarentena no congresso o senador Flávio, filho do Bolsonaro, passou a ter uma sala no Palácio. O Carluxo já tinha sala, mas aparece menos, além do ex-quase-embaixador Eduardo que anda menos falante, mas não menos influente junto ao pai. Os quatro trabalham juntos e unidos a favor da reeleição em 2022. Qualquer sombra ou popularidade em alta incomoda a família. Foi assim com o Moro, e repete com o Mandetta. Ao invés de pensar no país, só pensa no próprio futuro. Ao invés de capitalizar uma boa gestão, trabalho e fruto de bons ministros, cria crises onde não há, e culpa ministros competentes. O Moro teve a sorte de ter ao seu lado os ministros militares que o defendem. Mandetta não teve a mesma sorte, ou exagerou na entrevista do Fantástico, dada à Rede Globo, arqui-inimiga do Jair, domingo passado. Os militares do Palácio viram desrespeito ao Presidente, e indisciplina junto ao chefe. Não importa, a popularidade do Mandetta só vai crescer. A crise do Coronavírus também. Sobrará para o próximo Ministro da Saúde.
Quanto ao apoio que venho recebendo de leitores lúcidos e independentes agradeço, e me animo a continuar tentando interpretar com raciocínios simples, e uma lógica quase infantil, as manobras da família Bolsonaro, que apesar de determinada, com garra e poder, no momento, podem muito, mas não podem tudo.
Aos bolsonaristas que toda manhã ensaboam o pescoço, para se decapitarem, e assim evitar que lhes ocorram alguma ideia própria, meu total e irrestrito desprezo. (RB)

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