29.2.20
Crônica diária
Um comentário e minha resposta
O comentário foi do escritor Roberto Klotz:
"Não
da infância, mas da adolescência lembro dos textos do Carlos Eduardo
Novaes. Tomara que adolescentes tenham boas lembranças dos seus textos,
Eduardo."
Minha resposta:
"Tenho pensado
nisso. Como os adolescentes, e gente até com mais idade, não lê meus
textos. Não lê os meus, e talvez, de ninguém da minha idade. E tenho
tentado diagnosticar. Uma das eventuais razões seja o veículo. Eles não
são meus "amigos" no FB. Outra importante razão deve ser os temas
tratados. Eu sou um velho falando para os que tem a minha idade. E não
posso me queixar. Tenho mais de 7200 amigos, e possíveis leitores. Dez
vezes mais do que tinha no auge do blog Varal de Ideias. Mas não sou
lido nem pelos meus filhos, muito menos sobrinhos e netos. Minha
linguagem não lhes toca. E eu não tenho acesso à deles. Ou ainda, eles
não leem, mesmo. Eu lia Rubem Braga, Sabino, e Luiz Martins, entre
outros. O Carlos Eduardo Novaes é quase da minha geração, e fui ler
muito mais tarde.
28.2.20
Crônica diária

Lição de anatomia do Dr. Beni
"A Lição de Anatomia do Dr. Tulp" de Rembrandt, é uma de suas obras mais famosas e revolucionárias. A pintura, que havia sido encomendada pela Associação de Cirurgiões de Amsterdã; na época, a burguesia liberal pagava o que fosse preciso para ser eternizada em uma pintura que mostrasse sua riqueza, através das roupas e da imagem em si.
O quadro retrata uma aula de anatomia do doutor Nicolaes Tulp, na
qual ocorre a dissecação da mão esquerda de Aris Kindt , um marginal que
havia sido condenado à morte por assalto a mão armada.
Foi
como me senti dia 21 ultimo quando internado no hospital Einstein meu
querido médico e amigo Dr. Beni, procedeu uma pequena cirurgia para a
remoção de um carcinoma na minha perna direita. Com esse, já é o quinto,
que removo. Antes que me perguntem vou logo informando que são causados
pelo uso prolongado de um medicamento para a medula: Ciclosporina. Já no leito hospitalar,
paramentado para a cirurgia, recebi a visita do Dr. Beni, alegre e
simpático como de costume, para as explicações habituais. "Anestesia
local, e exame laboratorial do material retirado, antes de concluir os
procedimentos, para se ter a certeza da eliminação completa. Tudo bem?" E
me pediu autorização, para uma aluna sua, acompanhar a cirurgia. "Claro
que pode". E assim foi feito. Eu absolutamente lúcido, apenas com
anestesia local, assisti sua aula sobre como proceder em casos
semelhantes. Lembrei da tela do Rembrandt. Seria mais uma crônica. Como
tivemos mais de uma hora esperando o resultado do laboratório,
conversamos sobre vários assuntos. Carnaval, restaurantes, e quando
contei para a lida estudante de medicina que era escritor, e que o Dr.
Beni, assíduo leitor, ele brincou dizendo que um dia ele iria acabar
sendo personagem das minhas crônicas. Mas que eu só usaria o B para
nomina-lo. Contrariando a premonição, nomeie por extenso. Quando a aluna
saiu da sala para acompanhar a análise do material no laboratório do
hospital, elogiei a beleza das estudantes de medicina voltadas para
dermatologia. São invariavelmente lindas. E o Dr. Beni comentou:
"Cuidado com o assédio." Hoje em dia um comentário desse pode parecer
assédio. O que era simplesmente um elogio, muito bem vindo, anos atrás,
hoje é crime.
27.2.20
Crônica diária
Conheci o Zé do Caixão
A
morte do Zé do Caixão, José Mogica Marins (1936 – 2020), me reporta ao ano de
1968, quando o conheci nos estúdios do Produtor A.P. Galante, onde se fazia o
cinema marginal de São Paulo. Ele dirigia seu episódio da “Trilogia do Terror” *
( um filme em preto e branco), e eu era assistente de direção do Ozualdo
Candeias (1922- 2007)que dirigia “O Acôrdo” (40 minutos) com o seguinte elenco:
Lucy
Rangel, Regina Célia, Durvalino de Souza, Luís Humberto, Alex Ronay, Henrique
Borgens, Ugarte, Nádia Tell, Éddio Smani, Eucaris de Morais (“Karé”). O
terceiro episódio, que compunha a trilogia, era dirigido pelo Luiz Sérgio
Person (1936 – 1976). A música foi
composta pelo Rogério Duprat,
e Damiano
Cozzella. Essa foi minha única participação no cinema profissional.
De resto fiz alguns curtas em 16 milímetros entre eles “Liberdade de pé”, que
participou do “Festival JB de cinema amador”, no Rio de Janeiro.
* https://youtu.be/v0zHQ-WLM40
* https://youtu.be/v0zHQ-WLM40
26.2.20
Crônica diária
A foto proibida
No
domingo de carnaval postei uma crônica sobre uma desventura que
passamos, minha mulher e eu, num sábado que antecedia a semana
carnavalesca. Foi uma ida ao centro da cidade de São Paulo e,
desavisadamente, nos metemos no meio de um desfile. Nossa intenção, mal
fadada, era ir inocentemente a um restaurante. Foram momentos de
verdadeiro horror. Medo e pavor. Isso ao meio dia, em plena luz de
verão. Situação parecida, só em uma outra única ocasião, minha mulher e
eu, passamos. Foi no Marrocos, em Marrakech, no ano de 2008, quando
fotografei da calçada, um cortejo fúnebre. Dois muçulmanos levando o
defunto num andor apoiado apenas no turbante da cabeça. O de trás me vê
com a câmara, e me aponta gritando algo. A pessoa de preto, à suas
costas, também me aponta com um olhar reprovador. Saímos correndo do
local. Fiquei sabendo, depois, que é crime fotografar defuntos. Foi um
susto enorme.
25.2.20
Crônica diária
Eu fui Vermeer - Frank Wynne
Foi o amigo Walter De Queiros Guerreiro que o indicou. Uma história
verdadeira do lendário falsário do mundo das artes. Han van Meegeren
(1889- 1947). O livro começa com números assustadores de obras falsas.
Relatos de obras atribuídas aos grandes mestres da pintura, e que não
passam de formidáveis falsificações. museus insuspeitos, galerias
famosas e colecionadores importantes, ao redor do mundo, foram e são
vítimas desses artistas criminosos. Não farei um spoiler do livro, mas
afirmo que a leitura é muito instrutiva e agradável. Já fui vítima,
certa vez, de uma compra num leilão do Baccaro, de um óleo falso. Ele,
sem discutir, recebeu a tela de volta, e o valor pago em gravuras e
desenhos, que me deixou escolher. Gatos por lebres anda cheio o mercado
de arte, desde sempre. O curioso é que muitas vezes o falsário tem mais
técnica e habilidade do que o próprio artista imitado. É o caso do van
Meegeren, em relação a Vermeer.
24.2.20
Crônica diária
Flor a poeta
Postado no blog 1 blog a+ em 16/02/2020 (https://1bloga.blogspot.com/2020/02/flora-figueiredo.html )
Quando
se ouve falar bem de uma pessoa, e é uma unanimidade, não há porque
duvidar. Em geral as pessoas gostam é de falar mal. Criticar, caçoar,
por um cem número de razões. Entre elas a inveja. O despeito. Mas são
poucas as pessoas que colhem a tal unanimidade do bem. Nem jogadores de
futebol, nem artistas, cantores, cineastas, até os Papas conseguem. Tem
ferrenhos adversários, inimigos, detratores. Por melhor que sejam
encontram críticos. Há profissões onde falar bem da pessoa é que é raro.
Políticos por exemplo. Em setembro de 2019 fui colher um autógrafo na
Livraria da Vila, da Lorena, em São Paulo. Cheguei pouco depois do
horário de início, e a fila já era grande. E só fez aumentar. Não foram
suficientes as quatro horas previstas para a poetisa paulista Flora
Figueiredo atender com um sorriso, uma palavra amável, e escrever três
palavras aos leitores de seu novo livro. Não é comum um lançamento
literário ser tão concorrido. A Flora é só uma baita poeta. Não faz
televisão, não escreve nos jornais e revistas, não tem nada além de sua
simpatia, postura moral, amizades, e uma veia artística incomparável
para atrair e cultivar tantos admiradores. Entre eles, nessa multidão de
fãs estava eu conhecendo pessoalmente esse mito da poesia paulista e
brasileira. Nada mais apropriado do que seu nome: Flora, e qualquer
outro adjetivo: florinda, florbela, florada, florecer, Flor a poeta.
Postado no blog 1 blog a+ em 16/02/2020 (https://1bloga.blogspot.com/2020/02/flora-figueiredo.html )
23.2.20
Crônica diária
O almoço pesadelo
Dia 15 passado, foi um sábado, e minha mulher sugeriu um almoço no
Edifício Esther, um prédio projetado em 1936 no centro de São Paulo,
onde fica o restaurante Esther Rooftop, na cobertura. Olivier Anquier é
um dos proprietários. A história do edifício e do restaurante não vem
ao caso nesta crônica. Nela vou só contar o drama que foi essa aventura.
Primeiro a decisão (acertada) de ir de Uber, para poder beber, e não
voltar dirigindo. Essa decisão ficou ainda mais acertada quando no meio
do trajeto o motorista do aplicativo nos informou que nos deixaria no
ponto mais próximo do edifício, porque todas as ruas do centro, vizinhas
à praça da República, estavam interditadas por conta da abertura do
carnaval de São Paulo. A notícia nos pegou de surpresa. É claro que
concordamos. O que não imaginávamos era o horror que iríamos viver nas
várias tentativas de encontrar a Rua Basílio da Gama, 29. O Uber nos
deixou na Ipiranga quase em frente a esquina do Dona Onça, restaurante
que gostamos muito, aos pés do Copan. O barulho dos dois caminhões de
som com dezena de foliões no teto impediam que me comunicasse com minha
mulher, a não ser gritando no seu ouvido, e não conseguindo ouvir a
resposta. Barracas de lona amarela, e muito policiamento era o que se
via à distância. Vendedores de sorvete, água, porta dólar, para esconder
os celulares, e bugigangas carnavalesca abundavam. De resto era u´a
massa de gente pouco vestida, muito maquiada, bastante alcoolizada, que
tomavam a avenida e suas calçadas. Andar segurando a mão da minha mulher
para não perde-la na multidão não era tarefa fácil. Ela com medo de
assalto passava a bolsa de um ombro para o outro tentando se proteger.
Não havia uma placa de rua visível. A polícia, em grupos de três ou
quatro, parecia mais assustada do que nós. Ao aborda-los para perguntar
pelo endereço, reagiam de forma hostil, e nas duas tentativas nos
direcionaram para lados completamente equivocados. O medo de abrir o
google, ou GPS no meio da multidão nos levaram a ficar rodando
quarteirões, seguindo orientação dos guardas ou lojistas, que tinham
menos ideia onde fosse a rua Basílio da Gama, que sabíamos estar a menos
de 200 metros. Mas como chegar? Nessas voltas infrutíferas, sob sol da
uma da tarde, e muitas vezes ruas sombrias do centro, com cheiro forte
de urina, calçadas com líquido amarelo que podia ser cerveja, mas também
xixi, caco de vidro e latinhas por todo lado. Era uma busca infernal.
Claro que o humor foi se esgotando. O calor, o sol e o som eram fortes
demais. Nossa desorientação irritante. Chegou uma hora desisti e puxei
pelo braço minha mulher informando que tinha mudado de ideia. Vamos
comer na Casa do Porco, restaurante e bar, que conhecíamos e estava a
menos de 50 metros. A espera era de no mínimo duas horas. Ainda puxando
pelo braço, fui arrastando a Paula para a Dona Onça, de onde havíamos
partido. Lá como sempre, comemos e bebemos, não exatamente nessa ordem,
maravilhosamente. Enfim seguros, e longe do barulho do carnaval de São
Paulo.
22.2.20
Os modelos e a tela famosa 'American Gothic'
Famosa tela 'American Gothic' norte americana e seus modelos

Tela original





















| Autor | Grant Wood |
| Data | 1930 |
| Técnica | Pintura a óleo |
| Dimensões | 74.3 × 62.4 |
| Localização | Art Institute of Chicago |
Tela original
Com montagem de Guilherme Lunardelli, o autor do blog




















Crônica diária
Assuntos universais
Hoje iria contar a experiência carnavalesca que tivemos ontem no centro
de São Paulo, mas fica para amanhã. A razão do adiamento foi o
comentário da minha leitora Maria V. Moreira Fagundes, que é carioca,
mas mora em Tulari na Califórnia. Ela comentou que minha crônica sobre
lembranças de infância reviveu as suas. Disse mais: "porque moro num
país distante". Há assuntos universais. Infância é um deles. Todo mundo
teve a sua. E em algum lugar. Dela podemos guardas boas e mas
lembranças. Em geral a pureza da criança releva as más, e o instinto de
preservação valoriza os bons momentos. O sabor de uma fruta, de um doce,
o cheiro de terra molhada, ou grama cortada são lembranças definitivas.
E valem para qualquer ponto do planeta. A não ser quem passou a
infância no polo norte, filho de esquimós, não guardam na memória o
cheiro de terra molhada pela chuva, ou grama cortada nos jardins ou
beira de estrada.
21.2.20
Crônica diária
A casa do filme Parasita
Nos bastidores de um grande filme uma história de um arquiteto fictício
que adorava o sol. A casa foi na verdade projetada pelo cenógrafo do
filme, Lee Ha Jun. Não faço nenhum spoiler em contar que a história
central do filme é vida de duas famílias na Coreia do Sul. Uma que
habita um porão cuja única janelinha é no nível de rua. Não tem sol, tem
pouca luz, e quando chove inunda. A outra família, muito rica, mora
numa casa de janelas imensas onde o sol e a luz dominam o dia todo.
Dentro desse conceito, casa de rico tem sol, casa de pobre não tem, foi
criada essa. Numa revista de arquitetura um arquiteto conta que
assistindo o filme, ouvindo de um dos personagens o nome do arquiteto
autor do projeto, teve o ímpeto de consultar o Google, se esse arquiteto
existia. Esse detalhe cenográfico parece desimportante, e não é. A
casa, e sua arquitetura ajudam a narrar a história. É parte importante
para a boa compreensão do filme. Oscar para o cenógrafo Lee Ha Jun.
20.2.20
Crônica diária
Com a cara e a coragem
Essa era uma expressão usada séculos atrás. Há algumas dias (13/02/2020)
escrevi que fiquei chocado com a aparência da Rita Lee, num programa da
Bela Gil. Como sempre respeito opiniões contrárias, e não contestei
quem não concordou comigo. E não foi a primeira vez que me espantei com
artistas que, por uma razão ou outra, envelheceram mal. Encontrei, numa
loja de ferragens na rua Florêncio de Abreu, a Dercy Gonçalves, um ou
dois anos antes de morrer. Era uma comediante debochada, e mantinha viva
sua personagem no seu cotidiano. Não preciso dizer o sucesso que fez
com os vendedores da loja. Maquiada como se fosse entrar num picadeiro
de circo, agradava sua plateia com bocas e gestos característicos da
velha Dercy da vida. Foi no mínimo patético. Pessoas jovens e bonitas
podem entrar com a cara. Nós, velhos, temos que usar mais do que a
coragem, a descrição, modéstia e simplicidade. Ainda assim, tenho
certeza, vamos espantar muita gente.
19.2.20
Crônica diária
Entre o dever e o desejo
O cronista diário vai se revelando aos poucos, e seus leitores fiéis vão se tornando conhecedores das mais sutis manias.
Gosto de dar nome às coisas. Qualquer coisa merece ser chamada por um nome que lhe faça jus.
Esta crônica tem um título. É o nome dela: "Entre o dever e o desejo". Um título sugestivo.
Gosto
de ter em minha mesa de trabalho uma caneca repleta de lápis preto
Faber-Castell 6B. Todos do mesmo tamanho, e bem apontados. Repleta de
lápis significa três dúzia deles. Claro que tudo depende do tamanho da
boca da caneca. Mas gosto também de ter uma outra caneca com três dúzias
de canetas Bic Azul. Entre elas sempre tenho uma ou duas de tinta preta
e vermelha, ponta fina, que uso para desenho.
Gosto de estar na
minha mesa de trabalho rodeado de livros. Livros que ainda vou ler. Os
lidos vão para a estante. Mantenho-os por alguns anos, sempre na
esperança de que possam um dia ser úteis. Raramente são. Empresto
livros quando solicitado. Eles nunca voltam. E quando a estante esta
repleta doou. Já fiz em três oportunidades. E já me arrependi de ter
emprestado ou doado livros que voltei a comprar no sebo. Mas isso faz
parte.
Me perguntarão o por que do nome deste texto? A resposta é
curta: Leio por um desejo incontido. Escrevo por prazer, camuflado de
dever. Digo isso porque ninguém me cobra. Mas o hábito cria a rotina, e a
rotina a impressão do dever.
18.2.20
Frederico Jaime Nasser
9.10.2010
Frederico Jayme Nasser (1946-2020)
FREDERICO NASSER, artista plástico, professor, editor
Saudades do velho amigo Frederico. Por onde anda, que não dá notícias?
Lembram deste post de 10 de Maio de 2010? ( https://cimitan.blogspot.com/…/frederico-nasser-artista-pla… )
Pois é, ele não apareceu. Detesta blogs, e publicidade. Além de ser reservado faz dessa característica uma das suas "marcas registradas"! Vai para a biografia! Detestará este post, se é que vai tomar conhecimento, um dia! Mas a saudade que eu sentia do velho amigo era real e fui atrás! Descobri, na companhia telefônica, um número que caia direto numa caixa postal. Deixei recado. Nunca tive retorno. Tentei mais algumas vezes, e nada! Resolvi bater no endereço do tal telefone! O porteiro, pelo interfone, já foi me despistando, dizendo que não o havia visto neste fim de semana! " Mas esta viajando?" perguntei, e as respostas eram sempre evasivas e pouco esclarecedoras! Depois de alguma insistência ligou para o apartamento, e me pediu para aguardar um pouco. Bom sinal, o Frederico estava vivo e morava nesse endereço. Eram 11:10 e não se aparece na casa de ninguém sem ser convidado ou com um prévio aviso. Mas eu havia tentado.... Logo depois recebi ordem para subir. Não nos víamos a muitos anos. Ele continua com memória de elefante. Mais gordo, mas com ótimo aspecto. Me recebeu de roupão de banho, barba de três dias, e meio estranho com aquela visita inesperada e provavelmente imprópria! Foi logo dizendo que deveríamos ser breves porque tinha um almoço logo mais! Eu me desculpei pela forma da visita e contei do recado na caixa postal, que ele disse nunca ter recebido. Passado os primeiros dez minutos, a conversa foi se desenrolando, e quando demos pela hora havíamos falado uma hora e meia, e ele perdido o apontamento do almoço. A Paulinha também me cobrou pelo celular, e tivemos que adiar muitas histórias, que temos em comum, para serem relembradas, e outras tantas, que quero saber e contar de nossas vidas! Foi muito bom reencontrar o velho amigo Frederico. Ele é mais reservado e tímido do que eu, mas vou tomar essas iniciativas, e procurar deliberadamente velhos amigos, queiram eles, ou não, me reencontrar! A mim me dão muito prazer, e se a eles a recíproca não é verdadeira, paciência! Mas não me pareceu que tenha sido o caso com o Frederico! O abraço que me deu na despedida foi muito melhor e carinhoso que o frio comprimento da chegada! Nada que uma hora e meia de papo não resolva!!!! E como conheço a "fera", mesmo estando com minha maquininha fotográfica no bolso, não ousei tentar uma imagem! Ganhei um livro de sua editora, e não foi fácil conseguir uma dedicatória. Mas ainda me disse com todas as letras: "NADA NO BLOG, HEM" !!!! E eu dei minha palavra! Por isso, vamos ficando por aqui!
Hoje recebi a notícia de sua morte.
Fui ver no meu blog 1blog a + onde escrevo sobre os amigos em vida, e o Frederico Jaime Nasser não estava lá.
Foi uma grande figura. Sentirei a mesma saudade que sentia há dez anos, ultima vez que estivemos juntos.
Frederico Jayme Nasser (1946-2020)
FREDERICO NASSER, artista plástico, professor, editor
Saudades do velho amigo Frederico. Por onde anda, que não dá notícias?
Lembram deste post de 10 de Maio de 2010? ( https://cimitan.blogspot.com/…/frederico-nasser-artista-pla… )
Pois é, ele não apareceu. Detesta blogs, e publicidade. Além de ser reservado faz dessa característica uma das suas "marcas registradas"! Vai para a biografia! Detestará este post, se é que vai tomar conhecimento, um dia! Mas a saudade que eu sentia do velho amigo era real e fui atrás! Descobri, na companhia telefônica, um número que caia direto numa caixa postal. Deixei recado. Nunca tive retorno. Tentei mais algumas vezes, e nada! Resolvi bater no endereço do tal telefone! O porteiro, pelo interfone, já foi me despistando, dizendo que não o havia visto neste fim de semana! " Mas esta viajando?" perguntei, e as respostas eram sempre evasivas e pouco esclarecedoras! Depois de alguma insistência ligou para o apartamento, e me pediu para aguardar um pouco. Bom sinal, o Frederico estava vivo e morava nesse endereço. Eram 11:10 e não se aparece na casa de ninguém sem ser convidado ou com um prévio aviso. Mas eu havia tentado.... Logo depois recebi ordem para subir. Não nos víamos a muitos anos. Ele continua com memória de elefante. Mais gordo, mas com ótimo aspecto. Me recebeu de roupão de banho, barba de três dias, e meio estranho com aquela visita inesperada e provavelmente imprópria! Foi logo dizendo que deveríamos ser breves porque tinha um almoço logo mais! Eu me desculpei pela forma da visita e contei do recado na caixa postal, que ele disse nunca ter recebido. Passado os primeiros dez minutos, a conversa foi se desenrolando, e quando demos pela hora havíamos falado uma hora e meia, e ele perdido o apontamento do almoço. A Paulinha também me cobrou pelo celular, e tivemos que adiar muitas histórias, que temos em comum, para serem relembradas, e outras tantas, que quero saber e contar de nossas vidas! Foi muito bom reencontrar o velho amigo Frederico. Ele é mais reservado e tímido do que eu, mas vou tomar essas iniciativas, e procurar deliberadamente velhos amigos, queiram eles, ou não, me reencontrar! A mim me dão muito prazer, e se a eles a recíproca não é verdadeira, paciência! Mas não me pareceu que tenha sido o caso com o Frederico! O abraço que me deu na despedida foi muito melhor e carinhoso que o frio comprimento da chegada! Nada que uma hora e meia de papo não resolva!!!! E como conheço a "fera", mesmo estando com minha maquininha fotográfica no bolso, não ousei tentar uma imagem! Ganhei um livro de sua editora, e não foi fácil conseguir uma dedicatória. Mas ainda me disse com todas as letras: "NADA NO BLOG, HEM" !!!! E eu dei minha palavra! Por isso, vamos ficando por aqui!
Hoje recebi a notícia de sua morte.
Fui ver no meu blog 1blog a + onde escrevo sobre os amigos em vida, e o Frederico Jaime Nasser não estava lá.
Foi uma grande figura. Sentirei a mesma saudade que sentia há dez anos, ultima vez que estivemos juntos.
Crônica diária
Betty Vidigal e Claudino Nóbrega
Ontem contei sobre o comentário do Claudino Nóbrega que pediu para achar, e envia-lo, um texto que ele chamou de "genial". Havia sido postada em 15 de fevereiro de 2014 no FB e em dois dos meus blogs. Publicada no livro "Dance comigo" nas páginas 229 e 230 como a crônica 178. Como achar uma crônica sem lembrar o título? "Muito fácil", respondeu a minha amiga Betty Vidigal. E na segunda tentativa acertou em cheio. Assim não foi preciso tentar falsificar ou auto-plagiar meu texto. Para quem não leu há seis anos, republico, sem antes agradecer a memória e carinho com que o Claudino vem me prestigiando.
No templo da carne
Após quinze dias em São Paulo e três semanas num regime alimentar (de
fome completa) meu estado irritadiço chegou ao ponto máximo. Não foi a
primeira nem a segunda vez que fui a esse açougue. Um verdadeiro templo
da carne. ( E não me refiro a prostíbulo). Os clientes ficam
pacientemente num silêncio bovino a espera de serem atendidos. Não há
senhas e portanto fica-se à mercê da educação e critérios de terceiros.
Não raro umas senhorinhas chegam depois e são atendidas primeiro. Os
açougueiros trabalham de costas para o balcão. Ninguém se atreve a
interromper o delicado trabalho de corte, limpeza e embalagem das
carnes. Somos atendidos quando eles podem e querem. Para evitar esse
desagradável ritual a minha mulher solicita por telefone, o Clóvis anota
o pedido e marca hora para a retirada. Nesse caso a hora agendada foi
doze horas. Cheguei uma hora atrasado. Fui direto ao caixa e perguntei
pelo pedido da Paula. A moça que me atendeu estava, ou era, ligeiramente
antipática. Fez pouco caso na falta do pedido, e só se movimentou
quando o tom da minha irritação subiu. Aí me chamou de "ignorante". " O
que? Você esta aí para procurar e achar os pedidos". E ela foi para
dentro atendendo meu conselho. Volta sem nada encontrar. Então eu disse
que perguntasse ao Clóvis. Não precisou ela ir até ele. O açougueiro de
idade indefinida entre 70 anos em mau estado, ou 80 muito conservado,
com óculos redondo de aro de aço, com dois olhos saltando das pálpebras,
apareceu com um saco nas mãos. Muito exaltado perguntou diretamente a
mim o que se passava. Antes que eu pudesse responder, emendou uma
descompostura dizendo que o horário marcado por ele foi ao meio dia, e
que quinze minutos antes a carne estava pronta e embalada. Me desculpei
pelo atraso, mas ele já estava de costas e nem deve ter ouvido. Voltou
ao seu trabalho falando alto. Há lugares que se acham melhores que seus
fregueses. Tratam seus clientes com se estivessem fazendo um grande
favor. E parece que a técnica funciona. O templo da carne vive cheio.
Não contará mais com minha presença. Aliás já estava na hora de voltar
para a Piacaba.
17.2.20
Crônica diária
Um auto-plágio
Rubem Braga - Luiz Martins- Claudino Nóbrerga
No tempo em que Rubem Braga e Luiz Martins escreviam nos jornais paulistas, eu era muito jovem e leitor assíduo. Em algumas crônicas sobre o cotidiano, matéria prima da maioria dos cronistas, alguns leitores, mas eram poucos, interagiam com o escritor. O mundo mudou e hoje os cronistas escrevem nos jornais, revistas, mas principalmente nas páginas da internet. E é exatamente nelas onde há uma interação, e muitas vezes diálogos e debates, sobre a matéria publicada. Dia desses, meu velho amigo, embora ele seja jovem, pois fui muito amigo e cliente do seu pai, Claudino Nóbrega, comentou: " Ahahahahahahaaa adoro essas descrições do cotidiano que vc faz. As imagens brotam do texto muito nítidas. Ainda tenho na memória a cronica da casa de carnes que vc visitou, se não me engano, na alameda Campinas. Se for fácil pra vc localiza-la, por favor me envie. Desde já agradeço...abrs". Que elogio melhor se pode receber às sete da manhã? Respondi agradecendo e prometendo procurar a crônica pedida. Mas sem o título é quase impossível localizar dez linhas entre 2592 crônicas publicadas. Fiz várias tentativas. Usei palavras chave. Em resposta encontrei crônicas sobre o livro da Silvana Tinelli, sobre gastronomia, e até um conto do serial killer Banksy. Mas não localizei a crônica do açougue da alameda Campinas. Não sei se foi por influência do livro que estou lendo, por recomendação de outro leitor e amigo Walter De Queiroz Guerreiro, "Eu fui Vermeer" do Frank Wynne, sobre o falsário que enganou os nazistas, que pensei em escrever uma nova crônica sobre o açougue, e enviar para o Claudino. Meu crime seria menor. Falsificar a própria crônica, nem seria um crime. No máximo auto-plágio.
Rubem Braga - Luiz Martins- Claudino Nóbrerga
No tempo em que Rubem Braga e Luiz Martins escreviam nos jornais paulistas, eu era muito jovem e leitor assíduo. Em algumas crônicas sobre o cotidiano, matéria prima da maioria dos cronistas, alguns leitores, mas eram poucos, interagiam com o escritor. O mundo mudou e hoje os cronistas escrevem nos jornais, revistas, mas principalmente nas páginas da internet. E é exatamente nelas onde há uma interação, e muitas vezes diálogos e debates, sobre a matéria publicada. Dia desses, meu velho amigo, embora ele seja jovem, pois fui muito amigo e cliente do seu pai, Claudino Nóbrega, comentou: " Ahahahahahahaaa adoro essas descrições do cotidiano que vc faz. As imagens brotam do texto muito nítidas. Ainda tenho na memória a cronica da casa de carnes que vc visitou, se não me engano, na alameda Campinas. Se for fácil pra vc localiza-la, por favor me envie. Desde já agradeço...abrs". Que elogio melhor se pode receber às sete da manhã? Respondi agradecendo e prometendo procurar a crônica pedida. Mas sem o título é quase impossível localizar dez linhas entre 2592 crônicas publicadas. Fiz várias tentativas. Usei palavras chave. Em resposta encontrei crônicas sobre o livro da Silvana Tinelli, sobre gastronomia, e até um conto do serial killer Banksy. Mas não localizei a crônica do açougue da alameda Campinas. Não sei se foi por influência do livro que estou lendo, por recomendação de outro leitor e amigo Walter De Queiroz Guerreiro, "Eu fui Vermeer" do Frank Wynne, sobre o falsário que enganou os nazistas, que pensei em escrever uma nova crônica sobre o açougue, e enviar para o Claudino. Meu crime seria menor. Falsificar a própria crônica, nem seria um crime. No máximo auto-plágio.
16.2.20
Crônica diária
Lembranças da minha infância
Quando lembrei do abiu, fruta da minha infância, foi inevitável lembrar
do suco de tamarindo, das balas de coco e café, feitas em casa, e
cortadas na bancada de mármore da pia na cozinha. Faziam também uma
gelatina cor de rosa, com pinga, cortada em losangos e cobertas de
açúcar. O doce de leite era puxa-puxa, escuro, e feito no fogão a lenha.
O queijo, a coalhada, e a manteiga eram caseiros. A água quente da
casa era aquecida pela serpentina dentro do fogão a lenha. Parece coisa
de muitos séculos passados, sendo contados assim. Mas foi outro dia a 60
anos atrás. O mundo mudou radicalmente durante esses anos.
15.2.20
Assinar:
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )










