29.2.20

Num parque em Berlim

2008

Crônica diária

Um comentário e minha resposta

 O comentário foi do escritor Roberto Klotz:
"Não da infância, mas da adolescência lembro dos textos do Carlos Eduardo Novaes. Tomara que adolescentes tenham boas lembranças dos seus textos, Eduardo."
Minha resposta:
"Tenho pensado nisso. Como os adolescentes, e gente até com mais idade, não lê meus textos. Não lê os meus, e talvez, de ninguém da minha idade. E tenho tentado diagnosticar. Uma das eventuais razões seja o veículo. Eles não são meus "amigos" no FB. Outra importante razão deve ser os temas tratados. Eu sou um velho falando para os que tem a minha idade. E não posso me queixar. Tenho mais de 7200 amigos, e possíveis leitores. Dez vezes mais do que tinha no auge do blog Varal de Ideias. Mas não sou lido nem pelos meus filhos, muito menos sobrinhos e netos. Minha linguagem não lhes toca. E eu não tenho acesso à deles. Ou ainda, eles não leem, mesmo. Eu lia Rubem Braga, Sabino, e Luiz Martins, entre outros. O Carlos Eduardo Novaes é quase da minha geração, e fui ler muito mais tarde.

28.2.20

FLORES PARA A DELEGADA na Amazon

Agora o meu livro Flores para a Delegada esta disponível no mundo todo na Amazon.

Gruta Azul - Capri - Itália

2010

Crônica diária

 A Lição de Anatomia do Dr. Tulp – Rembrandt


Lição de anatomia do Dr. Beni

"A Lição de Anatomia do Dr. Tulp" de Rembrandt, é uma de suas obras mais famosas e revolucionárias. A pintura, que havia sido encomendada pela Associação de Cirurgiões de Amsterdã; na época, a burguesia liberal pagava o que fosse preciso para ser eternizada em uma pintura que mostrasse sua riqueza, através das roupas e da imagem em si.
O quadro retrata uma aula de anatomia do doutor Nicolaes Tulp, na qual ocorre a dissecação da mão esquerda de Aris Kindt , um marginal que havia sido condenado à morte por assalto a mão armada.
Foi como me senti dia 21 ultimo quando internado no hospital Einstein meu querido médico e amigo Dr. Beni, procedeu uma pequena cirurgia para a remoção de um carcinoma na minha perna direita. Com esse, já é o quinto, que removo. Antes que me perguntem vou logo informando que são causados pelo uso prolongado de um medicamento para a medula: Ciclosporina. Já no leito hospitalar, paramentado para a cirurgia, recebi a visita do Dr. Beni, alegre e simpático como de costume, para as explicações habituais. "Anestesia local, e exame laboratorial do material retirado, antes de concluir os procedimentos, para se ter a certeza da eliminação completa. Tudo bem?" E me pediu autorização, para uma aluna sua, acompanhar a cirurgia. "Claro que pode". E assim foi feito. Eu absolutamente lúcido, apenas com anestesia local, assisti sua aula sobre como proceder em casos semelhantes. Lembrei da tela do Rembrandt. Seria mais uma crônica. Como tivemos mais de uma hora esperando o resultado do laboratório, conversamos sobre vários assuntos. Carnaval, restaurantes, e quando contei para a lida estudante de medicina que era escritor, e que o Dr. Beni, assíduo leitor, ele brincou dizendo que um dia ele iria acabar sendo personagem das minhas crônicas. Mas que eu só usaria o B para nomina-lo. Contrariando a premonição, nomeie por extenso. Quando a aluna saiu da sala para acompanhar a análise do material no laboratório do hospital, elogiei a beleza das estudantes de medicina voltadas para dermatologia. São invariavelmente lindas. E o Dr. Beni comentou: "Cuidado com o assédio." Hoje em dia um comentário desse pode parecer assédio. O que era simplesmente um elogio, muito bem vindo, anos atrás, hoje é crime.

27.2.20

Olhem o guardanapo

Único restaurante aberto em Casablanca às 15 horas. Mortos de fome, comemos muito bem. 
2008, foto de Marina Canto

Crônica diária

Conheci o Zé do Caixão



A morte do Zé do Caixão, José Mogica Marins (1936 – 2020), me reporta ao ano de 1968, quando o conheci nos estúdios do Produtor A.P. Galante, onde se fazia o cinema marginal de São Paulo. Ele dirigia seu episódio da “Trilogia do Terror” * ( um filme em preto e branco), e eu era assistente de direção do Ozualdo Candeias (1922- 2007)que dirigia “O Acôrdo” (40 minutos) com o seguinte elenco: Lucy Rangel, Regina Célia, Durvalino de Souza, Luís Humberto, Alex Ronay, Henrique Borgens, Ugarte, Nádia Tell, Éddio Smani, Eucaris de Morais (“Karé”). O terceiro episódio, que compunha a trilogia, era dirigido pelo Luiz Sérgio Person (1936 – 1976). A  música foi composta pelo Rogério Duprat, e Damiano Cozzella. Essa foi minha única participação no cinema profissional. De resto fiz alguns curtas em 16 milímetros entre eles “Liberdade de pé”, que participou do “Festival JB de cinema amador”, no Rio de Janeiro. 

* https://youtu.be/v0zHQ-WLM40

26.2.20

Um beco em Casablanca, Marrocos

Foto da Paula Canto, 2008

Crônica diária

A foto proibida

No domingo de carnaval postei uma crônica sobre uma desventura que passamos, minha mulher e eu, num sábado que antecedia a semana carnavalesca. Foi uma ida ao centro da cidade de São Paulo e, desavisadamente, nos metemos no meio de um desfile. Nossa intenção, mal fadada, era ir inocentemente a um restaurante. Foram momentos de verdadeiro horror. Medo e pavor. Isso ao meio dia, em plena luz de verão. Situação parecida, só em uma outra única ocasião, minha mulher e eu, passamos. Foi no Marrocos, em Marrakech, no ano de 2008, quando fotografei da calçada, um cortejo fúnebre. Dois muçulmanos levando o defunto num andor apoiado apenas no turbante da cabeça. O de trás me vê com a câmara, e me aponta gritando algo. A pessoa de preto, à suas costas, também me aponta com um olhar reprovador. Saímos correndo do local. Fiquei sabendo, depois, que é crime fotografar defuntos. Foi um susto enorme. 
 

25.2.20

Steak Tartare

Para quem conhece e gosta recomendo o do PIPO, SP, do chef Felipe Bronze. 
https://www.gastrolandia.com.br/aonde-ir/restaurantes/pipo-o-restaurante-casual-do-chef-felipe-bronze-agora-e-paulistano/

Crônica diária

Eu fui Vermeer - Frank Wynne

Foi o amigo Walter De Queiros Guerreiro que  o indicou. Uma história verdadeira do lendário falsário do mundo das artes. Han van Meegeren (1889- 1947). O livro começa com números assustadores de obras falsas. Relatos de obras atribuídas aos grandes mestres da pintura, e que não passam de formidáveis falsificações. museus insuspeitos, galerias famosas e colecionadores importantes, ao redor do mundo, foram e são vítimas desses artistas criminosos. Não farei um spoiler do livro, mas afirmo que a leitura é muito instrutiva e agradável. Já fui vítima, certa vez, de uma compra num leilão do Baccaro, de um óleo falso. Ele, sem discutir, recebeu a tela de volta, e o valor pago em gravuras e desenhos, que me deixou escolher. Gatos por lebres anda cheio o mercado de arte, desde sempre. O curioso é que muitas vezes o falsário tem mais técnica e habilidade do que o próprio artista imitado. É o caso do van Meegeren, em relação a Vermeer.

24.2.20

O camelo e eu

Foto clássica do turista no Marrocos 2008 - Foto de Paula Canto

Crônica diária

Flor a poeta
 

Quando se ouve falar bem de uma pessoa, e é uma unanimidade, não há porque duvidar. Em geral as pessoas gostam é de falar mal. Criticar, caçoar, por um cem número de razões. Entre elas a inveja. O despeito. Mas são poucas as pessoas que colhem a tal unanimidade do bem. Nem jogadores de futebol, nem artistas, cantores, cineastas, até os Papas conseguem. Tem ferrenhos adversários, inimigos, detratores. Por melhor que sejam encontram críticos. Há profissões onde falar bem da pessoa é que é raro. Políticos por exemplo. Em setembro de 2019 fui colher um autógrafo na Livraria da Vila, da Lorena, em São Paulo. Cheguei pouco depois do horário de início, e a fila já era grande. E só fez aumentar. Não foram suficientes as quatro horas previstas para a poetisa paulista Flora Figueiredo atender com um sorriso, uma palavra amável, e escrever três palavras aos leitores de seu novo livro. Não é comum um lançamento literário ser tão concorrido. A Flora é só uma baita poeta. Não faz televisão, não escreve nos jornais e revistas, não tem nada além de sua simpatia, postura moral, amizades, e uma veia artística incomparável para atrair e cultivar tantos admiradores. Entre eles, nessa multidão de fãs estava eu conhecendo pessoalmente esse mito da poesia paulista e brasileira. Nada mais apropriado do que seu nome: Flora, e qualquer outro adjetivo: florinda, florbela, florada, florecer, Flor a poeta.

Postado no blog 1 blog a+ em 16/02/2020 (https://1bloga.blogspot.com/2020/02/flora-figueiredo.html )
 

23.2.20

Lisboa 2013

Paula Canto na foto tradicional em Lisboa, 2013 - EPL

Crônica diária


 O almoço pesadelo

Dia 15 passado, foi um sábado, e minha mulher sugeriu um almoço no Edifício Esther, um prédio projetado em 1936 no centro de São Paulo, onde fica o restaurante Esther Rooftop, na cobertura. Olivier Anquier é um dos proprietários.  A história do edifício e do restaurante não vem ao caso nesta crônica. Nela vou só contar o drama que foi essa aventura. Primeiro a decisão (acertada) de ir de Uber, para poder beber, e não voltar dirigindo. Essa decisão ficou ainda mais acertada quando no meio do trajeto o motorista do aplicativo nos informou que nos deixaria no ponto mais próximo do edifício, porque todas as ruas do centro, vizinhas à praça da República, estavam interditadas por conta da abertura do carnaval de São Paulo. A notícia nos pegou de surpresa. É claro que concordamos. O que não imaginávamos era o horror que iríamos viver nas várias tentativas de encontrar a Rua Basílio da Gama, 29. O Uber nos deixou na Ipiranga quase em frente a esquina do Dona Onça, restaurante que gostamos muito, aos pés do Copan. O barulho dos dois caminhões de som com dezena de foliões no teto impediam que me comunicasse com minha mulher, a não ser gritando no seu ouvido, e não conseguindo ouvir a resposta. Barracas de lona amarela, e muito policiamento era o que se via à distância. Vendedores de sorvete, água, porta dólar, para esconder os celulares, e bugigangas carnavalesca abundavam. De resto era u´a massa de gente pouco vestida, muito maquiada, bastante alcoolizada, que tomavam a avenida e suas calçadas. Andar segurando a mão da minha mulher para não perde-la na multidão não era tarefa fácil. Ela com medo de assalto passava a bolsa de um ombro para o outro tentando se proteger. Não havia uma placa de rua visível. A polícia, em grupos de três ou quatro, parecia mais assustada do que nós. Ao aborda-los para perguntar pelo endereço, reagiam de forma hostil,  e nas duas tentativas nos direcionaram para lados completamente equivocados. O medo de abrir o google, ou GPS no meio da multidão nos levaram a ficar rodando quarteirões, seguindo orientação dos guardas ou lojistas, que tinham menos ideia onde fosse a rua Basílio da Gama, que sabíamos estar a menos de 200 metros. Mas como chegar? Nessas voltas infrutíferas, sob sol da uma da tarde, e muitas vezes ruas sombrias do centro, com cheiro forte de urina, calçadas com líquido amarelo que podia ser cerveja, mas também xixi, caco de vidro e latinhas por todo lado. Era uma busca infernal. Claro que o humor foi se esgotando. O calor, o sol e o som eram fortes demais. Nossa desorientação irritante. Chegou uma hora desisti e puxei pelo braço minha mulher informando que tinha mudado de ideia. Vamos comer na Casa do Porco, restaurante e bar, que conhecíamos e estava a menos de 50 metros. A espera era de no mínimo duas horas. Ainda puxando pelo braço, fui arrastando a Paula para a Dona Onça, de onde havíamos partido. Lá como sempre, comemos e bebemos, não exatamente nessa ordem, maravilhosamente. Enfim seguros, e longe do barulho do carnaval de São Paulo.

22.2.20

Os modelos e a tela famosa 'American Gothic'

Famosa tela  'American Gothic'  norte americana e seus modelos

Autor Grant Wood
Data 1930
Técnica Pintura a óleo
Dimensões 74.3  × 62.4 
Localização Art Institute of Chicago



Tela original
Com montagem de Guilherme Lunardelli, o autor do blog 

Resultado de imagem para Tela do casal de agricultores americanosResultado de imagem para Tela do casal de agricultores americanosResultado de imagem para Tela do casal de agricultores americanos
Resultado de imagem para Tela do casal de agricultores americanosResultado de imagem para Tela do casal de agricultores americanosAmerican Gothic ZombiesAmerican GothicAmerican Gothic ~ Rosie the Riveter & Uncle Sam (80 pieces) -- This is a puzzle that you work and it turns into the picture when finished. it also calculates the time that it takes you to complete the task. It took me 35:28 to finish - I know most of you can do a better time than mine...American Gothic NavyAmerican Gothic Pharmacy-style.Image detail for -... American Gothic Pictures - Strange Plastic Surgery American GothicThe Lincolns Parody of "American Gothic"Bosch parody...imagined hell Gothic?Parody of "American Gothic"Cool!  Art is Basic-- Art Teacher Blog: American Gothic-- Third GradeAmerican Gothic | American Gothic funny imagesResultado de imagem para Tela do casal de agricultores americanosold art defaced - Google SearchMinnie & Mickey Mouse American Gothic Parodies. Phi Stars: Part 1Reinventions Of The American Gothic PaintingNow, here is a good version of the modern day American gothic parody.

Crônica diária

Assuntos universais

Hoje iria contar a experiência carnavalesca que tivemos ontem no centro de São Paulo, mas fica para amanhã. A razão do adiamento foi o comentário da minha leitora Maria V. Moreira Fagundes, que é carioca, mas mora em Tulari na Califórnia. Ela comentou que minha crônica sobre lembranças de infância reviveu as suas. Disse mais: "porque moro num país distante". Há assuntos universais. Infância é um deles. Todo mundo teve a sua. E em algum lugar. Dela podemos guardas boas e mas lembranças. Em geral a pureza da criança releva as más, e o instinto de preservação valoriza os bons momentos. O sabor de uma fruta, de um doce, o cheiro de terra molhada, ou grama cortada são lembranças definitivas. E valem para qualquer ponto do planeta. A não ser quem passou a infância no polo norte, filho de esquimós, não guardam na memória o cheiro de terra molhada pela chuva, ou grama cortada nos jardins ou beira de estrada. 
 

21.2.20

Suzana Penteado Sousa Soares

Foto da visita que fizemos ao seu apartamento em Lisboa

Crônica diária

A casa do filme Parasita


Nos bastidores de um grande filme uma história de um arquiteto fictício que adorava o sol. A casa foi na verdade projetada pelo cenógrafo do filme, Lee Ha Jun. Não faço nenhum spoiler em contar que a história central do filme é vida de duas famílias na Coreia do Sul. Uma que habita um porão cuja única janelinha é no nível de rua. Não tem sol, tem pouca luz, e quando chove inunda. A outra família, muito rica, mora numa casa de janelas imensas onde o sol e a luz dominam o dia todo. Dentro desse conceito, casa de rico tem sol, casa de pobre não tem, foi criada essa. Numa revista de arquitetura um arquiteto conta que assistindo o filme, ouvindo de um dos personagens o nome do arquiteto autor do projeto, teve o ímpeto de consultar o Google, se esse arquiteto existia. Esse detalhe cenográfico parece desimportante, e não é. A casa, e sua arquitetura ajudam a narrar a história. É parte importante para a boa compreensão do filme. Oscar para o cenógrafo Lee Ha Jun.

20.2.20

Só para relembrar

Meu estúdio na Piacaba, Ibiraquera, SC

Crônica diária

Com a cara e a coragem

Essa era uma expressão usada séculos atrás. Há algumas dias (13/02/2020) escrevi que fiquei chocado com a aparência da Rita Lee, num programa da Bela Gil. Como sempre respeito opiniões contrárias, e não contestei quem não concordou comigo. E não foi a primeira vez que me espantei com artistas que, por uma razão ou outra, envelheceram mal. Encontrei, numa loja de ferragens na rua Florêncio de Abreu, a Dercy Gonçalves, um ou dois anos antes de morrer. Era uma comediante debochada, e mantinha viva sua personagem no seu cotidiano. Não preciso dizer o sucesso que fez com os vendedores da loja. Maquiada como se fosse entrar num picadeiro de circo, agradava sua plateia com bocas e gestos característicos da velha Dercy da vida. Foi no mínimo patético. Pessoas jovens e bonitas podem entrar com a cara. Nós, velhos, temos que usar mais do que a coragem, a descrição, modéstia e simplicidade. Ainda assim, tenho certeza, vamos espantar muita gente. 

19.2.20

Israel Kislansky

Judeus do melhor escultor brasileiro vivo. Israel Kislansky

Crônica diária

Entre o dever e o desejo

O cronista diário vai se revelando aos poucos, e seus leitores fiéis vão se tornando conhecedores das mais sutis manias.
Gosto de dar nome às coisas. Qualquer coisa merece ser chamada por um nome que lhe faça jus.
Esta crônica tem um título. É o nome dela: "Entre o dever e o desejo". Um título sugestivo.
Gosto de ter em minha mesa de trabalho uma caneca repleta de lápis preto Faber-Castell 6B. Todos do mesmo tamanho, e bem apontados. Repleta de lápis significa três dúzia deles. Claro que tudo depende do tamanho da boca da caneca. Mas gosto também de ter uma outra caneca com três dúzias de canetas Bic Azul. Entre elas sempre tenho uma ou duas de tinta preta e vermelha, ponta fina, que uso para desenho.
Gosto de estar na minha mesa de trabalho rodeado de livros. Livros que ainda vou ler. Os lidos vão para a estante. Mantenho-os por alguns anos, sempre na esperança de que possam um dia ser úteis. Raramente são. Empresto livros quando solicitado. Eles nunca voltam. E quando a estante esta repleta doou. Já fiz em três oportunidades. E já me arrependi de ter emprestado ou doado livros que voltei a comprar no sebo. Mas isso faz parte.
Me perguntarão o por que do nome deste texto? A resposta é curta: Leio por um desejo incontido. Escrevo por prazer, camuflado de dever. Digo isso porque ninguém me cobra. Mas o hábito cria a rotina, e a rotina a impressão do dever.

18.2.20

Frederico Jaime Nasser

9.10.2010
Frederico Jayme Nasser (1946-2020)

FREDERICO NASSER, artista plástico, professor, editor
Saudades do velho amigo Frederico. Por onde anda, que não dá notícias?
Lembram deste post de 10 de Maio de 2010? ( https://cimitan.blogspot.com/…/frederico-nasser-artista-pla… )
Pois é, ele não apareceu. Detesta blogs, e publicidade. Além de ser reservado faz dessa característica uma das suas "marcas registradas"! Vai para a biografia! Detestará este post, se é que vai tomar conhecimento, um dia! Mas a saudade que eu sentia do velho amigo era real e fui atrás! Descobri, na companhia telefônica, um número que caia direto numa caixa postal. Deixei recado. Nunca tive retorno. Tentei mais algumas vezes, e nada! Resolvi bater no endereço do tal telefone! O porteiro, pelo interfone, já foi me despistando, dizendo que não o havia visto neste fim de semana! " Mas esta viajando?" perguntei, e as respostas eram sempre evasivas e pouco esclarecedoras! Depois de alguma insistência ligou para o apartamento, e me pediu para aguardar um pouco. Bom sinal, o Frederico estava vivo e morava nesse endereço. Eram 11:10 e não se aparece na casa de ninguém sem ser convidado ou com um prévio aviso. Mas eu havia tentado.... Logo depois recebi ordem para subir. Não nos víamos a muitos anos. Ele continua com memória de elefante. Mais gordo, mas com ótimo aspecto. Me recebeu de roupão de banho, barba de três dias, e meio estranho com aquela visita inesperada e provavelmente imprópria! Foi logo dizendo que deveríamos ser breves porque tinha um almoço logo mais! Eu me desculpei pela forma da visita e contei do recado na caixa postal, que ele disse nunca ter recebido. Passado os primeiros dez minutos, a conversa foi se desenrolando, e quando demos pela hora havíamos falado uma hora e meia, e ele perdido o apontamento do almoço. A Paulinha também me cobrou pelo celular, e tivemos que adiar muitas histórias, que temos em comum, para serem relembradas, e outras tantas, que quero saber e contar de nossas vidas! Foi muito bom reencontrar o velho amigo Frederico. Ele é mais reservado e tímido do que eu, mas vou tomar essas iniciativas, e procurar deliberadamente velhos amigos, queiram eles, ou não, me reencontrar! A mim me dão muito prazer, e se a eles a recíproca não é verdadeira, paciência! Mas não me pareceu que tenha sido o caso com o Frederico! O abraço que me deu na despedida foi muito melhor e carinhoso que o frio comprimento da chegada! Nada que uma hora e meia de papo não resolva!!!! E como conheço a "fera", mesmo estando com minha maquininha fotográfica no bolso, não ousei tentar uma imagem! Ganhei um livro de sua editora, e não foi fácil conseguir uma dedicatória. Mas ainda me disse com todas as letras: "NADA NO BLOG, HEM" !!!! E eu dei minha palavra! Por isso, vamos ficando por aqui!
Hoje recebi a notícia de sua morte.
Fui ver no meu blog 1blog a + onde escrevo sobre os amigos em vida, e o Frederico Jaime Nasser não estava lá.
Foi uma grande figura. Sentirei a mesma saudade que sentia há dez anos, ultima vez que estivemos juntos.

Foto de arquivo

Amigas comemoram com o colchão com marcas da primeira noite.

Crônica diária


                                                          Betty Vidigal e Claudino Nóbrega

Ontem contei sobre o comentário do Claudino Nóbrega que pediu para achar, e envia-lo, um texto que ele chamou de "genial". Havia sido postada em  15 de fevereiro de 2014 no FB e em dois dos meus blogs. Publicada no livro "Dance comigo" nas páginas 229 e 230 como a crônica 178.  Como achar uma crônica sem lembrar o título? "Muito fácil", respondeu a minha amiga Betty Vidigal. E na segunda tentativa acertou em cheio. Assim não foi preciso tentar falsificar ou auto-plagiar meu texto. Para quem não leu há seis anos, republico, sem antes agradecer a memória e carinho com que o Claudino vem me prestigiando. 

No templo da carne

Após quinze dias em São Paulo e três semanas num regime alimentar (de fome completa) meu estado irritadiço chegou ao ponto máximo. Não foi a primeira nem a segunda vez que fui a esse açougue. Um verdadeiro templo da carne. ( E não me refiro a prostíbulo). Os clientes ficam pacientemente num silêncio bovino a espera de serem atendidos. Não há senhas e portanto fica-se à mercê da educação e critérios de terceiros. Não raro umas senhorinhas chegam depois e são atendidas primeiro. Os açougueiros trabalham de costas para o balcão. Ninguém se atreve a interromper o delicado trabalho de corte, limpeza e embalagem das carnes. Somos atendidos quando eles podem e querem. Para evitar esse desagradável ritual a minha mulher solicita por telefone, o Clóvis anota o pedido e marca hora para a retirada. Nesse caso a hora agendada foi doze horas. Cheguei uma hora atrasado. Fui direto ao caixa e perguntei pelo pedido da Paula. A moça que me atendeu estava, ou era, ligeiramente antipática. Fez pouco caso na falta do pedido, e só se movimentou quando o tom da minha irritação subiu. Aí me chamou de "ignorante". " O que? Você esta aí para procurar e achar os pedidos". E ela foi para dentro atendendo meu conselho. Volta sem nada encontrar. Então eu disse que perguntasse ao Clóvis. Não precisou ela ir até ele. O açougueiro de idade indefinida entre 70 anos em mau estado, ou 80 muito conservado, com óculos redondo de aro de aço, com dois olhos saltando das pálpebras, apareceu com um saco nas mãos. Muito exaltado perguntou diretamente a mim o que se passava. Antes que eu pudesse responder, emendou uma descompostura dizendo que o horário marcado por ele foi ao meio dia, e que quinze minutos antes a carne estava pronta e embalada. Me desculpei pelo atraso, mas ele já estava de costas e nem deve ter ouvido. Voltou ao seu trabalho falando alto. Há lugares que se acham melhores que seus fregueses. Tratam seus clientes com se estivessem fazendo um grande favor. E parece que a técnica funciona. O templo da carne vive cheio. Não contará mais com minha presença. Aliás já estava na hora de voltar para a Piacaba.

17.2.20

Paolo Conte - Alle prese con una verde milonga

Crônica diária

Um auto-plágio


                                          Rubem Braga - Luiz Martins- Claudino Nóbrerga
No tempo  em que Rubem Braga e Luiz Martins escreviam nos jornais paulistas, eu era muito jovem e leitor assíduo. Em algumas crônicas sobre o cotidiano, matéria prima da  maioria dos cronistas, alguns leitores, mas eram poucos, interagiam com o escritor. O mundo mudou e hoje os cronistas escrevem nos jornais, revistas, mas principalmente nas páginas da internet. E é exatamente nelas onde há uma interação, e muitas vezes diálogos e debates, sobre a matéria publicada. Dia desses, meu velho amigo, embora ele seja jovem, pois fui muito amigo e cliente do seu pai, Claudino Nóbrega, comentou: " Ahahahahahahaaa adoro essas descrições do cotidiano que vc faz. As imagens brotam do texto muito nítidas. Ainda tenho na memória a cronica da casa de carnes que vc visitou, se não me engano, na alameda Campinas. Se for fácil pra vc localiza-la, por favor me envie. Desde já agradeço...abrs". Que elogio melhor se pode receber às sete da manhã? Respondi agradecendo e prometendo procurar a crônica pedida. Mas sem o título é quase impossível localizar dez linhas entre 2592 crônicas publicadas. Fiz várias tentativas. Usei palavras chave. Em resposta encontrei crônicas sobre o livro da Silvana Tinelli, sobre gastronomia, e até um conto do serial killer Banksy. Mas não localizei a crônica do açougue da alameda Campinas. Não sei se foi por influência do livro que estou lendo, por recomendação de outro leitor e amigo Walter De Queiroz Guerreiro, "Eu  fui Vermeer" do Frank Wynne, sobre o  falsário que enganou os nazistas, que pensei em escrever uma nova crônica sobre o açougue, e enviar para o Claudino. Meu crime seria menor. Falsificar a própria crônica, nem seria um crime. No máximo auto-plágio. 

16.2.20

Dragona la máquina que imprime libros en el acto

Fotos de arquivo

Outra velha postagem

Crônica diária

Lembranças da minha infância

Quando lembrei do abiu, fruta da minha infância, foi inevitável lembrar do suco de tamarindo, das balas de coco e café, feitas em casa, e cortadas na bancada de mármore da pia na cozinha. Faziam também uma gelatina cor de rosa, com pinga, cortada em losangos e cobertas de açúcar. O doce de leite era puxa-puxa, escuro, e feito no fogão a lenha. O queijo, a coalhada, e a manteiga eram caseiros.  A água quente da casa era aquecida pela serpentina dentro do fogão a lenha. Parece coisa de muitos séculos passados, sendo contados assim. Mas foi outro dia a 60 anos atrás. O mundo mudou radicalmente durante esses anos. 

15.2.20

Detalhe do braço da cadeira


Voltando a postar uma das cadeiras da Série que o Varal postou em seus 14 anos de vida

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )