Crônica do Alvaro Abreu
Tempo de goiaba
Dia
desses me mandaram uma foto histórica, na qual apareço abraçado ao
tronco da goiabeira que existia no quintal da nossa casa, lá em
Cachoeiro, com cara de moleque corajoso. Não devia ter mais do que uns 5
anos. Junto com ela veio a imagem que tenho na memória de papai me
fotografando com uma máquina daquelas de sanfona. Mostrei-a pros netos,
na expectativa de animá-los a aprender a trepar na goiabeira daqui de
casa, que este ano está produzindo como nunca, sem parar.
As
frutas estão perfeitas: graúdas, de casca grossa e, pela primeira vez,
sem bicho, o que é fundamental. Imagino que essa fartura seja por conta
de uma poda radical que fizemos em agosto passado e
das chuvas fartas que têm caído. Sem exagero, estamos tirando umas 40
goiabas por dia, tendo sido registrado o recorde de 58 unidades, o que
pode ser facilmente comprovado por fotos e testemunhos pessoais.
O
fato é que tirar goiaba virou um opção de diversão para os netos mais
velhos. Malandramente criada por avô do tipo antigo, a atividade ganhou a
disputa contra joguinhos de celular e desenhos na TV. Instaurou-se uma acirrada competição entre eles, para ver quem tirava mais goiabas e também as maiores.
Galhos
horizontais em paralelo, que permitem pisar e agarrar com as mãos,
oferecem segurança e condições para se chegar nas grimpas, onde sempre
ficam as frutas mais bonitas.
Sem
dúvida, Gael foi o vencedor por boa margem, muito embora a norinha
também tenha apresentado desempenho elogiável, bem acima dos resultados
obtidos pelos filhos e pela sobrinha.
No
que me cabe, a fartura e a qualidade das frutas desta safra têm
possibilitado avanços importantes na produção caseira de doce de goiaba.
Além dos tradicionais doces de orelha, feitos com pedaços grandes da
fruta, também estão sendo realizadas, com sucesso, tentativas no
segmento das goiabadas. Ainda não se conseguiu chegar na cascão
verdadeira, talvez por usar pouco açúcar. Mas já foram produzidas
panelas enormes de goiabadas cremosas, dessas de comer de colher, gemendo.
Vitória, 23 de janeiro de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA


Um comentário:
Alvaro, acho que goiabada é um dos 2 doces que mais gosto, como e tem sempre em casa. O concorrente é o pudim de leite. Hoje por exemplo fizeram um pudim de banana delicioso. Sem açúcar, a não ser na calda. A receita: 4 bananas, 4 ovos (clara e gema, e 400 ml de leite. Caramelizar a forma e colocar o pudim na mesma coberta por papel alumínio dentro de uma panela de pressão por 15 minutos.
Adorei a crônica.
Forte abraço
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