31.1.20
Crônica diária
Doce de figo
Chico e Olavo
Chico e Olavo
Curioso como algumas coisas aparentemente menores e sem importância
marcam nossa memória, e ligam à memória de pessoas ou lugares. Todos nós
fazemos essas relações entre algum fato, ou coisa, em algum tempo da
vida. Geraldo Briglia, baiano "porreta", foi contemporâneo meu, interno
no Colégio de Cataguases. Muito recentemente (três ou quatro anos atrás)
nos tornamos "amigos" aqui no Facebook. Ao se referir a mim, pelo menos
umas três vezes, citou um doce de figo cristalizado que minha mãe
mandava de São Paulo para o colégio, em Minas, pelo correio. A primeira
vez que fez menção ao doce foi relatando um fato, que na verdade eu não
lembro, mas também não posso negar. Dormíamos no mesmo apartamento do
colégio com o Chico Buarque, e o Geraldo garante que o Chico comia
escondido meus figos. Voltou a repetir essa história mais vezes. Esta
semana escrevi sobre os dois doces que mais gosto. São goiabada e pudim
de creme de leite. Este ultimo, quanto mais arejado, melhor. Pois bem, o
Geraldo voltou a perguntar quem fazia os figos cristalizados que minha
mãe mandou à 60 anos atrás. Eram comprados, caro Geraldo, foi minha
resposta. O que me chamou atenção foi a ligação do doce de figo com
minha pessoa. Talvez tenha sido aquela a ultima vez que comi. Mas para o
Geraldo esta intimamente ligada a minha memória. E nessa oportunidade o
Olavo Moraes Barros Neto, também nosso colega no colégio, fez coro à
história do Chico.
30.1.20
Crônica diária
Montanhas em viagem
Além
de escrever diariamente, muito antes (50 anos) eu pintei e fiz
esculturas. As ultimas foram montanhas. E pelo tamanho, peso e
fragilidade são pouco transportadas. Tive o prazer de ver mais uma
saindo do ateliê e embarcando para o interior de São Paulo. Era pequena,
e foi numa sacola, na mão, na cabine do avião. É um prazer ver as obras
encontrando seus novos lugares, olhares e colecionadores.
PS- Recebi a foto da montanha em seu novo posto:
PS- Recebi a foto da montanha em seu novo posto:
Foto Estela Salles
29.1.20
Crônica diária
Receitinhas da Piacaba
Falei dos meus doces preferidos, e hoje vou falar de algumas
receitinhas usuais aqui na Piacaba. Para quem ainda não sabe, Piacaba
não é restaurante, nem hotel, é minha casa na praia de Ibiraquera. Tenho
mania de colocar nome em tudo, inclusive nas casas onde morei.
Influência do Assis Chateaubriand, talvez, que assinava, o editorial do
seu jornal Diário de São Paulo, com seu nome e lugar: "Casa Amarela".
Dois ou três pratos fazem sucesso. A entrada de manga grelhada sobre
molho de queijo gorgonzola, é um deles. Saladas são várias onde
ingredientes como batata frita em palha, nozes, alho em lâminas frito,
bacon torradinho, tomatinho cereja esmagado, rúcula, alface (roxa, verde
e crespa) e almeirão disputam os gosto dos convivas. Uma das ultimas
novidades é a salada de abobrinha crua desfiada, lascas de azeitonas
verdes, azeite de boa qualidade e sal. De babar de bom. Para quem curte
cozinha e pratos bons de olhar, e comer, tenho um blog "Blogosto"
(https://blogsgosto.blogspot.com/) onde posto fotos, sem as receitas, do
que como aqui em casa, e na casa dos outros.
28.1.20
Crônica diária
Recebi este fim de semana a visita da Estela, minha irmã caçula, que tem
dezesseis anos a menos,, seu marido Francisco, e suas duas filhas
Helena e Júlia com o noivo Luiz Henrique Nogueira, em minha casa na Praia de
Ibiraquera. Moro, desde que a construi há vinte anos, e esta foi a
primeira vez que ela e o marido vieram conhecer. As meninas já haviam
estado em 2004. Tenho um álbum e registros de "quase" todos que me
visitaram ou foram meus hóspedes aqui na praia. Minhas duas irmãs eram
exceção. Sem nenhum motivo específico. A Elisa, minha irmã mais velha,
não gosta de sol, logo praia não é o lugar ideal. Mas a Estela ao
contrário adora areia e mar, e nunca tinha vindo para Santa Catarina.
Conviver com irmãos e conhecer mais intimamente seus filhos e agregados é
muito prazeroso. Principalmente quando descobrimos como educaram bem
seus filhos. A Estela é mãe de três. O Pedro já é casado com a Carol,
mas não puderam vir por conta do trabalho de inauguração de um novo
hospital na cidade de Araçatuba, SP. Foi lá que a Estela, quando casou,
resolveu morar. As filhas hoje residem e trabalham em São Paulo. Os três
filhos são formados em engenharia. Os três independentes e com um
currículo profissional invejável. Um exemplo de como educar os filhos.
Foi um fim de semana muito prazeroso e agradável.
27.1.20
Crônica diária
Meus doces prediletos
O escritor e amigo Alvaro Abreu escreveu na A Gazeta, de Vitória, a semana passada, que a goiabeira da sua casa este ano esta com uma safra extraordinária. Estão apanhando 40 a 50 goiabas enormes, sem bicho, e fazendo doces variados com o fruto. Comentei com ele que goiabada, em suas diversas formas, é um dos dois doces meus prediletos. O outro, e que sempre tenho na geladeira de casa, é o pudim de leite condensado.
Hoje, por exemplo, fizeram um pudim de banana delicioso. Sem açúcar, a não ser na calda. A receita: 4 bananas, 4 ovos (clara e gema), e 400 ml de leite. Caramelizar a forma e colocar o pudim na mesma, coberta por papel alumínio, dentro de uma panela de pressão por 15 minutos. É maravilhoso. Recomendo. 26.1.20
Crônica diária
A escolha do nome
Não vou emitir opinião.
Vou relatar fatos.
A escolha do
nome de uma pessoa tem importância maior do que se pode imaginar. Por
essa razão os pais deveriam se preocupar mais ao batizar, ou
simplesmente registrar seus descendentes.
A mudança de nome em
adulto é possível, mas não é simples. A justiça, quando provocada, pode
atender à solicitação em situações específicas. Uma delas, e talvez a
mais comum seja no caso de mudança de sexo.
Nomes extravagantes penalizam seus portadores que acabam adotando apelidos.
Há
casos em que se dá o contrário. Esta trabalhando na construção de um
deck novo na minha casa um senhor chamado Manuel, de batismo, e só
conhecido por Tibelinho. Perguntei a ele a razão, e só me deu esta
resposta: "Por conta do Tibério." Fiquei sem entender.
Em alguns
países o nome da mãe é mais importante. Aqui usa-se o do pai por ultimo.
Mas há casos em que o indivíduo prefira o da mãe. Não há nada que o
impeça, a não ser um discreto desprezo pela família paterna.
Na
minha família temos três casos de mulheres que resolveram adotar
profissionalmente o sobrenome materno. Curiosamente as três se chamam
Helena. E as três são da mesma geração, e acabaram sendo homônimas.
25.1.20
Crônica diária
Visita em casa
Normalmente tenho meia dúzia de textos prontos para ir postando
diariamente. Nunca faço mais de uma publicação por dia. É uma homenagem
aos cronistas diários de antigamente. Rubem Braga, Luiz Martins e tantos
outros. Esta semana foi bastante agitada. Não tive tempo para ler ou
escrever. Além dos dias de chuva e vento forte, que prejudicaram o
trabalho da construção de um novo deck, recebi a visita do meu amigo
holandês Vincent Michels, que mora em Amsterdã, onde tem uma academia de
ginastas de alta performance, e casa de veraneio aqui em Ibiraquera,
SC. Chegou de viagem e tínhamos muito para conversar. É incrível a visão
que os europeus tem do Brasil. Juntando que ouço do meu amigo alemão,
com as notícias do holandês, vou tirando minhas conclusões. Pobre
Brasil.
Crônica do Alvaro Abreu
Tempo de goiaba
Dia
desses me mandaram uma foto histórica, na qual apareço abraçado ao
tronco da goiabeira que existia no quintal da nossa casa, lá em
Cachoeiro, com cara de moleque corajoso. Não devia ter mais do que uns 5
anos. Junto com ela veio a imagem que tenho na memória de papai me
fotografando com uma máquina daquelas de sanfona. Mostrei-a pros netos,
na expectativa de animá-los a aprender a trepar na goiabeira daqui de
casa, que este ano está produzindo como nunca, sem parar.
As
frutas estão perfeitas: graúdas, de casca grossa e, pela primeira vez,
sem bicho, o que é fundamental. Imagino que essa fartura seja por conta
de uma poda radical que fizemos em agosto passado e
das chuvas fartas que têm caído. Sem exagero, estamos tirando umas 40
goiabas por dia, tendo sido registrado o recorde de 58 unidades, o que
pode ser facilmente comprovado por fotos e testemunhos pessoais.
O
fato é que tirar goiaba virou um opção de diversão para os netos mais
velhos. Malandramente criada por avô do tipo antigo, a atividade ganhou a
disputa contra joguinhos de celular e desenhos na TV. Instaurou-se uma acirrada competição entre eles, para ver quem tirava mais goiabas e também as maiores.
Galhos
horizontais em paralelo, que permitem pisar e agarrar com as mãos,
oferecem segurança e condições para se chegar nas grimpas, onde sempre
ficam as frutas mais bonitas.
Sem
dúvida, Gael foi o vencedor por boa margem, muito embora a norinha
também tenha apresentado desempenho elogiável, bem acima dos resultados
obtidos pelos filhos e pela sobrinha.
No
que me cabe, a fartura e a qualidade das frutas desta safra têm
possibilitado avanços importantes na produção caseira de doce de goiaba.
Além dos tradicionais doces de orelha, feitos com pedaços grandes da
fruta, também estão sendo realizadas, com sucesso, tentativas no
segmento das goiabadas. Ainda não se conseguiu chegar na cascão
verdadeira, talvez por usar pouco açúcar. Mas já foram produzidas
panelas enormes de goiabadas cremosas, dessas de comer de colher, gemendo.
Vitória, 23 de janeiro de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
24.1.20
Crônica diária
Quatrocentas
e sessenta páginas não é todo autor que me faz ler de cabo a rabo. Mais
um livro do norueguês Jo Nesbo - "O Flho". Não foi o melhor que li
dele. Li todos os editados em português. Mas como em todas as histórias
ele nos prende do começo ao fim, este não é diferente. A quantidade de
personagens, todos com nomes em norueguês, faz da leitura um excelente
exercício de atenção e memória. Não é o que mais gosto de fazer. Mas
fica o registro, uma boa leitura policial.
23.1.20
Crônica diária
Um almoço com meu amigo alemão
Almocei com meu vizinho e amigo alemão Eberhard Lange que passa alguns meses do ano surfando em Ibiraquera, SC, e outros meses em sua casa na Ilha Maiorca na Espanha, e outra no sul de Portugal. Vida duríssima essa de surfista amador. Acompanha o verão e as ondas do mar através do mundo. Além do alemão, espanhol e inglês, fala português. Vegetariano, comíamos uma linda salada de abobrinha desfiada, com lascas de azeitona verde, azeite e sal, quando perguntou pelas minhas crônicas, e disse que fazia já algum tempo que não as lia. Mas que tinha lido uma sobre o crime do lixeiro. Dei um sorriso, e contei que se tratava de ficção. Ah...bom.
Em outubro de 2019, portanto há quatro meses escrevi uma "Sinopse de um conto policial" denominado "Banksy, o serial killer", e imaginei que viesse a ter uma repercussão maior do que realmente teve. Mas o fato do Eberhard ter lido, sabe-se lá em que parte do mundo, e ter lembrado especificamente dela, me encheu de orgulho.
Para quem não leu em outubro, possa ler agora, ela esta disponível no link: https://cimitan.blogspot.com/2019/10/cronica-diaria_22.html
Em outubro de 2019, portanto há quatro meses escrevi uma "Sinopse de um conto policial" denominado "Banksy, o serial killer", e imaginei que viesse a ter uma repercussão maior do que realmente teve. Mas o fato do Eberhard ter lido, sabe-se lá em que parte do mundo, e ter lembrado especificamente dela, me encheu de orgulho.
Para quem não leu em outubro, possa ler agora, ela esta disponível no link: https://cimitan.blogspot.com/2019/10/cronica-diaria_22.html
22.1.20
Crônica diária
Volto a falar sobre o "João de Ferro"
A primeira vez foi uma postagem nos meus dois blogs e aqui no Facebook em 07 de junho de 2015 numa crônica intitulada "João de Ferro - Um livro sobre homens" do escritor americano Robert Bly. Posteriormente publiquei na página 48 do meu livro de crônicas "Texticulos". "João de Ferro"
vendeu mais de 500 mil exemplares e figurou durante muito tempo na
lista de best-sellers do New York Times. Já em 2015 estava esgotado, e
escrevi naquela data que era possível encontra-lo em sebos. Meu filho
tem uma história relacionada com esse livro, e sem saber disso, me
escreveu de Miami, onde mora, que estava gostando da leitura e lembrava
de eu ter comentado, alguma vez, sobre ele. O João de Ferro trata
do "desmame do filho homem", e quando li, a conselho de um médico
amigo, meu filho tinha uns 15 anos, e a leitura foi determinante para
provocar a mudança da casa da mãe, com quem ele morava, pela minha, pois
éramos separados. Dois ou três anos depois a irmã tentou fazer a troca,
isto é, ir morar comigo, e ele voltar para a casa da mãe, e sua reação
foi categórica: não. Acontece que o Guilherme só tem uma filha mulher, e
o livro trata dos filhos homens. Por essa razão aconselhou que a irmã,
Sandra, que tem três filhos, dois filhos homens, lesse o livro. Mas ele
não estava encontrando nos sebos americanos. Fui dar uma olhada na
Estante Virtual, um site de sebos onde sempre faço compras, e me
espantei. Em 2015 haviam dezenas e com valores compatíveis a sebos. Hoje
só encontrei 7 exemplares pelo valor de R$98,00 a R$880,00 mais frete.
Virou um livro raro e caro. É hora da editora pensar em uma nova edição.
21.1.20
Crônica diária
Passado, presente e futuro
Recebi da minha leitora e amiga Irene Kantor um vídeo/aula sobre o
passado da complexa região onde hoje se encontram o Irã, Iraque,
Turquia, e todos os outros países muçulmanos. Didaticamente ajuda a
entender os conflitos presentes. A região como um todo é o berço da
civilização contemporânea. La estava a Torre de Babel e sofreu ao longo
dos séculos diversas configurações territoriais. Foram atores desse
processo a Itália, França, Inglaterra, Russia e USA. O petróleo é
personagem importante nisso tudo, e lá se encontram as maiores reservas
do produto. As rotas para o transporte do óleo outro componente
explosivo. A quantidade de seitas e religiões praticadas tem importância
capital no passado e sobre tudo nos dias de hoje. A complexidade
interna de cada país, suas alianças momentâneas, e disputas territoriais
são uma constante nessa área do mundo. Para nós ocidentais acostumados
com regimes laicos e partidos divididos entre esquerda, e direita, temos
muita dificuldade em entende-los. A pequena área de terra destinada a
Israel continua sendo defendida a todo custo. O certo é que o mundo
árabe tenta se compor entre eles, numa clara reação de defesa contra a
Europa e USA, que sempre os "usaram" em seus próprios interesses. Hoje
os muçulmanos "invadem a Europa" de forma preocupante. E o nosso futuro
ocidental é uma verdadeira incógnita.
20.1.20
Crônica diária
Saudade das crônicas de Rubem Braga
São tantos os assuntos neste início de ano que o cronista fica engasgado
de pautas. Quando as disputas comerciais entre China e USA entram em
fase de acordo, as relações entre USA e Irã tornam o mundo muito
perigoso. Quando a Brexit parece que realmente esta resolvido, o
príncipe Harry e Meghan Markle, duquesa de Sussex querem se afastar das
suas obrigações com a realeza. As queimadas na Austrália muito maiores e
devastadoras do que as da Amazonia brasileira não chegaram a ter a
repercussão de ambientalistas de esquerda, com a mesma intensidade. E a
TV não para de mostrar milhares de pessoas, em várias regiões do mundo,
se manifestando contra seus dirigentes. Agora movimentos como os colete
amarelos da França, se cobrem com sombrinhas na China, ou nos países
árabes e islâmicos saem aos milhares contra e a favor dos seus
mandatários. A internet é cortada, e balas de verdade reprimem
manifestações com violência. As pendências do ano que acabou ficaram
relegadas a segundo plano. Venezuela continua sem uma solução. O índio e
ex-presidente da Bolívia , hoje exilado, nem é mais lembrado. Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan-Renaul,
brasileiro com sotaque francês foge espetacularmente do Japão, onde
estava preso. Do Líbano da entrevista e negocia com Hollywood um filme
sobre sua fuga. Ao relacionar essa meia dúzia de pautas me dá saudade do
tempo que Rubem Braga escrevia suas crônicas sobre amenidades, dando a
impressão de que o mundo era muito melhor.
19.1.20
Crônica diária
Dias estranhos
O Bolsonaro numa live nas redes sociais
rasga elogios ao seu Secretário da Cultura, Roberto Alvim, ao lado do
Ministro da Educação, pelo magnifico trabalho desenvolvido nos três
meses de sua gestão. Gestão essa onde o Secretário com "carta branca" do
Presidente criou as maiores polêmicas com nomeações contestadas pela
justiça e pelos órgãos que iriam gerir. O Presidente nessa oportunidade
disse textualmente que: " as artes não podem ser coisa das minorias. A
arte deve ser para o povo, para as massas". Estranha definição.
No
dia seguinte o Roberto Alvim divulga um vídeo, digno de um diretor
teatro que ele é, onde aparece em sua mesa de trabalho, com a foto do
Bolsonaro na parede do fundo, cabelo, terno e postura teatralmente
compostos, ao som de Wagner, para solenemente parafrasear o Ministro da
Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels. O texto adaptado da fala de
1933.
Sexta feira esquentou em
Brasília. Pressionado pela colônia judaica e autoridades de todos os
setores o Bolsonaro demitiu o Secretário.
Rapidamente
o Presidente saiu a cata de um novo nome para a Secretaria, o quarto em
um ano de governo. De preferência alguém ligado às artes, e à Globo. O
nome da sua apoiadora Regina Duarte, a "queridinha do Brasil" recebeu um
telefonema do próprio Bolsonaro convidando-a. Honrada com o convite
pediu 24 horas para dar a resposta.
Estão abertas as apostas: "ela vai para o trono? Ou não vai?"18.1.20
Crônica diária
O deck e o meu"Oitavo livro de crônicas"
Na primeira página da agenda de 2020 estava anotado algumas previsões
para o início do ano. Isso porque uso agenda de papel igual às do século
passado. Pombo. Este ano não encontrei nas papelarias habituais. Deve
ser porque todo mundo passou a usar como agenda o celular. O meu só uso
para fazer e receber chamadas. Deve ter com certeza outras funções, mas
nunca usei. Na falta da Pombo comprei uma similar, com capa vermelha.
Nela coloco tudo que preciso lembrar dia a dia, nos doze meses do ano.
Depois guardo junto das agendas dos anos anteriores. A deste ano previa a
edição do meu "Oitavo livro de crônicas" no primeiro trimestre.
Acontece que sempre há imprevistos, ou acontecimentos previsíveis, mas
que não contamos com eles. Foi o caso da queda da escada e deck da minha
casa na praia de Ibiraquera. Construída em 1999 tinha quinze anos de
garantia do vendedor da madeira tratada. Esta com vinte, portanto cinco a
mais do que a garantia. Logo era de se prever. Mas nunca prevemos. Sem
contar com essa despesa a edição do meu livro foi adiada. Uma injustiça
com a literatura. Livros não tem prazo de validade, a não ser os
escolares que o governo compra aos milhares, não distribui para as
escolas, paga aluguel para os correios armazenarem, e depois de anos
cria uma comissão para estudar o destino da montanha de papel.
Desculpem-me pelo desabafo. Vai por conta da minha indignação com o
desprezo do governo com a educação, e com o dinheiro público. Nada tem a
ver com o "Oitavo, livro de crônicas", e nem com o meu deck velho. O
novo já esta sendo construído para durar mais quinze anos, e se eu ainda
estiver vivo até lá, não esquecer de anotar na agenda, a troca do deck.
17.1.20
Crônica diária
Meus 41 livros nos sebos
Não
sei se outros escritores tem esse hábito, mas duas a três vezes por ano
entro na Estante Virtual, site de sebos brasileiros para conferir como
andam meus livros por lá. De algum tempo para cá a intenção é comprar
meu quase-romance, "Flores para a Delegada", que esta esgotado. Nunca
encontrei um exemplar a venda. Recentemente fui obrigado a pedir para
uma prima que emprestasse para outra prima nossa, fotografar o livro
nas mãos de uma personagem. O livro foi publicado em 2017, e dois anos
depois nenhum exemplar foi parar num sebo. É uma ótima notícia. Não
seria se estivesse "encalhado". Mas encontra-se "esgotado". É um forte
argumento para se pensar em outra edição. Mas tenho recebido comentários
sobre a história da delegada Moema, e sua empregada Margarida,
sugerindo um aprofundamento na vida do personagem principal. Ou talvez
um novo caso policial comandado por ela. Ou ainda, uma terceira opção,
juntar todos os contos policiais, além deste "quase-romance", num único
livro. Isso porque o livro "Contos Urbanos" também não aparece com
frequência entre os 41 exemplares, de diversos títulos, disponíveis nos
sebos brasileiros. Não me sinto um autor "rejeitado", pelo contrário o
que mais existe nos sebos são best-sellers.
16.1.20
Luli Misasi
Luli, minha Vítima da Quinta em 2011 e foto da internet
A
ultima vez que estivemos juntos no Encontro Dantesco. Luli ´o segundo à
esquerda na segunda coluna, de óculos. O autor deste blog deitado no
primeiro plano, de óculos e bigode. 2011
Escrever
a história do Luli Misasi em poucas linhas, é absolutamente impossível.
O resumo do resumo demandaria um espaço que não disponho neste blog.
Aqui escrevo sobre amigos e conhecidos que gostaria de homenagear em
vida. A maioria é nessas circunstâncias. Alguns me traem e morrem antes.
É o caso do Affonso Aquino, enterrado ontem, 08/01/20. Mas o Luli era meu
contemporâneo no Dante. Irmão da Linda, nossa colega de colégio. Depois
encontro o Luli no Bandeiras, estudando a noite. Éramos colegas do
Alfredo Sestini Filho. O Luli já namorava a Veridiana Prado, com quem
veio a casar e ter dois filhos, uma menina, hoje a melhor amiga da minha
filha Sandra. O destino nos levou a ser quase parentes. Casei com a
irmã do Alfredo, Ana Elisa Sestini, que se considerava prima dos irmãos
Vera, Linda e do Luli. A mãe deles Marina Misasi, intima da minha sogra
Sylvia Kowarick, foi muito amiga e querida por mim. O Luli um empresário
com grande credibilidade no mercado de capitais, desenvolveu outros
negócios imobiliários com muito sucesso financeiro. Um homem de alegria
contagiante. Dono de um barco, nos convidou várias vezes para passeios
inesquecíveis pelo litoral brasileiro. Voltou a se casar com uma
princesa italiana, Giada Ruspoli, com quem teve filhos. Giada se tornou
minha amiga. A perda de um filho é a coisa mais triste que pode
acontecer para um pai. É a inversão da lei natural das coisas. Luizinho,
seu filho mais velho sofreu um acidente de transito e faleceu. Esse
período da vida não foi fácil. Mas a vida continuou, e o Luli voltou a
ser o que sempre foi, muito alegre, brincalhão e colecionador de amigos e
gente que o admirava. Adoeceu e uma cirurgia que poderia ter sido banal
acabou tornando-se um drama. Foi submetido a mais uma dúzia ou duas,
para corrigir a primeira. Meses na UTI, outros tantos no hospital, ou em
casa sendo alimentado por tubos, nunca perdeu a alegria, sua marca
registrada, e vontade de viver. Continuou fazendo empreendimentos com o
mesmo entusiasmo do jovem que conhecemos. Um empreendedor. Um otimista.
Hoje ainda tive notícias suas. Passou o Natal e réveillon no hospital.
Seu estado não é nada bom. Mas ninguém poderá dizer que alguém quis
viver mais do que ele. 09/01/2020, publicado em meu blog 1blog a +
PS
Faleceu no dia seguinte e foi enterrado no dia 11/01/2020. Hoje,
16/01/20 as 12,45 será sua missa de 7º dia na igreja Nossa Senhora do
Brasil.
15.1.20
Crônica diária
Só os idiotas ideologizam tudo
Dia desses respondi ao dono da
rede de lojas Havan, que o atentado a fogo que sua estátua da liberdade
de plástico, da loja de São Carlos, em São Paulo, sofreu, não era um
atentado da esquerda, como ele sugeriu, segundo matéria do Antagonista.
Em minha resposta eu disse que "o atentado era contra o mau gosto". Usei
de humor para criticar aquelas horrendas cópias da Estátua da
Liberdade. Alguns leitores imediatamente ideologizaram minha crítica.
Defenderam o Luciano Hang, como bom empresário, gerador de empregos, e
bom brasileiro. Nada disso estava em jogo na minha crítica à horrorosa
senhora liberdade. Até pelo contrário, poderia ter criticado seu hábito
de vestir ternos verdes e gravata amarela. Ou como disse meu amigo e
leitor e arquiteto Mauro Magliozzi, além do mau-gosto, ele como
empresário deve milhões de impostos, e costuma "mamar nas tetas dos
governos de plantão". Minha crítica não foi por ele ser um
americanófilo. Foi só pelo péssimo gosto de suas estátuas. Claro que
gosto não se discute, lamenta-se, como escreveu minha amiga Ana Maria de
Almeida Prado. O fogo criminoso pode até ter sido por motivos
ideológicos, mas a minha crônica não.. E ideologizar esse debate é
idiotice e falta de bom gosto e humor
14.1.20
Crônica diária
Roubando livros
Roberto Bolaño
Aqui
no Brasil o mais conhecido é o Laéssio Rodrigues de Oliveira,
profissional na área, já tendo sido preso 5 vezes desde 2004.
O
Alvaro ainda nos informa que o Roberto Bolaño (1953 - 2003) escritor
chileno de quem gosto muito, era um amador confesso. Dizia que "O bom de roubar livros (e não cofres) é que é possivel examinar detidamente seu conteúdo antes de perpetrar o delito".
As
colunas policiais, e delegacias, estão repletas de casos de pequenos
furtos, como gravatas, batom, e pequenos objetos. Movidos pela cobiça e
vaidade. Livro é outro tipo de necessidade: a intelectual. Nem por isso
menos grave.
13.1.20
Crônica diária
O poder dos USA
Os USA tem o poder de evitar atentados contra personalidades ao redor do
mundo, como tem o mesmo poder de mata-las, dependendo do critério e
conveniência do momento. O ultimo e bom exemplo disso foi a morte do
general Qassem Soleimani, um dos homens mais poderosos do Irã. Foram os
USA quem descobriram e abortaram várias tentativas de morte do chefe da
Guarda Revolucionária do Irã, encarregada de armar e promover o terror
entre seus vizinhos. O homem mais temido por Israel. Agora, por razões
pessoais do Presidente Trump, sofrendo processo de impeachment, e em
campanha para reeleição, a morte do general foi determinada por ele. E
executada à perfeição. Uma das razões oficialmente usadas para tal
medida, foi como resposta ao recente atentado à Embaixada Americana em
Bagdá. Ainda que Trump não fale em guerra, o governo americano alertou
seus cidadãos a se retirarem do país.E com razão, pois independente de
guerra declarada, o Irã derruba avião civil dois minutos depois de
decolar. E leva uma semana negando a autoria, e nem uma palavra da
esquerda condenando o ataque criminoso que matou 176 civis, 60 deles
cidadãos Iranianos.
12.1.20
Crônica diária
Não se de muita importância
Dosar sua importância, e manter-se num equilíbrio saudável, no convívio
social, não é fácil. Somos humanos e estamos constantemente sujeitos
aos efeitos danosos do orgulho, da vaidade, e do amor próprio. Nosso e
de terceiros. Este ultimo, amor próprio, mola propulsora da
auto-sobrevivência. A reação do Papa Francisco ao se defender da crente
asiática, que o puxou pela mão, e por isso levou um tapão, mostra bem
como são naturais e espontâneas as reações humanas. Propositadamente
usei um exemplo de extremos. Uma quase "divindade", e um ato físico
banal. Voltando a nós pobres mortais, cometemos atos dessa natureza por
orgulho, vaidade e amor próprio, todos os dias. E não é fácil evita-los.
Mas é necessário estar atento e saber se controlar. Quantas vezes somos
agressivos e reagimos mal a certas palavras ou atitudes. O mal esta
feito. Depois nos arrependemos, podemos até nos desculpar, mas o mal
esta feito. Modéstia, tolerância e humildade são bons antídotos contra
reações impensadas. Melhor perder oportunidades de deferir golpes
justos, do que faze-lo, e acertar lugares impróprios. Golpes baixos, na
linguagem das lutas legais.
11.1.20
Crônica diária
Respondi ao dono da Havan
O Antagonista- O empresário Luciano Hang, da Havan, postou nas redes vídeo em que questiona o incêndio que consumiu a réplica da “Estátua da Liberdade” em sua loja de São Carlos (SP).
“A grande mídia colocou o fogo na Porta dos Fundos como terrorismo de direita. E colocar fogo na Estátua da Liberdade da Havan é terrorismo de esquerda?”
Respondo: NÃO HANG, É UM ATENTADO CONTRA O MAU GOSTO.
O Antagonista- O empresário Luciano Hang, da Havan, postou nas redes vídeo em que questiona o incêndio que consumiu a réplica da “Estátua da Liberdade” em sua loja de São Carlos (SP).
“A grande mídia colocou o fogo na Porta dos Fundos como terrorismo de direita. E colocar fogo na Estátua da Liberdade da Havan é terrorismo de esquerda?”
Respondo: NÃO HANG, É UM ATENTADO CONTRA O MAU GOSTO.
Crônica do Alvaro Abreu
Resultados digitais
Demorei, mas o fato é que estou entrando, pouco a pouco, na era digital. Em outubro ganhei de presente de aniversário do meu filho mais velho uma conta do Instagram, para que pudesse mostrar pro mundo inteiro as colheres que faço com bambu. Agora, no Natal, ele inventou de fazer a edição digital do livro “Crônica do meu primeiro infarto”, onde relato passagens e emoções do evento coronariano que tive há exatos 25 anos.
Dois de seus argumentos eram irrefutáveis: o livro trata de assunto que interessa a muita gente e era coisa muito fácil de fazer. Seria, por assim dizer, uma edição comemorativa e com lançamento mundial. Bastaria revisar o texto, fazer uma capa chamativa e preparar a divulgação em massa via internet, a começar pelo envio de mensagens aos conhecidos e postagens nas redes. Dito e feito: a versão beta já está nas nuvens, sem qualquer dependência de editores, livrarias e tudo o mais. Em breve sai a versão definitiva a custo zero.
Tudo isso me fez lembrar do lançamento da versão impressa, no Iate Clube. Festa animada e inesquecível para mais de 1000 pessoas queridas, com direito a show da banda de rock dos meninos, apelidada de Artéria Entupida por meu irmão Afonso, vitrines com colheres bem na passagem da fila de autógrafos, muita conversa animada e beijos e abraços em profusão. Verdadeira comemoração por estarmos todos vivos e saudáveis. De quebra, um recorde espetacular: mais de 400 exemplares vendidos. Em escala menor, porém com as mesmas emoções, a festa se repetiu em Cachoeiro, no Rio, em Brasília e em João Pessoa, por onde deixamos muitos amigos. Preparar as respectivas listas de convidados deu trabalho mas foi um belo exercício de recomposição de memórias. Tive enorme satisfação em ver que muito pouca gente faltou.
Espero que a edição digital cumpra o seu papel, ao permitir que a leitura do livro seja feita por um número bem maior de interessados, de qualquer lugar. Na falta dos abraços, seria ótimo se, ao menos, ela gerasse uma boa quantidades de likes, compartilhamentos e comentários, coisas que fazem bem pra qualquer coração.
Vitória, 09 de janeiro de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
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