1.9.20
Crônica diária
Minha crônica foi um desafio aceito
Recebi este desafio:
Resposta do Rainer Castello:
Rainer,
Recebi este desafio:
“Rainer
Castello, Professor Eduardo, lanço aqui, neste ato, um pequeno
"desafio-construtivo" para mim: me indique, quando possível for, um
Escritor(a) Brasileiro(a) Contemporâneo, ainda vivo, que tenha Escritos da
mesma qualidade ou superiores ao do Professor Cleanto Guimarães Siqueira . Sua opinião é
importante pra mim.
Fique à
vontade, caso não queira opinar; tranquilo.
Segue o
jogo.
Forte abraço”.
Forte abraço”.
Respondi:
Rainer Castello, minha
desimportante opinião não vai mudar o estado das coisas. Como nas artes
plásticas, na música erudita, e até na arquitetura, como na literatura não se
pode querer comparar os grandes expoentes. Estar entre eles já é o céu. Claro
que o Professor Cleanto Guimsarães Siqueira é um deles.
Estabelecer superioridade nesse nível de excelência é impossível. Até porque em
literatura há gêneros muito distintos. Do Professor só conheço, e muito pouco, os
minicontos. Mas para não dizer que fugi do desafio, vou arriscar um autor,
insuspeito, porque o tenho criticado muito, mas sou obrigado a menciona-lo
quando cito o romance antológico, "Leite derramado" do Chico.
Considero o melhor livro de ficção dos últimos 50 anos. Outro jornalista e
escritor que me ocorre, e pode figurar em qualquer lista, foi o Caio Fernando
Abreu. Mas tem uma dezena de outros. Espero ter correspondido ao seu desafio.
Caio F. Cleanto Gumarães Siqueira Rainer Castello
PS- Desculpe Rainer Castello, relendo seu desafio vi que
eram só escritores/as vivos. O Caio F já não esta. Desculpe.Resposta do Rainer Castello:
Eduardo Penteado Lunardelli, espetáculo de Caricatura! Chico-Buarque, realmente, está entre os
imortais..., não há como mensurar a importância dele tanto para o
universo das Letras quanto para a MPB... se não viu, veja hoje, o filme
"Budapeste" Direção dele também; espetacular, exclusivamente para os
amantes das Letras. Sua argumentação acerca da estilística foi suave e
precisa, "gosto-não-se descute", mesmo assim gostaria desses outros 10
nomes. Conheço toda a obra do Caio Fernando, que, para mim, está muito
aquém, dos Escritos do Professor Cleanto Guimarães Siqueira. Professor Eduardo Penteado Lunardelli,
estás diante de um SUPER ESCRITOR, escreva na sua agenda. Rubem Braga
era do ES também, não se esqueça disso... Hehehe. Por favor, quando
tiveres um tempinho, me envie os demais nomes. Eu estudo, leio, compro,
coleciono, valorizo; como já disse: sua opinião é importante para mim.
Forte abraço.
Forte abraço.
Rainer,
Vou
te dar o nome de 15 não 10 jovens (e outros nem tanto) escritores
brasileiros que reputo com grande capacidade literária e condições de
agradar os mais exigentes leitores. Não estão em nenhuma ordem de
grandeza ou importância.
Raduan
Nassar, Antonio Xerxenesky, JPCuenca, Julián Fuks, Laura Erber, Michel
Laub, Mario Prata. Chico Buarque, Daniel Galera, Ricardo Lísias,
Tatiana Salem Levy, Ruy Castro, Joca Reiners Terron, Paulo Scott, Carina
Luft,
31.8.20
Crônica diária
O Triumph do Carlinhos Oliveira
Quando
resolvi resgatar a memória do cronista Carlinhos Oliveira, provocado
pelo meu amigo Germano Fher Neto, não imaginava que a minha querida
amiga Regina Rocha pudesse ter sido inspiradora de uma crônica do
Carlinhos. Não por falta de méritos, muito pelo contrário, a Regina foi
uma das garotas mais lindas de São Paulo. Nos conhecemos em situação
constrangedora. Eu era casado e morava em Belém do Pará. Estava há dias
de cama como as febres terçãs benigna e malígna, juntas, mais conhecidas como malária. Quase morri
desse mal. Lá não tínhamos uma cama tradicional, e o colchão ficava
sobre um estrado de madeira, e o apartamento, antigo, tinha pé direito
alto. Na situação do colchão quase no rés do chão para quem estava
deitado era ainda maior. Certo dia minha mulher entra no quarto e
anuncia: "Olha que veio te visitar!" E era um primo meu, recém casado
com uma morena de olhos verde claros. Foram de São Paulo a Belém do Pará
de moto. Ela usava um "tamancão" da moda cuja plataforma era quase da
altura do estrado e colchão. (Lembram da Carmem Miranda?). E foi essa a
minha primeira visão da Regina na época. Muito magra, muito alta, e
muito bonita. Anos depois num carnaval em Teresópolis o Carlinhos se
apaixonou. Mas outra surpresa sexata feira passada, quando fui almoçar
no apartamento do Paulo meu irmão. Levei o livro de crônicas da Varanda
do Antonio´s, e perguntei se ele lembrava desse cronista. Ele riu, e me
contou que era solteiro e nosso pai tinha um carro esporte inglês
chamado Triumph,
azul claro. Pediu emprestado e foi passar um fim de semana no Rio. Lá,
nas imediações do Antonio´s estacionou e alguém chegou até ele, e
perguntou: "é do Carlinhos Oliveira?" Ele respondeu meio ofendido: "Não,
é meu". E foi assim que soube da existência do Carlinhos. Em São Paulo
pouca gente lia o caderno B do Jornal do Brasil. Mas o que mais me
espantou nessa história é que o Carlinhos além de alcoólatra, e boêmio
duro, em suas crônicas sempre pegava carona, ou andava de táxi. Teria
mesmo sido dono de Triumph,
carro importado, e caro? O certo é que esse azul claro acabou sendo
comprado pelo meu amigo Olivier Perroy. E outro detalhe é que eu nunca
dirigi esse, e nenhum Triumph. Carro nunca foi minha paixão. Mas era a do meu pai, e a do Paulo meu irmão.
30.8.20
Crônica diária
Aniversário na quarentena
A
moda, durante a quarentena da pandemia Covid19, para comemorar um
aniversário, sem a presença dos amigos e da família, é de mensagens
virtuais. Funciona assim: o pai, a mãe, a mulher, ou o marido,
dependendo de quem é o aniversariante, liga para os amigos e parentes do
festejado, para gravar, via celular, um depoimento com imagem e som.
Claro que o agraciado não sabe de nada. É sempre uma surpresa. Essas
imagens, muitas vezes às dezenas, são editadas e exibidas no jantar
comemorativo, que presencialmente só conta com os membros da casa. Não
raro um casal. As formas de exibição variam. Podem ser em filme
sequencial, ou abertas uma a uma, através desse quadradinho preto e
branco chamado " QR Code", que pode ser espetado, ou amarrado com
fitinhas nos presentes, nas flores, ou até numa paella, como foi o caso
do aniversário do Cristiano Moreira, em Ribeirão Preto. Para tanto basta
um celular, que além de telefone, hoje em dia, é o responsável pela
alegria das festa de aniversário.
29.8.20
Crônica diária
A garota de Ipanema
Monique Evans, Duda Cavalcanti e Hêlo Pinheiro
Monique Evans, Duda Cavalcanti e Hêlo Pinheiro
Inútil
ficar discutindo se foi a Hêlo Pinheiro ou a Duda Cavalcanti que
inspiraram a música Garota de Ipanema. O certo e indiscutível é que
foram as garotas de Ipanema, em algum momento representadas pela Hêlo ou
pela Duda. Esse comentário surgiu quando o nosso querido amigo e
profundo conhecedor de mulheres, pelo menos digitalmente, Marcelo
Aranha, postou uma foto da Monique Evan, saindo do mar de biquíni, com a
legenda: "...anos 80, que coisa...". Ao comentar completei a frase:
"que coisa mais linda, foi inspirado nela". Claro que eu sei que a
Monique (1956) tinha 6 aninhos de idade quando as Hêlos e Dudas"
inspiraram o Tom e Vinícius em 1962. Foi só para completar a "coisa" que
o Marcelo escreveu. Quis dizer que tinha todos os atributos e
credenciais para ter sido. Mas o amigo do Marcelo, Adriano Dall Acqua,
fez questão de me corrigir. Então lembrei que esse era exatamente esse o
papo de bar, de boteco, que por conta do Covid19 não temos mais. Então
ficamos falando de abobrinhas na internet.
28.8.20
Crônica diária
Sobre os glúteos femininos no Brasil
Sabrina Sato em foto do projeto Pele Project – Foto: Reprodução/ Instagram
Sabrina Sato em foto do projeto Pele Project – Foto: Reprodução/ Instagram
Dizem que os seios são a parte mais cobiçada da mulher nos Estados Unidos. Mulher para aparecer na revista Playboy tinha que ter peitos grandes. Já no Brasil a coisa é diferente. Quem faz sucesso são as bundas. Carlinhos de Oliveira na década de 60 escreveu que foi fazer uma pesquisa no Canecão e assistir a banda Herman´s Hermits para imaginar o que ocorreria se os Beatles viessem um dia tocar aqui. Nunca vieram, mas o Carlinhos depois do show dos Herman´s concluiu que:
1º O conjunto que "O Globo" havia descrito como sendo os "Beatles sem LSD", eram mais do que isso. Sem LSD e sem John, George, Paul, e Ringo.
2º
Iniciado o show as moças e os rapazes correram para perto dos cinco. Um
pouco mais atrás os jovens trepavam nas mesas. Cinco moças improvisaram
um grupo de go-go girls. Uma dessas garotas, gentilmente despida de
minissaia, devezemquando se abaixava para esticar a meia soquete. Era um gesto
displicente, estudado, e atrevido. Uma espontaneidade cruel, tão de
acordo com a conduta das mocinhas de hoje, escreveu Carlinhos (1967).
3º
Sentado e tomando a sua dose de uísque o cronista ficou multiplicando
por mil aquele extraordinário espetáculo. O da bunda da moça, claro. E
eram apenas os Herman´s Hermits, mil vezes menos admirados do que os
Rolling Stones e dez mil vezes menos do que os Beatles.
Conclusão: se John, George, Paul e Ringo viessem cantar no Canecão, veríamos o maior festival de bumbum de todos os tempos.
Tanto é verdade que Tio
Cristalino, grande pescador e desembargador muito respeitado e querido no Espírito Santo, dizia
que "a personalidade da mulher brasileira está na bunda".
"Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda.
Rita Lee."
27.8.20
Crônica diária
A caminho das 1000 vítimas
Lima Barreto e Rainer Castello
Lima Barreto e Rainer Castello
Tenho
um amigo novo, que de cara foi minha 960º Vítima da Quinta. Para os
recém chegados explico que Vítima da Quinta é um blog onde coleciono até
o momento 960 caricaturas. Pretendo chegar a 1000 até o fim do ano.
Seu nome é Rainer Castello e posta diariamente textos de escritores
brasileiros famosos. Textos escolhidos a dedo. E de brincadeira, como
costumo fazer, constantemente, ao comentar, coloco uma caricatura do
autor do texto. Outro dia o texto era do Lima Barreto. Comentei que não
tinha uma caricatura dele. E depois fui lá no blog, escrevi Lima Barreto
no "procura-se" e lá estava desde 2019, e eu nem lembrava mais. Já
foram tantos os caricaturados que perdi a conta e memória. Vamos ver se o
meu estoque de Vítimas dará conta das postagens do Castello.
PS https://www.vtmadaquinta.blogspot.com26.8.20
Crônica diária
Tabuismo, substantivo masculino
Na ilustração é um objeto de decoração.
Duvido que a maioria dos meus mais cultos e intelectualmente preparados leitores saibam o significado de : "Tabuísmo". Nem o meu corretor de texto sabia. Insiste em troca-la por "tabagismo".
Tabuismo é a palavra, locução ou acepção tabu. As consideradas chulas, grosseiras, e ofensivas na maioria dos textos e contextos. São chamados palavrões, palavras de baixo calão, impróprias, obscenas. Referem-se geralmente ao metabolismo (evacuar, urinar), ou aos órgãos e funções sexuais que me abstenho de nominar, porque de conhecimento e uso de todos. Incluem no tabuismo os disfemismos pesados como puta, veado, cabrão, bicha, e expressões tabuizadas como puta que pariu, filho da puta, ou foda-se. A maioria quase absoluta não sabia o que era tabuísmo, mas usam, ou usaram, em determinadas circunstâncias. Essas palavras ou expressões tabuizadas cada dia são mais usadas, e menos consideradas tabu. Nas livrarias o número de títulos com "foda-se" é acachapante. Numa rápida busca na livraria Cultura encontrei oito títulos:
Foda-se o estresse
A sutil arte de ligar o foda-se
O coach do Foda-se
Liberdade, Felicidade & Foda-se
Em caso de necessidade aperte o Foda-se
Des Foda-se
Pílulas de Foda-se
Tens de comer, Foda-se
25.8.20
Crônica diária
Por que será?
Este assunto é para especialistas, mas vou me aventurar em seara alheia.
Por que será que certas denominações estrangeiras são insubstituíveis
em nosso idioma? Por exemplo boy do inglês, que literalmente é menino,
não funciona quando usado como cowboy, office-boy, moto-boy. "Menino
vaqueiro" não combina com a imagem do cowboy fumando Mallboro. Menino de
escritório", parece trabalho infantil. Moto-boy, se não fosse uma
atividade para maiores de 18 anos, seria crime de transito. Menino da
moto não combina com os marmanjos e idosos nessa atividade. Mas o mais
curioso é não haver uma denominação para essas atividades na língua
portuguesa. Office-boy de tribunais é meirinho. Por que não tem um nome
para os de escritório? Vaqueiro é o sinônimo de cowboy, não fosse o
cinema ter criado uma imagem bem diferente do vaqueiro americano e dos
outros do resto do mundo. Tanto no Brasil como em Portugal ou na Europa
como um todo, quem cuida do gado não se assemelha ao cowboy do Mallboro.
Outras palavras estão definitivamente aposentadas. Copeira, era uma
profissão de empregadas domesticas, quando as casas tinham copa. Hoje
ela foi abolida, e a própria cozinha incorporada à sala. As casas tinham
hall de entrada, hoje substituídos pelos de elevador. Tinham sala de
estar, sala de visita, sala de jantar, e outros cômodos além dos quartos
e banheiro. Propositadamente coloquei banheiro no singular porque eram
poucos no final de um longo corredor. Foi a única peça da casa que
aumentou com a modernidade. Hoje cada quarto tem o seu, e são
denominados suítes. E tem ainda o lavabo social, e o das empregadas. Num
país com mais de 15 milhões de desempregados, essa palavra e função foi
demonizada pela esquerda, e passaram a chamar de secretárias do lar, e
outros eufemismos idiotas. Nem o criado-mudo escapou dessa sanha
obscurantista, e hoje é chamado de mesa de cabeceira, isto quando o
quarto comporta uma cama de casal e dois criados-mudos.
24.8.20
Crônica diária
Longe pra bedel
Muita gente deve lembrar de ter ouvido ou usado a expressão: "longe pra
bedel". Alguns dizem que não é "bedel" e sim "dedeu". Há controvérsias,
caro Ronaldo Werneck. Eu acredito que essa expressão tenha nascido de um
diálogo entre um professor e o reitor da universidade. O bedel deveria
levar uma encomenda para algum lugar muito distante, e o reitor alertou o
professor que seria inconveniente manda-lo. Era longe pra bedel. Agora
se não é "bedel", e sim "dedeu, não faço ideia de como pode ter surgido.
Com a palavra os sabidos.
23.8.20
Crônica diária
A nova vida, de máscara
Quem diria que iríamos um dia usar máscara no cotidiano? Pois é, tive
que tomar um táxi para ir apanhar meu novo passaporte. O antigo valia
por cinco anos. O novo me deram dez de validade. Com a certeza de que
não usarei todo esse tempo. Fui de casa até a esquina, onde tem um
ponto, e o único carro estava com o porta malas aberto e o motorista, um
senhor de idade, chupando laranja. Ao ser perguntado se estava livre,
me ofereceu uma, com a boca cheia. Entrei no banco traseiro, pensando no
distanciamento do "novo normal". Em geral uso o banco do carona, e vou
conversando com o motorista. Ele fechou o porta mala, e entrou no carro
sem máscara. Lá pelas tantas se deu conta e num sinal de transito,
aproveitou a parada para descer e ir apanhar a máscara que havia
esquecido. Eu no banco traseiro, de máscara e a porta do táxi aberta, me
senti estranho. Olhava as pessoas dos carros ao lado, que não estavam
entendendo o que se passava. E na verdade era apenas um motorista a
procura de sua máscara. Hoje sair sem ela, é impossível. Sem meia, sem
gravata, ou sem cueca, ainda vai. Sem máscara não dá.
22.8.20
Crônica diária
A mãe do namorado
Um dia eu capotei. Já aconteceu com algum de vocês? Minha namorada,
minha filha, um namorado dela e eu dirigindo capotamos na altura de
Sorocaba. A pista estava molhada, passei pelo posto da Polícia
Rodoviária, e logo em seguida o carro aquaplanou, deslizou pelo asfalto
como pedra de gelo no mármore, entrou o acostamento subiu um barranco de
grama, o que foi a sorte, pois perdeu totalmente a velocidade, e
lentamente capotou. Alguém de vocês já ficou de cabeça para baixo presos
no assento pelo cinto de segurança? Naquele tempo não havia air bag. A
situação é no mínimo constrangedora. Você leva uns segundos para
entender o mundo por aquele ângulo. Olhei para o lado e a Paula estava
na mesma situação. Mas bem. Sem conseguir olhar para o banco traseiro
perguntei: " Estão todos bem?" A resposta foi positiva. As rodas pararam
de rodar. O motor continuava funcionando, mas minha luta era com o
cinto. Meu peso e a ação da gravidade conspiravam contra meu desejo. A
Paula foi mais feliz nessa empreitada. Conseguiu desatar o seu cinto e
caiu na capota. Aí me ajudou soltar o meu, e cai também. Olhamos para
trás e minha filha sangrando na cabeça, era ajudada pelo namorado a sair
pelo vidro traseiro, que espatifará no capotamento. Abrir a porta
sentado na capota interior foi a luta seguinte. Mas saímos do carro.
Garoava, e as primeiras pessoas começaram a parar e vir ver o que tinha
acontecido. A Policia chegou em seguida. Com o cabelo da minha filha
empapado de sangue, chamaram uma ambulância e os três foram para o
hospital de Sorocaba, a pouca distância do ocorrido. Fiquei na chuva
fina a espera dos procedimentos policiais. Me liberaram e não lembro
como fui para o hospital encontrar a Paula, minha filha e o namorado
dela. Feita radiografia (depois soubemos que de péssima qualidade)
ficamos numa varanda úmida assistindo o entra e sai de ambulâncias e
doentes, a espera de alta dos médicos. Um helicóptero foi aventado para
levar minha filha para São Paulo. O mau tempo impedia. Finalmente a
Paula e o namorado da minha filha foram de táxi para casa, e eu
acompanhei na ambulância minha filha que não havia sofrido nada além de
pequenos ferimentos provocados pelos estilhaços do vidro. Mas no dia
seguinte fizemos uma nova chapa da cabeça. Foi quando os médicos
comentaram o péssimo estado do raio X de Sorocaba. Espero que ninguém
tenha passado por uma experiência dessas. Alguns dias depois, com o
seguro dando como perda total do carro, fui chamado à justiça, num
procedimento padrão, onde me apresentei sem advogado. Ouviram minha
filha, e o namorado, e eu em separado. Me senti um assassino. O juiz me
tratou decentemente, apesar da notícia de que a mãe do namorado, que
nada sofreu, quisesse me incriminar. Essa talvez tenha sido a pior
parte. Moral da história: nunca capote com os namorados de sua filha a
bordo. Eles tem mãe.
Crônica do Alvaro Abreu
Tempos bicudos
Para
não falar de assuntos desagradáveis, grandes tragédias e temores
crescentes, achei por bem escrever sobre Amora, minha querida arara
Canindé, que ganhei de presente no meu aniversário de 70 anos de meus
filhos, irmãos e amigos próximos. Disseram que era pra me fazer
companhia e matar as saudades da Aurora, que tinha vindo pra nós ainda
bem novinha lá em Brasília. Ela veio conosco pra Vitória se equilibrando
na barra de alumínio, um poleiro improvisado, atrás da minha cadeira de
motorista do nosso ônibus. Viveu conosco por uns sete anos, circulando
livremente pela varanda, no quintal e sobre os muros. Fugiu e foi levada
umas oito vezes e eu não consegui recuperá-la na última vez.
Amora
foi comprada de um criador credenciado no Estado do Rio e chegou no
aeroporto de Vitória totalmente estressada e agressiva, com uma anilha
numerada na canela direita. Gastei uma manhã inteira para ganhar sua
confiança, usando uma varinha de bambu para lhe oferecer água fresca e
mamão maduro. Um treinador me disse que comida e carinho são elementos
básicos para firmar amizade duradoura com os animais e me informou que
as araras vivem setenta anos.
O
viveiro de bom tamanho que ganhamos permanece sempre aberto e está
colocado diante da janela da cozinha para que Amora possa ficar, de cima
de seu telhado, acompanhando a movimentação, sempre fazendo graça, se
exibindo e pedindo comida.
Fiz
um balanço de dois andares com paus de enxada, que ganhei de Manoel
Araújo, antes que fechasse a sua utilíssima loja na Av. Leitão da Silva,
e o pendurei com arame na viga da varanda. Amora adora ficar nele,
sobretudo quando tem gente por lá. Para chamar a atenção ou se divertir,
ela bate as asas com força suficiente para ganhar impulso e poder ficar
balançando pra lá e pra cá, de cabeça pra baixo e peito aberto, dando
gritinhos.
Para
que ela pudesse viver solta e perto da gente, inventei um super-poleiro
móvel, montado sobre um pé de cadeira de escritório com cinco rodinhas,
que permite levá-la pra todo lado, em especial ao lado da minha
bancada, para ela poder ficar observando atentamente o que eu esteja
fazendo. Ali, vou lhe dando lascas de bambu, que ela mastiga e
estraçalha sem dó. Me impressiona o enorme poder de destruição de seu
bico, com o qual consegue esticar arame, partir coquinho e arrancar
prego. Nisso, as araras são como cachorros em crescimento, que roem pés
de mesa, esburacam tapetes e destroem brinquedos, só pra coçar os
dentes.
Ninguém
previu que aquele presente, meio inusitado, seria tão útil na
quarentena. Tanto, que vou precisar de mais uma crônica para contar as
suas peripécias e a evolução da nossa amizade.
Vitória, 20 de agosto de 2020
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
21.8.20
Crônica diária
Não
conhecia essa voz bem humorada e lúcida que vem de Goiânia, Nelson
Moraes. É amigo de uma turma de gente inteligente que descobri aqui no
Facebook. E o mais curioso é que encontrei na página do Nelson um monte
de amigos comuns. Entendam como amigos virtuais. E eles nunca me falaram
do Nelson. E o Nelson nunca ouviu falar de mim. Mas feitas as
apresentações, conto o que li hoje lá na sua página. A história não é
nova, mas todas as histórias que envolvem escritores do gabarito do
Fernando Sabino e Otto Lara Resende são memoráveis. Conta o Nelson, que
contou o Fernando que escrevia sua crônica semanal no Jornal do Brasil, e
que certo dia recebeu um telefonema do Otto dizendo que a do dia
anterior estava de amargar, e recomendava que tirasse umas férias. O
Fernando entrou em profunda depressão, e resolveu deixar de publicar, e
comunicou o jornal que iria fazer um ano sabático. Passado um tempo
voltou ao jornal e na falta de inspiração e remexendo no fundo das
gavetas encontro a fatídica crônica. Resolveu, na falta de outra, mandar
ela mesmo. Dois dias depois o Otto liga: "Ei, queria te parabenizar. Voltou em grande forma, viu? A crônica estava ótima." O
Fernando espumando de ódio, abobalhado e sem entender como tinha
amargado todo esse tempo achando que por conta da crítica do Otto, não
sabia mais escrever, contou para ele que a crônica era a mesma que ele
tinha execrado.
- Uai. Agora eu gostei muito. Ou ela melhorou ou eu piorei.
20.8.20
Crônica diária
Duas boas definições
Duda Cavalcanti, em foto do marido e fotógrafo Otto Stupakoff - Instituto Moreira Salles
Só um alcoólatra e boêmio poderia ter escrito essa frase com tanta propriedade: "A aceitação de qualquer bebida é moralmente inquietante, pois atravessa a fronteira que separa o prazer do vício."
O autor? Carlinhos Oliveira, cronista dos bares e restaurantes do Rio,
durante 23 anos bebendo e escrevendo para o caderno B do Jornal do
Brasil.
É
dele, outra definição maravilhosa, de serenata. Estavam num bar, para
variar, e o Chico Buarque lamentou as moças não morarem mais em casas, e
o inconveniente de se fazer serenata para quem morava no quarto andar.
Foi quando o Hugo Carvana lembrou que a Duda Cavalcante morava em casa.
Ligou para ela e marcou uma surpresa às três da manhã. Carlinhos definiu
o que é uma serenata: "É uma declaração de amor platônico, feita em
grupo e em homenagem a uma pessoa determinada -- a qual possui janela e
não tem sono."
PS-
...Duda
Cavalcanti ? Muitos cronistas da época a consideram a verdadeira Garota
de Ipanema. Não aquela que entrou de gaiata na história e fatura até
hoje em cima. Duda Cavalcanti foi a precursora daquilo que se
convencionou como a mulher liberada do final dos anos 60. Somente
igualada em comportamento e atitude a verdadeiros ícones da república
ipanemense como Leila Diniz, Danuza Leão e Vera Barreto Leite. Dona de
uma rara beleza de raízes puramente brasileiras, Duda Cavalcanti
celebrizou-se no raiar dos anos 60 como modelo e depois como atriz
(Arrastão, 1966, direção Antoine d´Ormesson). Foi a primeira modelo a
participar de um ensaio fotográfico de moda no Brasil, obra do seu
namorado da época, o fotógrafo Otto Stupakov, que emprestara um vestido
do costureiro paraense e queridinho da "haute couture" tupiniquim, Dener
Pamplona de Abreu. Primeiro ensaio fotográfico de moda no Brasil, 1958.
Edu Lobo e Duda Cavalcanti, Paris, 1966... Namorou ou foi casada com
cineastas, fotógrafos, gente da moda, jornalismo ou cinema. Estabeleceu
parâmetros modernos na passarela, foi capa das principais revistas
brasileiras e posou para dezenas de editoriais. Encheu o saco da
caretice brasileira e se mudou para Paris, onde permaneceu vários anos.
Deixou saudades e atrás de si o mito da musa, que ainda hoje perdura
quando aparece aqui e ali em eventos de moda. Quem viu uma vez Duda
Cavalcanti, jamais esquece...
Fonte: pasquineiras.blogspot.com.br
19.8.20
Crônica diária
Sobre amizades
Quantas
definições, e quantas história já ouvimos sobre amizades. Mas foi
lendo uma crônica do Carlinhos Oliveira que deparei com uma frase que
me chamou atenção. "Dispensamos tacitamente tanto a longa convivência quanto qualquer dos ritos preparatórios da amizade."
Poucas vezes isso acontece na vida. Mas acontece. E comigo aconteceu há
uns três anos (ou faz mais tempo?) com o Alvaro Abreu. A responsável
foi uma queridíssima amiga comum Graziela
Debbane. Tive outro amigo e colega de internato em Cataguases,
José Roberto Noronha, que conheci no exato momento em que por pura
coincidência chegávamos de São Paulo para passar dois anos e meio
internos. O encontro foi desarrumando a mala e tentando colocar tudo num
pequeno escaninho, que chamavam de "seu ármario". Entramos no colégio
no mesmo dia e ano, e saímos (expulsos) na mesma data e hora.
Infelizmente só encontrei com ele uma única vez, depois disso na casa do
Thomas Souto Correa e Guaracy Mirgalowska. Morreu num acidente de
automóvel. Não lembro de outras amizades que não tenham percorrido os
quesitos de convivência e ritos preparatórios.
18.8.20
Crônica diária
Uma mini biografia
Hoje vou abrir meu coração e contar para vocês uma coisa que nunca
contei aqui. Eu detesto aulas e nunca gostei de escolas. Sou auto didata
em quase tudo que fiz e faço na vida. Fui sempre péssimo aluno. Só no
Dante fui reprovado no ginásio duas vezes. Fui convidado a sair. Fui
interno em Cataguases, Minas Gerais. Lá fiquei dois anos e meio. No meio
do ano liderei uma grave e fui expulso. Eu e meu amigo José Roberto
Noronha, parceiro e grande amigo, com quem desenvolvi um projeto de
poder, no colégio. Fundamos um jornal, mantínhamos um programa na rádio,
ele foi eleito presidente da RAI, Reunião dos Alunos Internos, eu
presidente do Grêmio Literário Machado de Assis, cargo esse nunca antes
ocupado por um ginasiano, e interno. Era quase um prêmio para os nativos
no ultimo ano do Clássico. Depois fui candidato a presidente da UPES
-União Paulista dos Estudantes Secundários, e fui seu vice-presidente na
gestão do José Moisés. Fui membro de várias associações, como diretor,
vice-presidente, e diretor e superintendente de algumas empresas ligadas
ao agronegócio, parcelamento do solo, e indústria de álcool e açúcar.
Durante todas essas atividades, e por cinquenta anos, pintei como
amador. Nunca tive numa escola ou orientação de nenhum artista, como é
usual. Na escultura tomei uma semana de aulas diurnas e noturnas com o
artista e escultor Israel Kinslansky. Durante toda a vida li muito.
Livros, jornais, e revistas. Das revistas importadas, de arte e
arquitetura, eu sonhava ter um dia quadros pintados por mim, nas paredes
daquelas casas maravilhosas, que essas revistas publicavam. Nunca
cheguei lá, mas tenho telas minhas, em algumas casas, dignas dessas
matérias. Quando fui obrigado a deixar as tintas, por uma intoxicação,
passei a me dedicar aos blogs, e tive 60. Foi quando comecei a escrever.
Hoje tenho uma dúzia de livros publicados e continuo a ler e escrever
uma crônica diária. Resolvi fazer esta autobiografia para atender à
curiosidade de novos leitores aqui no Facebook. Dois dias atrás um
leitor se surpreendeu com minhas caricaturas. Chamou-a de "sensacional",
e outros adjetivos que me fizeram ir dormir feliz. Pronto, já tenho uma
biografia, e como imaginava, cabe numa página. Só esqueci de dizer que
plantei muitas árvores, tive dois filhos e tenho quatro netos.
17.8.20
Crônica diária
Carnaval no Rio
Vinte
e um bares foram citados em 1964 pelo Carlinhos Oliveira em sua crônica
que começa assim: " Vinícius de Moraes, em sua bela homenagem a Antonio
Maria, lembrou que em 1953 vivia na mais completa falta de dinheiro, e
também nessa época o costume era ir ao Clube da Chave." Boêmio abstêmio e
rico eu nunca conheci. E o Carlinhos escreveu em outro texto esta
pérola: "Sou boêmio profissional, e o carnaval é para os amadores."
No que ele estava cheio de razão. Mas finalmente descobri porque o
cronista Carlinhos Oliveira e sua literatura não chegou até os dias de
hoje, como a dos seus pares da época, Rubem Braga, Fernando Sabino,
Antonio Maria, e tantos outros. Porque ele era um chato. Baixinho,
magrinho e feio. E por cima chato. Ele próprio conta que numa
determinada noite de carnaval, ele sem camisa, como manda a fantasia de
havaiano, sentado à mesa florida do Ibraim Sued, bebendo whiskies,
quando viu na mesa à frente a atriz Romy Schneider. Achou-a "bonitinha".
À sua esquerda uma morena com quem trocou palavras em francês. Ele
lança um guardanapo na direção da Romy, e explicou com um gesto que
estava suada. Ela recusou o guardanapo, abriu um guarda-pó de ouro e se
empoou, depois de dizer "merci". A reação do Carlinhos, bêbado, chato: "Ora, "merci" coisa nenhuma, o que eu quero é uma comunicação mais profunda, madame." Foi
até ela, tirou o chapéu de toureiro, e o colocou em sua cabeça. Ela
ficou atrapalhada, preocupada em ajeitar os cabelos para não ser
fotografada despenteada pelo chapéu, que pediu de volta. O chato e
desagradável Carlinhos tirou o chapéu e colocou na cabeça da morena à
sua esquerda, e esta devolveu a Romy. Todos nós já assistimos cenas
desagradáveis como essa. Sem graça, e totalmente inconvenientes. Esse
era o Carlinhos Oliveira. No dia seguinte foi saudado por amigos que
viram fotos nos jornais onde ele aparecia ao lado de Romy Schneider.
Coitada. Carnaval no Rio, nunca mais. (1965).
PS- Romy morreu de ataque cardíaco em 29 de maio, de 1982
PS- Romy morreu de ataque cardíaco em 29 de maio, de 1982
16.8.20
Crônica diária
A preparação para um golpe
No terceiro mês de governo Bolsonaro eu escrevi que "as semelhanças entre Getúlio, Collor, Jânio Quadros, e outros que tentaram
golpes, e o Bolsonaro, são evidentes". Faço entre aspas porque já
republiquei essa minha "premonição", que se escancarava a olhos vistos
em todas as falas presidências, e no comportamento inadequado do recém empossado.
Depois continuei a criticar o presidente em quem votei. Meus leitores (tenho
mais de 7 000 aqui no FB) se dividiram em dois grupos: bolsonaristas de raiz,
que passaram a me tratar de "traidor", "comunista", "ingênuo" e outros adjetivos menos
nobres, mas tão ofensivos quanto. O outro grupo de leitores mais atentos, e
talvez socialistas e até petistas, me apoiaram com o silêncio. Escrevo por
prazer, e parei de falar de política para não me aborrecer. Com fanáticos não
há argumentos que os façam enxergar um palmo diante do nariz. E já faz um bom
tempo que a manada bolsonarista me deu uma trégua. Eles não se interessam por
literatura, muito menos por arte. Grande parte desses apoiadores do capitão
acham que arte, em geral, é coisa de veado. E foram meses deliciosos escrevendo
para gente inteligente. Mas a realidade se impõe. O comportamento pendular do
presidente não deixa mais dúvidas. Os jornais sérios como O Estadão, Revista
Crusoé, O Antagonista e Revista Piauí, sob sutil censura do STF, tem exposto
as manobras do Palácio da Alvorada, no sentido de até pensarem em fechar o STF.
As idas e vindas do Bolsonaro, no seu comportamento errante, oferecendo
Cloroquina para as emas do Palácio, não usando máscara, desrespeitando o
distanciamento social em passeios de moto, (que me faz lembrar as escapadas do
General Figueiredo, que usava peruca no lugar do capacete). O presidente fazendo pouco das
100 mil mortes, e ironizando os governadores que cumpriam as determinações da
ciência no combate ao Covid. Com a prisão do funcionário e amigo da família, Queiroz e sua mulher, o perigo de uma delação premiada fez com que o capitão mudasse de
tom. Recolheu-se no Palácio, parou de fazer seus comícios diários no cercadinho da porteira do Palácio, e virou por poucos dias o "Jairzinho paz e
amor". Com medo de um provável impeachment juntou-se ao que há de pior no
congresso, o Centrão. Fez do Temer embaixador especial para a ajuda ao Líbano.
Como todo mundo sabe, Temer, respondendo a processos depois de preso por
improbidade administrativa, será um bom fiador do Bolsonaro junto ao Centrão.
Na mesma linha de fritura do Mandetta, do Moro, entrou seu ministro da Fazenda
Paulo Guedes. A exemplo do ministério da saúde que até hoje não tem um médico,
ou político que entenda da área, corremos o risco de não encontrar um
economista independente e competente para tocar a área, tão sensível ao
mercado. Ele, o mercado, já deu sinais do seu desagrado com a incerteza na
condução da economia do país. Dólar em alta, bolsa em baixa, e capitais
estrangeiros fugindo daqui. Não tendo conseguido criar seu partido político,
acena com a possibilidade de voltar ao PSL, com quem se elegeu. Mas o líder
desse partido no Congresso, Major Olímpio, ex aliado do Presidente, afirmou à
imprensa que é mais fácil aceitarem o Lula do que o Bolsonaro. Mas não faltarão
partidos que o queiram. Sempre é bom, em política, estar próximo ou dentro do
poder. Os três pilares que elegeram o capitão, um depois de brigar, morreu,
Bebiano. Os outros dois, Moro e Guedes parecem ter o mesmo destino do Mandetta.
E o que é de estarrecer: ele continua com quase 50% do eleitorado o
apoiando. Pesquisa por telefone, pouco confiável. A razão a meu ver são duas: a
ajuda emergencial de R$ 600,00 por mês, e que acaba em Setembro, e o desconhecimento desses eleitores do
que publica a Revista Piauí, Crusoé, e O Antagonista. O Brasil para sair da
grave crise financeira e econômica, que a pandemia nos mergulhou, precisa de
uma liderança transparente, desinteressada de se manter no poder por muitos
anos, sem nenhuma preocupação de se defender, e à sua família, de crimes
pregressos. Um governo que não tenha desmontado a Lava Jato, e feito o que prometeu o em
campanha: uma política liberal, desestatizante, moralmente comprometida com a
moralidade e contra a velha política. Tudo que esse governo não fez, e não
pretende fazer. Mas assim mesmo tem quase 50% de apoio. Se essa massa eleitoral,
depois da pandemia, sair às ruas, dará motivo para o Bolsonaro concretizar seu
desejo. Dar o golpe. Desculpem o tamanho do texto, mas a situação exige e é
grave.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )












