Crônica do Alvaro Abreu
Natal no mato
Meu pessoal sempre foi muito animado. Abrir a casa pra comemorar aniversário, formatura e casamento, juntar amigos para comer caranguejo, fazer cozido pra muitos – tudo isso faz parte da vida dessa nossa família numerosa. Desta vez alguém deu a ideia, prontamente aceita por todos, de alugar uma casa grande para passar o Natal. Quando vi, já estava tudo arrumado e resolvido. O lugar escolhido foi um sítio localizado naquele vale enorme que fica à direita de quem vai para Domingos Martins. As informações que me chegaram eram bem poucas e achei que deveria deixar o barco correr.
Chegar aqui foi fácil, difícil foi conseguir sair de casa. Foi preciso usar quatro carros para levar os pais, cinco filhos, dois genros, uma nora e sete netos. Deu trabalho conseguir arrumar as malas, mochilas, caixas com as compras, isopor com bebidas e comidas congeladas, sacos de carvão, sacolas de presentes e, ainda por cima, um violão. Pena que não me deixaram trazer Amora.
Faz tempo que não via um lugar tão bom pra soltar crianças e deixar que exercitem, longe dos olhos adultos, o ir e vir, o subir e descer. Uma piscina de água cristalina saída de fonte na mata, sauna pra quem gosta, campo de futebol com grama impecável, campo de bocha com piso de carpete, ponte pênsil de matar adulto de medo, água percorrendo uns cinquenta metros pedra abaixo antes de virar bica poderosa. Tudo isso sem contar três touceiras de bambu e um pé de lichia carregadinho, como eu nunca tinha visto. Faz tempo que não ouvia tanto sapos, pererecas e grilos cantando uma espécie de sinfonia da natureza.
Neste ambiente, não há mau humor de adulto nem birra de menino que vigore. Disputas só mesmo no carteado e no modo de fatiar a carne do churrasco. Melhor de tudo tem sido o convívio familiar sem a interferência da internet. É bom que se saiba que estamos todos vivendo perfeitamente sem acessar mensagens, notícias boas e ruins e, sobretudo, aquela enorme quantidade de bobagens inúteis. Neste meio de mundo, os celulares viraram simples máquinas fotográficas. Cenas inspiradoras tem de montão por aqui. Agora só falta ir lá na sede do distrito tentar enviar esta crônica para o editor.
Biriricas, 26 de dezembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
Meu pessoal sempre foi muito animado. Abrir a casa pra comemorar aniversário, formatura e casamento, juntar amigos para comer caranguejo, fazer cozido pra muitos – tudo isso faz parte da vida dessa nossa família numerosa. Desta vez alguém deu a ideia, prontamente aceita por todos, de alugar uma casa grande para passar o Natal. Quando vi, já estava tudo arrumado e resolvido. O lugar escolhido foi um sítio localizado naquele vale enorme que fica à direita de quem vai para Domingos Martins. As informações que me chegaram eram bem poucas e achei que deveria deixar o barco correr.
Chegar aqui foi fácil, difícil foi conseguir sair de casa. Foi preciso usar quatro carros para levar os pais, cinco filhos, dois genros, uma nora e sete netos. Deu trabalho conseguir arrumar as malas, mochilas, caixas com as compras, isopor com bebidas e comidas congeladas, sacos de carvão, sacolas de presentes e, ainda por cima, um violão. Pena que não me deixaram trazer Amora.
Faz tempo que não via um lugar tão bom pra soltar crianças e deixar que exercitem, longe dos olhos adultos, o ir e vir, o subir e descer. Uma piscina de água cristalina saída de fonte na mata, sauna pra quem gosta, campo de futebol com grama impecável, campo de bocha com piso de carpete, ponte pênsil de matar adulto de medo, água percorrendo uns cinquenta metros pedra abaixo antes de virar bica poderosa. Tudo isso sem contar três touceiras de bambu e um pé de lichia carregadinho, como eu nunca tinha visto. Faz tempo que não ouvia tanto sapos, pererecas e grilos cantando uma espécie de sinfonia da natureza.
Neste ambiente, não há mau humor de adulto nem birra de menino que vigore. Disputas só mesmo no carteado e no modo de fatiar a carne do churrasco. Melhor de tudo tem sido o convívio familiar sem a interferência da internet. É bom que se saiba que estamos todos vivendo perfeitamente sem acessar mensagens, notícias boas e ruins e, sobretudo, aquela enorme quantidade de bobagens inúteis. Neste meio de mundo, os celulares viraram simples máquinas fotográficas. Cenas inspiradoras tem de montão por aqui. Agora só falta ir lá na sede do distrito tentar enviar esta crônica para o editor.
Biriricas, 26 de dezembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA


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