Crônica diária
Meus leitores sabem da admiração que tenho pelo cronista Ruy Castro.
Admirar suas crônicas não me impede de discordar quando comete o vício
de chamar a Revolução de 64 de "golpe". As revoluções quando são de
esquerda, são revoluções. Quando de direita, contra a esquerda, é
"golpe". Um escritor do calibre do Ruy, que era amigo do Paulo Francis,
que conheceu a Elisabeth Bishop na casa de sua companheira durante 14
anos, Lotta de Macedo Soares, que era amiga do Carlos Lacerda, que
liderou a Revolução de 64, não podia entrar nessa cantiga infame da
esquerda burra. O certo é que segundo o próprio Ruy, todos escritores,
na década de 60, ainda eram chegados a porres monumentais. O primeiro
encontro do Francis com o casal Lotta e Bishop foi em estado etílico
perto do coma alcoólico. Entende também o Ruy que não é pela sexualidade
da poeta americana, nem de sua pouca compreensão da nossa língua, e
consequentemente, seu desprezo pelos poetas e poesias brasileiras, mas
por ter apoiado a revolução de 64, que se criou dissensões com sua
escolha como homenageada na Flip de 2010. Flip, como todo mundo sabe,
significa Feita Literária INTERNACIONAL de Paraty. Ponto. Não há porque
defender outra poeta, por mais merecedora que seja dessa homenagem no
lugar de Bishop. Cecilia Meirelles, como sugere o Ruy, tem méritos para
isso em próximas edições da feira. Não pode ser a ideologia
qualificadora ou desclassificadora de um poeta. Fosse assim, todos os
comunistas e socialistas homenageados nas Flips passadas poderiam ter
seus nomes contestados por serem de esquerda. Posições ideológicas não
são, ou não deveriam ser, atributos ou motivos de censura para nenhum
poeta, escritor, ou produtor literário. Muito menos em certames
INTERNACIONAIS. Mas a esquerda, da qual o Ruy é parte, no Brasil, é
burra, tacanha, e medíocre. Quem não vestia a camisa vermelha era, e, é
inimigo.

2 comentários:
A flip virou modinha. Dazelites. Eca!
A esquerda tem o vício maldito de se julgar a dona da verdade única.
Tenho dito.
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