Crônica ddiária
O cheiro do bacalhau
Eram 17:10 e todo condomínio, e prédios vizinhos, sabiam que alguém
comeria no jantar bacalhau. É um prato invasivo. Como o porco e o peru, é
um alimento datado. O peru invariavelmente ligado aos portugueses e
católicos. O porco e peru também, mas de cheiro mais discreto. Ou muito
mais discreto. No interior, onde até hoje, em certas datas, se mata o
porco para comer, a vizinhança fica sabendo pelo guincho do porco, e não
pelo aroma do assado. O peru é mais discreto, tanto no berro quanto no
cheiro do forno. Este ano que os chineses tiveram problemas sanitários
com seus rebanhos de porcos, a nossa carne bovina, suína e até de frango
ficaram mais caras. Li gente reclamando que exportamos sempre o melhor e
nos contentamos com o rebotalho. Mas sempre foi assim. Lembro quando o
Brasil era o maior exportador de café do mundo, e bebíamos tipo rio.
Hoje não é diferente. As churrascarias já substituíram o filé e a
picanha por outras menos nobres para manter o preço que já anda nas
alturas. E voltando para o bacalhau não posso deixar de lembrar duas
situações memoráveis. O da Maria portuguesa, que comíamos todo Natal, e
que era desfiado depois de muitas horas em água corrente. Hoje minha
neta, de cinco anos, diria que "iria acabar com a água do planeta".
Outro bacalhau que nos acompanhou de Lisboa a Berlim, na mala de um
casal amigo, e que do andar térreo de onde nos hospedamos, até alguns
imóveis da rua sem saída, todos os alemães sabiam o que iríamos comer
naquela noite.






Um comentário:
Se véspera ao jantar é o bacalhau norueguês, ao almoço do Dia de Natal é o perú assado ( e dos grandes ! ).
Vinho tinto de 5* a acompanhar e as múltiplas iguarias próprias da época.
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