30.11.19

O Mundo Novo


História das 30 famílias de LUNARDELLI que imigraram para o Brasil, por LUIZ LUNARDELLI

Crônica diária

Minha cadernetinha

Minha memória anda fraquejando. Adotei uma cadernetinha de apontamentos. Passei a escrever nela o que posso usar em futuras crônicas. O problema é que ainda não me habituei consulta-la. Hoje  encontrei nela:
"Céu de gente urbana". Para lembrar que tem gente que nasceu e viveu a vida toda em cidades, e nunca puderam ver um céu estrelado, em noite escura, em lugares deserto, e sem luz artificial. É uma visão extraordinária que muitos urbanos desconhecem.
"Power é mais forte do que força".
Detesto ler NIVER no lugar de sua correspondente em português.
Não gosto de ler ou ouvir "janta" no lugar de "jantar".
Também não gosto de ler ou ouvir quem fala da sua mulher referindo-se a "minha esposa". Como também não gosto de terceiros que chamam a "esposa" do outro, de "sua mulher".
E por fim anotei que é uma prática usual na publicidade fotos ou ilustrações que não informam as dimensões dos objetos anunciados. Recentemente comprei um ventilador cujas imagens dava a impressão que tinha uns 35 x 35 x 45 cm. Ao receber o aparelho constatei sua verdadeira dimensão: 16 x 16 x 17,5 cm. Imagens enganosas, como a da vaca e da galinha na cartilha do Joãozinho. Quando numa viagem para o interior ficou horrorizado com a minúscula galinha, e da vaca gigante.




Crônica do Alvaro Abreu

 
Cacholas cheias 

Neste último sábado li a edição em papel deste jornal, meio que matando saudade, meio que tentando me acostumar com as mudanças. Gostei de ver reportagens sobre o que tem gente fazendo em diferentes cantos do estado, incluindo a produção de café de altíssima qualidade na região do Caparaó e de uma quantidade enorme de adubo feita a partir dos restos das granjas que existem lá pelas bandas de Santa Maria de Jetibá. Também vi matéria sobre o fim das intermináveis obras da Avenida Leitão da Silva, incluindo um apanhado de achados do historiador Fernando Achiamé, destacando que o seu traçado foi proposto por Saturnino de Brito no projeto Novo Arrabalde, denominada de Avenida Norte-Sul e depois rebatizada com o nome de um capixaba que morreu na Guerra do Paraguai.

Já Marcos Alencar me pegou em cheio com sua crônica “Arquivo morto”. Dono de uma memória de elefante, ele vai lá nos tempos de juventude e de aluno aplicado (?) e recupera “um monte de bagaços de outrora que mofam no meu samburá” incluindo a Matriz de Leontief, nome dos afluentes da margem esquerda do rio Amazonas e por aí em diante. Além de confirmar o seu jeito meio safadinho de descrever feitos reais e imaginários de madames e socialites da Praia do Canto, Marcos me fez ficar pensando no que será do sistema educacional nestes tempos de alta disponibilidade de informações acessáveis pelas pontas dos dedos. Na brincadeira, mas sendo “a vera”, suas palavras nos colocam diante de uma questão altamente estratégica: o que crianças e jovens deverão guardar nas respectivas cacholas, ao lado de habilidades poderosas, para serem usadas, a tempo e hora, em favor da garantia da sobrevivência farta e da felicidade constante? 

As escolas e os educadores estão na linha de frente dessa questão complexa e urgente, sem a menor chance de empurrar com a barriga tamanha responsabilidade. Imagino que tenha muita gente, como eu, que não tem a menor idéia de por onde começar. Estamos diante de algo extremamente complexo e delicado, sem indicações de onde está localizado o norte e qual a posição do sol.

Vitória, 27 de novembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

29.11.19

Auto retrado com cabelo e 50 anos atrás

Acrílica sobre tela 50X50 cm

Crônica diária

Noite de autógrafo do Luiz Lunardelli

Ontem fomos, meu filho, minha neta e eu (quarta, quinta, e terceira geração do ramo do Geremia) ao lançamento do livro que Luiz Lunardelli escreveu sobre os imigrantes, em número de trinta ramos diferentes, que vieram do norte da Itália para o Brasil. "O Mundo novo", resultado de um trabalho árduo de pesquisa, estudo, viagens e visitas a cartórios no velho mundo. Ponto de partida para outras edições que desejem ampliar e aprofundar essas histórias maravilhosas de gente dedicada ao trabalho. Inicialmente espalhados pelos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ligados à terra, no cultivo do café, depois pecuaristas e agricultores de todas as espécies. Muitos se dedicaram ao comércio, indústria, gráfica, livrarias e cervejarias. Hoje com negócios em todos os estados brasileiros. Gente como o Pepe (José Lunardelli), que já é falecido, mas que foi casado com uma paraguaia e expandiu os negócios da família da esposa, para o ramo da gastronomia, com o restaurante do Pepe, famoso pela boa comida e música paraguaia na cidade de Pedro Juan Cabalero, divisa com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Cito o Pepe como um exemplo de Lunardelli entre centenas, que não figuram no livro do Luiz, mas deixaram suor e descendentes no Brasil profundo.

28.11.19

HOJE noite de autógrafos do Luiz Lunardelli


História das 30 famílias de LUNARDELLI que vieram para o Brasil

Crônica diária

Gramsci e o Brasil atual

O tema é um pouco complexo e profundo para ser abordado em dez linhas aqui nas minhas crônicas, mas, dada a importância do assunto, vou resumir ao máximo. Meu leitor José Eduardo Nogueira enviou uma aula do Padre Paulo Ricardo sobre gramscismo. Certamente você já ouviu falar nesse filósofo italiano que morreu em Roma, aos 46 anos de idade, no ano de 1937. Pois bem, ele um marxista convicto desenvolveu a teoria para se implantar o comunismo destruindo os pilares judaicos cristãos de forma sorrateira e auto aplicável, ao invés da revolução armada. Métodos de solapar, diuturnamente, as instituições, e ridicularizar os conceitos burgueses da sociedade. Para os seguidores de Gramsci não há verdades. Há conveniências. São contra homossexuais na Rússia e Cuba, mas patrocinam as paradas gays na avenida Paulista. Todas as universidades, e escolas do país estão infiltradas de agentes do gramscismo agindo. Destruindo conceitos burgueses. A começar pela língua, passando por gênero e racismo. Quanto mais imbecis forem os alunos, mais fácil será a vitória da revolução gramscista. Recomendo para melhor entendimento a palestra do Padre Paulo Ricardo  
 https://youtu.be/hAO3kbKJaEw

27.11.19

Uma composição curiosa

Proibido jogar lixo -

Crônica diária

É quase certo

Como posso me calar, como querem meus amigos Bolsonaristas fanáticos, quando o presidente na mesma semana vem a público defender o voto em cédula de papel, alegando que a urna eletrônica não é confiável, e dias depois defende a assinatura eletrônica para os apoiadores do novo partido. É quase certo que o TRE não vai permitir. É quase certo que reunir o número de assinaturas em papel não será possível, no prazo necessário para que o partido passe a existir, e que possa concorrer às eleições de 2020. É quase certo que sem vereadores e prefeitos eleitos pela Aliança pelo Brasil, em 2022 o candidato a reeleição não tenha o apoio que deseja. Posto isso como possível, e quase certo, pergunto: Por que criar um novo partido? Com tantas legendas legalizadas, mas sem nenhuma expressão ou importância política, podendo tornar-se o partido da família Bolsonaro? O presidente desde que ganhou as eleições em outubro de 2018 não fez outra coisa a não ser pensar na sua reeleição. Ahhh, além disso criou uma crise por semana. Hostilizou governos e países  parceiros comerciais importantes para o Brasil. Confundiu o interesse público com suas ideias pessoais. Apoiou, desnecessariamente, políticos que vieram a ser derrotados em Israel e na Argentina. Enviou para o congresso uma série de propostas, promessas de campanha, que foram rejeitadas. Algumas absurdas, outras inócuas.  Continua no palanque ao lado de gente vestida de terno e gravata verde, com camisa amarela. Adora ser saudado por locutores de rodeio com chapéu de boiadeiro. E aos poucos os velhos generais e seus ministros, e avalistas, vão desaparecendo das fotos oficiais. A economia não responde na velocidade esperada. Em grande parte por culpa das atrapalhadas do próprio presidente e seus filhos. É quase certo que a oposição vai crescer nas próximas eleições, e isso não é bom.  

26.11.19

Minhas banhistas

 Modelo de vermiculita, caixa de granito preto, e vidro
 Versão em gesso e outra em bronze, a caixas de granito preto e mármore branco

 Duas visões diferentes


Crônica diária

Morte do Gugu

Tenho a maior admiração pelo Gugu. De auxiliar de escritório até o sucesso e fortuna que fez merece todo nosso respeito. Lembro quando o Silvio Santos inventou seu sucessor. Nunca acompanhei seus programas porque não assisto TV aberta. Muito menos programa de auditório. Mas estou informado, por gente insuspeita, que era um animador de auditório digno e complacente com os calouros e participantes dos seus programas, ao contrario dos maiores animadores que o antecederam: Silvio e o Chacrinha. Morre precocemente aos 60 anos. O pior foi a causa. Cair do sótão de sua casa não colabora para um bom epitáfio. Ao contrário, apesar de morrer muita gente de quedas muito menores: de escada, de queda provocada por tapetes, degraus, e rampas escorregadias. Mas pisar no gesso do piso/forro do próprio sótão, é quase surreal. 

25.11.19

Rui Silvares e o Cronicante

Em Lisboa, Rui Silvares e o Cronicante.

Crônica diária

Reações ao partido Aliança pelo Brasil

Eu sabia que ao externar minha opinião sobre a criação da APB pelo presidente Bolsonaro descontentaria os seus defensores intransigentes. Continuo achando tudo que achava do capitão quando se lançou candidato. Continuo confessando que estou entre aqueles que votaram no Bolsonaro contra os candidatos que com ele concorriam. Ele era o mal menor. No Brasil até fabricante e vendedores de móveis estão evitando chamar "mesa de centro", por esse nome com medo que a palavra "centro" tenha conotações políticas. A radicalização impera. Ou você é preto ou branco, esquerda ou direita. Jornalistas fazem matérias no "cafezinho do senado" e estranham o comportamento urbano e republicano de senadores de partidos de esquerda, rindo e abraçando colegas de partidos tidos como de direita. Como se suas posições ideológicas os impedissem de conviver em harmonia, apesar de suas crenças. Esse conceito e essa nociva radicalização é inaceitável. Até jogadores de futebol, teoricamente menos instruídos e preparados intelectualmente, durante um jogo são adversários mas não inimigos. Dito isso, volto ao futuro partido do presidente. Com trinta e tantos partidos existentes, outros tantos já protocolados aguardando aprovação pelo TRE, não me parece nem lógico, nem necessário a criação de mais um. Se combato o excesso de partidos, não seria agora que aplaudiria a fundação de mais um. Mesmo porque os partidos deveriam ser criados em torno de ideias, programas e projetos. Esses são eternos e podem aglutinar pessoas e personalidades de todos os espectros da sociedade. Fundar um partido em torno de uma família é uma anomalia. No passado, e até no presente muitas personalidades políticas fundaram ou encamparam legendas que passaram a girar em torno de si. Lembro o Ademar de Barros, Carlos Lacerda, Getúlio Vargas, Tancredo Neves, Lula, e recentemente o Gilberto Cassab , cujos partidos que lideravam ou lideram os seguiam  e seguem cegamente. Mas eram e são compostos por outras tantas personalidades e políticos de peso, importância e valor. Criar um partido baseado em crenças pessoais, em motes de campanha eleitoral, e com membros da própria família é inédito. 

24.11.19

Vale a pena ouvir


Padre Paulo Ricardo sobre gramscismo

Três auto retratos com bigode



Lápis e tinta acrílica sobre tela

Crônica diária


 Detesto o politicamente correto

Já tratei do assunto, mas todas as vezes que vem à baila, me irrita. Agora foi a postagem do Valter Ferraz sobre um fabricante de móveis que aboliu o nome de "criado-mudo", para mesa de cabeceira, de seu catálogo. Que bobagem. Nada mais racista do que cotas nas empresas e universidades. Isso não sou eu quem prega, estava escrito na camiseta de um negão. Preto, criado, empregada esta virando ofensas, quando não passam de designações comuns, normais desde que não "politizadas". E a culpa é de quem as politiza. Volto a lamentar a perda de um velho amigo filho de uma empregada doméstica branca e em Portugal, que nunca mais falou comigo porque defendo o empregado que dorme no emprego. Olhe a que ponto chegou. Tenho visto gente comparar domésticas a escravos. Que gente louca. E continuamos com mais de 12 milhões de desempregados.

23.11.19

Emulsão de Scott

 Tela do Olivier Perroy
Emulsão de Scott

Crônica diária

Uma nova Aliança, e voto longo e confuso

Quanto assunto para ser abordado, não sei nem por onde começar. O presidente da republica criando um novo partido, onde será seu presidente, e o vice, seu filho mais velho, senador Flavio Bolsonaro, e no conselho mais um filho caçula. Uma Aliança "familiar".  Será um partido de direita assumida. No dia da sua criação, junto ao palanque, um grande quadro composto por centena de cápsulas de bala, escrevendo o nome da Aliança Pelo Brasil (APB). Acho que começaram mal. Mas quem sou eu para julgar. 
Na mesma semana o assunto era o julgamento pelo STF sobre o compartilhamento de informações entre os órgãos de investigações. Toffoli, presidente do pleno, relator do processo, fez um voto longuíssimo, e tão confuso, que quatro ministros confessaram (para a imprensa) que não tinham entendido o voto do presidente. Se os próprios ministros não se entendem, imagine a população. 
Era visível o mal estar do Toffoli durante sua fala, onde diversas vezes interrompeu a leitura do voto, para encarar seus pares, com longos silêncios e frases do tipo: "É preciso acabar com essas lendas urbanas", referindo-se às graves acusações que tem sido vítima nas redes sociais. Fica aqui o meu registro. 
No dia seguinte, antes do voto do ministro Alexandre de Moraes, o Toffoli teve que dar explicações sobre seu voto confuso e longo. Nas redes sociais compararam sua fala ao do comediante Rolando Lero do saudoso Chico Anysio. O voto do ministro Alexandre abriu dissidência com o relator Toffoli. Mas o julgamento continua na próxima semana, ou semanas, se os próximos a se manifestarem se alongarem como se alongaram os dois que já votaram. 
 Jair Bolsonaro

22.11.19

Meu novo vício

Minha nova salada preferida é de tiras finas de abobrinha, azeitonas verdes, azeite MUITO bom, sal, cebola e alfaces.

Crônica diária

"Assim começa o mal" de Javier Mariás
"
Vou iniciar este comentário sobre este livro dizendo que suas 515 páginas escritas em 2014 são excessivas. Usarei até palavras do seu personagem principal para justificar: "Já que havia aceito me contar, teria que ser no seu ritmo e da sua maneira. Esse é o privilégio de quem conta, e o que escuta não tem nenhum, ou só o de ir embora. Eu não ia ainda, é claro." E foi por essa razão que demorei meses lendo esse livro. O Javier escreve (conta) da sua maneira e eu só tenho uma opção, parar de ler.  Nunca deixei um livro ou filme pela metade. Foi bom mencionar um filme. Recentemente saí do cinema no meio da projeção, mas não vem ao caso aqui. O livro do Javier é sobre um produtor e diretor de cinema espanhol e seu assistente. Casado com um bonita mulher, no final de alguns anos de casados passou a trata-la mal. É dentro dessa temática familiar que se desenrola a trama. Pouca trama para muita literatura. E apesar disso, como escreve bem, prende o leitor mais reticente.

21.11.19

Barco encalhado

Para rememorar fotos antigas do VARAL

Crônica diária

O conceito de juventude e a beleza
Nada de filosofar, é só uma constatação. Jovem é sempre aquele, ou aquela, que tem dez anos menos do que a gente. E são sempre lindos. O conceito de beleza é muito relativo e variável, e vai ficando, cada dia que passa, mais generoso. Talvez seja por isso que sempre achei o Caetano Veloso muito feio quando começou a carreira de compositor e cantor. Com o tempo embelezou.

20.11.19

Ibiraquera a noite

Água e luz

Crônica diária

"Mastigando palavras"

Não falarei mais sobre eventual falta de assunto. A última vez que escrevi sobre isso recebi comentários variados. Os que justificavam a falta de assunto por conta das crônicas serem diárias. Outra leitora me acusou de "mastigar as palavras só para aparecer". E o mais incrível é que termina seu comentário com letras maiúsculas (que quer dizer aos gritos): "GOSTO MUITO DAS SUAS CRÔNICAS". Fiquei sem saber se era ironia, ou se não tinha entendido o sentido de "mastigar palavras só para aparecer". Por essas, e algumas outras, vou falar das "borboletas amarelas" como me recomendaram. Duas crônicas geniais do Rubem Braga, segundo outra leitora. E quando ela citou as borboletas lembrei da crônica do Inácio Loyola sobre as formigas em torno do açucareiro enquanto tomava seu café. E acredito que nem o Braga, nem o Loyola estavam "mastigando palavras só para aparecer".

19.11.19

13 ANOS

HOJE O VARAL FAZ 13 ANOS

Crônica diária

 Sonho universal

Esta noite tive um sonho. Tão amplo e global que não tive tempo de detalhar. Também não vou fazer aqui ao tentar contar seu conteúdo. Não tinha nada de autoajuda ou coisa do gênero. Nem era piegas. Sei que aconteceria na primavera. Cada detalhe, entre os poucos que o sonho desenvolveu, tinha significado profundo e nobre. Era uma mensagem de esperança e paz escrita por cronistas de todo o mundo. Os melhores de cada país, em seus idiomas. Cronistas vivos ou mortos. Respeitando suas crenças, hábitos e religiões. Numa folha grande de jornal, impresso frente e verso, em preto ou em cores, dependendo das características da imprensa local, esses textos só falavam no melhor dos seus estilos literários, sobre esperança e dias melhores. Sobre compreensão universal. Sobre a luz do sol que nasce todos os dias, e a primavera que é a estação das flores, em quase todos os hemisférios. Essa folha de papel tamanho jornal era dobrada em forma de origami, com os mais diversos animais. O título dessa folha variava de acordo com cada continente, idioma ou país. A única unanimidade era que seriam entregues às pessoas por emissários movidos por bicicletas, patinetes, esqueites, e nas ilhas, ou margens de rios, por embarcações a vela, catamarã, ou assemelhados. E seriam sempre gratuitos. Na coluna de humor desse jornal anual, só era permitida charges brincando com os terraplanistas. Esse foi o sonho em linhas gerais. Maluco, não?

18.11.19

Homenagem ao Botero

Tela acrílica em homenagem ao Botero

Crônica diária

"

Sharon Stone em foto meramente ilustrativa de um "relâmpago de coxas". 
"Assim começa o mal" de Javier Mariás
Estou lendo lentamente o livro do Javier recomendado pelo meu irmão Paulo. Sobre ele falarei quando terminar. Ainda que leve um tempo. Hoje li um parágrafo que vale a pena transcrever: "As mulheres se olharam com o rabo dos olhos, arquearam as sobrancelhas , descruzaram e tornaram a cruzar as pernas, as duas ao mesmo tempo (um relâmpago de coxas), como se fossem gêmeas." Que delícia de expressão: "relâmpago de coxas".

17.11.19

Piacaba, onde estou agora

Foto com a Vida e Mel que já morreram

Crônica diária

O desapego

Ontem falei da geladeira e do sapateiro e alguém me recomendou "desapego". Pois é, realmente tenho que fazer enorme esforço para me desfazer de canetas Bic sem carga, toco de lápis, borracha imprestável, sempre imaginando que ainda podem ser úteis. Que nada. Nunca servirão mais além de tomar espaço nas gavetas. Com roupas e sapatos tenho a mesma dificuldade. Só tiro de uso quando furam (camisetas e meias) ou não abotoam na cintura. Mesmo assim com o coração apertado, pensando que um dia ainda posso perder a barriga. Preciso exercitar o desapego.

16.11.19

Relembrando velhas postagens

Mostrando o caminho aos blogueiros

Crônica diária

Da geladeira ao sapateiro

Este mês tive que trocar uma geladeira de dezenove anos e um forno elétrico com onze de uso. Esses elétrico domésticos duravam muito mais. Independente do modelo ou marca, os materiais são os mesmos, mais leves e menos duráveis. Como sou de outros tempos, e convivi com gente que participou da ultima grande guerra tenho dificuldade em aceitar desperdício. Trocar carro, geladeira, aspirador, fogão, liquidificador, batedeira, e assemelhados é uma decisão complicada. Sempre os mais antigos duravam mais e eram melhores. Depois do segundo ano de garantia, o fabricante considera que o consumidor esta no lucro. Consertos são completamente desaconselháveis. Isso me fez lembrar do sapateiro. Antigamente se trocava a sola dos sapatos. Conheci e convivi com três sapateiros. Dois deles com a família da minha mãe. Meus avós moravam na rua Treze de Maio, e alguns metros havia uma quitanda e um sapateiro. Na casa de praia em São Vicente, no porão, nos fundos da casa, trabalhava de sapateiro o marido da caseira. O terceiro era o Tim, técnico do time de futebol da fazenda Aguapei, no noroeste do estado. Durante a semana a sapataria era o centro das conversas sobre o jogo do domingo passado, e a escalação para o próximo domingo. O Tim conseguia fumar, prender nos lábios uma dúzia de preguinhos e martelar no pé de ferro uma meia sola no capricho, além de conversar sobre seu time. Dava gostosas gargalhadas, apesar da boca cheia.

15.11.19

Meu blog CHAPA

Desenho de 2011 em homenagem ao meu blog CHAPA

Crônica diária

Crônica escrita com a mão do gato

 
 Bastou ter me referido à falta de assunto para a crônica de três dias atrás que ganhei de presente comentários que são verdadeiras aulas sobre "crônica". Minha amiga escritora, poeta, e jurada de concursos literários, Betty Vidigal fez a seguinte observação: "Sempre que escrever for uma obrigação, vai rolar o assunto da falta de assunto.
Acho que só cronistas têm esse problema. Repórteres contam o que aconteceu, ensaístas pensam sobre questões e escrevem quando acabaram de pensar.
Pra romancista pode dar branco. E agora? O que vai acontecer com a estória?
 Pra poeta tem fases de total falta de inspiração.
Mas falta de assunto só ataca cronistas."
Aproveitou e cumprimentou-me com três dias de antecedência:
"Betty Vidigal Feliz aniversário adiantado."
Outra leitora, contista e romancista, observou:  
"Regina Taccola Acho que se sentem na obrigação de comentar brilhantemente o aqui e agora e se esquecem do trajeto da borboleta amarela de Rubem Braga que lhe rendeu duas crônicas deliciosas."
"Betty Vidigal Regina Taccola, nem sempre é o aqui e agora. Cronista conta também lembranças, próprias e alheias, conta casos (que não importa se aconteceram recentemente ou não), fala sobre coisas abstratas, como amizade, ternura, encontros, amores, idiossincrasias... Fala sobre comida, tecnologia, livros e filmes -- mas em linguagem de crônica, e não de crítica gastronômica, cinematográfica, literária ou de especialista em tecnologia.
Fala sobre palavras, jeitos de falar, regionalismos, termos novos, termos que desapareceram. Fala sobre a cidade, sobre bairros, sobre as flores de um bairro, sobre o frio e o calor, sobre alergias, sobre vizinho chato, vizinho legal....
O problema do Eduardo, que se propôs escrever todos os dias, é mais grave que o de quem escreve uma vez por semana ou a cada 15 dias, ou escreve pra uma revista mensal."
 Nem deu tempo de agradecer o comentário da Regina Taccola, onde a comparação é absolutamente absurda, mas sempre me envaidece ler o nome do Rubem Braga, o maior dos cronistas, ligado às minhas modestas croniquinhas. Obrigado Regina.
Quanto à Betty, agradeço a lembrança do aniversário, e à verdadeira aula sobre crônica. Se minha mãe estivesse viva diria: "Essa crônica você escreveu com a mão do gato."

14.11.19

Rogério Guimarães e o Cronicante

 Aqui quem fica de boca aberta sou eu.

Crônica diária

Florbela e Churchill

Florbela Cunha é uma amiga que mora em Lisboa e que participava ativamente dos nossos blogs na década de 2010. É uma guia turística, para a toda a Europa, que recomendo. Tem muito conhecimento, senso de humor, além de bonita. Esta semana relembrou o diálogo entre um repórter e Winston Churchill. Quando ele fez 80 anos o repórter que tinha 30 e foi fotografá-lo disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:
- Por que não? Você parece-me bastante saudável.

13.11.19

Paulinha by Vincenzo Scarpellini

Paula Canto

Crônica diária

 "Casa onde se ganha o pão, não se come a carne"

Essa é a máxima do McDonald’s e de muitas outras grandes corporações. Esta semana foi destituído do cargo de Presidente da empresa, um inglês que estava namorando uma funcionária. Essa regra vale principalmente para cargos de chefia. Visa evitar conflitos hierárquicos ou protecionismo. Quanto ao mérito não tenho nada contra, até acho razoável a preocupação, o que me chamou atenção foi a forma como a empresa se expressou: "Casa onde se ganha o pão, não se come a carne". 

12.11.19

Onde andará essa tela?

Moça de costas, óleo sobre eucatex,  circa 1960, aproximadamente 15 x 45 cm

Crônica diária

66, número da casa de Mozart

Andei preocupado com falta de assunto para essas crônicas e fui visitar meus cronistas prediletos na grande imprensa diária. Percebi que estamos todos em fase de vacas magras. Ruy Castro conseguiu encher seu espaço só com nomes, repetidos, dos jogadores de futebol, nos dias atuais. Antonio Prata, faz de sua crônica, uma declaração de amor ao jornal que lhe paga, e dá espaço para escrever. Diante disso, minhas pedras, caricaturas, meus blogs e lembranças de viagem ficam perfeitamente adequadas. Dentro de cinco dias faço 76 anos. Exatamente há dez anos atrás me deparei diante da casa 66 de uma determinada rua em que morou Mozart, em Salzburgo. No local existe um museu com objetos que lembram o compositor. O interessante é que Salzburgo valoriza muito Mozart e Mozart não via a hora de sair de Salzburgo. Alguns dizem que é uma armadilha para turistas. Tirei uma foto do número da casa, e anotei: esse é o número de anos que faço hoje. Nesse dia em Salzburgo havia chovido, e na calçada perto da casa, fiz uma foto. Hoje mostro para vocês.

11.11.19

Carranca

Minha fonte na Piacaba. Carranca esculpida por mim.

Crônica diária

"Essa gente" é o novo livro do Chico

Encontrei na sala de leitura do clube, onde é proibido falar ao celular, ou conversar, evidentemente, meu velho amigo Carlão Sobral. Além de ler os jornais fazemos academia de ginástica. Ambos estávamos com trajes da academia: camiseta, calção, tênis. Eu comentei olhando por cima do jornal: "Vamos ter livro novo na praça". Ele manteve um olhar de quem não sabia do que eu estava falando. Completei: "Do Chico". Aí sim responde: "Vi a notícia, mas não vou ler o livro". A Folha deu duas páginas inteiras, com fotos coloridas e dois grandes textos. O Estadão, com chamada de primeira página, deu 2/3 da ultima do Caderno 2. Foto colorida e texto. O outro 1/3 da página era da coluna do Inácio de Loyola. Que bom que vamos ter livro novo do Chico. Claro que vou ler. Até para poder falar alguma coisa. Em que pese desprezar suas posições políticas, o considero um escritor importante. Não que o Prêmio Camões me tenha impressionado. Ele até o merece. Depois do Nobel de literatura ter ido para o Bob Dylan, tudo é possível. 

10.11.19

Tariel Djigaouri e os livros Pretextos e Cronicante

Crônica diária


Lula solto

Na triste tarde de sexta feira fomos obrigados a ver e ouvir em rede nacional pela Globo News, e pelos outros canais de TV, a cena já prevista da soltura do ex-presidente, e condenado em segunda instância pelo processo da Lava Jato, e no caso do apartamento do Guarujá. Disse já prevista, porque na verdade, pela progressão da pena o réu já podia cumpri-la em liberdade. Não o fez, porque tinha certeza de que o STF o libertaria, e seus advogados continuarão a protocolar pedidos de extinção do processo. Isso evidentemente não deverá ocorrer, ao contrário, em pouco tempo estará julgado em segunda instância o outro processo do sítio de Atibaia. E esperamos que após mais uma dezena de chicanas, o judiciário condene o ex presidente nos dois casos dando aos processos transito em julgado, e sua prisão novamente decretada. Mas o que me foi dado ver no espetáculo montado na porta da PF em Curitiba, que o réu sai de um ano e sete meses de cárcere, mais velho, mais careca, falando em casar, e prometendo percorrer o país para aglutinar e liderar as oposições. Seu discurso na mesma linha de Lulinha paz e amor, teve momentos de populismo explícito, quando ataca a rede Globo, responsabilizando-a pela derrota do Haddad, presente ao evento. Depois cita os desempregados, hoje em número menor do que o deixado pelo governo anterior. E ironiza o Bolsonaro, dando algumas luzes do que serão seus discursos daqui para frente. Curiosamente a Globo é responsável pela derrota do Haddad, e da mesma forma condenada pelo vitorioso, Bolsonaro, como sua inimiga número hum. E a vida política brasileira segue no seu mais baixo e raso nível.

FLORA FIGUEIREDO e o Cronicante

 
Flora Figueiredo Acionando o Varal de Ideias: hoje, levei "Cronicante" para o PA, onde fui avaliar os estragos do tal tombo que me tirou de circulação. Enquanto aguardava o atendimento, abri o livro onde havia parado antes de ficar com um olho só. Inacreditável! Crônica 228, "Reputação de Juiz". Se coincidências não existem, será que indignações iguais se atraem? Talvez uma composição energética do universo. Seu livro diverte, provoca, informa. Fazemos parte de um mesmo tempo e revivi muitas das situações que você descreve com fluência e leveza. Anotei várias de suas sugestões literárias , pela semelhança no critério de escolha. É como se andássemos numa mesma calçada e numa mesma direção. Às vezes, você surpreende por suas posições determinadas, quando arromba a porta e abraça a ventania. Morri de inveja em alguns momentos, como em seu encontro com Ricardo Franco de Mello, meu querido parceiro das festas da adolescência, de sobrancelhas espessas, e que nunca mais vi. E a marmelada que hoje é raridade! Desde o tempo em que minha avó Giloca ( Ângela Loureiro) mandava vir latas de doces de Tietê, nunca mais encontrei marmeladas à altura do marmelo. Ri de novo com as aventuras de Beto Guerra, cujas mirabolâncias sentimentais acompanhei como amiga e confidente; do personagem gago de José Vasconcellos; me enfureci com o telemarketing; me identifiquei com a dificuldade na troca de celular e por aí vai. Entre surpresas e curiosidades, continuo no prazeroso percurso. Agradeço, Eduardo, por você dividir sua calçada comigo.

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"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

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(Vi Leardi )

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