Crônica diária
O
ultimo nó da gravata
Escrevi
"sobre nós" dia desses, numa explicita provocação. O título era
enganoso. Falava de nós de corda, barbante, cadarço, nós cegos, nó de
marinheiro, e nó de gravata. Sou obrigado a cometer, mais uma vez, o
pecado do segundo mandamento, que o escritor e agitador cultural Roberto
Klotz escreveu que cometi contra ele. Agora cometo contra Geraldo Facó
Vidigal meu mais recente amigo e leitor.
Sobre
um nó da gravata nunca tinha lido nada tão triste e profundo, tão
simples e emocionante. Esse foi o comentário que transcrevo na integra:
"Acho
que o dia mais triste da minha vida foi aquele em que meu
extraordinariamente brilhante Pai, que me ensinou, me pediu para dar o
nó na gravata dele.
Houve
dramáticos. Houve daqueles em que a alma triturada, pede para se ir
junto. Houve alegrias. Das mais levadas, das elevadas, enlevadas, e das
tolas em que se ri a toa.
Mas extrato de Tristeza...".
Poesia pura. E da boa. Falou pouco, mas para o fundo da alma.
Não
fui eu quem ajudou a vestir, pela ultima vez, meu pai. Foi ele também
quem me ensinou a dar o laço na gravata. Lembro-me de ter participado do
doloroso, mas necessário ato, de vestir meu avô paterno. Não me lembro
de quem deu o nó na gravata. Mas nunca é igual ao de um filho, ou
parecido com o que o falecido usava durante a vida. Os nós acabam
semelhantes à personalidade do usuário.
Geraldo Facó Vidigal

2 comentários:
O nó de gravata que dou há mais de 60 anos é o de Duque de Windsor.
Espero "viajar" com ele !
Eu já ando facilitando as coisas. Quero chegar no céu descontraído. Será que exigem gravata para entrar? Então acho que vou procurar outro canto menos formal. Se depender dos meus filhos o nó vai ser de marinheiro, nunca um do Duque de Windsor....
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