31.3.19
Crônica diária
Uma reforma política urgente
Os deputados federais resolveram mostrar ao governo sua força. Desengavetaram um projeto que dormitava há cinco anos e o aprovaram em uma única sessão em menos de uma hora. Mudando a constituição. Só com seis votos contra. Orçamento impositivo. O Senador José Serra minimizou a "pauta bomba" e o executivo espera barrar no Senado. Não importa se o estrago prático vai ser muito grande ou não. O que a Câmara deixou claro é que os deputados podem sim atrapalhar a vida do executivo se quiserem. Note-se que o partido do Presidente votou a favor. Inclusive seu filho. O orçamento impositivo vai contra tudo que o Ministro Paulo Guedes preconiza para o país. Engessa o orçamento ao invés de descentraliza-lo. Como resolver o problema com o congresso? Só uma reforma político/partidária/eleitoral. Não é possível um congresso pulverizado com 35 partidos. Governar com coalizão é muito caro para o Estado. Não se forma base sólida sem loteamento de cargos no governo. Os partidos não tem nenhum controle sobre seus deputados. O projeto político do Bolsonaro não será implementado com essa geleia no congresso.
30.3.19
Crônica diária
Uma nova experiência
Meu tio Antônio, irmão mais velho dos nove, do meu pai, era metódico
absoluto, e se impunha a rotinas curiosas. Uma delas é que só fumava a
partir de determinada hora, e xis cigarros por dia. Passava o dia
contando o tempo e os cigarros. Lembrei disso quando este mês levei para
a Piacaba (SC), minha casa na praia, só dois livros e para ter leitura
por todo o período que lá estive, somei o número de páginas dos dois
volumes, dividi pelo número de dias, e separei com marca páginas. A
leitura durava em média uma hora. Os livros eram bons e eu passava o
resto do tempo aguardando o dia seguinte para continuar. Como no tempo
das novelas da TV Tupi, na década de 60.Agora além dos meus comprimidos
estou levando páginas contadas.
29.3.19
Crônica diária
História senil
Sonhei que havia sido sequestrado por três garotas maravilhosas com 20 a
25 anos de idade São daqueles sonhos que acordar é um pesadelo. No
sonho, eu que tenho inteira consciência da minha idade, perguntava qual o
interesse delas por mim? Uma delas, carinhosamente, respondeu que eram
minhas histórias. A literatura já explorou fartamente o tema, mas eu
sonhei. Até certo ponto aliviado por não ser sexo. E lembro de ter
contado entre outras, duas histórias que as impressionaram. A primeira
foi a do Presidente Jânio Quadros. Resumidamente biografei-o, depois
falei das suas excentricidades. porque toda história, para ser boa, tem
que ter pimenta. A forma erudita de se expressar (mais culta e menos
ridícula do que a do Michel Temer), e o hábito de se comunicar através
de "bilhetinhos" (precursor do Twitter), e por fim, seus porres. Bebia
como um gambá. O símbolo de suas campanhas era a "vassourinha". O
congresso criava problemas para seu governo. Resolveu testar mais uma
vez sua popularidade e proibiu: lança perfume, briga de galo, e biquíni.
Mexeu com os brasileiros de norte ao sul. Escreveu uma carta
renunciando a presidência na certeza de que o povo o traria nos ombros
de volta ao poder, para fazer o que bem entendesse. O povo não
correspondeu. Depois contei outra história de briga com o congresso. A
do Presidente Fernando Collor de Mello. Foi impinchado. Ambos se
elegeram com larga margem de votos, ambos combatiam a roubalheira (
"rouba mas faz do Adhemar de Barros) e se diziam contra os "Marajás".
Minhas três lindas sequestradoras ficaram espantadas com as semelhanças
dos fatos atuais no governo do Bolsonaro. Mas era um sonho e acordei.
28.3.19
Crônica diária
Moral e cívica
Dia desses um leitor comentou que o mal que assola nossa juventude é a
falta de educação moral e cívica nas escolas, e de Deus. Concordo com a
primeira parte do comentário. Discordo da falta de Deus. Nosso país tem
uma igreja ou templo em cada esquina, em todas as cidades, pequenas ou
grandes. Só perdem para as farmácias. Dois sintomas: nosso povo anda
doente de carne e alma. E há espertalhões entre os laboratórios e os
ministros do deuses. Mas é nas escolas que se ensina "Educação, moral e
cívica". Essa matéria já fez parte do currículo escolar do ensino
básico, e não faria nenhum mal se voltasse. Amar o próximo como a si
próprio, amar a bandeira e a pátria, respeitar os mais velhos, e as
mulheres, implica em ter respeito pelos gêneros, raças, cor, etnias, e
opinião. O fanatismo religioso é tão ou mais perverso do que o fanatismo
ideológico, esportivo, ou de qualquer espécie.
27.3.19
Crônica diária
Velhice
Foi o tempo em que escrevia sobre a juventude com grande autoridade.
Diria até que esse tempo se foi muito rápido. Esta é uma das
características de um velho. Achar que o tempo passa muito ligeiro. Ao
contrário do jovem para quem o tempo não é um problema. Mas ele chega
para todos os vivos. E é uma das coisas para a qual não há alternativa.
Ela ou a morte, que não é alternativa. Sempre que faço essas reflexões
lamento a partida precoce do meu querido amigo José Roberto Noronha,
muito branco, e com seu inseparável cigarro Continental, que depois de
bate-lo duas ou três vezes contra o maço, acendia, tragava e mantinha-o
entre os dedos amarelos de nicotina. Depois dele muitos outros se
foram,mas nenhum tão jovem. Esta semana faleceu Domingos de Oliveira aos
82 anos e há muitos sofrendo de Parkinson. Trabalhou até o derradeiro
minuto escrevendo em sua casa. Dele só assisti o lendário filme "Todas
as mulheres do mundo", que na época gostei muito. A
atriz Leila Roque Diniz (Niterói, 25 de março de 1945 — Nova Délhi,
Índia, 14
de junho de 1972), portanto, com 27 anos, também se foi muito jovem.
Deixou saudade. Somos da geração que amava os Beatles e os Rolling
Stone. Andávamos sem lenço e sem documento. Ouvíamos Pepino de Capri e
Johnnie Ray (John Alvin Ray- 1927 * 1990).
Num exercício de memória consegui lembrar do nome de dez dos quatorze alunos do Colégio de Cataguases presentes nessa foto, no salão nobre do colégio, em frente ao painel TIRADENTES de Portinari. Hoje esse painel esta na Fundação da América Latina, em São Paulo.
Da esquerda para a direita, deitado José Roberto Noronha, ao lado Olavo Moraes Barros Neto, dois não identificados Sergio Matos, Murilo, outro não identificado. Atrás Gil Bernardes, Demasi, EU, Lutz, Leonardo , outro não identificado e Eurico.
26.3.19
Crônica diária
E o mandante do crime?
Costumo comentar e fazer resenha de contos e romances policiais, gênero
de literatura que aprecio, não poderia deixar passar desapercebida a
estranha, para dizer o mínimo, retirada no "caso Marielle", do delegado
que comandou por um ano as investigações que culminaram com a prisão dos
dois assassinos. Um curso de intercâmbio com a Itália, não desejado
pelo delegado afastado, não justifica o afastamento. Falta apontar,
prender e julgar os mandantes. Serão eles tão importantes e influentes a
ponto de promoverem o afastamento do delegado? Ou o afastamento foi
exatamente para a polícia chegar aos mandantes? Tenho notícia de que
três dias após a prisão os dois criminosos passaram mal. Vamos esperar
que não morram antes de apontarem quem os pagou para executarem o crime.
Até agora todos são brancos e com vasta ligação criminal.
25.3.19
Crônica diária
Dois pesos, duas medidas
Com a prisão dos dois assassinos da vereadora Marielle Franco, e de seu
motorista, um ano depois do ocorrido, demonstra a força e importância da
sociedade organizada. Não fosse a pressão, persistência e determinação
da família, e das associações a quem a vereadora era ligada, como das
jovens negras (Casa das Pretas), e comunidade LGBT o bárbaro crime nunca
teria sido desvendado. Desde o princípio todas as evidências levavam a
crer que se tratava de execução, e a milícia seria a responsável. Mas
como em centena de casos nunca seria desvendado. Quem ouvira falar em
Marielle antes do crime? Uma vereadora do Rio só conhecida pelos seus
eleitores e comunidades onde atuava. No entanto, com a larga cobertura
da mídia, os assassinos acabaram presos. Ao contrário do caso Celso
Daniel, Prefeito de Santo André, em São Paulo, cuja família era ligada
ao PT, há época, nunca se mobilizou à exemplo a da Marielle. Havia na
época suspeitos, mas nunca ninguém foi preso ou julgado pelo crime.
Tenho a convicção de que muitos dos mandantes estão ou já passaram pela
cadeia, mas por outros crimes cometidos. O caso Celso Daniel continua em
aberto. Quem matou Celso Daniel? A polícia e a justiça nos devem essa
resposta.
24.3.19
Crônica diária
"Articulação política" não pode ser "Toma lá, dá cá"
A pauta de hoje não é das mais simples ou fáceis de enfrentar. Por que os deputados tem tanta dificuldade de entender o que a maioria da população esclarecida já entendeu? Não há uma razão apenas, mas um conjunto de velhas razões.
1º Nenhum deputado esta disposto a desagradar suas bases. Afinal foram elas quem lhes deram o cargo.
2º Todos os deputados da velha política, ou a ela ligados, não vivem sem o "Toma lá, dá cá".
Logo estão acostumados a apoiar ideias, teses e projetos mediante um pedágio. Quanto maior for o prejuízo eleitoral, maior o valor do pedágio.
A Reforma da Previdência nunca esteve tão madura em termos de projeto, e de comunicação social.
São contra os canalhas de sempre.
O Presidente Bolsonaro foi eleito com promessas de campanha explícitas. Uma delas era acabar com a velha política do "toma lá, dá cá". O primeiro e mais importante projeto da nova legislatura, e do novo governo é exatamente a Reforma da Previdência. E não é por acaso. Sem ela o presente e futuro do país esta gravemente comprometido. Mas os velhos políticos continuam exigindo, para votarem favoravelmente, que seus apadrinhados e pleitos sejam atendidos. Canalhas, mais uma vez, como diria Nelson Rodrigues.
Rodrigo Maia, filho e genro da velha política, admirador do Brizola, imaginem vocês, e Presidente da Câmara dos Deputados, apesar de ter trabalhado arduamente a favor da Reforma, acusa o Bolsonaro de não estar fazendo as articulações política. Textualmente:"Promete uma coisa em particular, diz outra em publico". Lamento dizer ao Rodrigo Maia que o Bolsonaro tem 30 anos de convívio com a classe que ele, Maia, preside hoje. E posso afirmar que o Presidente esta convencido de que irá cumprir mais essa promessa de campanha: "Acabar com o toma lá, dá cá". E vale o que é dito e reiterado em público.
A pauta de hoje não é das mais simples ou fáceis de enfrentar. Por que os deputados tem tanta dificuldade de entender o que a maioria da população esclarecida já entendeu? Não há uma razão apenas, mas um conjunto de velhas razões.
1º Nenhum deputado esta disposto a desagradar suas bases. Afinal foram elas quem lhes deram o cargo.
2º Todos os deputados da velha política, ou a ela ligados, não vivem sem o "Toma lá, dá cá".
Logo estão acostumados a apoiar ideias, teses e projetos mediante um pedágio. Quanto maior for o prejuízo eleitoral, maior o valor do pedágio.
A Reforma da Previdência nunca esteve tão madura em termos de projeto, e de comunicação social.
São contra os canalhas de sempre.
O Presidente Bolsonaro foi eleito com promessas de campanha explícitas. Uma delas era acabar com a velha política do "toma lá, dá cá". O primeiro e mais importante projeto da nova legislatura, e do novo governo é exatamente a Reforma da Previdência. E não é por acaso. Sem ela o presente e futuro do país esta gravemente comprometido. Mas os velhos políticos continuam exigindo, para votarem favoravelmente, que seus apadrinhados e pleitos sejam atendidos. Canalhas, mais uma vez, como diria Nelson Rodrigues.
Rodrigo Maia, filho e genro da velha política, admirador do Brizola, imaginem vocês, e Presidente da Câmara dos Deputados, apesar de ter trabalhado arduamente a favor da Reforma, acusa o Bolsonaro de não estar fazendo as articulações política. Textualmente:"Promete uma coisa em particular, diz outra em publico". Lamento dizer ao Rodrigo Maia que o Bolsonaro tem 30 anos de convívio com a classe que ele, Maia, preside hoje. E posso afirmar que o Presidente esta convencido de que irá cumprir mais essa promessa de campanha: "Acabar com o toma lá, dá cá". E vale o que é dito e reiterado em público.
23.3.19
Crônica diária
Kristina Ohlsson, autora de contos policiais escandinavos
A escritora de "Indesejadas", "Silenciadas" e "Desaparecidas" publicados
no Brasil tem uma técnica simples, porém muito eficiente. Ela constrói
seus personagens de maneira consistente.Todos tem suas histórias
pessoais apresentadas ao longo do livro, em doses homeopáticas, mas
suficientes para dar credibilidade e autenticidade aos diálogos e
comportamento de cada personagem por mais secundário que seja. Assim
ficamos sabendo quem é fiel ao seu cônjuge, quem esta carente
sexualmente, quem tem problemas familiares e essas características
influem no comportamento profissional, e no humor da equipe de
policiais. Outra característica interessante da Ohlsson, pouco comum no
gênero do romance policial, é passar informações ao leitor que os
personagens desconhecem. Dessa forma coloca o leitor dentro da trama, e
curioso pelo seu desenrolar. Com esta fórmula, aparentemente simples, a
escritora destaca-se no concorrido cenário do romance policial nórdico a
ponto de concorrer com Jo Nesbo, líder do gênero na escandinava. Em seu
primeiro romance faz um agradecimento singelo: " ...ao meu colega
escritor Staffan Malmberg que disse certa vez: "Você só precisa passar
da página 90! Depois disso, vai conseguir escrever o quanto quiser!"".
Kristina Ohlsson
Crônica do Alvaro Abreu
Coisas de Março
Nestes
tempos em que as pessoas estão cada vez mais envolvidas por tramas e
arapucas da vida agitada em cidades que crescem sem parar, muitas coisas
vão perdendo o sentido e a relevância que tinham quando o ritmo dos
acontecimentos e o modo de se relacionar com as pessoas e os lugares
eram outros. Percebo que muita gente já não se dá conta de que março é
um mês especial.
Além
do calor intenso, que este ano tem sido sufocante, março, ao lado de
setembro, é tempo das maiores flutuações das marés no ano. O jornal de
hoje, dia 20, informa, no pé de página, que os eventos de preamar, a
popular maré cheia, acontecerão, com a certeza, às 02:54h e às 14:56h,
atingindo as marcas de 1,6m e 1,7m, respectivamente. Isso no Porto de
Vitória, porque no Porto de Tubarão o mar atingirá a sua altura máxima
exatos 3 minutos antes, por estar situado algumas milhas a leste, de
onde vêm e pra onde voltam as águas oceânicas. As marés baixas de março
também são radicais: a menor de hoje atingirá a marca negativa de - 0,1m
às 21:37h, lá no Centro da cidade.
É
bom lembrar que março tem também a capacidade de alegrar pescadores de
beré, em especial os que se divertem pescando carapaus, peixinhos
valentes que só, que nadam em cardumes por aqui, religiosamente. A
pescaria é feita nas águas entre o Iate Club e a Ilha do Frade e do
entorno das Andorinhas, a bordo de botes de madeira e barcos de
alumínio. Varinha flexível e camarão descascado são requisitos básicos.
Trata-se de atividade que exige perícia, concentração e, mais do que
tudo, capacidade de aceitar gozação. É que, em um mesmo barco, é comum
acontecer que um dos pescadores passe a tarde inteira sem fisgar um
único carapau, para o deleite dos colegas bem-sucedidos.
Tudo
isso acontece por influência direta da lua cheia, que nestes dias
estará brilhando no céu para quem tiver curiosidade e tempo de
contemplar. A depender do estado de alma, a pessoa poderá ter, nem que
seja por alguns instantes, uma agradável sensação de estar vivo e em
perfeitas condições para a prática de boas emoções.
Vitória, 20 de março de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
22.3.19
Crônica diária
Briga de cachorro grande
Quarta feira, 20 de Março
Quarta feira, 20 de Março
O Presidente da Câmara, Rodrigo Maia chama o Ministro da Justiça Sergio Moro de "empregado do Bolsonaro, e é com ele que deve se entender." Essa manifestação claramente mal humorada, e desrespeitosa, se deveu a uma solicitação do Moro, para que o projeto referente ao "combate à corrupção e crime organizado" tivesse um andamento mais célere na Câmara. E o Maia foi além em sua indelicadeza: " O projeto é uma "copia e cola" do que foi elaborado na gestão passada, pelo ministro Alexandre de Moraes. Seria mais uma razão para o Maia acelerar o processo, uma vez que há convergência nas propostas.
O Maia não ficou só nessas desfeitas ao Moro. No mesmo dia se recusou receber o ministro Paulo Guedes que entregaria ao Congresso a proposta da Reforma dos Militares. Mandou que protocolasse na recepção da Câmara. Isso obrigou ao Bolsonaro ir pessoalmente levar ao Maia o projeto.
Razão do mal humor: Maia alega que há campanha contra ele, nas redes sociais, promovidas por gente ligada ao governo.
Quinta feira, 21 de Março
O sogro de Rodrigo Maia, Moreira Franco, é preso juntamente com Michel Temer e mais seis envolvidos em processos da Lava Jato.
Deixo a critério de vocês tirarem suas conclusões.
21.3.19
Crônica diária
Devagar com o andor
Ontem
postei um bilhete para o Presidente às sete da manhã, e às sete da noite saiu
uma pesquisa do IBOPE atestando a queda de popularidade, e avaliação dos
primeiros três meses de governo. Volto a solicitar ao nosso Capitão que não se deixe
impressionar por esses números, pelo menos neste momento. Mas é urgente que se
livre dos problemas que apontei ontem no meu bilhete. Tenho lido e ouvido pela
TV algumas críticas procedentes com relação ao Chanceles Ernesto Araújo do
Itamaraty. Aquele em cujo discurso de posse falou em Latim e Guarani. O
Itamaraty é uma das instituições exemplares do Brasil. Agora sendo tutelada por
militares. Com certeza foi ideologizado, nos últimos quatorze anos de hegemonia
petista, porém seus quadros são os melhores do país. As mudanças
certamente devem acontecer, mas com critérios hierárquicos, técnicos, e por
mérito. Não é o que tenho lido e ouvido. A troca de quinze embaixadores de uma
só tacada mostra uma ação, no mínimo, pouco diplomática. Outras ações de menor
importância, e exatamente por isso, não deveriam estar na pauta do Presidente,
como a proibição da mudança das placas dos veículos, depois de três anos de
estudos, adotando as do Mercosul. Deveria estar no âmbito do Detran, ou
no máximo do Ministério dos Transportes. Mas foi anunciada pessoalmente
pelo Presidente ao lado do Chanceler Araújo e do Ministro da Educação.
Isso me faz lembrar decretos do Presidente Jânio Quadros proibindo o uso de
biquínis, briga de galo e lança perfume. Deu no que deu. Quem tem minha idade,
há de se lembrar. Só espero que o Capitão não resolva revogar a lei que nos
impôs as tomas de três pontos.
20.3.19
Crônica diária
Bilhete ao Presidente
Prezado capitão,
Prezado capitão,
sem
liberdade ou pretensão de dar conselhos ao Presidente de todos os
brasileiros, mas premido pelo momento atual, e dever de consciência,
ouso faze-lo. Com pouco mais de 70 dias de governo é absolutamente
imperioso que o senhor saiba que a imprensa que tanto ataca, não irá
apoia-lo incondicionalmente. É uma divergência ideológica, e falta de
profissionalismo, portanto, insuperável. O que recomendo é que não se
preocupe com a queda de popularidade. Não neste momento. Deixe de
escrever pessoalmente nas redes sociais. Elas o elegeram, e elas o
destruirão se continuar. Uma coisa é campanha política, outra ser
Presidente de uma Nação. Sua permanência vitoriosa na chefia do governo
depende, única e exclusivamente, do sucesso da Reforma da Previdência,
como todo mundo sabe. Com a Reforma bem sucedida terá mais três anos
para outras reformas necessárias e poderá colher os frutos prometidos em
campanha. Sua popularidade voltará a ser ainda maior do que a o elegeu.
Peça aos seus três filhos e ao Olavo de Carvalho que atrapalhe menos
seu governo. No final tudo dará certo, porque o Brasil é que importa.
Cordialmente,
E.P.L.
19.3.19
Crônica diária
Ainda uma questão de gênero
Em todas as atividades e profissões só há um lugar no pódio para o
vencedor. Provavelmente entre os aspirantes a craque do futebol existam
mais pretendentes do que na literatura, no entanto sempre ouço uma nova
história de luta, dedicação, perseverança e alguma dose de sorte com
relação a escritores que alcançam sucesso. A ultima que ouvi foi sobre a
autora do Henry Potter. Primeiro um dado ainda mais surpreendente: há
no mundo um número muito menor de escritoras mulheres dedicadas à
literatura infantojuvenil, ao contrário do que pensava. A autora do
Henry Potter, J.K. Rowling, por ser mulher, não conseguia editores
durante um longo período. E quando um editor aceitou publica-la fez uma
exigência: colocar só suas iniciais na capa do livro. Ela relutou, e só
acabou cedendo por estar em grande dificuldade financeira, separada do
marido, morando de favor, na casa de uma irmã, com uma filha. Deu no que
deu. Esta no pódio, e milionária.
J.K.Rowling
18.3.19
Crônica diária
O avô e os netos
Toda criança teve ou tem um avô. Para os pequenos netos o avô é uma
coisa pré-histórica. Tanto na aparência como nos costumes. Em geral, o
que os distinguem dos pais, é a careca ou o cabelo branco. Os pais
também costumam ter mais altura e menos barriga. Outra diferença é que o
avô faz todas as vontades dos netos. Os pais reclamam. O avô geralmente
é surdo ou faz que não ouvi. Minha neta, com quem tenho pouco convívio,
passou uma tarde em casa. Em muitos momentos percebi que me observava
atentamente. Lá pelas tantas disse: "Vovô, sua mão é igual à do meu
pai". E não o contrário. Eu respondi: "Quem puxa aos seus, não
degenera". "Vovô, o que é degenera?"
17.3.19
Crônica diária
O canivete suíço contemporâneo
Admiro quem nunca teve um celular. Ou já conseguiu livrar-se dele. Como
aquelas pessoas que nunca usaram relógio de pulso, ou deixaram de
usa-lo. Os celulares são como eram os canivetes suíços. Tinham mil e uma
utilidades. Eles eram usados pelos homens e naquele tempo não havia
isso de igualdade de gênero. Menino ganhava e usava canivete. Meninas
brincavam com boneca. Com tudo pré, e bem estabelecido. A vida parecia
mais fácil. Hoje os celulares não fazem distinção de sexo, a não ser
pelas cores e estampas de suas capas protetoras. Algumas custam mais
caro do que o celular que eu uso. Ele é um pouco maior do que o antigo
isqueiro Zippo, e menor do que um maço de cigarro. Duas coisas, também,
em forte declínio. Recuso-me a levar no bolso qualquer outro aparelho
maior do que o meu pequeno e precário celular.. E só uso para receber ou
fazer chamadas. Mas sei que tem muitas outras funções, entre elas lista
de endereço, de telefones, relógio, despertador, maquina fotográfica,
lanterna e descobri recentemente até lente de aumento. Tal qual o antigo
canivete suíço que tinha até palito de marfim. Canivete ninguém mais
usa, como é impensável alguém usar palito de dente. Será que vai chegar o
dia em que celular será uma peça de museu? Eu torço por isso.
16.3.19
Crônica diária
Primeiro resultado do inquérito do acidente que vitimou o Ricardo Boechart
Ando muito irritado com a imprensa pela forma parcial como tem tratado o
nosso Presidente, e talvez por isso, qualquer deslize me chama atenção.
Segunda feira passada na Band News ouço a seguinte notícia sobre a
morte do jornalista Ricardo Boechat que completou um mês. O caminhão
onde o helicóptero se chocou estava a uma velocidade de 40 quilômetros,
pois havia acabado de passar pelo pedágio. O helicóptero o atingiu
embaixo de um pontilhão. O motorista não teve nenhuma visão a não ser
quando a aeronave se chocou. Com isso a notícia estava dando conta que
as investigações haviam inocentado o motorista, que saiu do acidente com
leves escoriações. Ora vejam só, era o que faltava. Um helicóptero
pousa numa rodovia embaixo de um pontilhão e o primeiro suspeito no
inquérito é o motorista. Onde estamos? É certo que a corda sempre se
rompe no ponto mais fraco, mas desta vez, é uma piada tentarem jogar
qualquer culpa no pobre motorista do caminhão. É evidente que ele é
inocente. Não era preciso nenhum inquérito. Falta agora determinarem as
razões da falha mecânica do aparelho, uma vez que o piloto era muito
experiente, e o helicóptero estava com a documentação regular, a não ser
um detalhe que não justifica o acidente. Não tinha autorização para
fazer táxi-aéreo. Faço aqui esse registro para mais uma vez dizer que o
Boechat, nestes 30 dias fez muita falta.
Ricardo Boechart
Ricardo Boechart
15.3.19
Crônica diária
Muita expectativa gera frustração
Como dosar nosso otimismo? Era de se esperar muita dificuldade neste
início de governo. Não é só um novo governo. É muito mais do que isso. É
u´a mudança radical de postura, de forma de agir, de governar, de
encarar os problemas, de se colocar em relação à política externa, e de
fazer as profundas e necessárias reformas. Tudo isso a um só tempo.
Contra parte importante da população brasileira atrelada na corrupção,
nas bolsas, e nas tetas do governo. Essa parte tem seus representantes
no congresso. E sem falar na mídia nacional completamente engajada com a
mídia internacional, nitidamente de esquerda. Tudo isso junto é muita
coisa para se enfrentar a um só tempo. E o resultado positivo de muitas
ações levam um tempo desproporcional ao desejo do eleitor. Some-se a
isso as campanhas diuturnas da oposição ideológica, mesquinha e de má
fé. Dosar nossas expectativas é fundamental. Rebater com a verdade os
falsos argumentos dos adversários é importante. Aceitar com humildade as
nossas limitações, e pensar no Brasil grande e repleto de graves
problemas. Perseverar na luta e não desanimar no revés de alguma
batalha. A vitória só será alcançada no médio e longo prazo. Até lá,
teremos muito trabalho.
14.3.19
Crônica diária
Torcida organizada
A polarização após as eleições de outubro passado fizeram das redes
sociais verdadeiras torcidas organizadas. Não há como dialogar com os
que pensam diferente. Uma pena não poder haver essa saudável troca de
opiniões. Elas, as opiniões, e suas torcidas, radicalizaram a ponto de
se odiarem. Amigos de longa data se estranham. Há brigas em família. E o
cronista fica escrevendo para sua plateia, não conseguindo chegar no
campo adversário. Campo esse, que hoje aloja um inimigo. É lastimável.
13.3.19
Crônica diária
Coisas divinas
Já fazia algum tempo que eu não citava o Ruy Castro, mas foi com ele que
fiquei sabendo que Miles Davis, na época em que gravou seu mais
celebrado disco "Kind of Blue", da fase pré-rock, só comprava carro
ingleses, usava camisas italianas e namorava atrizes francesas. Só um
deus pode tudo isso.
12.3.19
Crônica diária
O tiro do humorista
Nos últimos dias, aproveitando o carnaval, passei revisando meu próximo
livro "Pretextos". Com trezentas crônicas postadas em meus dois blogs, e
na minha página do FB. Abuso do título do livro, desta vez, publicando
noventa e poucas caricaturas, ilustrativas do texto. Na capa uso uma
tela acrílica, do tempo em que eu pintava. E outra novidade, os
comentários dos meus leitores saem da orelha, e da contra capa, para
ganharem meia dúzia de páginas internas. É minha homenagem a dezena de
leitores que se manifestaram no período de 1 de janeiro a 8 de novembro
de 2017, durante os trezentos dias de postagens. Lá estão muitos dos que
continuam absolutamente fiéis, outros que já morreram. Entre eles um
querido amigo e colega de Cataguases, José Edgar da Cunha Bueno. E no
seu comentário lembrou do nosso jornalzinho mimeografado "O Pirilampo".
Estávamos no ginásio. Muitos anos antes eu já brincava de fazer "jornal"
ou "revista em quadrinhos". Com desenhos e textos meus. Passaram-se
mais de sessenta anos e me vejo fazendo a mesma coisa. Escrevendo
diariamente uma crônica e muitas vezes ilustrando com uma caricatura das
minhas vítimas. Continuo tentando imitar o Rubem Braga, o Luis Martins e
o Millôr Fernandes. Sobre este ultimo lembro da sua frase: "Fiquem
tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira pra
matar".
11.3.19
Crônica diária
Fumaça no horizonte
Fico impressionado com a força da mídia. Quando os governantes que
estavam no poder (durante os últimos quatorze anos) e a maioria dos
órgãos de imprensa eram favoráveis a eles, barbaridades eram ditas e
cometidas e nenhuma palavra ou linha eram veiculadas. Com a derrota dos
partidos de esquerda e a posse de um novo governo de centro direita os
jornalistas passaram a criticar diuturnamente as vírgulas, suspiros, e
eventuais tropeços de início de governo. Fica absolutamente evidente a
má fé da imprensa escrita, radiofônica e televisiva. Fica claríssimo o
viés ideológico dessas coberturas. Tudo é tratado como "crise". O
presidente falou. Sua fala é criticada, e já se estabelece que há uma
crise instalada. O presidente comenta o "xixi-gate" durante o carnaval, e
a imprensa repercute de forma exagerada a repercussão nas redes
sociais, que por sua vez realimenta a imprensa profissional. Tanto o
casinho do "xixi-gate", como a infeliz fala para militares "democracia
só existe quando as Forçar Armadas querem", quando na verdade a
democracia emana da vontade do povo, e muitos exércitos (vide Venezuela)
garantem ditaduras, e total falta de liberdade, contra a vontade
popular. Chega-se ao desatino de ventilarem a hipótese de impeachment em
menos de 60 dias de governo. Leio até imprensa insuspeita como o
Antagonista, (Diogo Mainardi) dando espaço para vaticínios do Olavo de
Carvalho, que previu o fim desse governo Bolsonaro, em menos de seis
meses, acusando o seu vice de tramar esse desfecho. Tudo isso somado só
faz a bolsa cair, o dólar subir, e os contra a reforma da previdência se
fortalecerem. Quem perde com isso não é o Presidente, mas o Brasil. Não
é fácil governar contra a imprensa. E ela deve continuar livre, mas
deveria ser honesta e justa. E aqueles que difamam o presidente, recém
eleito, não fazem ideia do que virá se o Bolsonaro cair.
Os sons de antigamente - Rubem Braga
A crônica abaixo, de Rubem Braga foi enviada pelo cronista Alvaro Abreu, a quem agradeço.
Os sons de antigamente
Conta-se
na família que, quando meu pai comprou a nossa casa de Cachoeiro esse
relógio já estava na parede da sala; e que o vendedor o deixou lá,
porque naquele tempo não ficava bem levar.
(Hoje, meu Deus, carregam até a lâmpada de sessenta velas, até o bocal da lâmpada, deixam aquele fio solto no ar.)
Há
poucos anos trouxe o relógio para minha casa de Ipanema. Mais velho do
que eu, não é de admirar que ele tresande em pouco. Há uma corda para
fazer andar os ponteiros, outra para fazer bater as horas. A primeira é
forte, e faz o relógio se adiantar: de vez em quando alguém me chama a
atenção, dizendo que o relógio está adiantado quinze ou vinte minutos, e
eu digo que é a hora de Cachoeiro. Em matéria de som, vamos muito mais
adiante. É comum o relógio marcar, digamos, duas e meia, e bater
solenemente nove horas. “Esse relógio não diz coisa com coisa” – comenta
um amigo severo. Explico que é uma pequena disfunção audiovisual.
Na
verdade essa defasagem não me aborrece nada; há muito desanimei de
querer as coisas deste mundo todas certinhas, e prefiro deixar que o
velho relógio badale a seu bel-prazer. Sua batida é suave, como costumam
ser as desses Ansonias antigos; e esse som me carrega para as noites
mais antigas da infância. Às vezes tenho a ilusão de ouvir, no fundo, o
murmúrio distante e querido do Itapemirim.
Que
outros sons me chegam da infância? Um cacarejar sonolento de galinhas
numa tarde de verão; um canto de cambaxirra, o ranger e o baque de uma
porteira na fazenda, um tropel de cavalos que vinha vindo e depois ia
indo no fundo da noite. E o som distante dos bailes do Centro Operário,
com um trombone de vara u um pistom perdidos na madrugada.
Sim,
sou um amante da música, ainda que desprezado e infeliz. Sou
desafinado, desentoado, um amigo diz que tenho orelha de pau. Outro dia
fiquei perplexo ouvindo uma discussão de jovens sobre um som que eu
achava perfeito e eles acusavam de flutter, wow, rumble, hiss e outros
males estranhos.
Meu
amigo Mario Cabral dizia que queria morrer ouvindo Jesus, alegria dos
homens; nunca soube se lhe fizeram a vontade. A mim, um lento ranger de
porteira e seu baque final, como na Fazenda do Frade, já me bastam. Ou
então a batida desse velho relógio, que marcou a morte de meu pai e,
vinte anos depois, a de minha mãe; e que eu morra às quatro e quarenta
da manhã, com ele marcando cinco e batendo onze, não faz mal; até é
capaz de me cair bem.
10.3.19
Crônica diária
"A elegância do ouriço" - Muriel Barbery
Já escrevi tanto sobre o livro, durante sua leitura, que esta brevíssima resenha pouco tem a acrescentar. Muriel com muito humor e um pouco de filosofia conseguiu criar com uma zeladora de um pequeno prédio residencial em Paris um romance divertido, e surpreendente. Aqueles que não quiserem ler, meu amigo Dan Fialdini recomenda o filme.
Já escrevi tanto sobre o livro, durante sua leitura, que esta brevíssima resenha pouco tem a acrescentar. Muriel com muito humor e um pouco de filosofia conseguiu criar com uma zeladora de um pequeno prédio residencial em Paris um romance divertido, e surpreendente. Aqueles que não quiserem ler, meu amigo Dan Fialdini recomenda o filme.
Muriel Barbery
9.3.19
Crônica diária
O delicioso silêncio de outrora
Até o som da palavra outrora nos remete ao passado. Não muito distante,
aqui no meu caso. Aquele silêncio que desfrutava em minha casa na praia.
Na época (do silêncio) há vinte anos não tínhamos vizinhos. Não havia
sempre uma roçadeira Stell aparando grama. Não havia sopradores e ou
aspiradores de folha fazendo o mesmo ruído desagradável das roçadeiras.
Juntavam-se as folhas com vassouras e rastelos. Os ultraleves e seus
barulhentos motores não ficavam fazendo voos panorâmicos o dia todo.
Competem com o jet-ski no inferno sonoro. Saudade do tempo que os únicos
sons perceptíveis eram o grito do aracuã, latido de cachorro, uma moto
ou outra de pescadores e o ronco do caminhão de lixo. Ah, havia também,
lá muito no alto, um jato cruzando o azul do céu. E também, raramente, a
buzina de um transatlântico chegando no Porto de Imbituba. Mas já foi
esse tempo.
Crônica do Alvaro Abreu
Pierre das colheres
Há
uns 3 anos recebi e-mail de um francês que vive em Lyon, na França.
Apresentou-se como colhereiro, dizendo que tinha visitado o meu site
sobre as colheres de bambu que venho fazendo desde que me recuperei de
um infarto do coração. Ele tinha uma curiosidade objetiva: queria saber
se, de fato, eu não vendia as peças que faço. Tratei de responder
prontamente, confirmando que as fazia por pura diversão, sem qualquer
motivação comercial. Aproveitei para dizer que muitas delas eram para
presentear pessoas queridas e que atendia a encomendas sem ao menos
fazer charme ou corpo mole.
Pierre
François, esse é o nome dele, se mostrou entusiasmado com as minhas
informações: “Então somos bem parecidos. Eu também não vendo minhas
colheres.” Semanas depois recebi um pacote com um bilhete amistoso e 2
colheres, super simpáticas e bem acabadas, próprias para a gente ficar
admirando e alisando, enquanto pensa na vida. Achei por bem fazer 3 para
retribuir e as mandei pra França, acompanhadas de mensagem própria de
um colega de hobby e atitudes. Enquanto trabalhava nelas, fui revivendo o
acontecido e refletindo sobre o quanto é instigante fazer algo para uma
pessoa que nunca vi e com quem tenho coisas relevantes em comum.
Pois
então, há poucos dias, minha filha Bebel usou toda a potência do
facetime para colocar, frente a frente, os dois colhereiros que não
misturam colheres com negócios. Confesso que fiquei emocionado ao
conhecer o sorriso largo de Pierre e constatar o seu ar de cumplicidade
ao me mostrar caixas repletas de colheres de todos os formatos. Em
retribuição, apresentei pra ele as da nossa cozinha, a minha bancada de
trabalho, as ferramentas que uso e as plantas do nosso jardim, com
destaque para a jabuticabeira carregada. Fiz questão também de que ele
visse Amora abrindo as asas enquanto o convidava para vir nos visitar e
fazer uma exposição aqui em Vitória. Soube depois que ele adorou a ideia
de vir ao Brasil e ajudar a compor mais um capítulo da emocionante
história sobre a magia que envolve as colheres.
Alvaro Abreu
Vitória, o6 de março de 2019
Escrita para A GAZETA
**********************************************************************
Postagem do Varal de 23 de Abril de 2018 AQUI
**********************************************************************
Postagem do Varal de 23 de Abril de 2018 AQUI
O
maior acontecimento do mês de Abril de 2018, depois da prisão do Lula, foi mais
uma colher para minha coleção (de três). Presente do cronista Alvaro
Abreu, conhecido internacionalmente pelas suas colheres de bambu. Além
de algumas exposições no Brasil e fora dele, algumas pouquíssimas
pessoas tem colheres feitas pelo Alvaro. Essa da foto é a minha
terceira. Sou definitivamente um felizardo.
***************************************
26 de Maio de 2017 AQUI
Minhas duas colheres, um ano antes, da que ganhei na foto anterior.
***************************************
26 de Maio de 2017 AQUI
8.3.19
Crônica diária
As mentiras elogiosas na contracapa
Acabo finalmente de ler um dos livros mais aborrecidos que já li. Ou que
já se escreveu. "A livraria 24 horas do Mr. Penumbra" de Robin Sloan.
Levei meses insistindo em sua leitura, e acabei por birra. Entre um
capítulo e outro fui lendo outros livros. Não lembro como cheguei a ele.
Mas não recomendo a ninguém essa chatice.
7.3.19
Crônica diária
A Arte de representar
Éramos em seis adultos. Estávamos na varanda em torno de uma pequena
mesa de centro na casa do Vincent. O programa era tomar um vinho e
conversar. Após algumas considerações sobre a origem do vinho chileno, o
alemão, o holandês, dono da casa, e a colombiana concordaram que era
bem bom. Daí para frente a conversa prosperou. Primeiro a Raquel falou
sobre seus dois únicos namorados. Histórias hilárias. Mais vinho
acompanhado de bolinhos de carne, de camarão e de arroz. Depois foi a
vez do Vincent contar a visita que fez ao seu sítio na Encantada (bairro
de Garopaba, SC). Lá só há um pé de goiaba, pasto, uma nascente e um
cavalo. Ao imitar a pose do cavalo não pude conter uma gostosa
gargalhada. O dono da casa com seus um metro e noventa, corpo de atleta
cinquentão, estufou o peito, ergueu a cabeça, encolheu o estômago e não
poderia ser mais parecido com o imponente equino. Pequenos e sutis
movimentos dos pés, batendo no piso e leves movimentos com os ombros e
com a cabeça deixou de ser o anfitrião e era um majestoso cavalo. Em
seguida, como num passe de mágica, e sobre o aplauso de todos, imitou
dois quero-queros. Aquelas pequenas e barulhentas aves que também
habitavam o pasto. Em poucos minutos deu uma aula do que é ser um ator, e
a Arte magnífica da interpretação.
Assinar:
Postagens (Atom)
Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )










