31.3.19

Clarissa Pincola Estés


Crônica diária

Uma reforma política urgente


Os deputados federais resolveram mostrar ao governo sua força. Desengavetaram um projeto que dormitava há cinco anos e o aprovaram em uma única sessão em menos de uma hora. Mudando a constituição. Só com seis votos contra. Orçamento impositivo. O Senador José Serra minimizou a "pauta bomba" e o executivo espera barrar no Senado. Não importa se o estrago prático vai ser muito grande ou não. O que a Câmara deixou claro é que os deputados podem sim atrapalhar a vida do executivo se quiserem. Note-se que o partido do Presidente votou a favor. Inclusive seu filho. O orçamento impositivo vai contra tudo que o Ministro Paulo Guedes preconiza para o país. Engessa o orçamento ao invés de descentraliza-lo. Como resolver o problema com o congresso? Só uma reforma político/partidária/eleitoral. Não é possível um congresso pulverizado com 35 partidos. Governar com coalizão é muito caro para o Estado. Não se forma base sólida sem loteamento de cargos no governo. Os partidos não tem nenhum controle sobre seus deputados. O projeto político do Bolsonaro não será implementado com essa geleia no congresso. 

30.3.19

Toni Morrison


Crônica diária

Uma nova experiência

Meu tio Antônio, irmão mais velho dos nove, do meu pai, era metódico absoluto, e se impunha a rotinas curiosas. Uma delas é que só fumava a partir de determinada hora, e xis cigarros por dia. Passava o dia contando o tempo e os cigarros. Lembrei disso quando este mês levei para a Piacaba (SC), minha casa na praia, só dois livros e para ter leitura por todo o período que lá estive, somei o número de páginas dos dois volumes, dividi pelo número de dias, e separei com marca páginas. A leitura durava em média uma hora. Os livros eram bons e eu passava o resto do tempo aguardando o dia seguinte para continuar. Como no tempo das novelas da TV Tupi, na década de 60.Agora além dos meus comprimidos estou levando páginas contadas.

29.3.19

Donald Trump


Crônica diária

História senil

Sonhei que havia sido sequestrado por três  garotas maravilhosas com 20 a 25 anos de idade São daqueles sonhos que acordar é um pesadelo. No sonho, eu que tenho inteira consciência da minha idade, perguntava qual o interesse delas por mim? Uma delas, carinhosamente, respondeu que eram minhas histórias. A literatura já explorou fartamente o tema, mas eu sonhei. Até certo ponto aliviado por não ser sexo. E lembro de ter contado entre outras, duas histórias que as impressionaram. A primeira foi a do Presidente Jânio Quadros. Resumidamente biografei-o, depois falei das suas excentricidades. porque toda história, para ser boa, tem que ter pimenta. A forma erudita de se expressar (mais culta e menos ridícula do que a do Michel Temer), e o hábito de se comunicar através de "bilhetinhos" (precursor do Twitter), e por fim, seus porres. Bebia como um gambá. O símbolo de suas campanhas era a "vassourinha". O congresso criava problemas para seu governo. Resolveu testar mais uma vez sua popularidade e proibiu: lança perfume, briga de galo, e biquíni. Mexeu com os brasileiros de norte ao sul. Escreveu uma carta renunciando a presidência na certeza de que o povo o traria nos ombros de volta ao poder, para fazer o que bem entendesse. O povo não correspondeu. Depois contei outra história de briga com o congresso. A do Presidente Fernando Collor de Mello. Foi impinchado. Ambos se elegeram com larga margem de votos, ambos combatiam a roubalheira ( "rouba mas faz do Adhemar de Barros) e se diziam contra os "Marajás". Minhas três lindas sequestradoras ficaram espantadas com as semelhanças dos fatos atuais no governo do Bolsonaro. Mas era um sonho e acordei.

28.3.19

Alexander Sarouklahn

                                                                    Alexander Sarouklahn

Crônica diária

Moral e cívica

Dia desses um leitor comentou que o mal que assola nossa juventude é a falta de educação moral e cívica nas escolas, e de Deus. Concordo com a primeira parte do comentário. Discordo da falta de Deus. Nosso país tem uma igreja ou templo em cada esquina, em todas as cidades, pequenas ou grandes. Só perdem para as farmácias. Dois sintomas: nosso povo anda doente de carne e alma. E há espertalhões entre os laboratórios e os ministros do deuses. Mas é nas escolas que se ensina "Educação, moral e cívica". Essa matéria já fez parte do currículo escolar do ensino básico, e não faria nenhum mal se voltasse. Amar o próximo como a si próprio, amar a bandeira e a pátria, respeitar os mais velhos, e as mulheres, implica em ter respeito pelos gêneros, raças, cor, etnias, e opinião. O fanatismo religioso é tão ou mais perverso do que o fanatismo ideológico, esportivo, ou de qualquer espécie.

27.3.19

Érico Verissimo


Crônica diária

Velhice
Foi o tempo em que escrevia sobre a juventude com grande autoridade. Diria até que esse tempo se foi muito rápido. Esta é uma das características de um velho. Achar que o tempo passa muito ligeiro. Ao contrário do jovem para quem o tempo não é um problema. Mas ele chega para todos os vivos. E é uma das coisas para a qual não há alternativa. Ela ou a morte, que não é alternativa. Sempre que faço essas reflexões lamento a partida precoce do meu querido amigo José Roberto Noronha, muito branco, e com seu inseparável  cigarro Continental, que depois de bate-lo duas ou três vezes contra o maço, acendia, tragava e mantinha-o entre os dedos amarelos de nicotina. Depois dele muitos outros se foram,mas nenhum tão jovem. Esta semana faleceu Domingos de Oliveira aos 82 anos e há muitos sofrendo de Parkinson. Trabalhou até o derradeiro minuto escrevendo em sua casa. Dele só assisti o lendário filme "Todas as mulheres do mundo", que na época gostei muito. A atriz Leila Roque Diniz (Niterói, 25 de março de 1945 — Nova Délhi, Índia, 14 de junho de 1972), portanto, com 27 anos, também se foi muito jovem. Deixou saudade. Somos da geração que amava os Beatles e os Rolling Stone. Andávamos sem lenço e sem documento. Ouvíamos Pepino de Capri e Johnnie Ray (John Alvin Ray- 1927 * 1990).

Num exercício de memória consegui lembrar do nome de dez dos quatorze alunos do Colégio de Cataguases presentes nessa foto, no salão nobre do colégio, em frente ao painel TIRADENTES de Portinari. Hoje esse painel esta na Fundação da América Latina, em São Paulo. 
Da esquerda para a direita, deitado José Roberto Noronha, ao lado Olavo Moraes Barros Neto, dois não identificados Sergio Matos, Murilo, outro não identificado. Atrás Gil Bernardes, Demasi, EU, Lutz, Leonardo , outro não identificado e Eurico.
 

26.3.19

Lima Barreto


Crônica diária

 E o mandante do crime?

Costumo comentar e fazer resenha de contos e romances policiais, gênero de literatura que aprecio, não poderia deixar passar desapercebida a estranha, para dizer o mínimo, retirada no "caso Marielle", do delegado que comandou por um ano as investigações que culminaram com a prisão dos dois assassinos. Um curso de intercâmbio com a Itália, não desejado pelo delegado afastado, não justifica o afastamento. Falta apontar, prender e julgar os mandantes. Serão eles tão importantes e influentes a ponto de promoverem o afastamento do delegado?  Ou o afastamento foi exatamente para a polícia  chegar aos mandantes? Tenho notícia de que três dias após a prisão os dois criminosos passaram mal.  Vamos esperar que não morram antes de apontarem quem os pagou para executarem o crime. Até agora todos são brancos e com vasta ligação criminal.

25.3.19

Cecilia Meireles


Crônica diária

 Dois pesos, duas medidas

Com a prisão dos dois assassinos da vereadora Marielle Franco, e de seu motorista, um ano depois do ocorrido, demonstra a força e importância da sociedade organizada. Não fosse a pressão, persistência e determinação da família, e das associações a quem a vereadora era ligada, como das jovens negras (Casa das Pretas), e comunidade LGBT o bárbaro crime nunca teria sido desvendado. Desde o princípio todas as evidências levavam a crer que se tratava de execução, e a milícia seria a responsável. Mas como em centena de casos nunca seria desvendado. Quem ouvira falar em Marielle antes do crime? Uma vereadora do Rio só conhecida pelos seus eleitores e comunidades onde atuava. No entanto, com a larga cobertura da mídia, os assassinos acabaram presos. Ao contrário do caso Celso Daniel, Prefeito de Santo André, em São Paulo, cuja família era ligada ao PT, há época, nunca se mobilizou à exemplo a da Marielle. Havia na época suspeitos, mas nunca ninguém foi preso ou julgado pelo crime. Tenho a convicção de que muitos dos mandantes estão ou já passaram pela cadeia, mas por outros crimes cometidos. O caso Celso Daniel continua em aberto. Quem matou Celso Daniel? A polícia e a justiça nos devem essa resposta.

24.3.19

Gilberto Freyre


Crônica diária

"Articulação política" não pode ser "Toma lá, dá cá"

A pauta de hoje não é das mais simples ou fáceis de enfrentar. Por que os deputados tem tanta dificuldade de entender o que a maioria da população esclarecida já entendeu? Não há uma razão apenas, mas um conjunto de velhas razões.
1º Nenhum deputado esta disposto a desagradar suas bases. Afinal foram elas quem lhes deram o cargo.
2º Todos os deputados da velha política, ou a ela ligados, não vivem sem o "Toma lá, dá cá".
Logo estão acostumados a apoiar ideias, teses e projetos mediante um pedágio. Quanto maior for o prejuízo eleitoral, maior o valor do pedágio.
A Reforma da Previdência nunca esteve tão madura em termos de projeto, e de comunicação social.
 São contra os canalhas de sempre.
O Presidente Bolsonaro foi eleito com promessas de campanha explícitas. Uma delas era acabar com a velha política do "toma lá, dá cá". O primeiro e mais importante projeto da nova legislatura, e do novo governo é exatamente a Reforma da Previdência. E não é por acaso. Sem ela o presente e futuro do país esta gravemente comprometido. Mas os velhos políticos continuam exigindo, para votarem favoravelmente, que seus apadrinhados e pleitos sejam atendidos. Canalhas, mais uma vez, como diria Nelson Rodrigues.
Rodrigo Maia, filho e genro da velha política, admirador do Brizola, imaginem vocês, e Presidente da Câmara dos Deputados, apesar de ter trabalhado arduamente a favor da Reforma, acusa o Bolsonaro de não estar fazendo as articulações política. Textualmente:"Promete uma coisa em particular, diz outra em publico". Lamento dizer ao Rodrigo Maia que o Bolsonaro tem 30 anos de convívio com a classe que ele, Maia, preside hoje. E posso afirmar que o Presidente esta convencido de que irá cumprir mais essa promessa de campanha: "Acabar com o toma lá, dá cá". E vale o que é dito e reiterado em público.

Nova bandeira na PIACABA

                                          Lembrança da viagem do Guilherme a Cuba

23.3.19

Manuel Bandeira


Crônica diária

Kristina Ohlsson, autora de contos policiais escandinavos

A escritora de "Indesejadas", "Silenciadas" e "Desaparecidas" publicados no Brasil tem uma técnica simples, porém muito eficiente. Ela constrói seus personagens de maneira consistente.Todos tem suas histórias pessoais apresentadas ao longo do livro, em doses homeopáticas, mas suficientes para dar credibilidade e autenticidade aos diálogos e comportamento de cada personagem por mais secundário que seja. Assim ficamos sabendo quem é fiel ao seu cônjuge, quem esta carente sexualmente, quem tem problemas familiares e essas características influem no comportamento profissional, e no humor da equipe de policiais. Outra característica interessante da Ohlsson, pouco comum no gênero do romance policial, é passar informações ao leitor que os personagens desconhecem. Dessa forma coloca o leitor dentro da trama, e curioso pelo seu desenrolar. Com esta fórmula, aparentemente simples, a escritora destaca-se no concorrido cenário do romance policial nórdico a ponto de concorrer com Jo Nesbo, líder do gênero na escandinava. Em seu primeiro romance faz um agradecimento singelo: " ...ao meu colega escritor Staffan Malmberg que disse certa vez: "Você só precisa passar da página 90! Depois disso, vai conseguir escrever o quanto quiser!"".
                                         Kristina Ohlsson

Crônica do Alvaro Abreu

Coisas de Março

Nestes tempos em que as pessoas estão cada vez mais envolvidas por tramas e arapucas da vida agitada em cidades que crescem sem parar, muitas coisas vão perdendo o sentido e a relevância que tinham quando o ritmo dos acontecimentos e o modo de se relacionar com as pessoas e os lugares eram outros. Percebo que muita gente já não se dá conta de que março é um mês especial.

Além do calor intenso, que este ano tem sido sufocante, março, ao lado de setembro, é tempo das maiores flutuações das marés no ano. O jornal de hoje, dia 20, informa, no pé de página, que os eventos de preamar, a popular maré cheia, acontecerão, com a certeza, às 02:54h e às 14:56h, atingindo as marcas de 1,6m e 1,7m, respectivamente. Isso no Porto de Vitória, porque no Porto de Tubarão o mar atingirá a sua altura máxima exatos 3 minutos antes, por estar situado algumas milhas a leste, de onde vêm e pra onde voltam as águas oceânicas. As marés baixas de março também são radicais: a menor de hoje atingirá a marca negativa de - 0,1m às 21:37h, lá no Centro da cidade.

É bom lembrar que março tem também a capacidade de alegrar pescadores de beré, em especial os que se divertem pescando carapaus, peixinhos valentes que só, que nadam em cardumes por aqui, religiosamente. A pescaria é feita nas águas entre o Iate Club e a Ilha do Frade e do entorno das Andorinhas, a bordo de botes de madeira e barcos de alumínio. Varinha flexível e camarão descascado são requisitos básicos. Trata-se de atividade que exige perícia, concentração e, mais do que tudo, capacidade de aceitar gozação. É que, em um mesmo barco, é comum acontecer que um dos pescadores passe a tarde inteira sem fisgar um único carapau, para o deleite dos colegas bem-sucedidos.

Tudo isso acontece por influência direta da lua cheia, que nestes dias estará brilhando no céu para quem tiver curiosidade e tempo de contemplar. A depender do estado de alma, a pessoa poderá ter, nem que seja por alguns instantes, uma agradável sensação de estar vivo e em perfeitas condições para a prática de boas emoções.

Vitória, 20 de março de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

22.3.19

J.K. Rowling


Crônica diária

 Briga de cachorro grande

Quarta feira, 20 de Março
O Presidente da Câmara, Rodrigo Maia chama o Ministro da Justiça Sergio Moro de "empregado do Bolsonaro, e é com ele que deve se entender." Essa manifestação claramente mal humorada, e desrespeitosa, se deveu a uma solicitação do Moro, para que o projeto referente ao "combate à corrupção e crime organizado" tivesse um andamento mais célere na Câmara. E o Maia foi além em sua indelicadeza: " O projeto é uma "copia e cola" do que foi elaborado na gestão passada, pelo ministro Alexandre de Moraes. Seria mais uma razão para o Maia acelerar o processo, uma vez que há convergência nas propostas. 
O Maia não ficou só nessas desfeitas ao Moro. No mesmo dia se recusou receber o ministro Paulo Guedes que entregaria ao Congresso a proposta da Reforma dos Militares. Mandou que protocolasse na recepção da Câmara. Isso obrigou ao Bolsonaro ir pessoalmente levar ao Maia o projeto.
Razão do mal humor: Maia alega que há campanha contra ele, nas redes sociais, promovidas por gente ligada ao governo.
Quinta feira, 21 de Março
O sogro de Rodrigo Maia, Moreira Franco,  é preso juntamente com Michel Temer e mais seis envolvidos em processos da Lava Jato.
Deixo a critério de vocês tirarem suas conclusões.

21.3.19

Lygia Fagundes Telles


Crônica diária

Devagar com o andor



Ontem postei um bilhete para o Presidente às sete da manhã, e às sete da noite saiu uma pesquisa do IBOPE atestando a queda de popularidade, e avaliação dos primeiros três meses de governo. Volto a solicitar ao nosso Capitão que não se deixe impressionar por esses números, pelo menos neste momento. Mas é urgente que se livre dos problemas que apontei ontem no meu bilhete. Tenho lido e ouvido pela TV algumas críticas procedentes com relação ao Chanceles Ernesto Araújo do Itamaraty. Aquele em cujo discurso de posse falou em Latim e Guarani. O Itamaraty é uma das instituições exemplares do Brasil. Agora sendo tutelada por militares. Com certeza foi ideologizado, nos últimos quatorze anos de hegemonia petista, porém  seus quadros são os melhores do país. As mudanças certamente devem acontecer, mas com critérios hierárquicos, técnicos, e por mérito. Não é o que tenho lido e ouvido. A troca de quinze embaixadores de uma só tacada mostra uma ação, no mínimo, pouco diplomática. Outras ações de menor importância, e exatamente por isso, não deveriam estar na pauta do Presidente, como a proibição da mudança das placas dos veículos, depois de três anos de estudos, adotando as do Mercosul.  Deveria estar no âmbito do Detran, ou no máximo do Ministério dos Transportes.  Mas foi anunciada pessoalmente pelo Presidente ao lado do Chanceler Araújo e do Ministro da Educação.  Isso me faz lembrar decretos do Presidente Jânio Quadros proibindo o uso de biquínis, briga de galo e lança perfume. Deu no que deu. Quem tem minha idade, há de se lembrar. Só espero que o Capitão não resolva revogar a lei que nos impôs as tomas de três pontos. 

20.3.19

Tariel Djigaouri


Crônica diária

Bilhete ao Presidente

Prezado capitão,
sem liberdade ou pretensão de dar conselhos ao Presidente de todos os brasileiros, mas premido pelo momento atual, e dever de consciência, ouso faze-lo. Com pouco mais de 70 dias de governo é absolutamente imperioso que o senhor saiba que a imprensa que tanto ataca, não irá apoia-lo incondicionalmente. É uma divergência ideológica, e falta de profissionalismo, portanto, insuperável. O que recomendo é que não se preocupe com a queda de popularidade. Não neste momento. Deixe de escrever pessoalmente nas redes sociais. Elas o elegeram, e elas o destruirão se continuar. Uma coisa é campanha política, outra ser Presidente de uma Nação. Sua permanência vitoriosa na chefia do governo depende, única e exclusivamente, do sucesso da Reforma da Previdência, como todo mundo sabe. Com a Reforma bem sucedida terá mais três anos para outras reformas necessárias e poderá colher os frutos prometidos em campanha. Sua popularidade voltará a ser ainda maior do que a o elegeu. Peça aos seus três filhos e ao Olavo de Carvalho que atrapalhe menos seu governo. No final tudo dará certo, porque o Brasil é que importa.   
Cordialmente,
E.P.L.

19.3.19

Fernando Zanforlin


Crônica diária

Ainda uma questão de gênero

Em todas as atividades e profissões só há um lugar no pódio para o vencedor. Provavelmente entre os aspirantes a craque do futebol existam mais pretendentes do que na literatura, no entanto sempre ouço uma nova história de luta, dedicação, perseverança e alguma dose de sorte com relação a escritores que alcançam sucesso. A ultima que ouvi foi sobre a autora do Henry Potter. Primeiro um dado ainda mais surpreendente: há no mundo um número muito menor de escritoras mulheres dedicadas à literatura infantojuvenil, ao contrário do que pensava. A autora do Henry Potter, J.K. Rowling, por ser mulher, não conseguia editores durante um longo período. E quando um editor aceitou publica-la fez uma exigência: colocar só suas iniciais na capa do livro. Ela relutou, e só acabou cedendo por estar em grande dificuldade financeira, separada do marido, morando de favor, na casa de uma irmã, com uma filha. Deu no que deu. Esta no pódio, e milionária.
                                            J.K.Rowling

18.3.19

Ana Maria de Almeida Prado


Crônica diária

O avô e os netos

Toda criança teve ou tem um avô. Para os pequenos netos o avô é uma coisa pré-histórica. Tanto na aparência como nos costumes. Em geral, o que os distinguem dos pais, é a careca ou o cabelo branco. Os pais também costumam ter mais altura e menos barriga. Outra diferença é que o avô faz todas as vontades dos netos. Os pais reclamam. O avô geralmente é surdo ou faz que não ouvi. Minha neta, com quem tenho pouco convívio, passou uma tarde em casa. Em muitos momentos percebi que me observava atentamente. Lá pelas tantas disse: "Vovô, sua mão é igual à do meu pai". E não o contrário. Eu respondi: "Quem puxa aos seus, não degenera". "Vovô, o que é degenera?"

17.3.19

Dan Fialdini


Crônica diária

O canivete suíço contemporâneo 

Admiro quem nunca teve um celular. Ou já conseguiu livrar-se dele. Como aquelas pessoas que nunca usaram relógio de pulso, ou deixaram de usa-lo. Os celulares são como eram os canivetes suíços. Tinham mil e uma utilidades. Eles eram usados pelos homens e naquele tempo não havia isso de igualdade de gênero. Menino ganhava e usava canivete. Meninas brincavam com boneca. Com tudo pré, e bem estabelecido. A vida parecia mais fácil. Hoje os celulares não fazem distinção de sexo, a não ser pelas cores e estampas de suas capas protetoras. Algumas custam mais caro do que o celular que eu uso. Ele é um pouco maior do que o antigo isqueiro Zippo, e menor do que um maço de cigarro. Duas coisas, também, em forte declínio. Recuso-me a levar no bolso qualquer outro aparelho maior do que o meu pequeno e precário celular.. E só uso para receber ou fazer chamadas. Mas sei que tem muitas outras funções, entre elas lista de endereço, de telefones, relógio, despertador, maquina fotográfica, lanterna e descobri recentemente até lente de aumento. Tal qual o antigo canivete suíço que tinha até palito de marfim. Canivete ninguém mais usa, como é impensável alguém usar palito de dente. Será que vai chegar o dia em que celular será uma peça de museu? Eu torço por isso.

16.3.19

Foto do perfil do FB

                                  Troquei minha foto do perfil do FB por esta de perfil...srsrs

Pitaia, novamente


                                           A flor que dura 24 horas de Piataia na Piacaba
                                   Pitaia vermelha, fruto que o pé da Piacaba nunca produziu
Um NOVO pé de Pitaia para polarizar o antigo
Pitaia branca
 
O pé de Pitaia com flor, que nunca deu frutos

Crônica diária

 Primeiro resultado do inquérito do acidente que vitimou o Ricardo Boechart

Ando muito irritado com a imprensa pela forma parcial como tem tratado o nosso Presidente, e talvez por isso, qualquer deslize me chama atenção. Segunda feira passada na Band News ouço a seguinte notícia sobre a morte do jornalista Ricardo Boechat que completou um mês. O caminhão onde o helicóptero se chocou estava a uma velocidade de 40 quilômetros, pois havia acabado de passar pelo pedágio. O helicóptero o atingiu embaixo de um pontilhão. O motorista não teve nenhuma visão a não ser quando a aeronave se chocou. Com isso a notícia estava dando conta que as investigações haviam inocentado o motorista, que saiu do acidente com leves escoriações. Ora vejam só, era o que faltava. Um helicóptero pousa numa rodovia embaixo de um pontilhão e o primeiro suspeito no inquérito é o motorista. Onde estamos? É certo que a corda sempre se rompe no ponto mais fraco, mas desta vez, é uma piada tentarem jogar qualquer culpa no pobre motorista do caminhão. É evidente que ele é inocente. Não era preciso nenhum inquérito. Falta agora determinarem as razões da falha mecânica do aparelho, uma vez que o piloto era muito experiente, e o helicóptero estava com a documentação regular, a não ser um detalhe que não justifica o acidente. Não tinha autorização para fazer táxi-aéreo. Faço aqui esse registro para mais uma vez dizer que o Boechat, nestes 30 dias fez muita falta. 
                                                              Ricardo Boechart

15.3.19

Robin Saloan


Crônica diária

 Muita expectativa gera frustração

Como dosar nosso otimismo? Era de se esperar muita dificuldade neste início de governo. Não é só um novo governo. É muito mais do que isso. É u´a mudança radical de postura, de forma de agir, de governar, de encarar os problemas, de se colocar em relação à política externa, e de fazer as profundas e necessárias reformas. Tudo isso a um só tempo. Contra parte importante da população brasileira atrelada na corrupção, nas bolsas, e nas tetas do governo. Essa parte tem seus representantes no congresso. E sem falar na mídia nacional completamente engajada com a mídia internacional, nitidamente de esquerda. Tudo isso junto é muita coisa para se enfrentar a um só tempo. E o resultado positivo de muitas ações levam um tempo desproporcional ao desejo do eleitor. Some-se a isso as campanhas diuturnas da oposição ideológica, mesquinha e de má fé. Dosar nossas expectativas é fundamental. Rebater com a verdade os falsos argumentos dos adversários é importante. Aceitar com humildade as nossas limitações, e pensar no Brasil grande e repleto de graves problemas. Perseverar na luta e não desanimar no revés de alguma batalha. A vitória só será alcançada no médio e longo prazo. Até lá, teremos muito trabalho.

14.3.19

Dan Brown


Crônica diária

Torcida organizada

A polarização após as eleições de outubro passado fizeram das redes sociais verdadeiras torcidas organizadas. Não há como dialogar com os que pensam diferente. Uma pena não poder haver essa saudável troca de opiniões. Elas, as opiniões, e suas torcidas, radicalizaram a ponto de se odiarem. Amigos de longa data se estranham. Há brigas em família. E o cronista fica escrevendo para sua plateia, não conseguindo chegar no campo adversário. Campo esse, que hoje aloja um inimigo. É lastimável. 

13.3.19

Marina Colasanti


Crônica diária

Coisas divinas

Já fazia algum tempo que eu não citava o Ruy Castro, mas foi com ele que fiquei sabendo que Miles Davis, na época em que gravou seu mais celebrado disco "Kind of Blue", da fase pré-rock, só comprava carro ingleses, usava camisas italianas e namorava atrizes francesas. Só um deus pode tudo isso. 

12.3.19

Antoine de Saint Exupéry


Crônica diária

O tiro do humorista

Nos últimos dias, aproveitando o carnaval, passei revisando meu próximo livro "Pretextos". Com trezentas crônicas postadas em meus dois blogs, e na minha página do FB. Abuso do título do livro, desta vez, publicando noventa e poucas caricaturas, ilustrativas do texto. Na capa uso uma tela acrílica, do tempo em que eu pintava. E outra novidade, os comentários dos meus leitores saem da orelha, e da contra capa, para ganharem meia dúzia de páginas internas. É minha homenagem a dezena de leitores que se manifestaram no período de 1 de janeiro a 8 de novembro de 2017, durante os trezentos dias de postagens. Lá estão muitos dos que continuam absolutamente fiéis, outros que já morreram. Entre eles um querido amigo e colega de Cataguases, José Edgar da Cunha Bueno. E no seu comentário lembrou do nosso jornalzinho mimeografado "O Pirilampo". Estávamos no ginásio. Muitos anos antes eu já brincava de fazer "jornal" ou "revista em quadrinhos". Com desenhos e textos meus. Passaram-se mais de sessenta anos e me vejo fazendo a mesma coisa. Escrevendo diariamente uma crônica e muitas vezes ilustrando com uma caricatura das minhas vítimas. Continuo tentando imitar o Rubem Braga, o Luis Martins e o Millôr Fernandes. Sobre este ultimo lembro da sua frase: "Fiquem tranquilos os poderosos que têm medo de nós: nenhum humorista atira pra matar".

11.3.19

Ricardo Boechart


Crônica diária

Fumaça no horizonte

Fico impressionado com a força da mídia. Quando os governantes que estavam no poder (durante os últimos quatorze anos) e a maioria dos órgãos de imprensa eram favoráveis a eles, barbaridades eram ditas e cometidas e nenhuma palavra ou linha eram veiculadas. Com a derrota dos partidos de esquerda e a posse de um novo governo de centro direita os jornalistas passaram a criticar diuturnamente as vírgulas, suspiros, e eventuais tropeços de início de governo. Fica absolutamente evidente a má fé da imprensa escrita, radiofônica e televisiva. Fica claríssimo o viés ideológico dessas coberturas. Tudo é tratado como "crise". O presidente falou. Sua fala é criticada, e já se estabelece que há uma crise instalada. O presidente comenta o "xixi-gate" durante o carnaval, e a imprensa repercute de forma exagerada a repercussão nas redes sociais, que por sua vez realimenta a imprensa profissional. Tanto o casinho do "xixi-gate", como a infeliz fala para militares "democracia só existe quando as Forçar Armadas querem", quando na verdade a democracia emana da vontade do povo, e muitos exércitos (vide Venezuela) garantem ditaduras, e total falta de liberdade, contra a vontade popular. Chega-se ao desatino de ventilarem a hipótese de impeachment em menos de 60 dias de governo. Leio até imprensa insuspeita como o Antagonista, (Diogo Mainardi)  dando espaço para vaticínios do Olavo de Carvalho, que previu o fim desse governo Bolsonaro, em menos de seis meses, acusando o seu vice de tramar esse desfecho. Tudo isso somado só faz a bolsa cair, o dólar subir, e os contra a reforma da previdência se fortalecerem. Quem perde com isso não é o Presidente, mas o Brasil. Não é fácil governar contra a imprensa. E ela deve continuar livre, mas deveria ser honesta e justa. E aqueles que difamam o presidente, recém eleito, não fazem ideia do que virá se o Bolsonaro cair.

Os sons de antigamente - Rubem Braga

 A crônica abaixo, de Rubem Braga foi enviada pelo cronista Alvaro Abreu, a quem agradeço.

Os sons de antigamente 

Conta-se na família que, quando meu pai comprou a nossa casa de Cachoeiro esse relógio já estava na parede da sala; e que o vendedor o deixou lá, porque naquele tempo não ficava bem levar.
(Hoje, meu Deus, carregam até a lâmpada de sessenta velas, até o bocal da lâmpada, deixam aquele fio solto no ar.)
Há poucos anos trouxe o relógio para minha casa de Ipanema. Mais velho do que eu, não é de admirar que ele tresande em pouco. Há uma corda para fazer andar os ponteiros, outra para fazer bater as horas. A primeira é forte, e faz o relógio se adiantar: de vez em quando alguém me chama a atenção, dizendo que o relógio está adiantado quinze ou vinte minutos, e eu digo que é a hora de Cachoeiro. Em matéria de som, vamos muito mais adiante. É comum o relógio marcar, digamos, duas e meia, e bater solenemente nove horas. “Esse relógio não diz coisa com coisa” – comenta um amigo severo. Explico que é uma pequena disfunção audiovisual.
Na verdade essa defasagem não me aborrece nada; há muito desanimei de querer as coisas deste mundo todas certinhas, e prefiro deixar que o velho relógio badale a seu bel-prazer. Sua batida é suave, como costumam ser as desses Ansonias antigos; e esse som me carrega para as noites mais antigas da infância. Às vezes tenho a ilusão de ouvir, no fundo, o murmúrio distante e querido do Itapemirim.
Que outros sons me chegam da infância? Um cacarejar sonolento de galinhas numa tarde de verão; um canto de cambaxirra, o ranger e o baque de uma porteira na fazenda, um tropel de cavalos que vinha vindo e depois ia indo no fundo da noite. E o som distante dos bailes do Centro Operário, com um trombone de vara u um pistom perdidos na madrugada.
Sim, sou um amante da música, ainda que desprezado e infeliz. Sou desafinado, desentoado, um amigo diz que tenho orelha de pau. Outro dia fiquei perplexo ouvindo uma discussão de jovens sobre um som que eu achava perfeito e eles acusavam de flutter, wow, rumble, hiss e outros males estranhos.
Meu amigo Mario Cabral dizia que queria morrer ouvindo Jesus, alegria dos homens; nunca soube se lhe fizeram a vontade. A mim, um lento ranger de porteira e seu baque final, como na Fazenda do Frade, já me bastam. Ou então a batida desse velho relógio, que marcou a morte de meu pai e, vinte anos depois, a de minha mãe; e que eu morra às quatro e quarenta da manhã, com ele marcando cinco e batendo onze, não faz mal; até é capaz de me cair bem.
 

10.3.19

Festa caipira em Miami

Glória 2019

Kira Luá


Crônica diária

"A elegância do ouriço" - Muriel Barbery

Já escrevi tanto sobre o livro, durante sua leitura, que esta brevíssima resenha pouco tem a acrescentar. Muriel com muito humor e um pouco de filosofia conseguiu criar com uma zeladora de um pequeno prédio residencial em Paris um romance divertido, e  surpreendente.  Aqueles que não quiserem ler, meu amigo Dan Fialdini recomenda o filme.
Muriel Barbery 

9.3.19

Jim van der Keyl


Crônica diária

O delicioso silêncio de outrora

Até o som da palavra outrora nos remete ao passado. Não muito distante, aqui no meu caso. Aquele silêncio que desfrutava em minha casa na praia. Na época (do silêncio) há vinte anos não tínhamos vizinhos. Não havia sempre uma roçadeira Stell aparando grama. Não havia sopradores e ou aspiradores de folha fazendo o mesmo ruído desagradável das roçadeiras. Juntavam-se as folhas com vassouras e rastelos. Os ultraleves e seus barulhentos motores não ficavam fazendo voos panorâmicos o dia todo. Competem com o jet-ski no inferno sonoro. Saudade do tempo que os únicos sons perceptíveis eram o grito do aracuã, latido de cachorro, uma moto ou outra de pescadores e o ronco do caminhão de lixo. Ah, havia também, lá muito no alto, um jato cruzando o azul do céu. E também, raramente, a buzina de um transatlântico chegando no Porto de Imbituba. Mas já foi esse tempo.

Crônica do Alvaro Abreu


Pierre das colheres

Há uns 3 anos recebi e-mail de um francês que vive em Lyon, na França. Apresentou-se como colhereiro, dizendo que tinha visitado o meu site sobre as colheres de bambu que venho fazendo desde que me recuperei de um infarto do coração. Ele tinha uma curiosidade objetiva: queria saber se, de fato, eu não vendia as peças que faço. Tratei de responder prontamente, confirmando que as fazia por pura diversão, sem qualquer motivação comercial. Aproveitei para dizer que muitas delas eram para presentear pessoas queridas e que atendia a encomendas sem ao menos fazer charme ou corpo mole.

Pierre François, esse é o nome dele, se mostrou entusiasmado com as minhas informações: “Então somos bem parecidos. Eu também não vendo minhas colheres.” Semanas depois recebi um pacote com um bilhete amistoso e 2 colheres, super simpáticas e bem acabadas, próprias para a gente ficar admirando e alisando, enquanto pensa na vida. Achei por bem fazer 3 para retribuir e as mandei pra França, acompanhadas de mensagem própria de um colega de hobby e atitudes. Enquanto trabalhava nelas, fui revivendo o acontecido e refletindo sobre o quanto é instigante fazer algo para uma pessoa que nunca vi e com quem tenho coisas relevantes em comum.

Pois então, há poucos dias, minha filha Bebel usou toda a potência do facetime para colocar, frente a frente, os dois colhereiros que não misturam colheres com negócios. Confesso que fiquei emocionado ao conhecer o sorriso largo de Pierre e constatar o seu ar de cumplicidade ao me mostrar caixas repletas de colheres de todos os formatos. Em retribuição, apresentei pra ele as da nossa cozinha, a minha bancada de trabalho, as ferramentas que uso e as plantas do nosso jardim, com destaque para a jabuticabeira carregada. Fiz questão também de que ele visse Amora abrindo as asas enquanto o convidava para vir nos visitar e fazer uma exposição aqui em Vitória. Soube depois que ele adorou a ideia de vir ao Brasil e ajudar a compor mais um capítulo da emocionante história sobre a magia que envolve as colheres.

Alvaro Abreu
Vitória, o6 de março de 2019
Escrita para A GAZETA
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 Postagem do Varal de 23 de Abril de 2018 AQUI

O maior acontecimento do mês de Abril de 2018, depois da prisão do Lula, foi mais uma colher para minha coleção (de três). Presente do cronista Alvaro Abreu, conhecido internacionalmente pelas suas colheres de bambu. Além de algumas exposições no Brasil e fora dele, algumas pouquíssimas pessoas tem colheres feitas pelo Alvaro. Essa da foto é a minha terceira. Sou definitivamente um felizardo.
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 26 de Maio de 2017 AQUI



Minhas duas colheres, um ano antes, da que ganhei na foto anterior.

8.3.19

Schiele Egon

                                                   Veja postagens sobre o artista AQUI

Crônica diária

As mentiras elogiosas na contracapa

Acabo finalmente de ler um dos livros mais aborrecidos que já li. Ou que já se escreveu. "A livraria 24 horas do Mr. Penumbra" de Robin Sloan. Levei meses insistindo em sua leitura, e acabei por birra. Entre um capítulo e outro fui lendo outros livros. Não lembro como cheguei a ele. Mas não recomendo a ninguém essa chatice. 

7.3.19

Miguel Torga

                                                                        Veja AQUI

Crônica diária

A Arte de representar

Éramos em seis adultos. Estávamos na varanda em torno de uma pequena mesa de centro na casa do Vincent. O programa era tomar um vinho e conversar. Após algumas considerações sobre a origem do vinho chileno, o alemão, o holandês, dono da casa, e a colombiana concordaram que era bem bom. Daí para frente a conversa prosperou. Primeiro a Raquel falou sobre seus dois únicos namorados. Histórias hilárias. Mais vinho acompanhado de bolinhos de carne, de camarão e de arroz. Depois foi a vez do Vincent contar a visita que fez ao seu sítio na Encantada (bairro de Garopaba, SC). Lá só há um pé de goiaba, pasto, uma nascente e um cavalo. Ao imitar a pose do cavalo não pude conter uma gostosa gargalhada. O dono da casa com seus um metro e noventa, corpo de atleta cinquentão, estufou o peito, ergueu a cabeça, encolheu o estômago e não poderia ser mais parecido com o imponente equino. Pequenos e sutis movimentos dos pés, batendo no piso e leves movimentos com os ombros e com a cabeça deixou de ser o anfitrião e era um majestoso cavalo. Em seguida, como num passe de mágica, e sobre o aplauso de todos, imitou dois quero-queros. Aquelas pequenas e barulhentas aves que também habitavam o pasto. Em poucos minutos deu uma aula do que é ser um ator, e a Arte magnífica da interpretação.

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