Crônica do Alvaro Abreu
Carrinho de rolemã
Recebi,
com satisfação, o pedido de Dani, minha nora, para que fizesse um
carrinho de rolimã para Biel, o caçula dela. Disse que o moleque tinha
visto um deles num parque em São Paulo e ficou completamente vidrado.
Carrinho de rolimã é algo que povoa a cabeça de muito marmanjo velho que
conheço. Eu mesmo tenho boas lembranças de descer ladeiras em Cachoeiro
a bordo de carrinhos feitos com tábuas de caixote e rolimãs conseguidos
em oficinas de automóvel. Sou da turma dos que não puderam, por ter
nascido antes do tempo, aproveitar as fortes emoções proporcionadas pelo
skate, sobretudo quando se desce, em alta velocidade, estradas de
regiões montanhosas, como se vê na TV.
Para
quem não sabe, usa-se dois rolamentos maiores na traseira e dois
menores no eixo dianteiro, que é pivotado no centro da parte da frente
do carrinho, condição para que possa ser movido com os pés na hora de
curvar. Como era pra criança, resolvi comprar quatro rolamentos iguais,
novinhos e blindados. Gastei 40 reais e sai da loja achando que tinha
feito um ótimo negócio. As madeiras, comprei lá no Colodetti, onde
sempre acho o que preciso nessas empreitadas. Paguei meio caro por um
caibro de angelim e uma sobra de compensado naval de 10 milímetros, mais
leve e fácil de carregar. Na volta pra casa, fui maquinando o projeto
básico do bólido. O ideal seria minimizar o trabalho com serrote, usar
só quatro parafusos e fixar os rolimãs na madeira valendo-me somente do
poder de fixação dos encaixes de alta precisão, dispensando travas e
cunhas. Usaria freios dianteiros acionados com calcanhares, pressionando
pedaços de sandália havaiana contra o chão, e instalaria um cabresto de
cordão com empunhadura de bambu, para proporcionar sensação de
segurança ao piloto.
Ontem,
ao levarmos os netos para ver a lua cheia nascendo atrás do porto, vi
que no final de rua tem uma excelente pista de teste, dotada de boa
inclinação, piso regular e uma curva larga na parte baixa. É toda
ladeada por muro de concreto, que impõe respeito e exige perícia do
estreante.
Vitória, 23 de janeiro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

Um comentário:
Veremos como se portou o carrinho !...
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