12.1.19

Crônica do Alvaro Abreu

Rotina matinal

Fiz questão de começar o ano sem compromissos sérios, liberado de obrigações sociais e despojado de expectativas relevantes. Preferi, por vontade própria e genuína, me sentir abanado pela brisa fresca da lestada, flutuando em rio manso, balançando em rede larga à sombra da acácia rosa em flor, vendo os cachorros da casa dormindo despreocupadamente de barriga pra cima. Engenheiro de produção que sou, resolvi adotar uma rotina matinal leve, tentando racionalizar os movimentos indispensáveis para conseguir maior eficiência e rapidez. Isso, por pura diversão, sabendo que tempo é o que não falta por aqui.
A lista das atividades correntes inclui: tomar o remédio para tireoide logo ao chegar na cozinha, conferir as horas no relógio do micro-ondas (para dar início ao jejum obrigatório), encher a chaleira, acender a boca grande do fogão, posicionar o filtro de papel no coador e colocar três colheres de café no filtro. Enquanto a água não ferve, passarinheiro que já fui, corro para tratar de Amora: limpar a plataforma do poleiro, lavar e abastecer os potinhos com água fresca, pedaço de mamão e ração extrusada. Tudo isso intercalando coçadas debaixo das asas e assobiando melodia que ela conhece muito bem.
De volta à cozinha, escaldo a garrafa térmica e começo a coar o café. Tento acertar a quantidade de água para encher a garrafa até a borda, sem sobrar nem faltar, o que nem sempre consigo. Bebendo a primeira xícara, vou conferir as mensagens recebidas, visitar o blog do meu amigo Eduardo Lunardelli, rastrear as manchetes de quatro jornais e ler as matérias e artigos que mais me chamaram a atenção. Na mesa posta, vou comentando com Carol os crimes e falcatruas da véspera, rindo (para não chorar) das bobagens recentes produzidas pelo pessoal do novo governo, xingando os donos das toneladas de pó preto que caem por aqui. Para completar a rotina, é a vez de continuar tentando convencer Amora de que não é perigoso subir no meu braço. Insegura, talvez traumatizada, ela ainda reluta em fazer o que é natural para qualquer arara caseira.
Vitória, 09 de janeiro de 2019.
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

Um comentário:

João Menéres disse...

Gostei muito de ler o animado amanhecer do ALVARO ABREU, Eduardo.
Um bom sábado é o que lhe desejo.

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