Crônica diária
O tamanho dos seios e do pinto
Como escrevi ontem, acabo de ler o primeiro volume do "O assassinato do
comendador" do Haruki Murakami. No penúltimo capítulo o personagem
retratista profissional trava um diálogo com sua jovem aluna de 12 anos
que posa para um retrato. As circunstâncias não vem ao caso neste
momento, mas são importantes no contexto do romance. Acompanhada pela
tia que fica lendo na sala ao lado do atelier, a garota que durante as
aulas na escola é muito calada, começa a conversar sobre diversos
assuntos. Pulando de um tema para outro com frequência. Em pouco tempo
falou de sua relação com a tia, perguntou o estado civil do professor, e
se tinha gostado da tia, que era irmã mais nova de seu pai. Falou da
morte da mãe picada por abelhas. E do seu complexo por ter seios muito
pequenos. O professor, em processo de divórcio, havia perdido uma irmã
com a idade da aluna, quando ele tinha 15 anos. Vai respondendo às
perguntas da menina e desenhando seu rosto num caderno. Faz três esboços
em posições diferentes. Qual era o tamanho dos peitos da sua irmã? O
professor franziu a testa, respirou, e respondeu: Não lembro, mas eram
pequenos como todos na sua idade. E eles cresceram? Não, ela morreu. Um
longo silêncio se fez, e a garota volta a falar: Os da minha tia são
grandes e bonitos. Como você sabe? Porque já tomamos banho juntas. Mais
um período de silêncio. Os esboços estavam quase concluídos, ele disse:
quando eu tinha sua idade a minha preocupação era com o tamanho do meu
pinto. Achava que era pequeno. E ela pergunta: e continuou pequeno? Acho
que não. É normal, pelo menos nunca tive nenhuma reclamação. Esse
diálogo usado pelo autor ilustra bem as duas grandes preocupações que
atormentam a puberdade. Seios nas garotas e pinto nos meninos. Que coisa
mais boba essas preocupações da puberdade.

Um comentário:
Bom dia Eduardo.
Parabéns por este belo pedaço de prosa.
Gaspar de Jesus
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