31.12.19
Crônica diária
Acabou 2019
Parece que foi outro dia que começava o novo ano de 2019. E hoje
termina. Envelheceu tão rápido que já acabou. Nova década se inicia
amanhã. Espero poder continuar a enganar alguns leitores. Postar fotos
de bacalhoada e não dar a receita. Poder continuar a ter sonhos e pela
manhã descreve-los para meus amigos leitores. Fazer spoiler de filmes e
livros, e confessar que certas palavras eu nunca tinha ouvido ou lido.
Quanto a deixar de ouvir, tenho recebido cada vez mais reclamações, mas
não dou bola. Nem ouço. Mas vamos ter que falar de política,
infelizmente. Seria tão bom se o nosso país voltasse a ser berço de
gente cordial, amável, e gentil. A esquerda burra e mal humorada de
sempre, impregnada de ódio, intolerância e preconceituosa, ainda que
enfraquecida, continuará a atacar o governo. Defende-lo é uma obrigação
dos bem intencionados. Ainda que muitas vezes nos custe engolir sapos.
Ou uma família inteira do presidente eleito. Na área do esporte o nosso
futebol tem muito a aprender com os Ingleses, que o inventaram, e
continuam sendo os melhores. E agora com a Inglaterra separada da
Europa, vamos ver o que vai acontecer. 2020 vai começar amanhã.
30.12.19
Crônica diária
Ouro, dólar e banana

Com
o valor de U$120 mil pago pela "Comedian", uma única banana, do
irreverente artista italiano Maurizio
Catellan, exposta na Art Basel de Miami a expressão "preço de banana",
se inverteu, ao referir-se às coisas baratas, ou foi para o brejo.
29.12.19
Crônica diária
Juntos pela primeira vez
Como estamos a três dias para o fim de mais um ano (2019) os assuntos que realmente importam, vão com ele, ficando coisas do passado. Olhos para o futuro e corações abertos com esperança.
Como estamos a três dias para o fim de mais um ano (2019) os assuntos que realmente importam, vão com ele, ficando coisas do passado. Olhos para o futuro e corações abertos com esperança.
Esse era o introito de uma das ultimas crônicas deste ano, mas desisti.
Resolvi começar de novo.
Tenho um amigo Roberto Klotz que escreve às terças-feiras. Sempre uma crônica bem humorada.
Semanas
atrás escreveu sobre "puxando papo". Se estivesse num ortopedista qual
seria a palavra chave? "O que foi que você quebrou?" Se estivesse num
aeroporto:"Esta viajando a serviço ou a passeio?" E assim por diante.
Completa sua crônica com mal entendidos e muita graça. Vai daí, minha
amiga Maria Vitória Lagos, faz um comentário sobre seu marido, que é
mestre em "puxar papo", e ela detesta. Foi quando comentei que sabia
disso, porque viajei muito com ele, e pude comprovar a capacidade que
tem de ser bem sucedido. Fosse eu levava um tapa na cara, na primeira
gracinha. E voltei a contar um caso de outro amigo, que não vou
mencionar o nome por razões óbvias. Entrou no avião, viagem de mais de
nove horas, procurou sua poltrona, e era ao lado de uma mocinha linda.
Sentou, virou para ela e disse: "Como vamos dormir juntos pela primeira
vez, devemos nos apresentar." E disse seu nome. Ela riu muito, disse o
dela, e foi uma viagem e noite muito agradável. Fosse eu, tinha levado
era uma bofetada.
28.12.19
Margarida, personagem do FLORES PARA DELEGADA
Com 94 anos, Margarida, personagem do livro Flores para a Delegada, em Dezembro de 2019, com foto da minha prima Maria Lúcia Penteado. Um exemplo de uma "lenda que se aposentou".
***************
Todo escritor de ficção baseia seus personagens em algumas características de pessoas que conhece, ou já viu. Outras vezes se apropria da pessoa inteira para compor o personagem. No meu quase-romance, (esgotado) "FLORES PARA A DELEGADA", Margarida é uma personagem do livro. Poucos escritores confessam ou assumem que se basearam em fulano ou sicrano para construir o personagem. Aqui confesso que a Margarida da minha história foi baseada na Margo da foto. Tem hoje 94 anos, aposentada, confirmando que as "lendas se aposentam". Trabalhou a vida toda para minha tia Aparecida, que faleceu aos 101 anos. À Margo agradeço a inspitração de dedicação e amor à patroa.
Crônica diária
Como diria o economista humanista cético Dionísio Dias Carneiro
O povo do Rio, como o Ricardo Rangel, cita muita gente que aqui no resto
do Brasil nunca se ouviu falar. A recíproca deve ser verdadeira. Mas
Dionísio foi um grande e querido amigo do Rangel. E a frase do amigo é
muito boa:"...a
entrevista trouxe coisas boas e novas, mas, infelizmente, as coisas boas
não são novas e as novas não são boas." Adoro frases. Nem sempre
concordo, mas se gosto, divulgo, e dou o devido crédito.
Não deixe de ler. É a pura verdade
J. R. Guzzo
O Estado de S.Paulo
Pergunte a um alemão ou holandês qualquer, desses que você pode encontrar em cada esquina de primeiro mundo, o que ele acha da agricultura brasileira. Ou, então, faça a mesma pergunta a essa menina sueca que anda a pé através do planeta para não emitir carbono, e se transformou na santidade máxima de todas as cruzadas ambientalistas atuais – uma fraude em escala mundial que é bajulada por chefes de Estado assustados, presidentes de multinacionais trilionárias e 100% das celebridades existentes sobre a face da Terra, de Jane Fonda a Michelle Obama.
Pergunte, já que se falou de gente graúda, ao presidente da França, à rainha da Noruega ou a algum sumo sacerdote de Oxford ou de Harvard. Todos podem dar uma resposta mais ou menos assim: “Cada saca de soja colhida no Brasil representa 100 árvores destruídas na Amazônia” – ou 1.000, ou quantas lhes der na telha.
É um desses disparates absolutos que as pessoas ouvem o tempo todo em nossos dias – uma agressão grosseira à matemática, à geologia, ao resto do conhecimento científico da humanidade e ao mero bom senso comum. No entanto, vá o sujeito tentar demonstrar, com base em evidências físicas, que uma saca de soja não equivale à derrubada de árvore nenhuma na Amazônia.
Se tiver sorte ouvirá apenas que é um agente, talvez pago, do agronegócio, da indústria de “tóxicos” ou do capitalismo no campo – um pecado só permitido para as propriedades agrícolas e pecuárias do Primeiro Mundo. Na pior das hipóteses pode se ver transformado em réu por crime de lesa-ambiente.
Estamos de volta, aí, à Idade Média plena, quando o conhecimento era condenado como pecado mortal. Fatos eram proibidos. As Gretas, Michelles e Janes da época tinham certeza de que, se um cidadão passasse na sua frente numa encruzilhada e não fizesse sombra, então não tinha jeito – era lobisomem. O que temos hoje, em toda essa questão, não é ciência. É vodu ambiental. É curioso observar uma onda de ignorância tão maciça quanto a que reina hoje nas sociedades mais instruídas, mais ricas e mais civilizadas do mundo quando falam de “ambientalismo”.
Essa gente ouve Beethoven, assiste a Molière e ganha prêmios Nobel, mas acredita em qualquer coisa que lhe dizem sobre a “destruição” da Amazônica. É um fenômeno da nossa época: o avanço da ignorância induzida, fabricada sob medida e altamente financiada, para obter resultados materiais que não têm nada a ver com a conservação da “floresta” em estado virgem.
Os fatos, e nada mais, provam a completa irrelevância da Amazônia para a agropecuária brasileira. Pouco mais de 2% de todo o bioma Amazônia é ocupado por algum tipo de lavoura, incluindo as temporárias – o pé de mandioca que o infeliz planta aqui e ali para não morrer de fome, se a senhorita Greta dá licença. Das 530.000 propriedades agrícolas locais, menos de 4% são classificadas como “grandes” – ou seja, capazes de produzir a soja ou o milho que deixam o Primeiro Mundo horrorizado. Não dá para enganar, quando se trata desses números – é o que sai nas fotos dos satélites.
O problema é outro – totalmente outro. Ele não tem nada a ver com a Amazônia, e sim com o resto do Brasil, do Rio Grande do Sul ao norte de Mato Grosso, que está produzindo 240 milhões de toneladas de grãos na safra deste ano, a maior de todos os tempos. Apenas 10 anos atrás, o total foi de 135 milhões de toneladas – e é impossível um país aumentar em quase 80% a sua produção em tão pouco tempo, tornando-se o maior produtor agrícola do mundo ao lado do Estados Unidos, sem incomodar ninguém. Em 2020, aliás, a safra deve continuar subindo.
Você pode acreditar que isso é só mania de “conspiração”. Também pode acreditar em lobisomem.
O Estado de S.Paulo
Pergunte a um alemão ou holandês qualquer, desses que você pode encontrar em cada esquina de primeiro mundo, o que ele acha da agricultura brasileira. Ou, então, faça a mesma pergunta a essa menina sueca que anda a pé através do planeta para não emitir carbono, e se transformou na santidade máxima de todas as cruzadas ambientalistas atuais – uma fraude em escala mundial que é bajulada por chefes de Estado assustados, presidentes de multinacionais trilionárias e 100% das celebridades existentes sobre a face da Terra, de Jane Fonda a Michelle Obama.
Pergunte, já que se falou de gente graúda, ao presidente da França, à rainha da Noruega ou a algum sumo sacerdote de Oxford ou de Harvard. Todos podem dar uma resposta mais ou menos assim: “Cada saca de soja colhida no Brasil representa 100 árvores destruídas na Amazônia” – ou 1.000, ou quantas lhes der na telha.
É um desses disparates absolutos que as pessoas ouvem o tempo todo em nossos dias – uma agressão grosseira à matemática, à geologia, ao resto do conhecimento científico da humanidade e ao mero bom senso comum. No entanto, vá o sujeito tentar demonstrar, com base em evidências físicas, que uma saca de soja não equivale à derrubada de árvore nenhuma na Amazônia.
Se tiver sorte ouvirá apenas que é um agente, talvez pago, do agronegócio, da indústria de “tóxicos” ou do capitalismo no campo – um pecado só permitido para as propriedades agrícolas e pecuárias do Primeiro Mundo. Na pior das hipóteses pode se ver transformado em réu por crime de lesa-ambiente.
Estamos de volta, aí, à Idade Média plena, quando o conhecimento era condenado como pecado mortal. Fatos eram proibidos. As Gretas, Michelles e Janes da época tinham certeza de que, se um cidadão passasse na sua frente numa encruzilhada e não fizesse sombra, então não tinha jeito – era lobisomem. O que temos hoje, em toda essa questão, não é ciência. É vodu ambiental. É curioso observar uma onda de ignorância tão maciça quanto a que reina hoje nas sociedades mais instruídas, mais ricas e mais civilizadas do mundo quando falam de “ambientalismo”.
Essa gente ouve Beethoven, assiste a Molière e ganha prêmios Nobel, mas acredita em qualquer coisa que lhe dizem sobre a “destruição” da Amazônica. É um fenômeno da nossa época: o avanço da ignorância induzida, fabricada sob medida e altamente financiada, para obter resultados materiais que não têm nada a ver com a conservação da “floresta” em estado virgem.
Os fatos, e nada mais, provam a completa irrelevância da Amazônia para a agropecuária brasileira. Pouco mais de 2% de todo o bioma Amazônia é ocupado por algum tipo de lavoura, incluindo as temporárias – o pé de mandioca que o infeliz planta aqui e ali para não morrer de fome, se a senhorita Greta dá licença. Das 530.000 propriedades agrícolas locais, menos de 4% são classificadas como “grandes” – ou seja, capazes de produzir a soja ou o milho que deixam o Primeiro Mundo horrorizado. Não dá para enganar, quando se trata desses números – é o que sai nas fotos dos satélites.
O problema é outro – totalmente outro. Ele não tem nada a ver com a Amazônia, e sim com o resto do Brasil, do Rio Grande do Sul ao norte de Mato Grosso, que está produzindo 240 milhões de toneladas de grãos na safra deste ano, a maior de todos os tempos. Apenas 10 anos atrás, o total foi de 135 milhões de toneladas – e é impossível um país aumentar em quase 80% a sua produção em tão pouco tempo, tornando-se o maior produtor agrícola do mundo ao lado do Estados Unidos, sem incomodar ninguém. Em 2020, aliás, a safra deve continuar subindo.
Você pode acreditar que isso é só mania de “conspiração”. Também pode acreditar em lobisomem.
Crônica do Alvaro Abreu
Natal no mato
Meu pessoal sempre foi muito animado. Abrir a casa pra comemorar aniversário, formatura e casamento, juntar amigos para comer caranguejo, fazer cozido pra muitos – tudo isso faz parte da vida dessa nossa família numerosa. Desta vez alguém deu a ideia, prontamente aceita por todos, de alugar uma casa grande para passar o Natal. Quando vi, já estava tudo arrumado e resolvido. O lugar escolhido foi um sítio localizado naquele vale enorme que fica à direita de quem vai para Domingos Martins. As informações que me chegaram eram bem poucas e achei que deveria deixar o barco correr.
Chegar aqui foi fácil, difícil foi conseguir sair de casa. Foi preciso usar quatro carros para levar os pais, cinco filhos, dois genros, uma nora e sete netos. Deu trabalho conseguir arrumar as malas, mochilas, caixas com as compras, isopor com bebidas e comidas congeladas, sacos de carvão, sacolas de presentes e, ainda por cima, um violão. Pena que não me deixaram trazer Amora.
Faz tempo que não via um lugar tão bom pra soltar crianças e deixar que exercitem, longe dos olhos adultos, o ir e vir, o subir e descer. Uma piscina de água cristalina saída de fonte na mata, sauna pra quem gosta, campo de futebol com grama impecável, campo de bocha com piso de carpete, ponte pênsil de matar adulto de medo, água percorrendo uns cinquenta metros pedra abaixo antes de virar bica poderosa. Tudo isso sem contar três touceiras de bambu e um pé de lichia carregadinho, como eu nunca tinha visto. Faz tempo que não ouvia tanto sapos, pererecas e grilos cantando uma espécie de sinfonia da natureza.
Neste ambiente, não há mau humor de adulto nem birra de menino que vigore. Disputas só mesmo no carteado e no modo de fatiar a carne do churrasco. Melhor de tudo tem sido o convívio familiar sem a interferência da internet. É bom que se saiba que estamos todos vivendo perfeitamente sem acessar mensagens, notícias boas e ruins e, sobretudo, aquela enorme quantidade de bobagens inúteis. Neste meio de mundo, os celulares viraram simples máquinas fotográficas. Cenas inspiradoras tem de montão por aqui. Agora só falta ir lá na sede do distrito tentar enviar esta crônica para o editor.
Biriricas, 26 de dezembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
Meu pessoal sempre foi muito animado. Abrir a casa pra comemorar aniversário, formatura e casamento, juntar amigos para comer caranguejo, fazer cozido pra muitos – tudo isso faz parte da vida dessa nossa família numerosa. Desta vez alguém deu a ideia, prontamente aceita por todos, de alugar uma casa grande para passar o Natal. Quando vi, já estava tudo arrumado e resolvido. O lugar escolhido foi um sítio localizado naquele vale enorme que fica à direita de quem vai para Domingos Martins. As informações que me chegaram eram bem poucas e achei que deveria deixar o barco correr.
Chegar aqui foi fácil, difícil foi conseguir sair de casa. Foi preciso usar quatro carros para levar os pais, cinco filhos, dois genros, uma nora e sete netos. Deu trabalho conseguir arrumar as malas, mochilas, caixas com as compras, isopor com bebidas e comidas congeladas, sacos de carvão, sacolas de presentes e, ainda por cima, um violão. Pena que não me deixaram trazer Amora.
Faz tempo que não via um lugar tão bom pra soltar crianças e deixar que exercitem, longe dos olhos adultos, o ir e vir, o subir e descer. Uma piscina de água cristalina saída de fonte na mata, sauna pra quem gosta, campo de futebol com grama impecável, campo de bocha com piso de carpete, ponte pênsil de matar adulto de medo, água percorrendo uns cinquenta metros pedra abaixo antes de virar bica poderosa. Tudo isso sem contar três touceiras de bambu e um pé de lichia carregadinho, como eu nunca tinha visto. Faz tempo que não ouvia tanto sapos, pererecas e grilos cantando uma espécie de sinfonia da natureza.
Neste ambiente, não há mau humor de adulto nem birra de menino que vigore. Disputas só mesmo no carteado e no modo de fatiar a carne do churrasco. Melhor de tudo tem sido o convívio familiar sem a interferência da internet. É bom que se saiba que estamos todos vivendo perfeitamente sem acessar mensagens, notícias boas e ruins e, sobretudo, aquela enorme quantidade de bobagens inúteis. Neste meio de mundo, os celulares viraram simples máquinas fotográficas. Cenas inspiradoras tem de montão por aqui. Agora só falta ir lá na sede do distrito tentar enviar esta crônica para o editor.
Biriricas, 26 de dezembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
27.12.19
Crônica diária
Josimar Melo tem razão
Conheci o Josimar no início da sua carreira de crítico de gastronomia.
Hoje famoso com seu "Guia Josimar", sobre restaurantes, bares, e
serviços em São Paulo, escreve às quintas na Folha, uma coluna que
divide com o Zeca Camargo. Foi o Josimar que chamou atenção para a
sessão de fotos de viagem, que segundo ele, era o pesadelo familiar,
naquela época. Era um tédio a sessão de slides ou filmes super 8. Hoje
esse evento foi substituído pelo Instagram, Orkut, e Facebook. Alcançam
um número muito maior de voyeurs, todos com o mesmo viés de bisbilhotar a
vida alheia, e do outro lado "as pessoas que fingem riqueza e
felicidade em suas selfies rebolando no deserto". O Josimar daí para
frente envereda na sua especialidade: comida. Usa até uma expressão do
tempo da minha avó: "junta-se a fome, com a vontade de comer", ao
referir-se aos viajantes que postam e elogiam pratos que nem provaram,
apenas para insinuar que estão "comendo do bom e do melhor", outra
expressão milenar. "Tripudiam sobre os pobres amigos que estão
requentando o jantar". "Já, as pessoas que leem, exultam e se humilham
de bom grado, dando loas, com carinhas e gifs, às mentiras alheias".
26.12.19
Crônica diária
Doze setentões à mesa
Meu cunhado Cadu, e amigos, se reúnem todo fim de ano. Quando tínhamos
quarenta anos, as reuniões eram animadíssimas. No centro da cidade,
tinham hora para começar, e nunca para terminar. O teor alcoólico
naquele tempo também era alto. Aliás tudo era alto naqueles primeiros
anos de maturidade. Eram altas as expectativas de cada um dos
participantes, e todos acreditavam muito na carreira e sucesso de todos.
Depois fiquei muitos anos sem participar desses encontros. Este ano o
Cadu me ligou convidando. Éramos em doze, e só faltaram dois, por
motivos plenamente justificáveis. Um deles por motivo de saúde em
família. Era exatamente o Francisco Giaffone, uma das três pessoas mais
engraçadas que conheci. Sobre esses três escrevi em 07/06/16 uma
crônica. O segundo morreu este ano, Papu de Almeida Prado. O terceiro
não faltou ao encontro Franklin Junqueira. Do grupo dos quarenta
estavam presentes umas seis pessoas. Um já morreu, e outros saíram do
radar. O espírito de camaradagem continua o mesmo. Todos um pouco mais
surdos, cabelos brancos ou ausência total deles. Todos mais encorpados.
Todos carregando o peso dos setenta anos. E com uma disposição para
beber igual, ou superior, ao do grupo dos quarenta. O perigo agora é ir
contando com as baixas. Daqui para frente o grupo só tende a diminuir.
Diminuir em todos os sentidos. Na altura, nas expectativas, na surdez, e
na memória. Mas essa é a vida, e deveremos continuar a lembrar das
coisas boas que ela propiciou. E beber para comemorar.
EM TEMPO: Uma falha imperdoável minha, própria de memória de setentão, o Luiz Carlos W Sobral, Carlão dos tempos dos quarenta foi o ORGANIZADOR dos almoços de 1968 a 2013,e uma das minhas primeiras VÍTIMAS DA QUINTA (www.vtmadaquinta.blogspot.com) além de ser ao lado do Germano Fehr (pai e filho) meus leitores diários a vida toda.
EM TEMPO: Uma falha imperdoável minha, própria de memória de setentão, o Luiz Carlos W Sobral, Carlão dos tempos dos quarenta foi o ORGANIZADOR dos almoços de 1968 a 2013,e uma das minhas primeiras VÍTIMAS DA QUINTA (www.vtmadaquinta.blogspot.com) além de ser ao lado do Germano Fehr (pai e filho) meus leitores diários a vida toda.
25.12.19
Crônica diária
Fora da caixinha
Meu público aqui no FB é predominantemente feminino. Isso se dá porque é
muito provável seja também predominante nas redes sociais. Tenho um
irmão e muitos primos e amigos que nem sabem o que é ter uma página no
FB. E no caso feminino, não lembro de uma prima ou amiga que não
participe de uma rede social. Posto isso, cheguei a pensar que poderia
escolher os temas para minhas crônicas, com um olhar voltado para esse
meu público. Por outro lado, perderia a autenticidade. E esse público
tem interlocutores variados. Desde Ana Maria Braga até Clarice
Lispector. E pensando mais um pouco, o que posso fazer de melhor, é não
pensar no que vai lhes agradar. Exatamente o contrário. A mulher nos
dias de hoje fala, escreve, lê e se comporta como homens. Mas pensa
diferente, e na sua maioria despreza o pensamento do homem, chamando-o
de machista. E quando ele escreve dando voz ao gênero feminino, como faz
o Chico Buarque, muitas vezes, é criticado. Uma única coisa que percebo
dar certo, é tratar de temas fora da caixinha. (Não uso essa expressão
sem deixar de lembrar do Ciro Gomes, o primeiro a ouvir usando). Neste
25 de dezembro, não vou tratar do que simboliza a data, porque muitos o
farão melhor, e quase todos querem ler alguma coisa diferente.
24.12.19
Crônica diária
Os canalhas nunca se aposentam
Um dos segredos do bom escritor é reservar ao leitor descobertas de
tesouros linguísticos que o deixe mais rico, feliz, e alegre. Claro que
essas preciosidades são colocadas esparsas no texto, e não podem se
atropelar. Tesouro não se acha em qualquer lugar, nem exposto ao sol em
lugar óbvio. Soltei um desses, numa crônica dias passados, e não fez
nenhum efeito. Ou me digam se esta frase: " As lendas se aposentam", não
é um tesouro linguístico? Estou exagerando? Mas o fato é que ninguém
deu valor. Deve ser um "tesouro" fora de moda. Porque em literatura, e
na prosa, as expressões entram e saem de moda. De uso. Li esta semana, e
fiquei orgulhoso de ter sido um dos responsáveis por relançar o termo
"canalha", que desde Nelson Rodrigues, não era tão usado. Quer dizer, o
mérito não é nosso que passamos a usa-lo, mas dos canalhas que nos
impuseram. E vou criar outro "tesouro": "Os canalhas nunca se
aposentam".
23.12.19
Crônica ddiária
O cheiro do bacalhau
Eram 17:10 e todo condomínio, e prédios vizinhos, sabiam que alguém
comeria no jantar bacalhau. É um prato invasivo. Como o porco e o peru, é
um alimento datado. O peru invariavelmente ligado aos portugueses e
católicos. O porco e peru também, mas de cheiro mais discreto. Ou muito
mais discreto. No interior, onde até hoje, em certas datas, se mata o
porco para comer, a vizinhança fica sabendo pelo guincho do porco, e não
pelo aroma do assado. O peru é mais discreto, tanto no berro quanto no
cheiro do forno. Este ano que os chineses tiveram problemas sanitários
com seus rebanhos de porcos, a nossa carne bovina, suína e até de frango
ficaram mais caras. Li gente reclamando que exportamos sempre o melhor e
nos contentamos com o rebotalho. Mas sempre foi assim. Lembro quando o
Brasil era o maior exportador de café do mundo, e bebíamos tipo rio.
Hoje não é diferente. As churrascarias já substituíram o filé e a
picanha por outras menos nobres para manter o preço que já anda nas
alturas. E voltando para o bacalhau não posso deixar de lembrar duas
situações memoráveis. O da Maria portuguesa, que comíamos todo Natal, e
que era desfiado depois de muitas horas em água corrente. Hoje minha
neta, de cinco anos, diria que "iria acabar com a água do planeta".
Outro bacalhau que nos acompanhou de Lisboa a Berlim, na mala de um
casal amigo, e que do andar térreo de onde nos hospedamos, até alguns
imóveis da rua sem saída, todos os alemães sabiam o que iríamos comer
naquela noite.
22.12.19
Crônica diária
"Valor EU& Fim de semana"
O melhor semanário da imprensa brasileira é o "EU& - Fim de Semana"
do jornal Valor Econômico. Sobre suas entrevistas, matérias e artigos
poderia escrever um montão. Hoje vou focar na entrevista da Maria da Paz
Trefaut com o chef Adoni Luis Aduriz dono do restaurante Mugaritz, um
laboratório de experiências e sabores. Seus pratos são minimalistas. O
nome do restaurante, em basco, significa "carvalho da fronteira" e é a
grande árvore que faz sombra ao restaurante. Fica no município de
Renteira, perto de San Sebastiãn, no País Basco. A casa figura há 13
anos entre os dez primeiros da lista dos 50 Melhores Restaurantes do
Mundo. Tem duas estrelas no Guia Michelin. Esta é a sétima vez que o
Aduriz vem ao Brasil. Fala sobre suas viagens ao redor do mundo. Dos
restaurantes e chefes que admira. Da filosofia da sua gastronomia.
Trabalhou com o catalão Ferran Adrià, do El Bulli Dos inúmeros convites
que recebeu para expandir seu restaurante pelo mundo. As razões porque
os declinou. No Brasil conhece o Fasano, D.O.M., Maní, Tuju, Mocotó e
Casa do Porco. A entrevista foi feita no restaurante Aizôme da chef e
proprietária Telma Shiraishi. Eu que moro em São Paulo, 50% do meu
tempo, não conheço quatro desses sete restaurantes citados. Pudera, a
jornalista publica o valor que Aduriz teria que ter pago, não fosse a
proprietária ter dito que não cobraria, porque era uma honra tê-lo em
sua casa. Omakase 7 etapas (degustação) R$ 1080,00 (6 pessoas) Saquê
Hakkaisan R$275,00 (1 dose), Saquê Yauemon R$390,00 (1 dose) Água
mineral R$42,00 (6 pessoas), Serviço R$232,31, TOTAL R$2019,31,
perfazendo R$336,56 por pessoa. Se
considerarmos a conta sem os absurdos Saquês, teríamos R$211,31 por
pessoa. Comparado com o menu degustação em 20 etapas, por pessoa, saí
por Euros 210,00 sem bebida, no Mugaritz ( + ou - R$959,70).
21.12.19
Crônica diária
O conto das alfaiates
Sonhei que havia escrito um conto. O contrário é que é comum. Escrever
um conto sobre um sonho. Aqui no caso da na mesma. Era um conto sobre
três moças muito humildes que resolveram aprender o ofício da
alfaiataria. O tio de uma delas era alfaiate numa cidade do interior, e
as ensinou. Mudaram para São Paulo, e em pouco tempo uma revista de
circulação nacional fez uma reportagem com elas. A freguesia aumentou
rapidamente. Não é comum mulher alfaiate. Mas os homens adoraram. No
sonho o conto descrevia situações hilárias dos senhores carecas,
barrigudos, de perna ligeiramente afastadas com uma das alfaiates
tirando a medida do cós da calça até o fim da perna. Um empresário
brasileiro encomendou três ternos. Um mês depois as convidou para irem
para NY, onde fariam grande sucesso. Na alfaiataria só trabalhavam
mulheres. Estabelecidas no 35º andar na 5º avenida, em pouco tempo, eram
as alfaiates dos magnatas e atores de cinema. O negócio cresceu com a
loja de tecidos para ternos, que abriram no mesmo andar. Tudo muito
exclusivo, caro e de bom gosto. Acordei feliz com o sucesso das três, e
louco para por no papel. Sonhos são fugazes.
20.12.19
Crônica diária
Helio Beltrão e uma banana para Marx

O
articulista, engenheiro com especialidade em finanças e
MBA na Universidade de Columbia, publicou um interessante artigo sobre o
valor exorbitante que uma banana, do irreverente artista italiano
Maurizio Catellan, obteve de U$120 mil. O objeto de arte conceitual
"Comedian" foi exibido na feira Art Basel de Miami, e consistia em uma
banana presa à parede por uma fita adesiva. Com a obra já vendida, outro
artista performático David Datuna, entrou na fila de selfies e comeu a
banana. Com isso criou "outra obra" denominada "Hungry" (ou "Faminto"). A
partir desse fato o Beltrão discorre sobre os vários conceitos do valor de uma obra de arte, concordando com o pensamento do mais rico artista vivo Damien Hirst, com uma fortuna acima de U$300 milhões, que acredita ser subjetivo
esse valor. "Em ultima instância é o comprador quem valida". É de Hirst
a afirmação de que os comerciantes de arte "vendem excremento para
tolos". E "eu contribuo vendendo as minhas". Beltrão não cita mas para Piero Manzoni fez isso literalmente. Na leva da arte conceitual que se
iniciou com o urinol de Duchamp, Manzoni lançou em 1961 as latinhas de merda
que criticavam em si mesmas a tal arte conceitual e, de quebra, toda a
sociedade de consumo. Conclui Beltrão que Marx acreditava que o valor resultava do trabalho incorrido. O mercado de arte refuta todos os dias.
19.12.19
Crônica diária
Meus leitores sabem da admiração que tenho pelo cronista Ruy Castro.
Admirar suas crônicas não me impede de discordar quando comete o vício
de chamar a Revolução de 64 de "golpe". As revoluções quando são de
esquerda, são revoluções. Quando de direita, contra a esquerda, é
"golpe". Um escritor do calibre do Ruy, que era amigo do Paulo Francis,
que conheceu a Elisabeth Bishop na casa de sua companheira durante 14
anos, Lotta de Macedo Soares, que era amiga do Carlos Lacerda, que
liderou a Revolução de 64, não podia entrar nessa cantiga infame da
esquerda burra. O certo é que segundo o próprio Ruy, todos escritores,
na década de 60, ainda eram chegados a porres monumentais. O primeiro
encontro do Francis com o casal Lotta e Bishop foi em estado etílico
perto do coma alcoólico. Entende também o Ruy que não é pela sexualidade
da poeta americana, nem de sua pouca compreensão da nossa língua, e
consequentemente, seu desprezo pelos poetas e poesias brasileiras, mas
por ter apoiado a revolução de 64, que se criou dissensões com sua
escolha como homenageada na Flip de 2010. Flip, como todo mundo sabe,
significa Feita Literária INTERNACIONAL de Paraty. Ponto. Não há porque
defender outra poeta, por mais merecedora que seja dessa homenagem no
lugar de Bishop. Cecilia Meirelles, como sugere o Ruy, tem méritos para
isso em próximas edições da feira. Não pode ser a ideologia
qualificadora ou desclassificadora de um poeta. Fosse assim, todos os
comunistas e socialistas homenageados nas Flips passadas poderiam ter
seus nomes contestados por serem de esquerda. Posições ideológicas não
são, ou não deveriam ser, atributos ou motivos de censura para nenhum
poeta, escritor, ou produtor literário. Muito menos em certames
INTERNACIONAIS. Mas a esquerda, da qual o Ruy é parte, no Brasil, é
burra, tacanha, e medíocre. Quem não vestia a camisa vermelha era, e, é
inimigo.
18.12.19
Catálogo do MACIEJ BABINSKI
Agradeço à Fundação Stickel, em nome do Fernando Stickel, o Catálogo da exposição na Pharmacia Cultural dos Retratos Eriçados do artista MACIEJ BABINSKI. Com texto do crítico e curador Agnaldo Faria, fartamente ilustrado, o catálogo trás uma breve biografia do artista, talvez o único vivo de sua geração.
Vale a pela ler como será amanhã
De Blairo Maggi, maior produtor de soja, após visita ao Vale do Silício junto com Diretores de suas Empresas :
Olá pessoal!!
Vou fazer um breve relato, do que vi em minha recente viagem aos EUA, e achei importante compartilhar com vocês.
Consegui juntar os principais diretores da AMAGGI para passar uns dias no Vale do Silício em São Francisco, USA (retorno hoje pra casa, chego amanhã à noite) para estarmos ainda mais atualizados sobre o que vem por aí.
O Vale do Silício onde nasceu as principais empresas de tecnologia do mundo, como Apple, Facebook, Uber, Airbnb, Whatspp, Twitter etc etc. é considerado o lugar mais tecnológico do mundo, e onde tem as maiores fortunas pessoais (Dono da apple morava aqui, assim como moram donos do Facebook, Uber etc). Aqui também tem duas das melhores faculdades do mundo, Stanford e Berkeley, de onde sai todo ano milhares de gênios.
O que vi aqui durante esses dias foi um pouco preocupante principalmente, para as pessoas mais jovens. Quase todas as profissões que existem hoje, serão substituídas por máquinas no futuro próximo. Não é coisa de ficção, vi isso ao Vivo e à cores. A nova geração, que aqui chamam de Milenius, ou seja pessoas que nasceram depois do ano 2.000, está transformando o mundo com um novo jeito de pensar e com novos costumes. Há uma campanha mundial contra o corte de árvores e abate de animais (coisas plantada pela indústria tecnológica), discurso que os jovens adoram, defendem a igualdade de gênero (alguns banheiros já são unisex por aqui) todos em busca do tao esperado bem estar (jovens não querem mais ter carro, trabalhar cedo, se preocupar com família, ter filhos etc), a homossexualidade é bem vista por aqui, e a maconha, já está liberada (qualquer um pode comprar nas lojas), cuja quantidade de venda, já supera a de cerveja entre os jovens. O que mais chama a atenção são as mudanças na indústria de alimentos. Aqui já está no mercado o beyond meet e o impossible hamburger, que traduzindo e algo como: hamburger impossível de ser feito, este hamburger além da carne, que nada mais é do que carne feita à base de plantas, com uma tecnologia biológica incrível (produtos genéticamente modificados) e de gosto igual ao do hambúrguer comum (testei todos). O mais impressionante é a carne feita à base de célula tronco, onde tiram uma pena da galinha por exemplo, e multiplica isso em laboratório e criam a carne de galinha, dando aminoácido e açúcar para bactéria comer até criar a carne. Podem fazer carne de qualquer animal, e no futuro vão fazer os cortes de traseiro e dianteiro. Experimentei essa carne, e me impressionou o gosto. Quase igual à de verdade. A indústria do leite natural, já diminuiu em 20 por cento nos EUA. Ele foi substituído por leite de laboratório; o ovo artificial também está com gosto muito bom, e já pode ser comprado nos supermercados.
Estão produzindo hortas verticais, num ambiente muito pequeno, com capacidade para alimentar milhares de pessoas, não precisando mais da terra e usando 5 por cento de água que a planta em cultivo comum precisa. Ela cresce 18 horas por dia, tem 400 ou 500 por cento mais eficiência que a planta normal, pode ser cultivada o ano inteiro com mesmo sabor e qualidade, e sem nenhum agrotóxico (tudo é controlado por computador, do plantio à colheita).
No leite e carne pode ser adicionado mais vitaminas, antibióticos, vacina para criança etc etc ou seja, produto pode ser feito sob medida para cada região do mundo (se na África as crianças precisam de remédio, já vai dentro do alimento).
Andamos num carro incrível, onde não precisa tocar a mão em nada, o carro dirige totalmente sozinho, com chances zero de bater (a AMAGGI tem um carro igual na Noruega comprado há dois anos, e vocês não fazem idéia como evoluiu este modelo mais novo). Tem lojas que você entra e não existe ninguém para te atender (Amazon Go). Você pega o produto que quiser da prateleira e quando você sai na porta já e debitado no seu cartão de crédito; Peguei um Halls e coloquei no bolso da calça (escondido), e foi debitado no meu cartão (a máquina reconhece pelo rosto na hora que você entra), ou seja, impossível roubar alguma coisa. Nos aeroportos você compra roupas ou qualquer produto nas máquinas de auto atendimento, escolhe tamanho, cor, modelo sem ter uma única pessoa te atendendo.
Muitas dessas tecnologias ainda estão sendo aprimoradas, mas seus criadores tem muita pressa de colocar no mercado em escala global, e existe bilhões de dólares disponível para estas invenções (investimento privado).
Na lavoura vai ter uma máquina capaz de identificar uma doença na planta em qualquer ponto, identificar o teor de argila, fertilidade do solo etc etc (isso hoje e feito por agrônomos), saber se a vaca tá prenha, idade do bezerro na barriga, se está doente, etc.
Enfim, isso é apenas uma parte das coisas que vi aqui. Vou colocar alguns vídeos que fizemos para melhor ilustrar o acima (em alguns vídeos eu era o câmera man e o Blairo Maggi o ator e locutor rsrs).
De tudo isso, vamos ver o que realmente vai prosperar no futuro. A nossa geração (dos meus irmãos e irmãs) pode ser pouco afetada, mas as nossas crianças devem viver grandes transformações.
A preocupação é que milhões de emprego devem desaparecer no curto prazo; toda atividade que você precisa fazer 3 vezes do mesmo jeito, será substituída por máquinas.
As empresas e governo vão precisar de menos gente, enfim tudo vai precisar de menos gente.
Hoje já se fábrica peças de turbinas de avião ou motores em impressoras 3 D (o que levaria uma semana para ser produzido hoje é feito em menos de um minuto).
O trabalho do futuro estará voltado para tecnologia e profissionais que cuidam da saúde mental (já que falamos cada vez mais com máquinas ao invés de gente, o índice de suicídio e de depressão deverá ser o mal do futuro).
Hoje você dorme com diversos amigos (grupos de WhatsApp, Facebook, etc ) e acorda sozinho.
17.12.19
Crônica diária
"Quase spoiler"
Corresponder
com intelectual bem informado pode nos colocar em nocaute. Fiz uma resenha
modesta e superficial, como são todas minhas resenhas, do livro do Chico
Buarque, "Essa gente". Na mesma semana esse amigo, poeta e amigo do
Chico, fez outra com toda sua competência e bagagem literária. Ao final só
discordamos do nosso livro preferido do Chico. O meu é "Leite derramado",
o dele "Amsterdã". Dias depois da postagem de nossas resenhas recebo
uma mensagem por e-mail, que em idos tempos se chamaria de cartinha. Nela entre
outras amenidades inteligentes escreveu textualmente: "...o seu
texto é perfeito na descrição (quase “spoiler”, com licença da palavra) do
livro do Chico." Três dias depois, lendo o Ricardo Rangel, num
comentário sobre o filme O Irlandês, volto a encontrar o "spoiler".
Aqui
começa minha crônica. Sou obrigado a confessar minha quase absoluta
ignorância. "Spoiler" eu conhecia da área automotiva, como
nome de um dispositivo projetado para melhorar a estabilidade de um veículo, e
por isso são mais comuns em carros de corrida e esportivo. Fiquei sabendo,
também, que na área aeronáutica, spoiler são peças instaladas nas asas de uma
aeronave, para modificar a sua aerodinâmica. Mas nenhum desses significados
correspondia ao usado pelo meu amigo. Fui ao pai dos burros, como era chamado o
Google, antes de existir. E lá fique sabendo que Spoiler tem origem no
verbo spoil, que significa estragar, é um termo de origem inglesa. Spoiler
é quando alguma fonte de informação, como um site, ou um amigo, revela
informações sobre o conteúdo de algum livro, ou filme, sem que a pessoa tenha
visto. O spoiler é uma espécie de estraga-prazeres, pois ele é aquele
indivíduo que conta os finais, ou o que vai ocorrer com determinado personagem
em filmes, séries, livros, sem saber se a outra pessoa realmente quer saber. O spoiler
não necessariamente precisa contar o fato todo, pode ser qualquer parte de
uma fala, texto, imagem ou vídeo que faça revelações importantes sobre
determinados assuntos. O spoiler pode agir de maneira insconsciente,
acabar dividindo o que descobriu com outros, sem pensar se as pessoas querem
saber.
Com isso
fiquei sem saber se chamar minha pequena crônica e resenha de "quase
spoiler" era um elogio, ou tremenda crítica no sentido pejorativo do
termo.
16.12.19
Crônica diária
Produtor de cenários para crônicas
À exemplo de produtores de cinema e fotografia que exigem cenários e
argumentos para suas obras, pilhei-me fazendo a mesma coisa com minhas
crônicas. Na fotografia e no cinema algumas cenas são externas e muitas
em estúdio, com cenário, luz, som cuidadosamente controlados. Hoje
escrevi para minha prima Py Pacheco e Silva porque era seu aniversário, e
aproveitei para pedir que ela consiga uma foto do meu livro (esgotado)
"Flores para a Delegada", ao lado de um dos personagens. Ao escrever
esse "quase romance" me baseei para criar a empregada Margarida, que
a vida toda trabalhou para a tia Aparecida e avó da Py. Soube nessa
ocasião que era chamada carinhosamente de Margo. Numa próxima edição vou
usar isso também. Hoje deve estar com perto de cem anos. É uma lenda.
Hoje aposentada. As lendas se aposentam. E se estiver lúcida, como
espero, gostaria de saber sua reação. Claro que a foto é mais um motivo
para uma nova crônica, e assim a fila anda.
15.12.19
Crônica diária
"Agora pisei" de Roberto Klotz
Em cinco de julho de 2017 postei minhas impressões sobre "Quase pisei"
do Roberto Klotz. Dois anos e meio depois continuo lendo suas impagáveis
crônicas. "Agora pisei" é o título e a confirmação de que "crônica é a
literatura de bermudas" (frase do Joaquim Ferreira dos Santos). E não
por acaso o autor, em quase todas suas crônicas, esta vestido com
bermudas camiseta e tenis. Ele além de escrever pratica o cooper. Corre e
observa. Tira de suas visões de "esportista", por determinação médica,
material para sua crônicas. Comenta a estação do ano. Observa as flores
do cerrado brasiliense, seus pássaros, as cores da grama, ora verde mesa
de bilhar, ora marrom falta de chuva. Outro foco constante além do cocô
de cachorro, são as mulheres que caminham ou correm e ele observa:"Acho maravilhoso o balançar das letras",
referindo-se às palavras das camisetas das mulheres. Crônica, como a
bermuda, é um texto curto. Uma não tem conexão com a outra. E podem ser
lidas aleatoriamente. E foi assim que li o novo livro do Roberto. Tanto
quanto no primeiro, continua pisando como Saci. Refiro-me às duas capas.
Na primeira foi o solado do pé direito que "quase" pisou. No segundo, e
descalço, as pegadas da capa também são de um pé só. Esse humor
perpassa toda literatura do autor.
14.12.19
Ctrônica diária
Tudo pode ser um pretexto
Nada acontece por absoluto acaso. E tudo pode ser um bom pretexto. Rever, ou conhecer parentes muito próximos depende apenas de uma iniciativa. Sair da zona de conforto, para usar uma expressão da moda, dar dois ou três telefonemas, e desfrutar de encontros familiares indescritíveis. Depois de certa idade não é comum se fazer novas amizades. Parentes são amigos por natureza, ainda que desconhecidos. Trazem no DNA características comuns que surpreendem, encantam, revelam-se, e criam identidades e condições de um desfrute maravilhoso. Uma telinha a óleo pintada pela irmã mais velha da minha mãe, há mais de noventa anos, a cena de uma gata e seus três gatinhos no chão de um paiol, foi o motivo do encontro. Arnaldo com 90 anos, casado com a Maria Lucia Moraes, é o proprietário da tela pintada por sua mãe, tia Edith. Eu tenho memória dessa pintura já no apartamento da vovó Nina, mãe da Edith, na Rua Piauí. Antes esteve na casa da Rua Treze de Maio, mas eu era muito pequeno para lembrar. Aos seis ou sete anos lembro dessa tela no corredor do hall de entrada do apartamento. Os pelos, o olhar, e a posição dos gatinhos, me encantavam. Cinquenta anos depois, demonstrei para minha mãe o desejo de rever a tela. Ela andou falando com os sobrinhos, mas morreu antes de realizar meu desejo. O tempo passou, e por iniciativa completamente diversa, num encontro com os primos, e parentes, num jantar, demonstrei meu desejo para a Maria Lúcia que, imediatamente, nos convidou para ver "Os gatinhos" na sua casa de campo, em Campos do Jordão. Mas antes disso acontecer, ela me liga dizendo que havia trazido a tela para ser restaurada em São Paulo. Daí não demorou uma semana, nosso encontro. Foi uma noite agradabilíssima. Uma emoção rever a telinha setenta anos depois. A pintura "Os gatinhos" não decepcionou. Pelo contrário, apesar do desgaste do tempo, confirmou minha admiração pela pintura da tia Edith. É tão boa que os próprios netos desconfiam da autoria da avó. Santo de casa não faz milagres. Foi um prazer dobrado rever a pintura e conhecer os filhos do Arnaldo e Maria Lúcia.
Crônica do Alvaro Abreu
Agora vai
Na semana passada, aconteceram dois fatos promissores para quem busca caminhos consistentes de promoção do progresso deste nosso pedaço de mundo.
O primeiro deles: uma grande reunião comandada pelo governador, com a participação de autoridades, dirigentes de grandes indústrias, entidades de representação, instituições universitárias, incubadoras de empresas, pesquisadores e muitos mais. Vi por fotografia e soube, por quem esteve lá, que, sentados em volta de uma mesa enorme no Palácio, trocaram informações e defenderam propostas para que o Espírito Santo, finalmente, adote a inovação e o desenvolvimento tecnológico como instrumentos estratégicos na geração de riqueza local. É chegada a hora de garantir condições para que pessoas determinadas protagonizem o direito inalienável de definir seus projetos, lançando mão das suas próprias capacidades para criar e empreender.
O outro foi o Startup Summit, evento de três dias realizado pelo SEBRAE num enorme galpão de lona, montado num estacionamento da Enseada do Suá, por onde passaram 7000 visitantes inclusive eu e muitos dos que estiveram naquela reunião. Palestras e apresentações, demonstrações, mesas de trabalho, testes e simulações, games pra marmanjos e crianças e muitas outras atrações interessantes. Praticamente ninguém comprando nem vendendo, mas tentando impressionar quem se interessasse por algo inovador, recém criado ou em desenvolvimento. Não vi ninguém triste ou reclamando. Pelo contrário, as caras eram de pura emoção, de curiosidade e entusiasmo. Vi muitas pessoas debatendo ideias e olhando com inveja boa para quem, cheio de orgulho, mostrava o que tinha conseguido materializar junto com sócios. É provável que estivessem por ali investidores de olho em bons negócios. Certamente, um ambiente verdadeiramente novo, animador e estimulante.
Eu era um dos mais velhos que estavam ali. Encontrei muita gente com quem venho convivendo há 30 anos, desde quando começamos a falar em empreendedorismo e empresas de tecnologia por aqui. Demorou, mas acho que agora vai.
São Paulo, 12 de dezembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
13.12.19
Crônica diária
Pirralha e geringonça
I - Eleger a "pirralha" Greta Thunberg (16 anos) como personalidade
do ano, demonstra como a revista Time, e outras instituições, tem
encontrado dificuldade em eleger, ou premiar verdadeiras personalidades. O
mundo anda muito infantil nas aparências, e pouco nobre na essência..
II
- "Geringonça" foi o termo usado pelo articulista Vinícius Torres
Freire para resumir o primeiro ano de governo do Bolsonaro. Quem
apelidou a mini-ativista Greta de "pirralha" foi o Presidente.
12.12.19
Crônica diária
Mãe tem sempre razão
Na casa dos meus pais, todos os filhos engraxavam seus próprios sapatos,
pelo menos uma vez por semana, ou quando necessitavam. Claro que
achávamos chato e fazíamos reclamando. Quem comandava a casa era minha
mãe. E ela nos dizia, "engraxar sapato não tira pedaço, e um dia vocês
vão me agradecer". Isso faz mais de setenta anos. Tirei do armário um
mocassim marrom, desses próprios para dirigir, que não tem sola de
couro, mas umas borrachinhas no solado e calcanhar. Uma delícia no pé e
no volante. Mas como estavam guardados há muito tempo, o couro reclamava uma
graxa. Pedi para a moça que trabalha em casa dar uma boa engraxada. Não
deu. Ficou opaco e continuou com aparência de ressecado. Ela
provavelmente nunca havia engraxado um sapato na vida. Deixei passar uns
dias, para não ofender a moça, peguei a caixa de graxas, com três
latinhas, uma de cada cor, três escovas para brilho, mas faltavam os
paninhos, e as escovas de dente usadas para passar a graxa nos cantos e
brechas onde os paninhos não chegam. Ficou uma beleza. Foi tão
gratificante fazer isso tantos anos depois. E melhor, não porque não
tivesse quem fizesse por mim, mas pelo prazer de fazer. Nossas mães tem
sempre razão.
11.12.19
Crônica diária
Os gatinhos da tia Edith
Em
28 de março de 2018, faltando três meses para dois anos atrás, escrevi
sobre lembranças da casa da minha avó Nina (Sebastiana Camargo
Penteado). Entre outras coisas disse: "Outra lembrança que trago, já não
é da casa, mas do apartamento da rua Piauí. Na parede do corredor de
entrada havia uma pequena tela de uma ninhada de gatinhos. Autoria, tia
Edith, irmã mais velha de minha mãe. Antes da minha mãe morrer, tentei
rever essa tela, que na ocasião estava na casa do Salvio ou da Nedy.
Hoje deve estar com um dos seus filhos. Gostaria muito que fotografassem
e me enviassem. Foi uma pintura acadêmica que marcou-me na infância.
Fica aqui o registro." Em outubro deste ano (2019) aconteceu um encontro
delicioso com meus primos e agregados do lado Penteado. E lá estava a
Maria Lúcia Moraes, casada com o Arnaldo e hoje detentores da "preciosa"
obra da ninhada de gatinhos. Conversamos sobre o assunto, e como a tela
se encontra na casa de veraneio, em Campos do Jordão, ficamos de
combinar oportunamente uma visita. Dois meses depois a Maria Lúcia me
lega, e informa que os "gatinhos" vieram para São Paulo para sofrer um
restauro. Combinamos mais uma vez um café para meu encontro com essa
"memória" de infância. Antes ou depois do restauro, não importa. Sei
exatamente como era real e linda essa pintura. Vou consultar meu amigo
Claudino Nóbrega para saber quem pode cuidar do restauro, e depois da
visita, conto como foi minha emoção.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

















