Crônica diária
Crônica de Natal
Não estava previsto um texto natalino, como de resto nunca escrevo sobre
as datas festivas e comemorativas durante o ano. Isso todos fazem, e
fazem melhor do que eu. Este ano me rendi por conta da Lara, netinha de
quatro anos, que me ensinou que era preciso, além das nozes para o Papai
Noel, deixar no pé da árvore umas cenouras para as renas. Nunca tinha
pensado nisso. Nunca teve cenouras nas casas dos meus avós e pais. Tão
pouco nas minhas, quando fizemos árvores para os nossos filhos. Sempre
um pratinho com nozes, quebrador e os respectivos sapatos para que o
velhinho deixasse os presentes. Os sapatos também foram, com o passar do
tempo, sendo substituídos por cartõezinhos com os nomes. Mas ninguém
lembrou das renas. Este ano a Lara cobrou, ecologicamente, umas
cenourinhas para elas. Terá sido na escola? Ou nos livrinhos que adora
folhear? Nos desenhos da TV? Ou onde teria ela ouvido que era preciso
alimentar as renas? O fato é que o natal é uma festa para criança, e
cada dia essa fantasia do Papai Noel, anda menos crível. Quanto mais
tempo existir, essa santa ingenuidade melhor. A Lara com sua pouca
idade já anda questionando como as renas, o trenó e o seu passageiro
podem voar. Elas andam cada dia mais sabidas, menos ingênuas,
infelizmente. Para viverem a realidade desse mundo terão o resto da
vida. O natal, e fim de ano, sempre foram os dias mais tristes do ano
para mim. Só salvos pelas crianças que nos rodeiam.

Um comentário:
Sete cenouras.
E serão sete as renas, Lara ?
Nada como o Natal para acontecer fantasia !...
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