Crônica diária
Ninguém mais assobia
Na crônica "O som carinhoso", Carlos Heitor Cony, em 2005, nos conta que
contratou o Adhemar, um envernizador confiável, para dar um trato numa
porta de seu apartamento. Lá pelas tantas e pensando estar sozinho na
casa o Adhemar começou a assobiar "Carinhoso" à perfeição. Nem alto, nem
baixo, no tom melodioso que sentia falta o Nelson Rodriguês, lamentando
que ninguém mais assobiava. O finado Sergio Porto, continua Cony,
contava que morou ao lado de um prédio em construção e durante doze
meses centena de operários, em diferentes turnos, assobiavam
"Carinhoso". E ele sentia o mesmo encantamento que o Nelson e o Cony. Eu
nunca consegui tirar do sopro, língua e dentes um som que prestasse,
mas lembro do, hoje nome de rua, William
Furneau, que se apresentava assobiando nos programas musicais da TV
Tupi, quando ainda era em preto e branco. Inimaginável nos dias de hoje.

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