Crônica do Alvaro Abreu
Compras na Leitão
Posso apostar que o pessoal mais novo não faz ideia do que vem a ser a loja (ou seria uma venda?) onde sempre vou quando preciso de alguma coisa fora do usual, aí incluindo cabo de enxada, preguinhos de aço ou canivete Corneta. Mesmo que não encontre o que esteja querendo, jamais perco a viagem naquela espécie de paraíso do consumo improvável e preventivo. Sou freguês do estabelecimento desde tempos bem remotos, quando o trecho norte da Leitão da Silva era calçado com paralelepípedos, tinha brejo por todo lado, algumas lojas de tinta, de material hidráulico e elétrico, além de galpões e pequenas casas. A nova loja de seu Emídio Paes deu outra vida ao lugar, atraindo compradores de material de construção. Não encontrando ali o que precisava, a gente ia na venda de seu Manoel Araújo, do outro lado da rua, um pouco mais adiante.
De lá pra cá, a loja daquele simpático português virou um shopping da construção e a outra, hoje a minha preferida, mudou-se para um galpão vizinho, bem maior, dispensou o velho balcão alto e adotou o modelo self service. Agora, o freguês encontra os mais variados e curiosos produtos, novos e usados, em bancadas e prateleiras nos corredores, fixados nas paredes, pendurados na estrutura do telhado e até mesmo no chão. Percebe-se uma boa dose de racionalidade na disposição dos estoques de pregos, parafusos, buchas, selas de cavalo, ganchos, louças de banheiro, holofotes, churrasqueiras, vassouras, marretas, tampas de bueiro e muito, muito mais.
Dia desses voltei lá para buscar um pau de enxada que o herdeiro de seu Manoel, meu colega no Irmã Maria Horta e no Salesiano, tinha me prometido. Ele, que sabe de cor o nome completo dos alunos da nossa turma e dos professores, me deu de presente seis varas bem retinhas de camará que mandou cortar no sítio onde ele cria umas poucas vacas e faz manteiga, queijo e requeijão. Com uma delas e a ajuda do simpático arco de serra já bem velho que acabei comprando por lá, fiz um grande balanço pra minha arara que, desconfiada, ainda não se acostumou com o brinquedo.
Vitória, 22 de agosto de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA


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