27.8.18

Crônica diária

Só acontece comigo

Sei que vão dizer que aconteceu com muitos dos meus leitores, mas duvido que tenha acontecido num espaço de tempo tão curto. Eu ia escrever sobre a escritura, aí veio o caso do crime ambiental, e não deu tempo, aconteceu o telefonema do entregador do Magazine Luiza. Vamos começar pela escritura. Vendi um terreno e tinha prazo para passar a escritura. Terreno comprado há muitos anos, achei melhor contratar um despachante para cuidar da burocracia. Vocês não podem acreditar como ela aumentou. São dezena de taxas, documentos, certidões para se lavrar e registrar uma escritura. Todos com data de validade. Se durante o período em que estiver percorrendo as dezena de repartições, órgãos e cartórios houver alguma pendência, corresse o risco de ter a validade de alguma certidão vencida. E será necessário voltar a tirar outra. Mas aí pode acontecer que o dono do cartório mate a namorada. Vai preso. O cartório circunstancialmente fica impedido de funcionar. Sua escritura atrasa mais uma semana. Isso aconteceu comigo. Mas na mesma época contrato uma engenheira florestal para fazer um Projeto de Recuperação Ambiental. Com prazos para entregar o Projeto, a mãe da engenheira morre e seu escritório fica fechado duas semanas. Na pequena cidade é a única engenheira cadastrada no órgão onde fui intimado, com prazos, a apresentar o tal Projeto. E para finalizar na mesma semana recebo uma ligação:
--Boa tarde.
--Boa tarde.
--É seu Eduardo?
--Eu mesmo.
--Sou o entregador do Magazine Luiza  e preciso confirmar um endereço. 
--Magazine Luiza? Perguntei.
--Sim Magazine Luiza.
--Mas eu não comprei nada nessa loja.
--O senhor não é o Eduardo Penteado Lunardelli?
--Sou, mas não fiz compra nenhuma nessa loja.
--Seu CPF não é 045 --- --- 00?
--É  esse mesmo.
--Eu preciso confirmar o endereço da entrega.
--Eu não forneço endereço por telefone.
--Então vou ter que devolver a mercadoria para os depósitos do Magazine Luiza.
--Que mercadoria  o senhor quer entregar?
--É uma máquina de lavar roupa, marca tal...modelo tal...
--Pode devolver para o depósito. Não fui eu quem comprou máquina nenhuma.
--Obrigado, vou fazer isso.

Continuo aguardando o despachante enviar-me a cópia da escritura. 
Continuo aguardando a engenheira curtir o luto materno.
Continuo sem saber como alguém compra uma lavadora em meu nome e CPF, e da como endereço um lugar onde nem sei onde fica. Nem eu, nem o entregador do Magazine Luiza. 
Só acontece comigo.
 Ah, tem a história do encanador, mas aí a crônica vai ficar muito longa.

Um comentário:

João Menéres disse...

Nem comento com receio que o Magazine Luiza me venha entregar uma urna !

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