Crônica diária
Ainda sobre "os meios boçais"
Três
domingos atrás acordei cedo sem internet no meu bairro. A informação é
que estava em reparo e só voltaria as 17 horas. Como não posso deixar
meus leitores sem a crônica diária não fiz barba, nem tomei meu café, e
com o moletom que dormi, coloquei um par de tênis e sai a procura de um
wifi. Fazia frio e chuviscava. A crônica, escrita dois dias antes, tinha
um título provocativo. Estava ansioso para saber a repercussão. Isso
não me acontece comumente. Postei o texto, e como era cedo, domingo, e
chuvoso, na primeira hora foram poucas as visitas e só um comentário
favorável. Resolvi voltar para casa, e esperar as reações quando a
internet voltasse. E retornei para cama. Quebrar rotinas, e
principalmente num domingo chuvoso, é uma delícia. Acordei perto das
onze horas depois de um sonho. Ou teria sido um pesadelo? O cenário é de
filmes do Visconti. Mesa para uma dúzia de cadeiras e nelas só senhoras
vestidas de longo, numa tarde primaveril. Deveria ser um fim de almoço
no campo. Ao ar livre, à sombra de uma árvore. E comecei a defender a
tese de que tratava minha crônica. Aos poucos as senhoras foram
levantando-se e deixando a mesa. Eu continuei meu discurso até não ter
mais nenhuma ouvinte. Acordei com fome e tristeza. A noite fui conferir a
audiência e constatei mais ou menos a mesma cena do Visconti no meu
sonho. Falar de política no Brasil ficou um monólogo, aborrecido e
desanimador. E depois pensando por que não tinha homens na mesa do
almoço deduzi que as mulheres eleitoras são muito menos "boçais" do que
os que compõe o eleitorado masculino. A crônica de três domingos atrás
nominava os defensores do Bolsonaro de "meio boçais". Os que desejam
contratar um miliciano para garantir a segurança de suas casas e
propriedades, não se dão conta que serão as próximas vítimas desse
bandido. A nossa sorte é que "meio boçais", numericamente, não elegem um
presidente.
PS- Este texto foi escrito há trinta dias. Hoje já não tenho tanta certeza do que afirmo acima. A primeira cidade que o Bolsonaro visitou em campanha no interior de São Paulo foi Presidente Prudente.E não deverá ter sido por acaso.
PS- Este texto foi escrito há trinta dias. Hoje já não tenho tanta certeza do que afirmo acima. A primeira cidade que o Bolsonaro visitou em campanha no interior de São Paulo foi Presidente Prudente.E não deverá ter sido por acaso.

Um comentário:
Os políticos sabem muito bem como nos enganar e como se governarem a eles.
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