26.8.18

Crônica diária

Ainda sobre "os meios boçais"

Três domingos atrás acordei cedo sem internet no meu bairro. A informação é que estava em reparo e só voltaria as 17 horas. Como não posso deixar meus leitores sem a crônica diária não fiz barba, nem tomei meu café, e com o moletom que dormi, coloquei um par de tênis e sai a procura de um wifi. Fazia frio e chuviscava. A crônica, escrita dois dias antes, tinha um título provocativo. Estava ansioso para saber a repercussão. Isso não me acontece comumente. Postei o texto, e como era cedo, domingo, e chuvoso, na primeira hora foram poucas as visitas e só um comentário favorável. Resolvi voltar para casa, e esperar as reações quando a internet voltasse. E retornei para cama. Quebrar rotinas, e principalmente num domingo chuvoso, é uma delícia. Acordei perto das onze horas depois de um sonho. Ou teria sido um pesadelo? O cenário é de filmes do Visconti. Mesa para uma dúzia de cadeiras e nelas só senhoras vestidas de longo, numa tarde primaveril. Deveria ser um fim de almoço no campo. Ao ar livre, à sombra de uma árvore. E comecei a defender a tese de que tratava minha crônica. Aos poucos as senhoras foram levantando-se e deixando a mesa. Eu continuei meu discurso até não ter mais nenhuma ouvinte. Acordei com fome e tristeza. A noite fui conferir a audiência e constatei mais ou menos a mesma cena do Visconti no meu sonho. Falar de política no Brasil  ficou um monólogo, aborrecido e desanimador. E depois pensando por que não tinha homens na mesa do almoço deduzi que as mulheres eleitoras são muito menos "boçais" do que os que compõe o  eleitorado masculino. A crônica de três domingos atrás nominava os defensores do Bolsonaro de "meio boçais". Os que desejam contratar um miliciano para garantir a segurança de suas casas e propriedades, não se dão conta que serão as próximas vítimas desse bandido. A nossa sorte é que "meio boçais", numericamente, não elegem um presidente.

PS- Este texto foi escrito há trinta dias. Hoje já não tenho tanta certeza do que afirmo acima. A primeira cidade que o Bolsonaro visitou em campanha no interior de São Paulo foi Presidente Prudente.E não deverá ter sido por acaso.

Um comentário:

João Menéres disse...

Os políticos sabem muito bem como nos enganar e como se governarem a eles.

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