Crônica diária
Falta de sorte
Com exatos dez dias entre um voo e outro, ambos pela Avianca, com
destinos trocados, voei na mesma aeronave, e por coincidência no mesmo
acento. 3D. Na frente e corredor. E não fui eu quem escolheu, uma vez
que na compra pela internet, muitas vezes as companhias não nos dão essa
opção. Foi o atendente dos aeroportos de Guarulhos e de Florianópolis
que escolheram respectivamente meus acentos. Na ida o comissário
solicitou-me trocar de lugar para não separar uma família com crianças.
Aceitei e a única poltrona vaga era a 3D. Ao tentar reclinar a poltrona,
assim que isso foi permitido, notei a falta do botão para fazê-lo. Não
reclamei. Usei minha quota de resignação e gentileza por uma boa causa. A
união de uma família. E não é que na volta me coube exatamente o mesmo
assento? Distraidamente aperto o lugar do suposto botão e meu polegar
entra pelo braço da poltrona. Achei graça, e mais uma vez, resignado,
não tentei mudar de lugar. Poderia ofender uma crente sentada ao meu
lado, no banco do meio, com uma velha e grossa bíblia no colo. Recitava
os salmos em voz baixa, mas audível. E na janela, outro passageiro, esse
funcionário da companhia, com um pequeno livrinho do Novo Testamento.
Em tão boa companhia, não seria justo abandona-los só pela falta de um
botão. E o voo era curto.

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