Crônica diária
"As cartas para um Ladrão de Livros"
Vi pela TV um curta sobre o nosso "Ladrão de livros" brasileiro. Peguei
no meio o documentário dos diretores Carlos Juliano Barros e Caio
Cavechini sobre Laércio Rodrigues de Oliveira. O curta
cinematograficamente é muito bom. O que mais me chamou atenção foi a
forma precisa e correta como o criminoso se expressa. Falando ou
escrevendo, tem um português muito acima da média. Aliás, ele mesmo
critica o analfabetismo das populações carcerárias por onde andou. O que
me chocou foram suas constantes referências ao seu marido. Ele, um
homossexual assumido, sem os detestáveis trejeitos femininos, fala do
seu marido com a maior naturalidade. E conta que ele também cumpre pena
no complexo prisional. E confessa que tem coração fraco e se apaixona
por qualquer "bofe". Esses detalhes, ditos com a maior crueza e
honestidade, me chocaram mais do que o fato do bandido roubar livros,
bibliotecas, e gravuras raras. O documentário, no meu caso, cumpriu o
seu papel. Mostrou com realismo o submundo da rapinagem em sebos,
bibliotecas e museus. No dia seguinte estou a bordo de um avião no
aeroporto de Florianópolis e minha poltrona que é umas das primeiras, no
corredor pude testemunhar a entrada de uma comissária de bordo de
folga, loira, linda, bem vestida, e que apresenta aos tripulantes, seus
colegas, o filho de oito anos, e o seu "ESPOSO". Meu deus. Até o "Ladrão
de livros" se refere corretamente ao seu marido. Ela, apesar da beleza,
e da profissão, ainda não aprendeu que tem um MARIDO e não um "esposo".
Falta leitura. A porta da aeronave fechou no horário previsto.

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