31.8.18
Crônica diária
Maçaneta das portas
Já escrevi que uma boa maneira de se conhecer as pessoas é pelo sapato
que calçam. Dia desses notei, ao sair no hall de elevadores, que as
maçanetas das portas também dizem muito de seus habitantes ou
proprietários. Em alguns edifícios a maçaneta é padronizada. Menos mal.
Em geral são os arquitetos ou decoradores da construtora quem escolhem
as ferragens. Mas quando as maçanetas das portas ficam ao livre arbítrio
dos inquilinos ou proprietários, é fácil defini-los. Embora gosto não
se discuta, ele revela muito de quem o exibe.
30.8.18
Singela homenagem ao amigo João Vogt
Hoje soube da morte do velho amigo João Vogt através do seu genro e grande amigo Dudi Maia Rosa. Muito antes de conhecer o João eu era amigo do artista plástico Dudi e conheci sua esposa Gilda aquarelista e pintora, grávida e com filho pequeno. O João fui encontrar no Jockey onde fazíamos ginástica e praticávamos cooper na mesma turma. Carioca, falante, muito carismático, conversava enquanto corríamos. E desenvolveu uma tese de que falando obrigava a disciplinar a respiração e com isso a corrida era mais agradável. Ao ser perguntado como fazia quando corria sem ter com quem conversar, respondeu: CANTAROLE. Passou a ser chamado carinhosamente de João Cantarole. Rendo aqui minhas homenagens póstumas ao amigo que deixa muita saudade.
Crônica diária
Helio de Almeida de novo 2º
Ontem contei minha dificuldade em contatar um dos melhores capistas
brasileiros. Hoje vou voltar a contar outra que se passou em outubro de
2010. Depois de muita procura e algumas tentativas frustradas consegui
ser recebido pelo meu velho e recluso amigo Frederico Nasser. Faz da sua
reclusão uma verdadeira lenda. Pois bem, apesar de ao me receber ele
ter alertado que estava com pouco tempo, a conversa durou uma hora e
meia, e só não foi mais longa porque a Paula minha mulher me cobrou pelo
celular. Ganhei um livro autografado e respeitando o pedido do amigo
não registrei o encontro com fotos. Contei dias depois para o Paulo, meu
irmão, essa história do encontro com o Frederico. E da minha estranheza
em não querer contato, não atender chamadas telefônicas ou responder
e-mails. O Paulo foi categórico: "Ele estava achando que você ia pedir
dinheiro emprestado". Rimos. Essa história correu entre muitos amigos
comuns. Todos riram. Todos sabem como o Nasser preserva e cultua a sua
reclusão. Será que é o mesmo caso com o Hélio de Almeida? Fico na
dúvida. Ou será que o Hélio é petista? Eu sou conhecido como
anticomunista, e tenho muitos conhecidos, principalmente na área
cultural, artística, teatral, e literária que me evitam por serem
socialistas. E tenho velhos amigos que estão fazendo campanha para o
Bolsonaro. Imagine alguém votar nesse capitão. E tenho amigos que vão.
29.8.18
Crônica diária
Helio de Almeida de novo
Foi no ano de 2016 no mês de outubro, dia 22 que publiquei uma crônica contando minha busca por um contato com o melhor, ou um dos melhores capistas brasileiro. Para facilitar transcrevo a crônica que se auto explica:
Foi no ano de 2016 no mês de outubro, dia 22 que publiquei uma crônica contando minha busca por um contato com o melhor, ou um dos melhores capistas brasileiro. Para facilitar transcrevo a crônica que se auto explica:
Alegre descoberta
"Conto o que se segue com o objetivo de
dividir esta experiência pessoal com meus leitores. No ano de 2012, portanto,
quatro anos atrás, ao lançar meu livro "O último blog e outras
blogagens" fiquei às voltas com a capa do livro. Estava completamente
inseguro de como proceder. Havia desenhado, pintado, criado marcas, e logotipos,
durante cinquenta anos. E diante do desafio de criar uma capa para meu próprio
livro, me via perdido. Resolvi procurar um dos quatro maiores capistas
brasileiros Helio de Almeida com quem tinha convivido na juventude. Tenho
dele até hoje um lindo desenho. Não foi fácil conseguir seu e-mail e telefone.
Tomei coragem e escrevi. Nunca obtive resposta. Chateado, tomei a decisão de
que se não fosse para dar ao melhor designer da área, eu mesmo criaria a capa.
Arrisquei respaldado por uma linda caricatura minha, feita pelo renomado
Sponholz, que muito gentilmente autorizou-me usa-la. Fundo preto, letras em
amarelo e a caricatura em traço preto e fundo branco. Ficou linda. Depois o
temor foi passando aos poucos, e hoje imagino as capas dos novos livros, e o meu
filho Guilherme as materializa. O resultado tem sido cada dia melhor. Passou a
insegurança, e a necessidade do Helio hoje é passado remoto. Sou grato por ele
nunca ter respondido. Muitas vezes as facilidades inibem nosso desenvolvimento.
É preciso acreditar, e ir à luta. O resultado sempre é muito positivo."
Em
novembro de 2017 conheci a livraria Zaccaro e seu simpático
proprietário Lucio. Fiquei freguês. Voltei algumas vezes. Comprei alguns
livros indicados pelo livreiro. Mas na Zaccaro tem muitos trabalhos do
Helio de Almeida e certo dia contei ao Lucio a minha história em busca
do bom capista. Fiquei até de um dia mostrar em foto o desenho que tenho
dele. Ainda não consegui fazer essa foto. O desenho esta em Campinas,
numa fazenda, e não fui mais lá. Mas não esqueci da promessa. Quase um
ano depois, em agosto de 2018, navegando pela internet dei de cara com a
página do Helio no Facebook. Deixei uma mensagem. Agora não mais
querendo uma capa, mas oferecendo meus 12 livros, com capas minhas,
quase que agradecendo ele nunca ter respondido meus contatos. Também não
respondeu. Escrevi um e-mail transcrevendo a mensagem do FB. Nada de
resposta. O Helinho, como alguns amigos comuns o chamam, é difícil de ser
encontrado, ou de responder um e-mail. A propósito amanhã conto outra
história parecida.
28.8.18
Crônica diária
Seis sanduíches
Para escrever sobre comida o ideal é estar com fome. Estamos aguardando
uma pessoa para o almoço e estou com um apetite absurdo. E isso me faz
lembrar os melhores sanduíches que comi na vida. Adoro sanduíche.
Detesto que os chamem de lanche. O primeiro e o segundo não existem
mais. Os restaurantes que os serviam fecharam. Pão francês com bife à
milanesa do Pandóro, e sanduíches maravilhosos no Blue da rua Haddock
Lobo. Os outros são absolutamente notáveis: o de mortadela do Mercado
Central em São Paulo, o de lula no Town Sandwich Co, o de pernil do Bar Estadão e finalmente o Beirute do Frevinho, recentemente lembrado pelo Osny Silveira.
27.8.18
Crônica diária
Só acontece comigo
Sei que vão dizer que aconteceu com muitos dos meus leitores, mas duvido que tenha acontecido num espaço de tempo tão curto. Eu ia escrever sobre a escritura, aí veio o caso do crime ambiental, e não deu tempo, aconteceu o telefonema do entregador do Magazine Luiza. Vamos começar pela escritura. Vendi um terreno e tinha prazo para passar a escritura. Terreno comprado há muitos anos, achei melhor contratar um despachante para cuidar da burocracia. Vocês não podem acreditar como ela aumentou. São dezena de taxas, documentos, certidões para se lavrar e registrar uma escritura. Todos com data de validade. Se durante o período em que estiver percorrendo as dezena de repartições, órgãos e cartórios houver alguma pendência, corresse o risco de ter a validade de alguma certidão vencida. E será necessário voltar a tirar outra. Mas aí pode acontecer que o dono do cartório mate a namorada. Vai preso. O cartório circunstancialmente fica impedido de funcionar. Sua escritura atrasa mais uma semana. Isso aconteceu comigo. Mas na mesma época contrato uma engenheira florestal para fazer um Projeto de Recuperação Ambiental. Com prazos para entregar o Projeto, a mãe da engenheira morre e seu escritório fica fechado duas semanas. Na pequena cidade é a única engenheira cadastrada no órgão onde fui intimado, com prazos, a apresentar o tal Projeto. E para finalizar na mesma semana recebo uma ligação:
Sei que vão dizer que aconteceu com muitos dos meus leitores, mas duvido que tenha acontecido num espaço de tempo tão curto. Eu ia escrever sobre a escritura, aí veio o caso do crime ambiental, e não deu tempo, aconteceu o telefonema do entregador do Magazine Luiza. Vamos começar pela escritura. Vendi um terreno e tinha prazo para passar a escritura. Terreno comprado há muitos anos, achei melhor contratar um despachante para cuidar da burocracia. Vocês não podem acreditar como ela aumentou. São dezena de taxas, documentos, certidões para se lavrar e registrar uma escritura. Todos com data de validade. Se durante o período em que estiver percorrendo as dezena de repartições, órgãos e cartórios houver alguma pendência, corresse o risco de ter a validade de alguma certidão vencida. E será necessário voltar a tirar outra. Mas aí pode acontecer que o dono do cartório mate a namorada. Vai preso. O cartório circunstancialmente fica impedido de funcionar. Sua escritura atrasa mais uma semana. Isso aconteceu comigo. Mas na mesma época contrato uma engenheira florestal para fazer um Projeto de Recuperação Ambiental. Com prazos para entregar o Projeto, a mãe da engenheira morre e seu escritório fica fechado duas semanas. Na pequena cidade é a única engenheira cadastrada no órgão onde fui intimado, com prazos, a apresentar o tal Projeto. E para finalizar na mesma semana recebo uma ligação:
--Boa tarde.
--Boa tarde.
--É seu Eduardo?
--Eu mesmo.
--Sou o entregador do Magazine Luiza e preciso confirmar um endereço.
--Magazine Luiza? Perguntei.
--Sim Magazine Luiza.
--Mas eu não comprei nada nessa loja.
--O senhor não é o Eduardo Penteado Lunardelli?
--Sou, mas não fiz compra nenhuma nessa loja.
--Seu CPF não é 045 --- --- 00?
--É esse mesmo.
--Eu preciso confirmar o endereço da entrega.
--Eu não forneço endereço por telefone.
--Então vou ter que devolver a mercadoria para os depósitos do Magazine Luiza.
--Que mercadoria o senhor quer entregar?
--É uma máquina de lavar roupa, marca tal...modelo tal...
--Pode devolver para o depósito. Não fui eu quem comprou máquina nenhuma.
--Obrigado, vou fazer isso.
Continuo aguardando o despachante enviar-me a cópia da escritura.
Continuo aguardando a engenheira curtir o luto materno.
Continuo
sem saber como alguém compra uma lavadora em meu nome e CPF, e da como
endereço um lugar onde nem sei onde fica. Nem eu, nem o entregador do
Magazine Luiza.
Só acontece comigo.
Ah, tem a história do encanador, mas aí a crônica vai ficar muito longa. 26.8.18
Crônica diária
Ainda sobre "os meios boçais"
Três
domingos atrás acordei cedo sem internet no meu bairro. A informação é
que estava em reparo e só voltaria as 17 horas. Como não posso deixar
meus leitores sem a crônica diária não fiz barba, nem tomei meu café, e
com o moletom que dormi, coloquei um par de tênis e sai a procura de um
wifi. Fazia frio e chuviscava. A crônica, escrita dois dias antes, tinha
um título provocativo. Estava ansioso para saber a repercussão. Isso
não me acontece comumente. Postei o texto, e como era cedo, domingo, e
chuvoso, na primeira hora foram poucas as visitas e só um comentário
favorável. Resolvi voltar para casa, e esperar as reações quando a
internet voltasse. E retornei para cama. Quebrar rotinas, e
principalmente num domingo chuvoso, é uma delícia. Acordei perto das
onze horas depois de um sonho. Ou teria sido um pesadelo? O cenário é de
filmes do Visconti. Mesa para uma dúzia de cadeiras e nelas só senhoras
vestidas de longo, numa tarde primaveril. Deveria ser um fim de almoço
no campo. Ao ar livre, à sombra de uma árvore. E comecei a defender a
tese de que tratava minha crônica. Aos poucos as senhoras foram
levantando-se e deixando a mesa. Eu continuei meu discurso até não ter
mais nenhuma ouvinte. Acordei com fome e tristeza. A noite fui conferir a
audiência e constatei mais ou menos a mesma cena do Visconti no meu
sonho. Falar de política no Brasil ficou um monólogo, aborrecido e
desanimador. E depois pensando por que não tinha homens na mesa do
almoço deduzi que as mulheres eleitoras são muito menos "boçais" do que
os que compõe o eleitorado masculino. A crônica de três domingos atrás
nominava os defensores do Bolsonaro de "meio boçais". Os que desejam
contratar um miliciano para garantir a segurança de suas casas e
propriedades, não se dão conta que serão as próximas vítimas desse
bandido. A nossa sorte é que "meio boçais", numericamente, não elegem um
presidente.
PS- Este texto foi escrito há trinta dias. Hoje já não tenho tanta certeza do que afirmo acima. A primeira cidade que o Bolsonaro visitou em campanha no interior de São Paulo foi Presidente Prudente.E não deverá ter sido por acaso.
PS- Este texto foi escrito há trinta dias. Hoje já não tenho tanta certeza do que afirmo acima. A primeira cidade que o Bolsonaro visitou em campanha no interior de São Paulo foi Presidente Prudente.E não deverá ter sido por acaso.
25.8.18
Crônica do Alvaro Abreu
Compras na Leitão
Posso apostar que o pessoal mais novo não faz ideia do que vem a ser a loja (ou seria uma venda?) onde sempre vou quando preciso de alguma coisa fora do usual, aí incluindo cabo de enxada, preguinhos de aço ou canivete Corneta. Mesmo que não encontre o que esteja querendo, jamais perco a viagem naquela espécie de paraíso do consumo improvável e preventivo. Sou freguês do estabelecimento desde tempos bem remotos, quando o trecho norte da Leitão da Silva era calçado com paralelepípedos, tinha brejo por todo lado, algumas lojas de tinta, de material hidráulico e elétrico, além de galpões e pequenas casas. A nova loja de seu Emídio Paes deu outra vida ao lugar, atraindo compradores de material de construção. Não encontrando ali o que precisava, a gente ia na venda de seu Manoel Araújo, do outro lado da rua, um pouco mais adiante.
De lá pra cá, a loja daquele simpático português virou um shopping da construção e a outra, hoje a minha preferida, mudou-se para um galpão vizinho, bem maior, dispensou o velho balcão alto e adotou o modelo self service. Agora, o freguês encontra os mais variados e curiosos produtos, novos e usados, em bancadas e prateleiras nos corredores, fixados nas paredes, pendurados na estrutura do telhado e até mesmo no chão. Percebe-se uma boa dose de racionalidade na disposição dos estoques de pregos, parafusos, buchas, selas de cavalo, ganchos, louças de banheiro, holofotes, churrasqueiras, vassouras, marretas, tampas de bueiro e muito, muito mais.
Dia desses voltei lá para buscar um pau de enxada que o herdeiro de seu Manoel, meu colega no Irmã Maria Horta e no Salesiano, tinha me prometido. Ele, que sabe de cor o nome completo dos alunos da nossa turma e dos professores, me deu de presente seis varas bem retinhas de camará que mandou cortar no sítio onde ele cria umas poucas vacas e faz manteiga, queijo e requeijão. Com uma delas e a ajuda do simpático arco de serra já bem velho que acabei comprando por lá, fiz um grande balanço pra minha arara que, desconfiada, ainda não se acostumou com o brinquedo.
Vitória, 22 de agosto de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
Crônica diária
Organização criminosa
Se alguém tinha dúvida de que o PT era uma organização criminosa, agora comandada de dentro da prisão, não resta mais dúvida.
24.8.18
Crônica diária
Um suspense no final
Minhas crônicas diárias que são postadas em três lugares digitais
diferentes, dois blogs e na minha página do Facebook, a cada 300 são
reunidas e publicadas em livro de papel por duas razões: porque gosto de
livros, e outra porque desconfio que, o que esta nas nuvens, um dia
pode desaparecer. Já são seis livros concluídos dos quais quatro
publicados. Os outros virão em seguida, dois por ano. Acontece que
estamos num ano eleitoral e o livro com as crônicas que tratam da
disputa das urnas, e portanto do futuro do país, termina 49 dias antes
do segundo turno dia 18 de outubro de 2018. "Cronicante" é seu título.
Nele faço minhas apostas para o resultado do pleito. Com 83 dias de
antecedência aposto na derrota do primeiro colocado nas pesquisas
(Bolsonaro) e a vitória no segundo turno do quarto candidato nas
pesquisas. Vaticino que mais uma vez a disputa será entre PT e PMDB. Só
os leitores do "Oitavo", título do livro seguinte, com mais 300
crônicas, saberão o resultado. "Cronicante" termina com um suspense. O
"Oitavo" com a esperança de que as urnas consagrem um presidente que
corresponda minimamente com os anseios da população.
23.8.18
Crônica diária
Crônica sem título, por enquanto
Aos poucos as afinidades vão juntando pessoas que apesar de não se
conhecerem pessoalmente passam a se interagir como amigos de longa data.
O fato é que afinidades juntam as pessoas. E por elas passamos a ter
admiração, respeito, e prazer em trocar informações, ideias, e
conhecimentos que para os comuns dos mortais é completamente inútil.
Por circunstâncias da vida o escritor lisboeta com quem travava essas
conversas se separou, passou por um longo período deprimido, e voltou a
namorar uma rapariga, que não conheço. Mas nossos papos literários foram
interrompidos, temporariamente, espero eu. Neste ínterim um novo
assumiu o posto e temos dado boas e gostosas risadas. E olhe que os
tempos não estão para rir. Muito pelo contrário. Ele escreve, e muito
bem. Cria histórias deliciosas. Às vezes, seus textos são tão elaborados
literariamente, que escapa, de boa parte dos leitores, a compreensão
exata. Ele, então, explica. Pacientemente. O humor é seu pano de fundo,
usando da ironia, da crítica social, política e institucional, para
criar situações cômicas e divertidas. Desde o título de seus textos,
como por exemplo: " SUTIÃ PENDURADO NA ORELHA DO MINISTRO DA JUSTIÇA",
até toda a trama desenvolvida, são usados para provocar interesse,
suspense, sorrisos e prazer literário. Não preciso dizer que estou
falando do Roberto Klotz. Recentemente andamos falando da sonoridade das
palavras, como esbórnia, por exemplo. E no mesmo dia recebo um e-mail
de um amigo de Veneza, me saudando com um vinho local denominado Raboso.
Não pude deixar de lembrar da água mineral portuguesa chamada Penacova.
Há palavras absurdamente envolventes, sedutoras e amáveis. Outras
desastrosas.
22.8.18
Crônica diária
Mais um tiro no pé
Fernando Henrique Cardoso diante do crescimento eleitoral do Bolsonaro
tem dado entrevistas dizendo que se o capitão for para o segundo turno,
uma aliança entre o PSDB e PT não esta descartada. Essa declaração é
absurda tontice. E pior, um atestado de que esses dois partidos, que se
revezam no poder há décadas, "fingindo" fazer oposição um ao outro, são
farinha do mesmo saco. Dá com essa declaração arma e munição aos seus
adversários. O eleitor do Bolsonaro nunca foi do PT, e muitos deles eram
do PSDB. Com uma união PT - PSDB só quem ganha é o Bolsonaro, que irá
abocanhar grande número de eleitores do PSDB que não admitem essa
parceria, e votarão no Bolsonaro, como antídoto ao PT. Logo, FHC, mais
uma vez foi infeliz, e esta dando um tiro no pé. Quanto às minhas
apostas de que o Bolsonaro não chega ao segundo turno, e que lá estarão o
Haddad e o Geraldo, apesar de cinquenta dias antes do pleito, as
pesquisas demonstrarem o contrário.
21.8.18
Crônica diária
Japoneses criativos ou o out door no sovaco
Dizia-se que os japoneses não eram criativos. Uma empresa de publicidade
japonesa Waki Ad Company esta selecionando modelos femininos por 10 mil
ienes por hora (R$355,00) para se exporem nos meios de transporte
público segurando a argola de apoio, acima da cabeça, e exibindo um
adesivo nas axilas. O produto que anunciam é do fabricante de cosméticos
Himecoto, que entre outros produz um clareador para axilas. É uma
estratégia de marketing no mínimo inovadora.
20.8.18
Crônica diária
Absurdo de engraçado
Abusando do direito de plagiar o Ruy, uso aqui, como título, a palavra
absurdo para adjetivar engraçado. Nos tempos atuais nem palhaço consegue
fazer graça. No máximo um humor negro. Minha querida amiga e leitora
Ana Maria, disse num comentário, que "adorava minha veia cômica
apurada". Eu cômico? No máximo, e exagerando, sou bem humorado, ou me
esforço em parecer. O mundo mudou, e no Brasil as coisas degringolaram.
Há um absurdo mau humor reinante. Implantou-se um estado belígero entre
gêneros. Entre classes sociais. Entre religiões. Entre ideologias. E
tudo regido pelo famigerado: "politicamente correto". Uma bobajada
absurda.
19.8.18
Crônica diária
Moral e cívica
Mario Pucci escreve no FB lembrando-me que há 60 anos fomos colegas no
Dante. Nas minhas contas faz mais de sessenta, mas não importa. Lembro
perfeitamente do Mario e de muitos outros que nunca mais vi. E foi por
conta desse lembrete que me veio à memória uma fala da Dona Rosa, minha
professora do primeiro ano primário. Todos nós de calça curta, meia
branca e sapato da Casa Toddy, gravata azul e camisa branca, ouvimos,
incrédulos, que poderia estar ali, naquela classe, um futuro presidente
da república. Ainda não aconteceu. Nem daquela longínqua sala de aula,
nem de nenhuma outra em que estive presente. Mas foram contemporâneos
meus, no Dante, gente que esta no poder, como o Aloisio Nunes Ferreira,
Ministro das Relações Exteriores, e outros que são cogitados para
comporem chapa de vice presidentes da república, como o jurista Miguel
Reali Jr. Mas chegar à presidência ainda não chegaram. Pudera, nos
últimos anos, escolaridade e boa formação moral e cívica não tem sido o
principal requisito para o ocupante do mais alto cargo da nossa
República.
18.8.18
Crônica diária
O som, o tom, e o peso das palavras
Tem palavras na nossa língua que tem peso, som e tom independentes do
seu significado. Ou as vezes até diverso do seu sentido. Como por
exemplo "galhardear". Foi a minha leitora Vera Albernaz quem
usou-a num recente comentário: "Maravilhoso o seu poder de
galhardear!". Fico honrado com o elogio e sugiro aos meus leitores
procurarem saber o significado. Outras são "jatobá", "tamarindo", e
"ramalhete". Minha paixão sobre essa ultima vem de longe. Achei-a nas
colunas sociais do Tavares de Miranda. Era o nome de um sítio do
Carlinhos Salem. Tomei o nome "emprestado" e batizei uma área de terra
que comprei junto a uma propriedade que tive em Itapura. Ramalhete é por
tudo uma palavra completa. Som tom peso e significado. Ita, do guarani,
que significa pedra, também deu em nossa língua centena de boas
combinações. Flamboaiã
(do Francês), torniquete, maçaranduba, goiabada, forquilha são outros
bons exemplos. E quem fez bom uso disso foi Gilberto Gil.
17.8.18
Crônica diária
Falta de sorte
Com exatos dez dias entre um voo e outro, ambos pela Avianca, com
destinos trocados, voei na mesma aeronave, e por coincidência no mesmo
acento. 3D. Na frente e corredor. E não fui eu quem escolheu, uma vez
que na compra pela internet, muitas vezes as companhias não nos dão essa
opção. Foi o atendente dos aeroportos de Guarulhos e de Florianópolis
que escolheram respectivamente meus acentos. Na ida o comissário
solicitou-me trocar de lugar para não separar uma família com crianças.
Aceitei e a única poltrona vaga era a 3D. Ao tentar reclinar a poltrona,
assim que isso foi permitido, notei a falta do botão para fazê-lo. Não
reclamei. Usei minha quota de resignação e gentileza por uma boa causa. A
união de uma família. E não é que na volta me coube exatamente o mesmo
assento? Distraidamente aperto o lugar do suposto botão e meu polegar
entra pelo braço da poltrona. Achei graça, e mais uma vez, resignado,
não tentei mudar de lugar. Poderia ofender uma crente sentada ao meu
lado, no banco do meio, com uma velha e grossa bíblia no colo. Recitava
os salmos em voz baixa, mas audível. E na janela, outro passageiro, esse
funcionário da companhia, com um pequeno livrinho do Novo Testamento.
Em tão boa companhia, não seria justo abandona-los só pela falta de um
botão. E o voo era curto.
16.8.18
Crônica diária
"As cartas para um Ladrão de Livros"
Vi pela TV um curta sobre o nosso "Ladrão de livros" brasileiro. Peguei
no meio o documentário dos diretores Carlos Juliano Barros e Caio
Cavechini sobre Laércio Rodrigues de Oliveira. O curta
cinematograficamente é muito bom. O que mais me chamou atenção foi a
forma precisa e correta como o criminoso se expressa. Falando ou
escrevendo, tem um português muito acima da média. Aliás, ele mesmo
critica o analfabetismo das populações carcerárias por onde andou. O que
me chocou foram suas constantes referências ao seu marido. Ele, um
homossexual assumido, sem os detestáveis trejeitos femininos, fala do
seu marido com a maior naturalidade. E conta que ele também cumpre pena
no complexo prisional. E confessa que tem coração fraco e se apaixona
por qualquer "bofe". Esses detalhes, ditos com a maior crueza e
honestidade, me chocaram mais do que o fato do bandido roubar livros,
bibliotecas, e gravuras raras. O documentário, no meu caso, cumpriu o
seu papel. Mostrou com realismo o submundo da rapinagem em sebos,
bibliotecas e museus. No dia seguinte estou a bordo de um avião no
aeroporto de Florianópolis e minha poltrona que é umas das primeiras, no
corredor pude testemunhar a entrada de uma comissária de bordo de
folga, loira, linda, bem vestida, e que apresenta aos tripulantes, seus
colegas, o filho de oito anos, e o seu "ESPOSO". Meu deus. Até o "Ladrão
de livros" se refere corretamente ao seu marido. Ela, apesar da beleza,
e da profissão, ainda não aprendeu que tem um MARIDO e não um "esposo".
Falta leitura. A porta da aeronave fechou no horário previsto.
15.8.18
Crônica diária
Caindo na real
As eleições de outubro se aproximam e temos que nos contentar com a
realidade. Nenhum dos candidatos com chances de ir para o segundo turno é
um verdadeiro líder, um estadista, um político capaz de empolgar as
massas e de se eleger com cacife suficiente para promover as reformas
que o país demanda. Esse é o fato concreto com que temos que lidar. Não
será ainda desta vez que o Brasil retornará sua rota de desenvolvimento.
Não será com os políticos que aí estão que faremos as reformas, sem as
quais não haverá saída. Diante desse quadro nos resta optar por quem
menos prejudique a nação. Devemos estar preparados para enfrentar o
mesmo de sempre por mais quatro anos. Depois disso, só Deus sabe.
14.8.18
Crônica diária
Terra e mulher
Leio pela segunda vez o Ruy Castro falar mal da honorabilidade do jornalista David Nasser que segundo ele próprio diz " era o mais famoso do país". Mas acrescenta: "não o mais honesto". O que terá feito o Nasser que eu não sei? O que sei e posso contar é que trabalhou para os Diários Associados e escrevia um artigo de página dupla no "O Cruzeiro", revista semanal mais importante da época. Ser empregado do Assis Chateaubriand não deveria ser fácil, mas daí chama-lo de desonesto...
Leio pela segunda vez o Ruy Castro falar mal da honorabilidade do jornalista David Nasser que segundo ele próprio diz " era o mais famoso do país". Mas acrescenta: "não o mais honesto". O que terá feito o Nasser que eu não sei? O que sei e posso contar é que trabalhou para os Diários Associados e escrevia um artigo de página dupla no "O Cruzeiro", revista semanal mais importante da época. Ser empregado do Assis Chateaubriand não deveria ser fácil, mas daí chama-lo de desonesto...
Certa
vez procurei-o e me recebeu em seu apartamento no Rio. Levei um susto
ao perceber que o jornalista de tão belas letras era gago. A conversa
com ele foi sobre pecuária. Quando soube que eu havia comprado e pago
uma fazenda e o vendedor só iria entrega-la alguns meses depois me
censurou: "mulher e terra é de quem esta em cima."
13.8.18
Myra Landau em São Paulo
O OUTRO TRANS-ATLÂNTICO - Exposição e atividades integradas. saiba mais
Com curadoria de Marta Dziewanska, Dieter Roelstraete e Abigail Winograd,
a mostra foi organizada pelo Museu de Arte Moderna de Varsóvia em 2017,
tendo passado pelo Garage Museum of Contemporary Art em Moscou em 2018.
A exposição examina um breve momento, embora historicamente
significativo, na era pós-guerra, quando artistas da Europa Oriental e
América Latina compartilharam um entusiasmo por Arte Cinética e Op Art.
Essa tendência representou uma alternativa e um desafio para o consenso
crítico da arte dominante no Atlântico Norte. Enquanto o Expressionismo
abstrato, a Arte Informal e a Abstração lírica reinavam supremos nos
centros de arte estabelecidos de Paris, Londres e Nova York, um capítulo
distinto da história da arte estava sendo escrito, ligando os pólos de
Varsóvia, Budapeste, Zagreb, Bucareste e Moscou com Buenos Aires,
Caracas, Rio de Janeiro e São Paulo.
Uma rede de práticas artísticas foi forjada, seus artistas se
comprometeram com um conjunto inteiramente diferente de questões
estéticas surgidas no contexto de realidades políticas e econômicas
análogas. O florescimento da Arte Cinética e da Op Art nessas regiões
foi, em grande parte, uma manifestação de fascínio pelo movimento, seus
efeitos estéticos e as oportunidades dinâmicas que gerou, criando novas
possibilidades para o engajamento do público.
Desde modo, a mostra apresenta obras de mais de 40 artistas e coletivos
vindos de ambos os lados do Atlântico, apresentados em uma narrativa
que reflete fatos comuns entre seus interesses e intuição criativa.
Através de um foco em arte que ultrapassou objetos estáticos e
definições claras do papel do artista, o caráter de uma obra de arte e o
papel do espectador, a exposição tenta reescrever um capítulo
marginalizado da história da arte após a Segunda Guerra Mundial através
da uma perspectiva geopolítica diferente.
Em São Paulo, a mostra organizada pelo Sesc SP, em colaboração com o Museu de Arte Moderna da Varsóvia, com o Museu de Arte Contemporânea Garage; Instituto Adam Mickiewicz e com a Casa Sanguszko de Cultura Polonesa,
seleciona além das obras originalmente apresentadas em Varsóvia e
Moscou, um maior número de obras de arte da América Latina, tendo
contado com a colaboração da pesquisadora Ana Avelar.
Local: Espaço Expositivo (2º andar).Livre. Grátis.
Imagem: Vladimir Akulinin Black Spiral, 19672017
metal, thread, 61 x 26 x 22 cm
Cortesia do artista
Foto: Franciszek Buchner
Esta exposição é uma realização do Sesc em São Paulo em parceira com o Museu de Arte Moderna da Varsóvia, o Instituto Adam Mickiewicz e com a Casa Sanguszko de Cultura Polonesa.
Crônica diária
Os dois bares da minha vida
Não vou dizer todos, porque certamente um ou dois cronistas, neste
mundo, também não beberam. Eu sou um deles. Nunca bebi e não tenho
histórias de bar para contar. Não foi por virtude. Foi por
incompetência, mesmo. Ruy Castro parou de beber aos 40 anos, em 1988.
Ernest Hemingway bebia em dois bares de NY, Madri e Paris. E quase todos
escritores tem histórias relacionadas aos seus bares. Na minha vida
frequentei, sem beber, dois bares. O Silvio´s na avenida Angélica, onde
ia jantar depois das aulas. O Fernando Azzi era frequentador assíduo. No
Plano´s ia por duas boas razões: era o melhor bar da época, e era da
minha sogra Sylvia Kowarick.
12.8.18
Crônica diária
O ciclo completo
Hoje ao colocar uma página de revista, dessas que oferecem a bordo dos
aviões, para atiçar o fogo da minha lareira, constatei que estava
prestes a completar um ciclo perfeito. Da semente de uma planta nasce
uma árvore, de sua polpa se fabrica o papel, e dele uma página colorida
de revista. Ao queima-la, suas cinzas, com as da madeira queimada,
voltam para a terra do jardim, onde novas sementes se tornarão árvores.
Se tiverem sorte, páginas coloridas de revista.
11.8.18
Crônica diária
Financiamento público de campanha
O André, filho de um primo, economista, com viés visivelmente
socialista, não concorda com o partido NOVO 30 no item financiamento
publico de campanha. O partido é contra. André argumenta que sendo assim
nenhum pobre se elegeria. Quero ponderar com o André que nosso
congresso esta repleto de gente que se elegeu pobre para se enriquecer.
E estão milionários. E estão na Lava Jato. Ser pobre não é a melhor
condição para um indivíduo seguir a carreira de político. É preciso ser
idealista, preparado, competente, experiente e se possível muito rico.
Assim eram os políticos de antigamente. Entravam ricos na política e
dela saiam pobres. Assim são em muitas democracias mundo a fora.
Concordo com o André que o Novo 30 peca por ser muito elitista. Faltam
mulheres, negros e japoneses em seus quadros. Mas não necessariamente
pobres.
10.8.18
Crônica diária
Eu conheci
Eu conheci algumas figuras públicas que viraram nome de rua e avenida.
Vi Getúlio Vargas uma vez na vida, numa aparição no Parque da Água
Branca, em São Paulo, quando com meu pai e meu irmão Paulo, visitávamos
uma feira pecuária. Lá estava ele com seu charuto e o guarda costa
Gregório. Conheci Vinicius de Moraes, Prestes Maia, Carlos Lacerda,
Antonio Carlos Magalhães, Adhemar de Barros, Laudo Natel, para ficar só
nos falecidos. Mas tenho um especial orgulho de ter conhecido um
escritor que é nome de rua no Rio. Eu era Presidente do Grêmio Literário
Machado de Assis, e fui ao Rio convidar Marques Rebelo para fazer uma
conferência no Colégio de Cataguases. Convite aceito recepcionei-o no
evento. E dessa rua tenho orgulho de ter conhecido o homenageado.
9.8.18
Luiz Vita - A viagem imóvel
Meu
caro EX-CRITOR, faço parte com muito prazer destes 14 viajantes e tenho
certeza seu blog, logo mais, terá centenas ajudando a remar!
Acho que são mais de 18, mas nem eu sei bem!!!!Quantidade não é diretamente proporcional à qualidade, muito pelo contrário. Mas tenho mania por "PALAVRAS", e quando gosto de uma, logo imagino um blog com ela no trítulo. Depois é que penso no assunto ou tema para o blog! E assim vamos...
Mas para facilitar sua pesquisa no "blogfundio", recomendo especialmente o Varal ( o primeiro, e pai dos outros), O Último blog, que já conhece, o DROPS AZUL ANISS para desopilar, e a VÍTIMA DA QUINTA, onde uma vez por semana uma FOTO DO PERFIL vira caricatura! Cuidado, você pode ser uma delas!
Não posso deixar de recomendar o QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO, por ser um blog de literatura, e que desde já espera pela sua colaboração!
Paro por aqui, e desejo muito sucesso ao seu blog! Agradeço a postagem, que tomarei a liberdade de repercuti-la no Varal, o que certamente trará mais uns poucos remadores...srsrs
Forte abraço, E.P.L.
Acho que são mais de 18, mas nem eu sei bem!!!!Quantidade não é diretamente proporcional à qualidade, muito pelo contrário. Mas tenho mania por "PALAVRAS", e quando gosto de uma, logo imagino um blog com ela no trítulo. Depois é que penso no assunto ou tema para o blog! E assim vamos...
Mas para facilitar sua pesquisa no "blogfundio", recomendo especialmente o Varal ( o primeiro, e pai dos outros), O Último blog, que já conhece, o DROPS AZUL ANISS para desopilar, e a VÍTIMA DA QUINTA, onde uma vez por semana uma FOTO DO PERFIL vira caricatura! Cuidado, você pode ser uma delas!
Não posso deixar de recomendar o QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO, por ser um blog de literatura, e que desde já espera pela sua colaboração!
Paro por aqui, e desejo muito sucesso ao seu blog! Agradeço a postagem, que tomarei a liberdade de repercuti-la no Varal, o que certamente trará mais uns poucos remadores...srsrs
Forte abraço, E.P.L.
Eduardo,
Você foi uma ótima aquisição pro nosso barco. Parece ser um homem forte, o que será bom para poupar dos remos as mulheres que aqui estão e são maioria.
É incrível como vamos conhecendo gente nova a cada dia com um clik do mouse e elas nos trazem tantos presentes sem ao menos nos conhecerem. Mas parece que são amizades antigas, de infância. Os encontros aqui parecem reencontros. É como se desde sempre nos conhecêssemos.
Vou entrar em todos os seus blogs, principalmente o Varal e o literário, para descobrir as novidades do seu mundo.
Obrigado pelo texto carinhoso.
Abração, Luiz Vita
Você foi uma ótima aquisição pro nosso barco. Parece ser um homem forte, o que será bom para poupar dos remos as mulheres que aqui estão e são maioria.
É incrível como vamos conhecendo gente nova a cada dia com um clik do mouse e elas nos trazem tantos presentes sem ao menos nos conhecerem. Mas parece que são amizades antigas, de infância. Os encontros aqui parecem reencontros. É como se desde sempre nos conhecêssemos.
Vou entrar em todos os seus blogs, principalmente o Varal e o literário, para descobrir as novidades do seu mundo.
Obrigado pelo texto carinhoso.
Abração, Luiz Vita
Crônica diária
"Trisal" deixa o Brasil
Passava pouco das sete da manhã quando o telefone tocou.
Quem será tão cedo?
Era o Leonardo, e foi logo perguntando;
--Você viu a Folha de hoje?
--Não, o que conta?
--Mais de um quarto da primeira página com foto de um "trisal".
--Tri...o que? Perguntei, sem entender.
--Trisal. Não sabe o que é?
--Entendi trigal, mas trisal não tenho ideia.
--Pois então veja e leia a Folha. Depois escreva sobre. E bateu o telefone. O Leonardo tem dessas coisas. Já estou habituado. Somos amigos há mais de cinquenta anos.
As dez da manhã já estava com o jornal e a matéria de primeira página sobre o "trisal".
Trisal, fiquei sabendo é a união de três pessoas que vivem em família. No caso presente Rafael, Luiz Carlos e Kelly tem uma filha de seis anos chamada Maria Luiza.
Por que viraram notícia?
Porque estão se mudando para o Uruguai. Inconformados com as leis e governo brasileiro que não aceitam o trisal como união legal. Em que pese toda a estranhice em se registrar uma criança com dois pais e seis avós, a inusitada família quer ter todos os direitos legais no caso de herança e aposentadoria. O caso em tela, e não é o único, segundo o jornal, difere da velha e decantada ménage à trois, tão explorada na literatura, cinema e na vida real. Não é um relacionamento esporádico e experimental. Não é um relacionamento entre dois casais, conhecido como suruba. O trisal da matéria esta junto há onze anos.
Pronto, atendi ao desejo do Leonardo, sem emitir minha opinião sobre o jornal ter dado o destaque que deu, nem ao estilo de vida do trisal.
Passava pouco das sete da manhã quando o telefone tocou.
Quem será tão cedo?
Era o Leonardo, e foi logo perguntando;
--Você viu a Folha de hoje?
--Não, o que conta?
--Mais de um quarto da primeira página com foto de um "trisal".
--Tri...o que? Perguntei, sem entender.
--Trisal. Não sabe o que é?
--Entendi trigal, mas trisal não tenho ideia.
--Pois então veja e leia a Folha. Depois escreva sobre. E bateu o telefone. O Leonardo tem dessas coisas. Já estou habituado. Somos amigos há mais de cinquenta anos.
As dez da manhã já estava com o jornal e a matéria de primeira página sobre o "trisal".
Trisal, fiquei sabendo é a união de três pessoas que vivem em família. No caso presente Rafael, Luiz Carlos e Kelly tem uma filha de seis anos chamada Maria Luiza.
Por que viraram notícia?
Porque estão se mudando para o Uruguai. Inconformados com as leis e governo brasileiro que não aceitam o trisal como união legal. Em que pese toda a estranhice em se registrar uma criança com dois pais e seis avós, a inusitada família quer ter todos os direitos legais no caso de herança e aposentadoria. O caso em tela, e não é o único, segundo o jornal, difere da velha e decantada ménage à trois, tão explorada na literatura, cinema e na vida real. Não é um relacionamento esporádico e experimental. Não é um relacionamento entre dois casais, conhecido como suruba. O trisal da matéria esta junto há onze anos.
Pronto, atendi ao desejo do Leonardo, sem emitir minha opinião sobre o jornal ter dado o destaque que deu, nem ao estilo de vida do trisal.
8.8.18
Crônica diária
Egon-Schiele - Morte e Donzela
Fazia um tempão que eu não ia ao cinema. Muito menos na seção das 15:50.
Como a Paula minha mulher tinha um outro compromisso fui só. Tudo muito
estranho para um cinéfilo como já fui um dia. Não comprei pipoca, de
vergonha. Mas o cheiro dela nos corredores do cinema me deram água na
boca. Primeiro dia, do lançamento do filme sobre o artista que tanto
admiro Egon-Schiele. Ao morrer aos 28 anos de idade deixou 300 telas e
milhares de desenhos e esboços. Foi preso, acusado de pedofilia e
imoralidade em 1912. Como a maioria dos grandes artistas não viu sua
obra sendo reconhecida. Hoje vale milhões de dólares. Todos os atores
estão muito bem no papel. O diretor captou perfeitamente a época em que
viveu o artista. As duas únicas e rápidas aparições do ator que
representa Gustav Klimt enriquecessem o filme. As modelos do artista são
lindas. A paisagem e cor do filme remete à obra de Egon. Tudo perfeito.
"A arte não pode ser moderna, a arte é eterna". Na saída do cinema
comi um misto em pão francês, com chocolate quente, no inverno
paulistano. Era uma tarde/noite de quinta-feira.
7.8.18
Crônica diária
Coisas do passado
Dia desses comentei com minha prima e leitora assídua, que usar relógio
no pulso direito, no caso de mulher, era uma demonstração de que ela era
lésbica. Minha prima nunca soube disso, e usava para não ser roubada
quando dirija. Mas tudo isso, acredito, faz parte do passado.
Antigamente homem não usava brinquinho. Depois começaram a usar e os
homossexuais usavam numa determinada orelha. O escritor Caio F. usava na
esquerda. Mas hoje em dia tem homem usando nas duas. É como tatuagem.
Antigamente só marinheiro e puta. Hoje virou o que virou. O mesmo se
pode dizer de calças rasgadas. Com remendo só em festa junina, e agora
quanto mais estraçalhada estiver, mais cara, e mais cobiçada. E até
gente do sexo, originalmente masculino, anda de jeans furado. Mas meu
comentário sobre o relógio no pulso direito, foi a propósito de uma
constatação que fiz, numa fila de teatro de um show da Betânia. Isso há
mais de trinta anos. Da bilheteria até o fim da fila tinha meio
quarteirão de gente. E perdi a conta de "mulheres" com relógio de
pulseiras de couro, largas como munhequeira, no punho direito. E claro, o
relógio era apenas um pequeno detalhe de tudo que usavam. E as
diferenciavam, inequivocamente, das outras mulheres. E demonstravam suas
preferências sexuais. Mas isso tudo é coisa do passado.
6.8.18
Crônica diária
Viver e aprender
Tudo começou um dia antes. Paula minha mulher que faz joias como hobby informou-me que no dia seguinte teria que almoçar mais cedo porque iria com a Odete, que pratica o mesmo hobby, comprar marcassita no centro da cidade. Suspeitei tratar-se de alguma coisa relacionada às joias que faz com grande afinco. E mostrou-me um anel de prata com centena de minúsculos pontos brilhantes. e que eram as marcassitas. Como são minerais colados, com o uso alguns se perderam. Iria no centro da cidade comprar a reposição. Agora imaginem vocês uma cabeça de alfinete. Cabeça pequena de alfinete, e divida-a por três. Talvez as marcassitas ainda sejam menores. Coisa para trabalhar com lentes, pinças, e mão firme. No dia seguinte almoçou correndo para encontrar a Odete e foram às compras. Pelo tamanho minúsculo do mineral imaginei que no máximo levariam uma hora. Levaram quatro. Cada minúsculo mineral é medido e contado um a um. E claro, já que estavam na rua que congrega as melhores lojas do ramo, as duas fizeram umas comprinhas extras. Eu com isso fiquei sabendo que marcassita é um mineral de sulfato de ferro (FeS2). É polimorfo ortorrômbico da pitita. Com dureza 6-6,5 e com peso específico 4,8 - 4,9.Ccristaliza no sistema ortorrômbico e possui brilho metálico e opaco. Perceberam?
5.8.18
Crônica diária
Não vai haver "meio boçais" suficientes
Oitenta e três dias do segundo turno das eleições o quadro começa a se
definir. Arrisco aqui, e por escrito, para não dizerem que eu não disse,
o que vai acontecer nesse pleito. Sem nenhuma cartomancia. Desculpe-me
os distraídos e desavisados. Os outsider da política já evaporaram e os
velhos profissionais vão se pondo em ponto de largada para a corrida
eleitoral. Uma campanha para presidente não é coisa para amadores. Nunca
foi. E não será. Dito isso temos que nos contentar com a realidade.
Parar de sonhar. Não sou eu quem digo, mas é o jornalista Reinaldo
Azevedo, citando o general Hamilton Mourão, insuspeitos, portanto, que
considera os eleitores do Bolsonaro "meio boçais". Mas ele que aparecia,
até aqui, bem nas pesquisas, enquanto seu opositor hipotético seria o
Lula, preso e condenado, despenca e não chegará, em hipótese nenhuma, no
segundo turno, por uma simples razão: não há "meio boçais" suficientes
para elege-lo. Não haverá a desejada renovação no congresso. Irão para o
segundo turno o candidato que o PT indicar, seja ele quem for, por
absurdo que pareça, e o Geraldo Alckmin com a Ana Amélia como vice. O
Geraldo vencerá por folgada margem.
4.8.18
Crônica diária
A tela da Clotilde
Quando eu era jovem. e pintava, adorava ver revistas de arquitetura e
decoração internacional e o que as pessoas, ao redor do mundo, andavam
pendurando nas paredes. E invejava os autores das obras. Imaginava um
dia ter uma das minhas telas numa foto de revista. Um dia desses
encontrei uma tela minha na parede, ao fundo da foto do perfil da
Clotilde, minha prima. Foto em preto e branco, mas onde a tela era
perfeitamente reconhecível. E a lembrança desse meu desejo veio de
imediato. Não era uma revista, muito menos a cores, mas o prazer foi o
mesmo. E foi preciso ter passado vinte anos de quando a tela foi pintada
(1998) para acontecer. Na verdade não aconteceu nada, a não ser eu ter
reconhecido uma tela minha na casa de uma parenta. Mesmo assim, foi
muito bom.
Comentários que valem um post
João Menéres disse...
Não é um género de fotografia muito fácil.
Mas a Lara promete e muito !

Não é um género de fotografia muito fácil.
Mas a Lara promete e muito !
sexta-feira, 3 de agosto de 2018 05:26:00 BRT
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3.8.18
Crônica diária
Manias
Minha ex-vizinha de bairro, que conheci no Rio Negro, navegando entre
flora e fauna amazônica, Cassia Rocha, mudou-se para Toronto. Como já
dizia o sábio Carlito Maia, "as cidades grandes afastam os amigos e unem
os bandidos". Enquanto a Cassia morava aqui do lado nunca tivemos tempo
e oportunidade de tomarmos um café. Cobrávamos mutuamente essa
hipótese, que nunca passou de hipótese. Hoje, ela morando em Toronto,
esses encontros parecem até mais possíveis. E quanta coisa tínhamos, em
comum, para conversar. Por exemplo, ela disse não poder viver sem buchas
e parafusos, e já tem seus cupinchas fornecedores na capital canadense.
Minha mulher e eu também temos caixas de ferramentas, e outras tantas
caixinhas e potinhos com parafusos, porcas e arruelas de todas as
espécies. Não é possível viver sem uma boa ferramenta e alguns
parafusos.
2.8.18
Crônica diária
Para fugir do estresse
Maria Angela, amiga do Ruy Castro, é produtora de teatro e se viu numa
situação nada incomum na sua profissão. A menos de duas horas da estreia
é informada que o ator levou um tombo no banheiro, esta todo inchado, e
cheio de pontos no rosto. Um detalhe, a peça era um monólogo e o ator
era tudo. Espetáculo cancelado. Maria Angela adotou um antídoto contra
estresse. Nesses casos e antes que seus nervos estourem, ela vai ao
cinema. Eu conheci um ex-governador do Paraná que fazia a mesma coisa.
Quando os "pepinos" em suas empresas, ou no governo eram preocupantes,
independente do horário, ia ao cinema. Muitas vezes nas matinês.
1.8.18
Crônica diária
Abordo com Callado
O Ruy tem dessas. Foi na crônica saborosa como goiabada com queijo,
abacate com mel, ou papaia com açúcar que li: "Antonio Callado era um
absurdo de agradável." Pode ter expressão mais apropriada para expressar
o quanto uma pessoa é agradável? Mas se usa pouco, ou não existem
tantos que a mereçam. Usamos a palavra absurdo para qualificar
desgraças, preços e tamanhos. Nunca a respeito de quanto a pessoa é
afável, ou simpática. Absurdo de caro. Absurdo de fundo. Nunca absurdo
de agradável. Mas o Ruy Castro tem dessas.
Comentários que valem um post
João Menéres disse...
O normal seria fotografar a bicharada do lençol virados para a camera, mas a Lara não hesitou e fotografou ao invés e com isso conseguiu um efeito que nos surpreende e desperta ainda mais a nossa atenção !

O normal seria fotografar a bicharada do lençol virados para a camera, mas a Lara não hesitou e fotografou ao invés e com isso conseguiu um efeito que nos surpreende e desperta ainda mais a nossa atenção !
segunda-feira, 30 de julho de 2018 04:52:00 BRT

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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )





















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