Crônica diária
A morte do Getúlio
Ruy Castro tinha seis anos e estava numa cidade mineira quando o pai
levou-o pela mão numa esquina em que discutiam a morte do Getúlio. Era
uma roda de homens, alguns de terno e chapéu. De repente cai de uma
sacada sobre eles uma máquina de escrever, a palmo do menino. Soube-se
depois tratar-se de um getulista embriagado. Essa é a memória do Ruy. Eu
tinha nessa data onze anos, e um pai que havia feito a revolução de 32,
e portanto ódio ao Getúlio. Dele não me lembro de nenhuma manifestação,
a não ser de alívio. Mas do rádio vitrola, que ficava na sala, e onde
fiquei durante horas deitado em frente aos auto falantes, ouvindo as
notícias do suicídio, e a leitura da carta testamento, que era repetida à
exaustão, tenho lembrança perfeita. Dez anos depois conheci
pessoalmente o Governador Carlos Lacerda, personagem principal desses
acontecimentos. Como eram dignos e corajosos os políticos de
antigamente.

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