31.7.18
Crônica diária
Minhas tentativas musicais
Como invejo os escritores que tocam um instrumento. Não necessariamente um John Milton Cage Jr., nem um Jo Nesbo, norueguês, autor de dezena de livros policiais, que eu adoro, e vocalista
e compositor da banda pop Di Derre. Nada disso. Gostaria só de tocar um
instrumento, como faz o Luiz Fernando Veríssimo que toca saxofone. Na minha
infância tentei sanfona, e desisti nas primeiras aulas. Ainda bem, pois
hoje acho um instrumentinho bem cafona. Quando interno em Cataguases, e
influenciado por colegas que tocavam, cheguei a comprar um violão. Não
passei das primeiras tentativas. Tenho ouvido zero, e portanto, todas as
outras consequenciais para a área musical. Adoraria ter aprendido
saxofone, apesar do meu velho amigo Zuza Homem de Mello dizer que só tem
um instrumento a altura do homem: o baixo.
Com a idade, a falta de ouvido para música, foi acrescida por leve surdez. Não ouço mais campainha da porta, nem a do meu telefone. Minha mulher vive dizendo que estou completamente surdo. Mas ela exagera. A prova disso é que continuo ouvindo esses desaforos. Mas as orelhas estão no lugar e cada dia maiores. Elas são essenciais para segurar as pernas dos meus óculos. Pelo menos até operar de catarata, e implantar uma lente, como andam fazendo por aí. Se isso vier a acontecer, nem das orelhas vou precisar. A não ser que a surdez aumente, e tenha que colocar um aparelho pendurado nela.
Com a idade, a falta de ouvido para música, foi acrescida por leve surdez. Não ouço mais campainha da porta, nem a do meu telefone. Minha mulher vive dizendo que estou completamente surdo. Mas ela exagera. A prova disso é que continuo ouvindo esses desaforos. Mas as orelhas estão no lugar e cada dia maiores. Elas são essenciais para segurar as pernas dos meus óculos. Pelo menos até operar de catarata, e implantar uma lente, como andam fazendo por aí. Se isso vier a acontecer, nem das orelhas vou precisar. A não ser que a surdez aumente, e tenha que colocar um aparelho pendurado nela.
30.7.18
Crônica diária
Minha barriga
Citar um escritor famoso fica bem no início de um texto. Mostra erudição
e intimidade com os famosos. Então lá vai: o João Ubaldo Ribeiro dizia
que o simples ato de dar laço no sapato do pé esquerdo equivale a uma
modalidade olímpica. Amarrar os sapatos eu ainda consigo sem muito
esforço, mas cortar as unhas do pé direito e esquerdo, já não dá. Não
são exatamente os anos que se meteram entre minha tesoura e meus pés.
Foi minha barriga.
29.7.18
Crônica diária
Velhos e novos cronistas
Sinto muita saudade das cronicas singelas, e simples que marcaram Rubem
Braga, Fernando Sabino, Luis Martins e outros de sua geração. Acho que
encontro um pouco desse lirismo doméstico, dessa abordagem direta com as
coisas simples e comuns, do dia a dia, nas crônicas do Ruy Castro.
Rubem Braga deixou um herdeiro que escreve no mesmo estilo, seu sobrinho
Alvaro Abreu. Eles não complicam, não ideologizam, não inventam. Os
antigos falaram com poesia sem pedantismo. Eles criaram imagens
modernas, que se tornaram eternas. Eles inventaram a cordialidade na
prosa. Eles são inimitáveis. Seus assuntos eram passarinhos, pedras e
caminhos. Adoraria poder continuar escrevendo com o sabor, com a leveza,
e com o dom dos velhos cronistas. Ou dos novos, como o Alvaro e o Ruy,
que os puxaram.
28.7.18
Crônica diária
Fim dos jornais
Li na Folha a matéria da Paula Cesarino Costa sobre as previsões feitas
por Philip Meyer, em seu livro "Os Jornais Podem Desaparecer?" onde
defende que os jornais diários, como os conhecemos hoje, impressos,
desaparecerão em Setembro de 2043. Só faltou marcar o dia. E esse livro
foi escrito por esse pesquisador americano há dezena de anos. Eu não
tenho nenhuma dúvida, embora lamente muito. Já assino uma revista
digital (Crusoé) , e apesar de ainda receber em casa a Veja, ela não faz
mais nenhuma falta, ao completar seus 50 anos. Jornais de papel leio
quando encontro algum, mas também já passo sem eles. A era do papel
esta no fim. E temo pelos livros impressos. Esses ainda não abdiquei.
Crônica do Alvaro Abreu
Quem me dera
Nesses últimos dias, duas mortes me fizeram parar pra pensar: uma veio como contingência natural da vida, mas a outra pegou todo mundo de surpresa. As sensações de perda devem ter se somado na alma de muitos capixabas.
Com Helmut eu só convivi nos meus tempos de rapaz nadador, quando disputamos provas de 400m na piscina do Praia Tênis Club. Bem mais velho e lento, acho que ele se movia pelo prazer de competir. Morava numa casinha simpática no pé da ladeira do Hospital Infantil. Declarações de pessoas que trabalharam ao seu lado e sob sua batuta atestam que sua atuação como empresário contribuiu decisivamente para a felicidade e realização de muita gente. O que marcará sua passagem por este mundo é a proeza de ter transformado a pequena fábrica de doces do seu pai em uma empresa enorme que produz os bombons das serenatas e que fez de Vila Velha uma referência no mundo dos que adoram chocolate.
Veio de muito longe a notícia da morte prematura de Pignaton, um professor de milhares de alunos, reconhecido como pessoa instigante e afável, um homem empreendedor que criou um colégio para um mercado nascente e promissor e se tornou um empresário de sucesso no mundo dos negócios educacionais. Meu contato com ele nunca passou do boa tarde e do bom dia, trocados no portão e no pátio do colégio onde uma nora dava aulas e dois netos pequenos estudavam.
O fato é que esses dois homens serão lembrados por seus contemporâneos pelo tanto que fizeram de concreto e objetivo em campos tão díspares. Para mim, eles demonstraram que, com méritos pessoais e muita determinação, é perfeitamente possível catapultar uma pequena fábrica de doces e montar uma grande escola de propósitos bem específicos.
Quem me dera que as próximas eleições fossem disputadas exclusivamente por candidatos de ficha bem limpinha que fossem donos de trajetória de vida repleta de feitos relevantes e de interesse público, dignos da admiração dos variados grupos de eleitores. Seria mais fácil e seguro para cada um de escolher aqueles que iriam representá-lo até a próxima eleição.
Vitória, 25 de julho de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
27.7.18
Crônica diária
Uma frase de efeito
Ou o efeito de uma frase. Dia desses escrevi que "Quem teme bandidos e contrata sua segurança com milícias, sabe o risco que corre". Esperava
que ela provocasse mais reações que de fato provocou. Era uma frase de
efeito e não causou efeito nenhum. De bandidos e milícias o povo esta
cheio. Eles não saem das manchetes. E crimes cometidos por ambos tem
baixíssimo índice de esclarecimento. Haja visto a execução da vereadora
carioca. A imprensa gerou comoção nacional. O Temer prometeu rápida
prisão dos culpados. Todos os órgãos de investigação foram envolvidos, e
até hoje nada foi esclarecido. E quantos crimes semelhantes poderíamos
elencar? Eleger um Bolsonaro corresponde contratar um miliciano para
combater comunistas. Não vai dar certo.
26.7.18
Crônica diária
Ronaldo Werneck : "Goleiro faz cinema"
Há dias recebi um e-mail do amigo, poeta, e escritor de Cataguases, Ronaldo Werneck, falando de seu artigo sobre "goleiros e cinema".
"A tirada de Ary Barroso – “goleiro faz cinema” – acabou se concretizando na Copa da Rússia:
Cineasta porque meu pai tinha u´a máquina 16mm e aprendi com ele a filmar. Depois fui assistente de direção de um dos maiores cineastas brasileiros Ozualdo Candeias. E participei com um curta do Festival do Jornal do Brasil, o mais importante certame do gênero na época. "Liberdade de pé" era de longe o melhor filme da mostra. Mas o júri não entendeu assim.
Concluindo: fui goleiro e fiz cinema.
Há dias recebi um e-mail do amigo, poeta, e escritor de Cataguases, Ronaldo Werneck, falando de seu artigo sobre "goleiros e cinema".
"A tirada de Ary Barroso – “goleiro faz cinema” – acabou se concretizando na Copa da Rússia:
Hannes Halldórsson, o goleiro da Islândia, é também cineasta. Ou vice-versa.
Como também Humberto Mauro, que foi cineasta e goleiro.
E foram vários os goleiros que fizeram cinema agora na Rússia, com seus voos, suas pontes, suas defesas espetaculares.
Vejam no meu blog:
Fui lá conferir a ótima postagem, e comentei: Eu também fui goleiro e cineasta.
Goleiro porque ninguém me escalava para outra posição. Onde atrapalhava menos era entre as traves. Cineasta porque meu pai tinha u´a máquina 16mm e aprendi com ele a filmar. Depois fui assistente de direção de um dos maiores cineastas brasileiros Ozualdo Candeias. E participei com um curta do Festival do Jornal do Brasil, o mais importante certame do gênero na época. "Liberdade de pé" era de longe o melhor filme da mostra. Mas o júri não entendeu assim.
Concluindo: fui goleiro e fiz cinema.
Comentários que valem um post
João Menéres disse...
Mais uma novidade da Lara, essa menina prodígio !
Surpresa ?
- Não, porque da Lara já nada me pode surpreender.
terça-feira, 24 de julho de 2018 04:23:00 BRT
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25.7.18
Crônica diária
A morte do Getúlio
Ruy Castro tinha seis anos e estava numa cidade mineira quando o pai
levou-o pela mão numa esquina em que discutiam a morte do Getúlio. Era
uma roda de homens, alguns de terno e chapéu. De repente cai de uma
sacada sobre eles uma máquina de escrever, a palmo do menino. Soube-se
depois tratar-se de um getulista embriagado. Essa é a memória do Ruy. Eu
tinha nessa data onze anos, e um pai que havia feito a revolução de 32,
e portanto ódio ao Getúlio. Dele não me lembro de nenhuma manifestação,
a não ser de alívio. Mas do rádio vitrola, que ficava na sala, e onde
fiquei durante horas deitado em frente aos auto falantes, ouvindo as
notícias do suicídio, e a leitura da carta testamento, que era repetida à
exaustão, tenho lembrança perfeita. Dez anos depois conheci
pessoalmente o Governador Carlos Lacerda, personagem principal desses
acontecimentos. Como eram dignos e corajosos os políticos de
antigamente.
24.7.18
Crônica diária
Ruy e a mochila
Meu cronista favorito Ruy Castro escreveu na Folha uma deliciosa
descrição de um indivíduo com boné ao contrário, uma enorme mochila nas
costas e todo desconforto que produziu ao entrar no corredor do avião e
sentar na poltrona da janela, passando por outras duas, sem tirar a
dita. E faz umas brincadeiras com a física, onde há leis que rezam que
dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. A mochila e o indivíduo
contrariaram essa regra. Mas o fato que quero ressaltar, e me alegrou
muito, foi de que não só eu quem tem implicância com essas enormes
mochilas. Seus portadores não se dão conta de que elas vão batendo no
que encontram pela frente, a cada movimento que seus portadores fazem. E
muitas das vezes é na minha cabeça, no meu nariz, e no meu ombro. E não
adianta olhar feio. O cara esta de costas e é muito maior do que a
gente. E como supõe o Ruy devem levar bigornas nessas enormes mochilas.
23.7.18
Crônica diária
Segundo roubo - Quarta e ultima parte
Acontece que na história que minha sogra contou do Escrito, aparecem a
CIA e não a Escot Yard, e um hotel em Nova York e não um cotage na
Inglaterra. Cheguei a acreditar que com o passar dos anos ela pudesse
estar confusa com esses detalhes. Mas não, a própria Sophia nos narra o
segundo roubo anos depois. E foi em NY, e muito mais provável que tenha
sido esse o do Escrito, e não o do The Cat, na Inglaterra. Ambos nunca
foram desvendados. O que restou foi o consolo que Sophia ouviu do ator e
grande amigo Peter Sellers: "Sophi, nunca chore por uma coisa que não
choraria por você".
22.7.18
Crônica diária
A história da minha sogra - Terceira parte
Nos
últimos dois dias venho contando o caso do "The Cat", (roubo das joias
da atriz Sophia Loren), e a história que minha sogra contou. Na cidade
do interior de São Paulo uma pessoa muito conhecida e rica, levou para
casa uma criança abandonada. Ela cresceu e se destacou na escola como
ótimo aluno. Ganhou o apelido de Escrito. O por que do apelido, minha
sogra não sabe. Tempos passaram e ela e o Escrito voltam a se encontrar
numa recepção dos Diários Associados onde o marido da minha sogra
trabalhava. O Escrito era então secretário do Olavo Fontoura e circulava
com grande desembaraço entre a nata da sociedade paulistana. Outros
tantos anos se passaram e minha sogra fica sabendo que a CIA esteve na
pequena cidade do interior a procura do Escrito.
Achei
a história deliciosa, comprei o livro da autobiografia da atriz e tomei
conhecimento que Hergé, famoso pelas HQ do Tintin já em 1968 publicou a
história da cantora lírica que teve suas joias roubadas, inspirado no
roubo que Sophia sofrera.
Comentando
com meu filho essa instigante história, e ele estando trabalhando em
Miami, disse que talvez fosse estar com a atriz Sophia Loren, nos
próximos dias, no atelier do Romero Brito, onde fora convidado para
fazer a cobertura fotográfica de um evento. Sugeri a ele que se fosse
possível, contasse a ela a história da minha sogra. Amanhã, continuo.
21.7.18
Crônica diária
Os bastidores de uma grande história - Segunda parte
Como anunciei ontem, hoje lhes conto a história do The Cat do livro da
Sophia Loren. É preciso que se diga que é tudo absoluta verdade, nada é
ficcional. Em 1960 Sophia estava filmando na Inglaterra "Com milhões e
sem carinho" com Peter Sellers. Depois de uma noite no Hotel Ritz, onde
deixava o porta-joias no cofre, foi hospedar-se com seu stafe, num
cottage dentro do Conecty Club de Hertfordshire. Basílio e Inês, Lívia a
cozinheira, e a cabeleireira ficaram no andar térreo. Os aposentos de
Sophia no primeiro andar num amplo quarto e closet. Basílio chegou a
solicitar um guarda noturno, mas o secretário do club respondeu:
"Estamos na Inglaterra, e não em Nápoles. Não há com que se preocupar".
Seus assistentes ficaram vendo TV e Sophia foi apanhar o marido Carlo
Ponti no aeroporto. Quando voltaram ela se deparou com a porta do closet
e do terraço abertas. Descobriram que todas as suas joias haviam sido
roubadas. O fato foi fartamente noticiado pela imprensa mundial. A Scott
Yard chamada imediatamente nunca conseguiu prender o ladrão. Passados
muitos anos, e o crime prescrito, Sophia recebe uma carta assinada "The
Cat", identificando-se como o ladrão. Esses são os fatos que a própria
Sophia narra em sua autobiografia "Ontem, hoje e amanhã" que li. Por que
fui me interessar por esse crime quarenta e oito anos depois? Em
Março, depois de um almoço em casa, minha sogra, que esta com mais de
oitenta anos, e gosta de contar histórias do passado, e da cidade onde
moravam, no interior de São Paulo, me contou o que lhes contarei amanhã.
20.7.18
Clotilde e uma tela minha
Há muitos anos eu adorava ver em revistas imagens das telas e quadros que decoravam as casas. Eles revelam muita coisa, além do gosto pessoal de quem habita ou decora o ambiente. Recentemente minha prima Clotilde mudou a foto do perfil, e na parede ao fundo descobri uma tela minha. Tem 1,20 x1,00 m, tinta acrílica sobre tela 1998. Da série Paisagens - "Terra, mar e ar".
Paisagem. Terra mar e ar. 1998
Paisagem. Terra mar e ar. 1998
Crônica diária
"Sophia Loren, ontem, hoje e amanhã" - Primeira parte
Só um bom motivo poderia me levar a ler a autobiografia de Sophia Loren.
"Ontem, hoje e amanhã" é um livro leve, divertido, e que nos remete ao
melhor que o mundo do cinema já nos proporcionou. Os mais famosos atores
e atrizes estão no livro de uma forma verdadeira e real, longe dos
personagens que marcaram suas carreiras. Sophia se mostra humana, de
carne e osso, italiana a não mais poder, e muito honesta em suas
revelações e vivencias. Um livro que distrai e nos faz voltar no tempo.
Qual o bom motivo que me levou a lê-lo? Os casos dos roubos de joias que
ela narra com alguns detalhes. E sobre eles escreverei a partir de
amanhã.
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Ótimas essas duas últimas crônicas.
Sou leitor de poucos livros, mas invejo quem, como você, os devore.
Das
suas lojas preferidas, fico com as de ferramentas. Relógio, tive apenas
um durante a vida toda e ele durou bem pouco. Guardei as abotoaduras
que eram de papai, mas não tenho camisa para elas. Mantenho um ZIppo sem
fluido na mesinha de cabeceira e mas não fumo desde 1994.
Peço que dê um beijinho em Lara por mim e diga pra ela que, além de um em Portugal, ela tem um fã aqui em Vitória.
Grande abraço.
19.7.18
Crônica diária
Vitrines
Ontem comentei sobre os três ramos de lojas que gosto de visitar. Mas
minha mulher lembrou-me das vitrines que mais me atraem. E ela tem
razão. Dos três ramos citados as vitrines não me dizem nada. Mas adoro
as vitrines das relojoarias.Nunca entro para comprar. Relógio, hoje em
dia, é uma inutilidade completa. Concordo. Tem relógio nos celulares, no
carro, e em toda parte, mas no meu pulso esquerdo habituei a usar um, e
sem ele me sinto nu. Nada de marca desde que fui assaltado e levaram o
meu querido Rolex. No ultimo assalto, em Setembro de 2012, sempre sob a
mira de um 38, me levaram um Tissot com fundo do mostrador preto, que
herdara do meu pai, e que parecia um Rolex. Disse na época que não
usaria mais relógio. Não resisti. Tenho Swatch de plástico e de poucos
dólares e um que ganhei do meu filho, já mais sofisticado.Tenho outros,
Suíços finos como uma moeda, quadrados, retangulares, e algum até com
cronômetro. Adoro relógios. Meu pai também gostava, e dele herdei um de
bolso, retangular, que dava corda ao abrir e fechar uma capa metálica.
Tem o tamanho e aparência de um isqueiro Zippo. Coisa que também todos
tivemos um dia, e não se usa mais. Não se usa mais fumar, nem camisa com
abotoadura. O que não quer dizer que não tenha quem não fume, use
abotoadura e relógio no pulso.
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João Menéres disse...
Muitos parabéns, SENHORITA LARA !!!
Estás já ensaiando a pintura dos lábios para a inauguração da tua 1ª Exposição DE FOTOGRAFIA ?
Se eu não puder ir à abertura, não te esqueças de me reservar um catálogo com uma dedicatória !
Depois, o Vôvô Edu manda pelo correio, sim ?
Já escolheste como vai ser o bolo para soprares as QUATRO VELAS logo ?
Um beijinho e quero que tenhas um DIA MUITO FELIZ !
( O meu filho mais novo, faz também hoje anos. Mas vai ter que apagar 49 velas ! )
quarta-feira, 18 de julho de 2018 03:36:00 BRT
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18.7.18
Crônica diária
Fui à livraria
Moro ao lado de uma. Só tem duas outras lojas que me fascinam tanto
quanto, ou mais, do que livrarias. São boas e grandes papelarias onde se
encontra lápis e canetas de todos os tipos, cores, e preços. E a
terceira loja é a de ferragens. De preferência fora do Brasil. Nos
Estados Unidos e na Itália foi onde conheci as melhores. Dizem que na
Suíça além de bons chocolates fabricam ferramentas maravilhosas. Mas fui
ao lado de casa me abastecer de livros. Já esta disponível como o
segundo mais vendido o GIGANTESCO "4321" do Paul Austen, a que me referi
dias atrás. E cumpri minha promessa. Não vou ler. 960 páginas, tipo
pequeno e espaço entre linhas também. Meu querido escritor Paul que me
desculpe, nesse não embarco. Estou velho demais para tanto peso. Peso
tenho evitado até na academia. Leio por prazer, e carregar peso não é um
deles. Saí com três livros leves. Ruy Castro , crônicas, "A arte de
querer bem". Até no tamanho 12 x 18 que não aprecio, este autor me
agrada. Outro foi do Philip Roth, que morreu este ano, e "Quando ela era
boa" de 1967, eu ainda não li. E o terceiro foi de Julian Barnes, "A
única história", 2018. Tenho leitura para os próximos dias. E três
resenhas futuras garantidas. Só não comento nada quando não gosto da
leitura. Não sou crítico literário, e como escritor, detesto falar mal
dos meus colegas.
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João Menéres disse...
Além da estupenda iluminação, outro pormenor que me espanta é o grande diferencial que existe entre a forma e a textura do cachorro e o padrão e cores da coberta !
Essa menina Lara é fogo, puxa !
terça-feira, 17 de julho de 2018 03:20:00 BRT
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17.7.18
Crônica diária
O Absoluto e o Relativo
Na vida a única coisa absoluta é a morte. Os outros acontecimentos,
percalços, eventos são sempre relativos. Uma dor de cabeça, um
resfriado, são pequenos desconfortos perto de dores maiores, enxaquecas,
gripes ou pneumonia. Mas temos a tendência de subestimar nossas
pequenas vitórias e dramatizar nossas derrotas, grandes ou pequenas. A
cicatrização de uma pequena picada de inseto não é comemorada como uma
vitória do nosso organismo. É uma obrigação dele, e não a valorizamos.
Quando uma doença mais grave impede a auto defesa é que percebemos como
essa máquina perfeita, que é o corpo humano, tem valor. Este texto não
pretende ser de auto ajuda, mas para nos chamar atenção de como é
preciso valorizar cada segundo de bem estar vivido, para compensar uma
noite mal dormida, uma dor de cabeça, ou uma coriza.
16.7.18
MYRA LANDAU
A tristeza com que escrevo estas linhas é enorme. Previsíveis, uma vez que a amiga Myra vinha se lamentando do seu estado de saúde, fraqueza, e desânimo já há algum tempo. Pudera, estava com 91 anos. Muito ansiosa com a exposição que acontecerá, nos próximos meses, em NY. Desconfiava não poder presenciar. E isso, e o frio do inverno a incomodava muito. Myra fez um grupo pequeno, mas muito fiel, de amigos, através do meu blog Varal de Ideias. Jorge Pinheiro, e João Menéres, estão entre eles. Do Jorge recebi os originais, quatro ou cinco anos atrás, de um trabalho escrito sobre a grande artista. Acredito que nunca tenha sido publicado. Sugiro que envie para sua filha Dominique. A saudade que a Myra irá provocar é enorme. Estava sempre enviando-me digitalmente uma pintura, e querendo saber minha opinião. Cobrava quando a resposta tardava um dia. Gente com essa idade tem pressa. E como, brincando, uma vez eu disse que gostava mais dos seus traços em curva, eram com eles que me presenteava. Tenho curvas de todas as cores. Há três ou quatro dias recebi um e-mail da Dominique pedindo para escrever umas linhas por carta, pois a saúde da mãe já estava precária, e não lia mais no computador. Na noite em que faleceu, eu sonhei que estava enviando meu próximo livro, que ainda esta na editora. Ao amanhecer recebo um novo e-mail com a triste notícia. Vou sentir muita, mas muita mesmo, saudade da amigona Myra.


Myra Landau
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João Menéres disse...
Está visto, poucos são os anos que faltam para a Lara, essa criança prodígio, ser convidada para mostrar publicamente todo o seu génio de artista plástica no MASP !
domingo, 15 de julho de 2018 02:55:00 BRT
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15.7.18
VARAL DE LUTO
| O VARAL CUMPRE A DOLOROSA MISSÃO DE COMUNICAR A MORTE DA QUERIDA AMIGA E ARTISTA PLÁSTICA MYRA LANDAU |
| |||
"Meus queridos,
Como vocês ja escutaram no email anterior a saúde da mamãe estava muito mal.
Infelizmente ela nos deixou hoje a noite.
Tivemos ainda a sorte de estar junto a ela nos últimos momentos.
Apesar da grande deterioração ela ate o ultimo momento estava desenhando.
Ela teria gostado de ver sua exposição em NY mas agora sera uma verdadeira homenagem a ela.
Em alguns dias ela sera enterrada aqui em Alkmaar perto da gente, depois de 91 anos de vida movimentada.
Muito obrigada pela linda amizade e amor por ela!
Dominique, Jan, Marco, Mauro e Tamara
| " |
Crônica diária
A perda de confiança
Ouvi de uma leitora que a saída para nossa crise seria uma greve geral.
Olhem aonde chega a insensatez. Não fossem os pesados prejuízos causados
ao país pela recente, e gigantesca, greve dos caminhoneiros, e os
pífios resultados por eles colhidos. A indústria brasileira registrou um
prejuízo gigantesco. Irrecuperável. Esse prejuízo se refletiu em
impostos e preços. O setor de aves e o agronegócio também foram
gravemente afetados e o consumidor pagou o preço. A inflação mostrou sua
cara. O dólar voltou a subir, apesar de fortes intervenções do Banco
Central. A causa é o da perda de confiança. Talvez tenha sido esse o
maior mal causado pela greve dos caminhoneiros. E ainda tem leitora
sugerindo novas greves. Insano.
14.7.18
Crônica diária
Perguntar não ofende
Como podemos esperar dos 213 milhões de brasileiros 23 jogadores, mais
um técnico de seleção, que possam vencer uma Copa Mundial de futebol, se
não temos um único e mísero nome em quem votar para nos governar?
Crônica do Alvaro Abreu
Meras suposições
Gosto
de ficar imaginando os acontecimentos que antecederam fatos
emblemáticos, como o suposto grito de independência ou morte, dado do
alto de um cavalo branco. Pois foi o que andei fazendo para tentar
entender os meandros do episódio que surpreendeu o Brasil em pleno
domingo. Pelo que vi na imprensa, foi coisa de umas poucas pessoas, das
muitas que fazem da política instrumento para ações espúrias, incluindo a
de transformar tribunais de justiça em palco para encenar enredos
vergonhosos. Dito isso, vamos às suposições.
Deputado
Espertão telefona pro Deputado Parceiro e diz: - Tá na hora de soltar o
cara. Vai ter que ser neste fim de semana, quando o nosso desembargador
estará de plantão no tribunal. Ele só precisa que a gente entre com
aquele habeas corpus que já está pronto. Ele disse que resolve a parada
com uma só canetada, como estão fazendo os nossos ministros lá no
Supremo. A hora é essa, companheiro. Por sorte, o pessoal está chateado
com a desclassificação, doido pra encontrar motivo pra comemorar.
Precisamos do homem solto, na campanha. - Beleza, então vamos chamar
Deputado Tonessa pra acompanhar os fatos ao lado do chefe e entrar na
foto quando ele estiver saindo do prédio da Federal, responde Deputado
Parceiro.
Dito
e feito. Domingo lá estavam os três em Curitiba, monitorando os
acontecimentos. Passada a euforia com o primeiro ato, o preso, homem
tarimbado e sagaz, se declarou descrente da possibilidade de ser solto
com tamanha facilidade. Afinal, seu fiel advogado e um outro, caríssimo,
daqueles que resolvem tudo diretamente com os togados de Brasília, não
tinham conseguido tirá-lo daquele lugar. Depois de ouvir tudo em
silêncio respeitoso, Deputado Espertão, agora com ares de malandro
federal, sentenciou: - Deixa com a gente, presidente. Pode ir preparando
as declarações e os discursos. Vai ser vapt-vupt.
Como
a tramoia magistral gorou por inconsistência jurídica, é fácil supor
que o tal magistrado, que deu sucessivas canetadas durante o plantão,
vai ficar se explicando pelo resto da vida.
Vitória, 11 de julho de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA13.7.18
Crônica diária
Só no Brasil
Só aqui elegemos um índio pelo Partido Trabalhista - Mario Juruna.
Só aqui temos um Presidente que usa Lima no lugar de "laranja". Temer.
Só aqui um torneiro mecânico, que perdeu um dedo, aposentou-se, fundou um partido e virou Presidente - Lula (Hoje preso por corrupção e chefiar uma quadrilha que assaltou o país).
Só aqui um juiz plantonista, num domingo, manda soltar o presidente condenado, em uma hora. A decisão foi cassada, mas depois de muitas horas.
E pretendemos salvar a pátria com um capitão - Bolsonar. Só aqui.
Só aqui elegemos um índio pelo Partido Trabalhista - Mario Juruna.
Só aqui temos um Presidente que usa Lima no lugar de "laranja". Temer.
Só aqui um torneiro mecânico, que perdeu um dedo, aposentou-se, fundou um partido e virou Presidente - Lula (Hoje preso por corrupção e chefiar uma quadrilha que assaltou o país).
Só aqui um juiz plantonista, num domingo, manda soltar o presidente condenado, em uma hora. A decisão foi cassada, mas depois de muitas horas.
E pretendemos salvar a pátria com um capitão - Bolsonar. Só aqui.
12.7.18
Crônica diária
Sou radicalmente contra radicais
Não costumo seguir a manada. Sempre fui assim. No tempo de colégio (fui candidato a presidente da UPES -União Paulista de Estudantes Secundários) fui derrotado pelo José Alvaro Moesés ( hoje sociólogo) que era tido como o candidato da esquerda. Mas a direita achava que eu era comunista. Na eleição do Collor briguei com muitos e velhos amigos que participaram ativamente da campanha e das "sobras de campanha". Deu no que deu. Recentemente fui voz isolada a favor do impinchamento do Temer no momento do escândalo do Joesley Batista: "Tem que manter isso, viu?". Escrevi contra a postura ambígua, fraca, e desastrosa do PSDB, como oposição, durante todo o governo Dilma. Continuei a criticar e prever o esfacelamento político e moral desse partido aliado ao MDB durante o governo atual do Temer. E minha postura radicalmente contra a esquerda (Ciro, Manuela, Boulos, Haddad) é a mesma contra a direita radical, representada nesse momento pelo medíocre sargento Bolsonaro. Não se iludam eleitores do agronegócio, das instituições financeiras, da classe média que tem horror aos comunistas, o caminho para a saída do atual impasse brasileiro não transita pelo radical e despreparado deputado. Em tempos passados o descontentamento do eleitor carreava votos para um cacique Juruna*, um palhaço Tiririca, um rinoceronte Cacareco*, mas não chegavam ao ponto de um Bolsonaro. Quem teme bandidos e contrata sua segurança com milícias, sabe o risco que corre.
Não costumo seguir a manada. Sempre fui assim. No tempo de colégio (fui candidato a presidente da UPES -União Paulista de Estudantes Secundários) fui derrotado pelo José Alvaro Moesés ( hoje sociólogo) que era tido como o candidato da esquerda. Mas a direita achava que eu era comunista. Na eleição do Collor briguei com muitos e velhos amigos que participaram ativamente da campanha e das "sobras de campanha". Deu no que deu. Recentemente fui voz isolada a favor do impinchamento do Temer no momento do escândalo do Joesley Batista: "Tem que manter isso, viu?". Escrevi contra a postura ambígua, fraca, e desastrosa do PSDB, como oposição, durante todo o governo Dilma. Continuei a criticar e prever o esfacelamento político e moral desse partido aliado ao MDB durante o governo atual do Temer. E minha postura radicalmente contra a esquerda (Ciro, Manuela, Boulos, Haddad) é a mesma contra a direita radical, representada nesse momento pelo medíocre sargento Bolsonaro. Não se iludam eleitores do agronegócio, das instituições financeiras, da classe média que tem horror aos comunistas, o caminho para a saída do atual impasse brasileiro não transita pelo radical e despreparado deputado. Em tempos passados o descontentamento do eleitor carreava votos para um cacique Juruna*, um palhaço Tiririca, um rinoceronte Cacareco*, mas não chegavam ao ponto de um Bolsonaro. Quem teme bandidos e contrata sua segurança com milícias, sabe o risco que corre.
* Mário Juruna foi um líder indígena filiado
ao Partido Democrático Trabalhista, primeiro e único deputado
federal indígena do Brasil. E dizem que índio detesta trabalho.
*Cacareco foi uma rinoceronte fêmea do Zoológico do Rio de Janeiro
emprestada ao Zoológico de São Paulo que nas eleições municipais de
outubro de 1959 da cidade de São Paulo recebeu cerca de 100 mil votos.
11.7.18
Crônica diária
Desenho de Dudi Maia Rosa
Uma nova oferta
Uma nova oferta
Em 4 de Novembro de 2014, portanto, há quase quatro anos, escrevi uma
crônica ilustrada com desenho do artista plástico Dudi Maia Rosa. Ele
procurava um carro para o filho João. Eu gostei do desenho, e como tinha
um automóvel com as características que o Dudi procurava, ofereci o meu
e fechamos negócio. Hoje volto a usar o mesmo desenho para oferecer o
Hyundai, Elantra, 2015, preto, completo com bancos de couro, com
incríveis 11 000 Km, pela pechincha de R$ 69000,00. Mosca branca, Como
já dizia na crônica de 2014 detesto essa de "semi novo". Ou o carro é
zero e custa R$23000,00 a mais, ou é usado. Como atenuantes pode ser de
um único dono, e ter uma quilometragem tão baixa, e um estado de
conservação impecável que o torna único. Quem tiver interesse que se
apresse. Oportunidades como essa não aparecem todos os dias.
PS- Fotos e detalhes técnicos no site: https://www.webmotors.com.br/ comprar/hyundai/elantra/2-0- gls-16v-flex-4p-automatico/4- portas/2014-2015/24293267? idcmpint=t1:c17:m07:webmotors: clique_card_resultado_busca:: anuncio-normal-pos-11&utm_ medium=calhau&utm_campaign= clique_card_resultado_busca& utm_content=anuncio-normal- pos-11
PS- Fotos e detalhes técnicos no site: https://www.webmotors.com.br/
10.7.18
Ensaio fotográfico
O olhar fotográfico da Lara é muito curioso e específico. Detalhes que não chamariam atenção de um adulto, ou não estão à altura de seus olhos. Sola do meu sapato, unhas da vovó, papel carimbado por ela, mão e relógio do vovô. Todos os enquadramentos são mantidos rigorosamente como foram captados. Às vezes a falta de foco, é culpa da máquina, automática. Julho 2018
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )












