31.3.18
Crônica diária
Quem é João Amoedo?
Essa foi a pergunta da minha leitora
Lucia Guedes. E ela tem toda razão em faze-la. Uma das principais condições
para um brasileiro ser candidato ao maior cargo da República é ser maior de
idade, ficha limpa, e reconhecido no país, como um todo, pelas suas
qualidades de gestor. Ser apenas muito conhecido como um ator, ou animador de
televisão, não é o suficiente para um candidato. Pode ter popularidade, votos e
nenhuma aptidão para governar um país das dimensões geográficas, e problemas
abissais a serem enfrentados. Pode ainda ter aptidão gerencial mas falta de
articulação e apoio político para faze-lo. Logo concluímos que além de muito conhecido,
reputação ilibada, articulação no meio político, apoio de grandes e fortes
partidos, o candidato precisa de carisma, boa comunicação televisiva, transito
em todas as esferas da sociedade, tais como universidades, empresariado,
sindicatos, patronais e operários, imprensa e muita sorte. Não é fácil
descobrir entre duzentos milhões de brasileiros, um nessas condições, e com
desejo de concorrer. O ambiente político putrefato não convida ninguém a dele
fazer parte. Mas respondendo à pergunta da Lucia Guedes, que é a de milhares de
eleitores, João Amoedo é o fundador do Partido Novo. E por ser Novo, muito
pouco conhecido. Mas é sempre uma esperança. Até o momento temos quatorze
candidatos ao cargo. Outros ainda estão se decidindo, e muitos desistirão antes
do fim das campanhas. Até lá haverá tempo para conhecermos João Amoedo, que a
meu ver não tem condições eleitorais para um pleito dessa envergadura, mas faz
com sua participação a primeira aparição pública nacional, ajudando a eleger
vereadores, deputados estaduais, federais, prefeitos e governadores pelo seu
partido para daqui a duas ou três eleições, poder contar com o capital político
necessário, para um embate desse porte.
30.3.18
Crônica diária
Trump, nem fúria, nem fogo, só vaidade
Uma clara e definitiva prova da força das instituições norte americanas é
a alternância do poder entre Democratas e Republicanos sem nenhum abalo
institucional. Não se ouve vozes clamando por um regime militar. Trocam
oito anos de Obama, um presidente afável, instruído, negro e tido pelos
republicanos como um comunista na Casa Branca, por um despreparado,
inculto, muito rico e vaidoso Trump. Não li "Fogo e Fúria" mas ouvi
declarações do autor sobre o temperamento do atual presidente, e suas
declarações quanto a vir a ser o presidente dos Estados Unidos. Nenhuma
menção em passar para a história como um patriota, estadista, com visão
global, mas apenas tornar-se "conhecido no mundo todo". Pura vaidade. Nenhum projeto ou programa novo para a América. Apenas discursos populistas, xenófobos, e retrógrados.
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Saleiro mágico - Odete Levenhagen Lawrie":
Peça artística e funcional !
Postado por João Menéres no blog . em quinta-feira, 29 de março de 2018 05:12:00 BRT
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29.3.18
Crônica diária
Candidatos no atacado
Diferente das eleições anteriores, esta a Presidente conta com uma
quantidade exagerada de candidatos. Curiosa essa procura pelo cargo mais
importante da República. Com o país em seu mais baixo nível de
credibilidade na classe política, e ao mesmo tempo com seus mais graves
problemas a serem enfrentados pelo próximo ocupante do Palácio do
Planalto. E tem mais, essa pulverização de candidaturas não contribui
para a eleição de um líder no primeiro turno. Divide um eleitorado
descrente. É com essa premissa que vamos compondo o quadro eleitoral que
se desenha para outubro próximo. Temos seis meses para composições,
coligações, pesquisas eleitorais, e tempo para conhecer as plataformas e
ideias dos múltiplos candidatos. O certo é que só há uma vaga. E mais
parece uma cadeira elétrica do que um trono dourado.
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Escultura do NELSON DE SOUZA":
Depois do banho é necessário tirar a espuma.
Conheço várias formas...
Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 28 de março de 2018 09:37:00 BRT
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28.3.18
Crônica diária
A espera de um milagre
O Ciro Gomes será o candidato da esquerda na futura campanha à
Presidência da República. Pela direita teremos o Jair Bolsonaro. Falta
um candidato sério, honesto, competente, e com potencial eleitoral capaz
de ganhar no primeiro turno, ou ir para a disputa no segundo. Esperamos
que seja de centro. Um conciliador, que consiga unificar o país,
promover as reformas necessárias, e governar para todos os brasileiros.
Eu sei que espero por, quase, um milagre. Mas não custa esperar.
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Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Meus irmãos":
Gostei de ver!
Linda a sua família Eduardo.
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em segunda-feira, 26 de março de 2018 20:49:00 BRT
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27.3.18
Crônica diária
Ficha suja
Com o julgamento dos recurso,s na segunda instância, o Lula é ficha
suja. Claro que o vergonhoso e comprometido STF poderá alterar também
esse detalhe da lei. Mas até que isso se consuma o ex-presidente,
condenado a doze anos e um mês de prisão, só nesse processo, pois outros
estão a caminho, é inelegível. Que cambalhotas jurídicas suas
excelências, com a devida vênia, darão para livra-lo dessa pena
saneadora imposta pela lei eleitoral do país? Continuarão abrindo um
fosso entre os eleitores minimamente informados e os semi analfabetos?
Continuarão a semear o ódio?
26.3.18
Crônica diária
Casamento na família
Esta semana tivemos um. Sou avesso a festas grandes. Sou convidado e
vou à pouquíssimas. Mas quando é da minha família tenho prazer de estar
com irmãos, sobrinhos e agregados. Minha família é grande, tanto por
parte de mãe como de pai. Impossível juntar todos de ambos os lados.
Muita gente da geração dos meus filhos, e filhos deles já não
conhecemos. Uma pena, mas a vida é assim mesmo. O casamento foi do filho
da minha irmã caçula. Temos quase vinte anos de diferença de idade. Ela
desde que casou mudou-se para o interior de São Paulo. Nos vemos pouco.
Seus três filhos, menos ainda. Agora conheci a esposa do Pedro. Com
ele tive na vida dois ou três contatos. Casados e morando em Araçatuba
provavelmente não nos veremos muito. Mas o que interessa é que meus
quatro netos estavam na festa. Foi o primeiro casamento que
participaram. A festa foi notadamente para a geração e amigos do novo
casal. Os pais dos noivos ficaram restritos a um terço dos trezentos
convidados. E fizeram bem. Festa bonita é de gente moça.
25.3.18
Crônica diária
A defesa de Lula
O Lula plantou durante toda a vida o ódio com o discurso do "nós contra eles". Agora seu advogado José Roberto Batochio reclama que seu cliente é vítima de ódio. Quem planta colhe.
24.3.18
Crônica diária
Democracia, não é para amadores
É chegado o momento de manifestar com todas as letras nosso repúdio e indignação com aqueles que pensam numa saída militar para os nossos problemas. Militares no poder nunca mais. Não chega o ultimo exemplo vivido no Brasil? Não chegam os exemplos pelo mundo afora? É preciso entender que o regime democrático não é para amadores. Países pobres, subdesenvolvidos e muito atrasados são governados por ditadores, mantidos no poder por exércitos, que não admitem liberdades de qualquer tipo. O Brasil, apesar do grande retrocesso havido nos últimos quatorze anos, já superou essa fase de desenvolvimento. Temos uma democracia jovem e frágil, mas promissora. Interromper essa trajetória seria um suicídio. Não há uma crise institucional. Há crise nas instituições. Nos três poderes. E a origem dessas crises foi o longo e desastroso regime militar que acabou com os partidos políticos, e castrou uma geração. Colhemos hoje os frutos amargos que a ditadura militar plantou. Mas isso já faz parte do passado, que só relembro para ativar a memória de alguns que pensam em reaviva-lo.
Crônica do Alvaro Abreu
Sinto muito
Os
próximos dias serão decisivos para o futuro de Vitória: a Câmara
Municipal deverá votar a proposta de revisão do Plano Diretor Urbano -
PDU, que estabelece as normas relativas ao uso do solo do município nos
próximos dez anos. Trata-se de um documento elaborado pela Prefeitura ao
longo de meses, com a participação de muita gente representando
interesses e expectativas as mais diversas e por vezes conflitantes. Eu
mesmo estive em animadas reuniões para debater as condições de ocupação
da gleba destinada ao Parque Tecnológico, em Goiabeiras. Convidado,
estive na Câmara para opinar sobre esse tema em plenário e nos gabinetes
de dois vereadores, sempre junto com outros dirigentes de uma
associação de empresas do setor de tecnologia.
Dias
atrás, acompanhei, calado, uma audiência organizada pela Comissão de
Políticas Públicas da Câmara Municipal. Saí bem desanimado, ao confirmar
que existe uma movimentação orquestrada para anular o que está
consagrado no PDU de Vitória desde 1992: a designação da última gleba de
terra disponível no município para instalação do Parque Tecnológico, um
instrumento poderoso para estimular a realização, em larga escala, de
atividades ligadas à produção de bens e serviços densos em conhecimentos
técnicos, inteligência e criatividade. O fato é que tem gente operando
para permitir o uso residencial naquela pequena e estratégica gleba,
exatamente quando o Parque começa, finalmente, a ganhar concretude, com a
construção do Centro de Inovação.
De
lá pra cá, me dei conta de que a expressão “sinto muito” não me saía da
cabeça, sempre presentes em frases pesarosas por perda relevante e em
desajeitados pedidos de desculpas aos que também embarcaram em ideia tão
promissora. Passado o baixo astral, agora me vejo na obrigação de
usá-la em manifestações formais de licença para discordar de
argumentações inconsistentes dos que resolveram remar contra a maré e
emparedar o futuro da cidade. Aliás, acho bom que cada um converse com
seu vereador em defesa do Parque. Antes que seja tarde.
Vitória, 20 de março de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
23.3.18
Crônica diária
Um país governado pelo STF
A classe política é a única responsável. O congresso em seu mais baixo
nível depois da redemocratização do país deixou de cumprir suas funções,
e delegou ao STF aquilo que lhe competia. Com o país completamente
aparelhado durante treze anos de PT no poder, onde colocou pessoas
ideologicamente comprometidas com o partido, e com seu projeto de longo
prazo, saqueou as empresas estatais, corrompeu empreiteiras, e indicou
seus simpatizantes e ex advogados para juízes do Supremo. Com o advento
da operação Lava Jato e o crescente descontentamento de uma grande parte
da população foi possível promover o impedimento da presidente Dilma,
processar e condenar uma pequena parte dessa banda podre do poder. Com
todos os partidos políticos, sem exceção, comprometidos de alguma forma
com os malfeitos, a classe política esfarelou-se. O povo saiu às ruas,
os políticos se apequenaram, e sem condições morais entregou o governo
para onze ministros do STF. Essa corte, suprema, que só teria o dever de
interpretar em ultima instância a constituição, desceu a níveis de
debate a questiúnculas políticas completamente fora de sua alçada. E
chegamos onde estamos. Com um executivo sem nenhuma legitimidade, um
congresso em compasso de espera das próximas eleições, e o supremo
governando. Ontem o país parou às quinze horas para ouvir mais um julgamento da suprema corte. E o habeas corpus do Lula foi julgado. O
chefe da quadrilha que assaltou o país não poderá ser preso depois de
condenado em segunda instância, pelo menos até dia 4 de abril. Foi esse mais um golpe contra a
Lava Jato e a favor de centena de condenados e presos por corrupção,
lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, e criminosos de colarinho
branco.
22.3.18
Crônica diária
O país em seu mais baixo nível
O
deputado Beto Mansur, amigo do Presidente Temer, declarou ao O
Antagonista dia 19 passado que o Presidente, com quem falou por
telefone, vai ser candidato. E argumentou:
“Se não for candidato, ele ficará fora do jogo e ninguém vai querer
sentar para conversar com ele. Veja, Michel está com a caneta na mão, é
presidente da República, tem coisas para mostrar. O cara está com 77
anos, não tem nada a perder. Ou ganha ou vai para casa. Ou você acha que
ele vai ser candidato a deputado, senador? Michel, repito, vai ser
candidato: vai usar o tempo de televisão do partido, vai para o debate,
vai dar porrada…”
Eu faço outra leitura. Temer
quer ser eleito para não ser preso. Ir para casa seria o paraíso para
quem não estivesse sendo investigado pela Lava Jato. Sem foro
privilegiado, sem a caneta, e portanto sem amigos, poderá ser
processado, julgado, e se condenado, preso. Como presidente, continua safando-se da justiça.
Mantenho
minha coerência. Fui defensor da sua saída da presidência quando do
escândalo do Joesley Batista. Então seus defensores argumentavam que
seria melhor ele cumprir mais um ano e meio de governo, e responder
pelos crimes depois. Sempre achei um absurdo manter quem quer que seja
em seu cargo, ou função, apesar das graves acusações de que é alvo, sob
alegação de que sua substituição seria mais traumática para o país. Nada
é mais traumático e imoral do que a impunidade. Estamos onde chegamos
por conta dessa teoria. E agora quais seriam os argumentos para permitir
um ficha (teoricamente) suja, (até que se prove o contrário), concorrer
a reeleição? Lula condenado pela segunda instância ainda solto. O STF
preparando para que caso seja preso, saia em uma semana. A eleição do
Temer, que tem o maior índice de rejeição, entre os possíveis
candidatos, seria o escárnio total. Era só o que faltava. Seria
a perpetuação do que há de pior na política e justiça brasileira. A
perspectiva de uma improvável vitória do Temer, justifica o crescimento
do deboche que é a candidatura do Bolsonaro. Mas o país não merece tão baixo nível de opções.
21.3.18
Crônica diária
O balanço do jardim da casa da minha avó
Há onze dias escrevi uma crônica sobre o jardim da casa da 13 de maio,
onde moravam minha avó e madrinha Nina, e meus tios Silvia e Totó. Minha
prima Dora Penteado teve a gentileza de postar uma foto do balanço a
que me referi no texto. Encontrei a imagem por acaso dando uma volta
pelo FB. Reconheci de imediato o balanço, e depois no texto identifiquei
a Dora e a dedicatória. Valeu, minha querida prima. Quantas gerações
não passaram por ele! Não sabe como foi
bom rever essa pontinha do velho passado. E bom saber que a família
guarda essas recordações. Para seu conhecimento tenho da casa da 13 de
maio a Santa Ceia de bronze que ficava na sala de jantar. É minha ponte
permanente com a memória da vovó Nina. Outra lembrança que trago, já não
é da casa, mas do apartamento da rua Piauí. Na parede do corredor de
entrada havia uma pequena tela de uma ninhada de gatinhos. Autoria, tia
Edith, irmã mais velha de minha mãe. Antes da minha mãe morrer, tentei
rever essa tela, que na ocasião estava na casa do Salvio ou da Nedy.
Hoje deve estar com um dos seus filhos. Gostaria muito que fotografassem
e me enviassem. Foi uma pintura acadêmica que marcou-me na infância.
Fica aqui o registro. E não poderia deixar de lembrar do apartamento da
rua Piauí, sem mencionar dona Yayá, dama de companhia da vovó, que
depois da sua morte voltou a morar em Piracicaba.
20.3.18
Crônica diária
As mentiras contra Marielle
Não acredite em tudo que vê ou lê aqui nas redes sociais. Tenho lido e visto notícias absurdas, fotografias montadas, difamando pessoas, denegrindo suas imagens, espalhando mentiras e inverdades. Só acredite na imprensa séria que informa a fonte e responde criminalmente pelas notícias veiculadas. Um dos alvos preferenciais dessas fake news são os políticos. Difama-los enquanto vivos, ainda que reprovável, é compreensível, pois eles próprios podem se defender. O impensável é denegrir a imagem de um político, e no caso uma vereadora, negra, ex-favelada, mãe, e brutalmente assassinada por profissionais extremamente preparados e competentes. A vereadora não foi uma pessoa qualquer. Em seu primeiro mandato, com mais de 45 000 votos, a vereadora mais votada do Brasil, e a quinta em número de votos no Rio de Janeiro. Só perdeu para outros quatro vereadores homens. E é mentira que tenha sido eleita pelo voto do trafego da Maré. Lá, e em outras favelas teve pouco mais de 300 votos. Não foi o crime que a elegeu. Mas foi vítima de um bárbaro assassinato que precisa ser esclarecido e punido exemplarmente.
Não acredite em tudo que vê ou lê aqui nas redes sociais. Tenho lido e visto notícias absurdas, fotografias montadas, difamando pessoas, denegrindo suas imagens, espalhando mentiras e inverdades. Só acredite na imprensa séria que informa a fonte e responde criminalmente pelas notícias veiculadas. Um dos alvos preferenciais dessas fake news são os políticos. Difama-los enquanto vivos, ainda que reprovável, é compreensível, pois eles próprios podem se defender. O impensável é denegrir a imagem de um político, e no caso uma vereadora, negra, ex-favelada, mãe, e brutalmente assassinada por profissionais extremamente preparados e competentes. A vereadora não foi uma pessoa qualquer. Em seu primeiro mandato, com mais de 45 000 votos, a vereadora mais votada do Brasil, e a quinta em número de votos no Rio de Janeiro. Só perdeu para outros quatro vereadores homens. E é mentira que tenha sido eleita pelo voto do trafego da Maré. Lá, e em outras favelas teve pouco mais de 300 votos. Não foi o crime que a elegeu. Mas foi vítima de um bárbaro assassinato que precisa ser esclarecido e punido exemplarmente.
19.3.18
Crônica diária
A volta do povo na rua
Não há como fugir do tema. As redes sociais viralizam versões, opiniões,
teses, e poemas sobre a morte da vereadora no Rio de Janeiro. É a Maré
do momento. Sobram perguntas na falta de respostas. Quem matou Marielle?
Com que objetivo? Até agora ninguém sabe. Há especulações de todos os
tipos e de todos os matizes. Gente da esquerda interpretando pelo seu
viés ideológico. Gente da direita fazendo o mesmo. Ainda é cedo para
saber. Porém esse lamentável fato político/policial atingiu os alicerces
da democracia, e isso é gravíssimo num ano eleitoral. Pode ter sido o
estopim para voltar a colocar o povo na rua. A quem interessa esta
instabilidade? Nos próximos dias saberemos. Mesmo que nunca venhamos
saber quem foram os mandantes, e suas intenções.
18.3.18
Crônica diária
Botão na braguilha
O Leonardo ligou-me para comentar a crônica sobre calças Lee que
escrevi dias atrás. Disse ter sido testemunha de duas passagens onde os
jeans foram coadjuvantes. Uma delas num elevado lotado no centro da
cidade, num dia de verão intenso, quando subitamente um forte cheiro de
enxofre tomou o ar. Todos a bordo do elevador começaram a se entreolhar, e
um rapazinho, office boy, que trajava uma surrada calça jeans ergueu a
mão e disse: "Não fui eu!". A gargalhada foi geral. Em outra ocasião,
também num elevador, mas esse com uma ascensorista anã, um indivíduo de
costas para ela, cuja cabeça batia próxima das nádegas do sujeito
trajando calça jeans, ela falou: "Deveria ser proibido transportar gases
no elevador social." Novamente gargalhada das vítimas. E o Leonardo
completou lembrando quantas vezes ouviu histórias de gente que sofreu
com o zipper das calças. Ele mesmo disse que sempre preferiu não correr
riscos e usava as com botão na braguilha.
17.3.18
Crônica diária
Amor pela leitura e pelos livros
Estava lendo um livro comprado no sebo quando a lombada se descolou. A cola com o passar do tempo resseca. Por sorte tinha à mão um bastão de Pritt fechado na embalagem. Abri, passei o bastão na lombada e na capa. Bati forte contra o tampo da mesa três vezes. Peguei dois sargentos e prendi com força capa e contra capa até a cola secar. Foi nesse instante que me veio à memória a cena da minha mãe fazendo encadernações quando nós, filhos, éramos jovens. Ela era uma leitora constante. E nessa época encadernou, no melhor estilo da época, os romances que lia. Estão até hoje numa estante da fazenda.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Uma praia chamada do Luz":
Excelente imagem !
Feliz momento com a embarcação com os "pés" na areia, tal como o desportista.
A prancha encarnada a dar o toque final de um colorido vivo.
Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 16 de março de 2018 06:56:00 BRT
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16.3.18
Ctrônica diária
Cena de sexo na literatura
Foi José Nêumanne quem escreveu que o amigo de Jorge Amado e autor
português do "Os cus de Judas", António Lobo Antunes, afirmava que não
há possibilidade de se escrever uma cena de sexo que não seja vulgar.
Nem as cenas do decantado escritor baiano deixaram de ser. Por essa
razão Antunes justificava a completa abstinência de sexo em seus
romances. Dizia que em toda sua vida só havia lido duas descrições
bem-feitas de intercessor: uma, a de dois idosos em "O amor nos tempos
de cólera", de Gabriel Garcia Marques. Outra, num best-seller de Jackie
Collins que nem valeria a pena citar.
15.3.18
Crônica diária
Ponto de observação da Piacaba
Tomo emprestado o título do livro da Betty Vidigal para esta crônica
sobre meu deck, um verdadeiro posto de observação em minha casa. Piacaba
é o nome dela, não por acaso, quer dizer em tupi-guarani "Mirante,
miradouro, lugar que se avista". Tenho lá uma poltrona de madeira muito
confortável. Em dois momentos do dia esse posto de observação pode
conferir, pela manhã a revoada dos pássaros de cor escura, e os de penas
brancas, que não se misturam e voam em bandos, muito numerosos, ou em
pequenos grupos, chegando a voarem em dupla. Saem da Ilha do Batuta, no
mar em frente de casa, para a lagoa de Ibiraquera onde vão passar o dia
comendo, posando para fotos de turistas e bebendo água salobra da lagoa.
Dormem na ilha, que é um ninhal. Lugar seguro, livre de predadores, mas
sem água ou alimento. As sete da manhã pode-se ver milhares de pássaros
escuros em altura de voo semelhante, fazendo suas formações ora em
flecha ora em linhas tortuosas, e subitamente em flecha de novo.
Alternadamente, como se tivessem combinado, em altitude menor, vem os
bandos de milhares de pássaros brancos. Saem da pequena ilha e vão
buscar lugar na vasta lagoa. Esse balé se repete às seis da tarde. Em
sentido contrário. Da lagoa onde passaram o dia, para a ilha. Novamente o
voo dos escuros é mais alto, e seu número é maior. Flechas, linhas,
círculos mal feitos, uma aparente desorientação e voltam a formar as
flechas, parecendo obedecerem uma voz de comando único. Numa altura
inferior, voltam pra ilha os brancos sempre em número suficiente para
formações cheias de graça. De quando em quando, no por do sol e contra
um céu laranja avermelhado, uma dupla voa em sentido contrário. Parecem
procurar por alguém, ou fiscalizar algum retardatário. Logo se vê eles
de volta em alturas e bater de asas diferente. Essa rotina se repete
todos os dias, faça sol ou esteja chovendo. Na Piacaba tenho um deck que
é meu posto de observação.
14.3.18
Crônica diária
Foi por um triz
Na ladeira e bem na curva que antecede o meu portão aparece na contra
mão um veículo branco. A última coisa que lembro ter ouvido foi o cantar
dos quatro pneus com a forte brecada. O carro branco passou a poucos
milímetros dos espelhos retrovisores laterais. "Filho da puta" devo ter
balbuciado junto com o ar que saiu do meu estômago. Parei em frente ao
portão que deveria estar aberto e toquei três vezes a buzina mais de
nervoso do que necessidade. Foi por um triz.
13.3.18
Crônica diária
"Paixão via internet - e outros delírios improváveis"
Este mais um livro da poeta Betty Vidigal. Ganhei com dedicatória e
levei três meses lendo, relendo e tendo muita dificuldade em comenta-lo.
Poesia de rara atualidade. Betty em nenhum momento resvala no comum,
apesar de falar sobre amor, no banal apesar de tratar de assuntos
cotidianos. Usa as palavras como uma especialista. A autora nega (li em
algum lugar) que escreva sobre si própria. No entanto seus poemas são
tão íntimos, verdadeiros, que chegam a ser despudorados. Ela diz o tempo
todo o que eu gostaria de ter dito, e não ouvido da mulher amada. Ela é
de uma coragem selvagem, um destemor assombroso, e uma segurança
amedrontadora. Em todos os poemas revela-se (embora negue, e eu li isso
em algum lugar). Sou obrigado a discordar da maioria das opiniões dos
ilustres intelectuais que opinaram sobre ela na contra capa. Não há nada
de "lírico", de "sutil", nem "voz triste", nem "melancólico" em sua
poesia. Ela é afirmativa, categórica, corajosa, valente, sensual, segura
e convencida. Adoro mulheres assim. Adorei a poesia, ainda que tenha
delírios improváveis. E para justificar tudo que digo, confiram na
página 127 o "Poema cabotino". Uma pérola antológica.
12.3.18
Crônica diária
Laselva faliu
Dia 28 de fevereiro ao embarcar no aeroporto de Florianópolis para São
Paulo fui surpreendido com a loja da Laselva fechada. Sem nome na
fachada e sem uma nota explicativa. Perguntei para os vizinhos e ninguém
sabia mais do que eu. Estranhíssimo um aeroporto sem uma revista, um
jornal ou um livro. Na segunda feira dia 5 de março foi decretada a
falência da maior rede de livrarias de aeroportos do país. Ao embarcar
de volta para Florianópolis as de Congonhas já tinham sido desativadas.
Um pouco da história pode explicar: fundada em 1947 por Onófrio Laselva
chegou a ter 83 lojas, e em 2013 entrou em recuperação judicial com um
passivo de R$120 milhões. Com cerca de 800 empregados, quando despediu
37 não pagou os direitos trabalhistas. Por falta de pagamento das
parcelas da recuperação, e de mais de 300 credores a justiça foi
obrigada a decretar a falência. Parte do problema começou em 2010 quando
venceu uma concorrência para mais 37 novos postos em aeroportos. Mas
não conseguiu financiamento para montar as lojas, e arcou com os altos
aluguéis. Fez várias tentativas de venda ou associação para salvar a
empresa mas os interessados barravam na precariedade dos contratos da
infraero. Somado ao alto custo desses aluguéis. Agora todos os
aeroportos atendidos pela Laselva estão sem jornal, sem livros e
revistas. Uma falência lamentável. Uma sensação de aeroporto da
Venezuela. Determinados serviços como engraxates, e bancas de jornal a
infraero deveria cobrar aluguéis compatíveis, sob pena de ficarmos sem
eles. Ou pagando, como nos cafés e pão de queijo, valores exorbitantes.
Não é só o valor das passagens aéreas que é alto, os serviços dos
aeroportos também.
11.3.18
Crônica diária
Jeito de ser
Foi há quatorze anos numa viagem a NY que decidi
que não usaria mais calças jeans. Minha mulher e o casal com quem viajávamos se
fartaram de comprar as autênticas Lee e Levi´s. Provavelmente
manufaturadas na China. Por que dessa decisão? Porque completara nesse ano meus
sessenta anos. Achei por bem a partir dessa idade não usar mais jeans. Não que
velhos e idosos não as usem, ou não possam usa-las, nada disso, Só por uma
questão de estilo. Não queria mais fazer o tipo da moda. Calças largas, calças justas,
bocas de sino, cano apertado e curto, cintura alta, cintura baixa, e etc...
Passei a usar calças de algodão bege, brancas ou pretas. Todas folgadas e
confortáveis. Raramente andei a cavalo nesses quatorze anos. Nunca mais usei
botas, na verdade nem sapato de couro tenho usado ultimamente. Uso uns tênis de
couro. Confortáveis, não escorregam, e de pé, parecem sapatos. Na praia, onde
moro, só ando de bermuda bege, camiseta branca de algodão e havaianas. Acho
graça de quem usa as tais sandálias Crocs, ou as de couro como usavam o baiano
Jorge Amado e o paraibano Suassuna. Mas cada um com seu estilo.
PS- Foi depois de ter escrito o texto acima que
lembrei que tenho outra história com calças. E vou aqui fazer uma homenagem a
minha amiga Guaracy Mirgalowska, leitora assídua destas crônicas, e a Lidya
Chammes, que nunca mais vi, mas foram as responsáveis como sócias da Mirga
Confecções pela criação da Bípede, loja só de calças, ao lado da Boutique
Paraphernália que existe até hoje na Alameda Franca, quase esquina da Augusta,
onde esta nascendo um grande empreendimento hoteleiro capitaneado pelo
famoso chef Alex Atala, para concorrer com o Hotel Fasano. Participei
modestamente da empreitada da Bípede, enorme sucesso à época. Precisamos falar
mais dessa efeméride que, por curiosidade procurei, não consta do Google.
Comentários que valem um post
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem ""Contém Glúteos, mas vai tirando o olho"":
Em idênticas situações, também me passeio pela secção das bebidas, mas no meu caso, nos VINHOS.
Em cervejas ou em vinhos, ainda não encontrei nenhum rótulo que apelasse a tal propósito.
Mas se calhar ando distraído...
Postado por João Menéres no blog . em sábado, 10 de março de 2018 06:02:00 BRT
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10.3.18
"Contém Glúteos, mas vai tirando o olho"
GORDELÍCIA - Cerveja
Enquanto minha mulher fazia as compras do mês no mercado fui dar uma olhada na seção de bebidas. Adoro olhar rótulos. E desta vez descobri a GORDELÍCIA, uma cerveja cujo rótulo informa: "Contém Glúteos, mas vai tirando o olho". Essa é uma tendência desse segmento de cervejas artesanais. O apelo sexual no rótulo. As cachaças já usavam desse artifício de gosto duvidoso: Naxoxota,
Prima Pode, Queima rosca. Agora as cervejas: Sporra, Gordelícia, Que Fim Levou Juliana Klein?, Vedett, Devassa, e na propaganda de Loiras geladas e Negras encorpadas palavras de sentido duplo são usadas para a divulgação de cervejas.
Crônica diária
Os jardins das casas dos meus avós
Tanto os paternos como os avós maternos moravam 200 metros uns dos outros.
O paterno na esquina da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio com a Rua dos
Ingleses, e o materno na primeira quadra da Rua Treze de Maio, esquina
da Brigadeiro. Minha mãe era colega de colégio das irmãs do meu pai. Daí
se conheceram, namoraram e se casaram. Ambas as casas tinham jardins.
Minha memória inicia na casa dos avós maternos onde moravam meu tio
Totó, irmão da minha mãe, casado com minha tia Sylvia e mãe do Fernando e
da Anna Sylvia (prima e leitora fiel). Minha avó, e madrinha, já era viúva. A casa tinha entrada lateral
para automóveis, mas não tenho lembrança de ter visto nenhum. No fundo a
garagem, lavanderia, e quarto de empregado. Embaixo da escada desse quarto um balanço de dois lugares. Jabuticabeiras e o viveiro do
meu avô Delfino. Trocar água e repor alpiste e couve,
colhidas ao lado, eram rotinas diárias. O Fernando por ser mais velho era
nosso ídolo. Criava uma tartaruguinha no quarto, e tirava veneno das
taturanas das jabuticabeiras com uma seringa para injetar nos
passarinhos. O Paulo, meu irmão, e eu prendíamos carta de baralho nos
aros da bicicleta para imitar o barulho de motos. Moramos uns dias na
casa da vovó Nina quando nossos pais foram de navio para os Estados
Unidos. Provavelmente um mês. Dessa época não tenho memória do jardim da
casa dos outros avós. Mas lembro do litro de leite e do pão entregues de manhã. Lembro ainda do
sapateiro que ficava logo na esquina. Naquele tempo se trocava
meia sola dos sapatos.
Crônica do Álvaro Abreu
Com arara e sem parque
Amora
chegou no começo da noite de sexta feira. Fomos em comitiva apanhá-la
no setor de cargas do aeroporto. Estava estressadíssima dentro de uma
pequena caixa de madeira comprida, onde passou muitas horas vendo um
mundo totalmente estranho, através de uma tela de arame. Nossa primeira
troca de olhares não foi nada animadora. Ela gritou com força e me fez
ficar preocupado com a possibilidade de ter sido criada uma antipatia
definitiva. Em casa, achei por bem deixá-la ficar diante da gaiola com
as quatro calopsitas de Manu. Pelo silêncio, acho que percebeu que
estava em ambiente familiar, mas não quis sair da caixa enquanto
estivemos por perto. O criador nos disse que ela poderia ficar dois dias
sem querer comer ou beber.
Passei
o sábado por conta dela, tentando provar ser pessoa confiável. Para
tanto, lancei mão de uma varinha de bambu e lasquei uma das extremidades
em muitas varetas, algo bastante atraente para quem gosta de bicar o
que esteja por perto. Antes mesmo de ter gasto toda a sua raiva atacando
a varinha, mergulhei a ponta na água e ofereci pra ela. Deu gosto vê-la
bebendo as duas primeiras gotas. Passei um bom tempo repetindo a
operação com movimentos suaves até que matasse a sede. Em seguida,
prendi um pedacinho de mamão entre as lascas e estendi pra ela que,
depois de vencer o que restava de desconfiança, recolheu a comida com a
parte superior do bico e comeu com esganação. O fato é que, de gota em
gota e de pedaço em pedaço, ela foi enchendo o papo amarelo e abrindo o
coração, a ponto de deixar que eu usasse a tal varinha para dar as
primeiras coçadas na cabeça dela. Se arara sorrisse, Amora teria sorrido
pra mim. Tranquila a bordo do seu poleiro móvel, tomou um bom banho de
mangueira e passou o resto do dia prestando atenção na conversa de
adultos animadíssimos, comendo jabuticabas tiradas do pé, servidas na
ponta dos dedos.
Vi
que compensa esperar um filhote de arara por alguns meses, mas começo a
acreditar que foi totalmente em vão esperar 26 anos pelo Parque
Tecnológico de Vitória.
Vitória, 07 de março de 2018
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

































