Crônica diária
Crônica da capa do livro "Contos urbanos"
Às vezes ficamos meses, até anos, matutando sobre determinado assunto e
as ideias giram em falso, repetindo-se num moto contínuo. De repente,
como num passe de mágica, surge uma ideia completamente nova e óbvia
para o problema. Foi assim com o título do meu próximo livro de contos.
Terá só dois contos. E um deles dava nome ao livro. Mas não me
convencia. Quatro anos depois de escrito o conto, de tanto pensar sobre a
conveniência ou não de manter o título fiz uma busca no Google e
constatei o que já desconfiava. Haviam dezena de livros com o mesmo
título. Foi decisivo para a troca por "Contos urbanos". E esse nome
genérico, também tem lá seus livros, mas em menor número. Daí parti para
o estudo da capa. O primeiro título tinha além de muitos homônimos, uma
dificuldade a mais, nenhuma foto ou ilustração combinava.
Provisoriamente pensei numa tela abstrata. Quando não se quer dizer
nada, o abstrato é tudo. Com o novo título "Contos urbanos", ao
contrário, rapidamente compus onze capas diferentes. Todas com fotos
minhas. Sou um fotógrafo razoável. Daí um novo e crucial drama. Qual
delas escolher. Mandei o layout para quatro pessoas que confio no gosto
estético e prático. Capa de livro é como gravata, rótulo de vinho,
embalagem de perfume. Tem que agradar ao consumidor. É o primeiro e
importante estímulo. Outras considerações são sempre secundárias. Mas a
minha pesquisa não foi conclusiva. Houve maioria, mas não unanimidade.
Das onze capas, quatro agradaram muito a todos. Uma só, claramente
repudiada por dois votantes. E entre as dez restantes acabei por eleger
uma que nenhum deles citou como favorita. Levei em consideração a razão,
mais do que a emoção. "Contos urbanos" não poderia ser confundida com
revista ou livro de arquitetura, logo a minha foto do Copam, em São
Paulo, foi descartada. Um grafite que fotografei em Berlim, e que da a
impressão de azulejos, foi a mais votada, e usarei como capa de outro
livro. É muito boa capa, mas para o "Contos urbanos" a escolhida é toda
cinza, com uma foto de um canto de parede, preta e amarela, com um
extintor de incêndio vermelho, no chão de cimento, encostado na parede
no centro da imagem. Ela contém uma carga estética e visual urbana que
casa perfeitamente com o título.

Um comentário:
Já estou com a curiosidade em pulgas !
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