Crônica do Alvaro Abreu
Pronto para aproveitar
Pode-se
dizer que foi uma semaninha animada e de boas emoções, daquelas pra
marmanjo nenhum botar defeito. Pra começar, foi o tempo de voltar a
escutar os sons do mundo e de poder entender melhor o que estão falando
em volta de mim. Bem sei que um maior conforto auditivo e um melhor
entendimento das palavras somente virão após uma regulagem criteriosa e
mais refinada dos meus novos aparelhos, providência já anotada na lista
das prioridades do comecinho do ano que vem vindo.
No
final de tarde, no meio da semana, fui rever os colegas da turma da
Escola Politécnica, muitos dos quais só encontro uma única vez por ano. A
tirar pela precisão e pelos detalhes com que as histórias são contadas
nessas ocasiões, fico sempre com a impressão de que estamos na hora do
recreio, depois das duas primeiras aulas da manhã. Talvez por vingança
de quem tenha ficado de segunda época e, sobretudo, de dependência,
alguns dos nossos professores carrascos estão eternizados como
personagens de lembranças que nos fazem morrer de rir quase 50 anos
depois. Para completar, teve quem declamasse poema português e quem
fizesse discurso emocionado.
Mais
uma vez, a nossa casa se encheu de filhos, netos e agregados. Longos
papos cabeça, muita contação de vantagens e, por que não, de renovação
das eternas reclamações familiares de pequena monta. Tudo regado a vinho
branco e muita cerveja gelada e comida farta, quase sempre na fresca da
varanda. Houve comemoração festiva do terceiro aniversário de Quinquim,
com decoração temática baseada em nuvens e aviões de papel, que teve
que ser rapidamente substituída por uma outra, típica da ocasião
natalina, com luzes que piscam, grandes botas coloridas penduradas na
grade e uma árvore de Natal bem mixuruca, mas suficiente para animar a
festa de família completíssima.
Agora,
só falta mesmo esperar a virada do ano para colocar em prática uma
estratégia matadora para conseguir aproveitar, da melhor maneira
possível, tudo o que de bom 2018 irá colocar à minha disposição em 365
doses diárias e sucessivas.
Vitória, 27 de dezembro
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA



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