Crônica diária
Não precisa ser gênio
Estava com mais de doze textos escritos e programados para os próximos
dias. Resolvi às vinte e uma horas do dia 28 de dezembro de 2017 fazer
este alerta e publica-lo dia 30. Não é preciso ser gênio em finanças, ou
em economia, ainda que o lucro fácil seja sempre tentador. O estouro da
tal moeda virtual esta prestes a acontecer. Um amigo meu ligou, dois
dias atrás, para desejar bom fim de ano e próspero 2018, e entre outras
amenidades contou-me que havia comprado, a pedido do filho, um punhado
de Bitcoin para o garoto, e um outro tanto para ele. Reagi, rindo e
perguntando: "Vocês ficaram loucos?" E ele calmamente, como profundo
conhecedor do mercado, e sempre muito bem informado, respondeu também
rindo: "Olha só, um amiguinho do meu filho lucrou 200% numa semana. Como
deixar de arriscar?" Ao que respondi: "Exatamente por isso". Essa moeda
virtual para mim tem cheiro, gosto e ruído de tudo que é virtual. Se
não acredito nos arquivos virtuais, nas nuvens, como posso acreditar
numa moeda? Imprimo meus textos em livros de papel porque não acredito
nas publicações digitais, como posso acreditar numa moeda? Ainda mais
nessa coisa que ninguém sabe de onde vem e para onde vai. Pior do que as
"famosas correntes e pirâmides", o lucro extraordinário e mágico só
pode conduzir a um extraordinário e trágico desastre. Não há nada que
garanta essa valorização a não ser a especulação, cobiça, e irresistível
vontade de lucro fácil. Espero que dentro de quarenta e oito horas
estas linhas não sejam só mais uma previsão, e tenham chegado tarde aos
meus leitores, em forma de alerta, e que o Bitcoin ainda não tenha
explodido. A lei da oferta e da procura gera valorização, mas é preciso
sempre haver trabalho, e lastro, para que o lucro se sustente. Quem
viver verá. Espero que eu esteja redondamente enganado, e que todos os
que estão lucrando com essa doideira realizem seus lucros antes do
estouro. Depois será tarde, como sempre. Papai Noel, e almoço grátis não
existem, e para chegar a essas conclusões não precisa ser gênio.

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