Crônica do Alvaro Abreu
Encasquetei com o futuro
Casquete
é uma espécie de chapéu sem aba, utilizado por mulheres para adornar a
cabeça. Imagino que homens também encontrem razões para colocar um
casquete na cabeça e sair por aí se achando, como se diz. Na verdade,
ontem, antes de dormir, tentando encontrar um tema para esta crônica, me dei conta que tinha encasquetado com um tema que, mesmo
podendo gerar um texto que agradasse a leitores distraídos, com certeza
me jogaria num cipoal de comentários azedos. Acabei por me lembrar de
mamãe, que vivia dizendo que estava encasquetada com isso e aquilo.
Podia ser uma vontade de ir dar uma volta em Marataízes, lembrar do nome
de um colega de grupo escolar que gostava de carambola ou saber onde
tinha guardado uma fotografia de vovó Neném.
Li, dia desses, que o governador do Estado, dizendo-se pau pra toda obra, também está se encasquetando com a ideia de entrar na corrida presidencial de 2018, nem que seja como ajudante de estúdio. Ele se sabe dono de um expressivo currículo de administrador público em tempos de
governantes desgastados, demonstra capacidade de articulação política
em ambientes complexos, circula com desenvoltura entre empresários
robustos, tem prática de se mover entre partidos e igrejas, além de outros diferenciais competitivos em cenários como o atual. Quando encasquetam com alguma coisa, os homens astutos e determinados podem surpreender.
Da minha parte, ando mesmo
é encasquetado com o entendimento de que é indispensável fazer surgir, e
com urgência, uma expressiva movimentação de pessoas do bem que resulte
na instalação de uma gambiarra robusta, capaz de manter acesa uma
lâmpada bem potente no
fim do túnel em que estamos. Não é coisa fácil de acontecer em tempos
de páginas de jornais repletas de notícias desanimadoras. As redes sociais bem que poderiam
ser usadas para a circulação de idéias e propósitos mobilizadores se
não estivessem abarrotadas de demonstrações de raivas, desapreço à razão
e prepotências variadas. E, o que desanima ainda mais, com tendência a
piorar bastante.
Vitória, 15 de novembro de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA


Um comentário:
Alvaro, quem diria que um casquete pudesse render uma crônica tão simpática, urbana, e coloquial como devem ser as boas crônicas semanais de um jornal diário de uma capital pequena. Esta no sangue, e isso não se aprende na escola.
forte abraço
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