Crônica diária
Criança é uma delícia
Silvia era solteira e beirando os 45 anos resolveu ficar grávida do
namorado Sebastião. Ele desquitado era pai de uma garotinha de três anos
chamada Lídia. Um pouco antes da gravidez ser confirmada o Sebastião
conseguiu vender a casa onde morava. O casal resolveu alugar um
apartamento e morar junto. Os oito meses de gravidez passaram rápidos
por conta da reforma do apartamento. Encanadores, eletricistas,
pedreiro, marceneiro, e pintores foram os personagens desse período. A
Lídia que os pais chamavam de Lili passava os fim de semana com eles.
Ela morava com a mãe. Aos cinco meses da gravidez da Silvia ela ficou
sabendo que teria um irmãozinho. No princípio não deu muita bola, mas
com o crescimento da barriga foi se afeiçoando com a ideia. Iria ter um
irmão para brincar. Começou a ficar ansiosa, e sempre que estavam juntos
colocava a cabeça junto da barriga da "tia" para sentir de perto o meio
irmão. Um mês antes do parto a apartamento ficou pronto e o casal
convidou as duas famílias para um lanche no final da tarde. O
apartamento de dois quartos e sala lotou. O cômodo mais visitado e
elogiado foi o quarto do bebê. Todo branco, com uma cama de solteiro,
onde poderia dormir a Lili, um berço todo paramentado para receber o
futuro irmão, uma confortável poltrona para a mãe ou o pai amamentarem o
rebento, e uma cômoda/trocador com quatro gavetões, para as roupas e
fraudas. Tudo lindo, diziam os parentes. A Lili e três outras crianças
esparramadas pelo chão do quarto brincavam com bonecas e carrinhos. Foi
quando chegou a prima da Silvia com seu bebê de um mês. Ao parar na
porta do quarto foi recebida com uma súbita exclamação da Lili:
NAASCCEEEUUUU ! Seguida de uma gargalhada dos adultos presentes. Sem
entender o por que de tanta risada, Lili voltou sua atenção para o livro
que estava colorindo.

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