Crônica diária
Aspidistra pintadimha
Depois de mais de um mês a Vivi da floricultura de Ibiraquera, em
Imbituba, Santa Catarina ligou-me de volta. Eu já havia perdido a
esperança de que ela conseguisse mudas de aspidistra. Mas ligou
informando que conseguira um fornecedor de mudas da variedade
"pintadinha". Reclamei do valor mas aceitei a sugestão de encomendarmos
meia dúzia para vê-las pessoalmente. A vantagem seria a entrega perto
do meu jardim. Os dois vasos, com as doze mudas, que consegui em São
Paulo, ainda não encontraram um portador para a Piacaba. Na quarta
feira, depois das dez horas como garantiu a Vivi, fui ao viveiro. Ela
não apareceu para me atender. Mandou recado pelo funcionário que o
fornecedor, por engano, não trouxe as minhas mudas. Mas poderia ter me
avisado, reclamei muito bravo. E saí pisando duro. Não tolero
incompetência e falta de atenção com cliente. Mas a boa notícia é que
as de São Paulo já estão com quatro brotos de folhas em cada vaso. Mesmo
não conseguindo quantidade, que preciso para o meu jardim, vou cultivar
em casa, e em vaso, mudas da "aspidistra pintadinha". E por certo serei
um dos poucos cultivadores dessa espécie, hoje rara no Brasil, e que já
foi a "flor da Inglaterra", segundo George Orwell. Alguns escritores
que admiro como Carlos Lacerda, Rubem Braga também cultivaram. O
primeiro rosas em Petrópolis, o segundo frutas no seu apartamento no
Rio. Eu acabava de descobrir o que iria cultivar. Nunca mais a Vivi me
ligou. Três ou quatro semanas depois volto a passar na floricultura.
Mais uma vez ela não esta, e saiu para fazer entregas. Janaina,
funcionária, que parece morrer de medo da patroa, nada sabia. Conto toda
minha longa peregrinação, e a total falta de profissionalismo e atenção
da patroa para com o cliente, e ela fica de dar o recado. Anoto os
telefones, e por via das dúvidas vou tentar falar com a dona. Muitas
tentativas, no fixo e no celular foram em vão. Dias depois, que
continuei insistindo, a Janaina atende, e disse ter passado meu recado.
Mas a Vivi nada. Não atende o celular e não retorna meus recados. Isso
não é desatenção, é desaforo. Desisti de ter minhas mudas de
aspidistras. Uma semana depois me liga a Vivi. Como se tivessemos falado
no dia anterior, e nada tivesse havido entre um cliente e a dona do
negócio. As seis mudas de aspidistras chegaram O preço é outro do que
foi combinado anteriormente. Sem desculpas ou explicações colocou as
mudas à minha disposição. Mordi a língua, mas não falei o que deveria e
tive vontade. O desejo de possuir seis mudinhas de aspidistras foi
maior. O que não se passa, e não se faz, por um desejo. Agora tenho seis
mudas de aspidistras pintadinhas.

Um comentário:
Como se diz de certos amores : o coração não vê a razão.
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