Crônica diária
Sobre inspiração
O Leonardo e o Aloísio de Almeida Prado gostaram da sinopse do conto "O
Papa de Miraí". O Aloísio até sinopse acha longa. É um preguiçoso. Já o
Leonardo me perguntou de onde vinha tanta inspiração. Vou confessar que
nesse caso foi mais lembranças do que imaginação. Não vou poder entrar
em detalhes porque imaginei que ninguém de Miraí fosse, um dia, ler
minha crônica ou o conto propriamente dito. Escolhi Miraí por ser
pequena e pela razão que conto a seguir. Antes porém, devo dizer que a
nossa leitora diária Silvia Büller Souto tem uma amiga de Miraí, e
enviou a crônica para a Tetê Marques. E por essa razão não devo baixar a
detalhes, por razão óbvia. Mas quando estudava interno em Cataguases
tive um contemporâneo, que não recordo o nome, mas o apelido era Miraí,
por ser de lá. O Miraí tinha outro apelido, menos lisonjeiro, dependendo
do ponto de vista. Era "Tripé". Talvez o Américo Picanso, ou o José
Luiz Fernandes, que são bons de memória, lembrem do nome verdadeiro. O
que ele tinha de avantajado no meio das pernas, tinha a menos em massa
cerebral. Ninguém é perfeito. Imagine vocês que entre outras
barbaridades ele não acreditava que o homem tivesse chegado à lua. Dizia
tratar-se de propaganda da Coca-Cola, como tudo que vinha da América do
Norte. Era no mínimo descrente. E o "Tripé" tinha o maior complexo do
seu "terceiro" membro. Evitava tomar banho nos chuveiros coletivos, e
sempre que o fazia, ficava de frente para a parede. Mesmo assim não
podia esconder "sua vergonha". A natureza, às vezes, peca pela falta,
outras pelo excesso. Foram essas lembranças que me levaram a escrever o
conto "O Papa de Miraí".

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