Crônica diária
A sinopse do conto
O Leonardo e a Elisete Segala Gomes cobraram-me a publicação do conto objeto da crônica de ontem.
Respondi a eles que me recusava a postar textos com mais de dez linhas.
Os leitores das mídias digitais não querem ler mais do que isso. Mas
faço, a pedidos, uma sinopse do conto. "O Papa de Miraí" é o título.
Miraí é uma pequena cidade na Zona da Mata de Minas. Até então a única
personalidade famosa nascida lá era Ataulfo Alves. O personagem do conto
tem um apelido: Maçarico, coisa que ninguém escapa em Minas. A razão do
apelido era incerta. Uns diziam que era por ser filho de um ferreiro,
Ary das Grades, outros porque tinha o órgão genital masculino
absurdamente grande. Desde muito pequeno. A mãe do Maçarico era
trapezista de um circo mambembe, e ele fruto de um relacionamento
ocasional. Foi domador do velho, magro e decadente leão do circo, e com a
proibição pelo IBAMA de uso de animais nesses espetáculos, Maçarico
resolveu fazer teste para ator de filme pornô. Claro que foi um sucesso.
Ele tinha toda ferramenta para o ofício. De Belo Horizonte, onde era a
produtora dos vídeos, para Paris foi um pulo. Na França continuou
atuando em vídeos pornôs, e cabarés. Até que com a eleição do Papa
Francisco, um diretor de cinema sério descobriu a enorme semelhança
fisionômica entre o novo Papa e o Maçarico. Foi contratado para fazer o
papel do Papa num longa que obteve grande sucesso. Daí sua carreira e
fortuna se consolidaram. Muitos outros filmes, e caches de publicidade
consolidaram sua fama. Voltou ao Brasil muitas vezes, uma só a Miraí. Lá
foi bem recebido, mas o humor mineiro não o perdoou. A manchete do
Miraí em Notícia, no dia da visita era: "O Papa moças voltou".

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