Crônica diária
Nunca diga dessa água não beberei
A frase era dita pela minha mãe. Foi assim que meus três irmãos e eu
fomos criados. E comida na mesa era para ser comida. Criança não podia
dizer "não gosto". Ela dizia :"você não comeu, como diz não gosto?" E
crescemos comendo de tudo. Depois de adulto fomos elegendo os alimentos
mais ou menos favoritos. Entre os que evito esta a berinjela. Não é o
único, pois chuchu não tem gosto de nada, abobrinha só gosto fatiada e
frita, e quiabo não como definitivamente. Jaca também não. Mas fui
almoçar na casa do chef Pepe Laytano e logo na entrada perguntou se eu
gostava de berinjela. Como vi umas tantas fatias dela num prato, e como
sou educado, antes de totalmente honesto, menti: "gosto". A entrada de
pão italiano caseiro, com óleo vindo da família do Pepe, na Itália, e
uma pasta de berinjela, muito bem condimentada, e com pimenta calabresa a
gosto do comensal. Como prato principal um nhoque de batata doce,
preparado na hora, com molho de pesto, e acompanhando a berinjela
maravilhosa. Queijo importado, o recheio sobre a casca da berinjela,
coberta de extrato de tomate e queijo ralado. Tudo crocante, dos deuses.
Pagando com a língua. Lembrei da frase da minha mãe:"nunca diga dessa
água não beberei."

Um comentário:
É a maior das verdades.
Muitas vezes, não só bebemos como nos afogamos. ;)
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