Crônica diária
Rebobinando histórias
de tabaco
Rebobinar a fita é
coisa do passado. Rebobinavam-se filmes super-oito e dezesseis milímetros, nos
projetores caseiros. Nos cinemas do interior havia intervalo para rebobinar e
trocar de rolo. E nos toca-fitas de antigamente, também era preciso rebobinar.
Hoje vou fazer um texto do fim para o começo. Como se rebobinavam as coisas
antigamente. Do tempo que fumar charuto era permitido em todos os lugares.
Deixei de fumar cigarro aos vinte e poucos anos fumando um charuto por dia.
Fumava depois do jantar, onde eu estivesse. Em casa preferencialmente, mas em
restaurantes, ou na casa de amigos. E pensar que já foi permitido fumar a bordo
de aviões comerciais. Mas esse é o fim da história. Um pouco antes charuto era
símbolo de status, e no meu caso uma recomendação exitosa do amigo Thomaz Souto
Corrêa para largar o cigarro. Depois de alguns anos deixei também os charutos.
Dessa época ainda tenho uma linda caixa de madeira, com umidificador, e dois ou
três Cohibas que sobraram. E é dessa época também a história que Fidel contava
porque não largava o velho e bom charuto cubano: "Para os russos não me
beijarem na boca". Hoje, e chegando ao fim da crônica, é totalmente vedado
fumar em qualquer espaço fechado, em quase todo o mundo. Cigarros, muito menos,
charutos e cachimbos não são bem vistos. No entanto há em São Paulo dois ou
três bares e restaurantes onde quem não fuma charuto é olhado com desconfiança.
E quem lá frequenta sai com forte cheiro de tabaco nos cabelos e na roupa.
Fumar ficou difícil, complicado e antigo.

3 comentários:
Qualquer dia nem na rua...
Talvez num quartel de bombeiros...
Fumar devia ser proibido na rua que é um espaço público. Nos espaços privados só lá vai quem quer.
Assim, concordo, Jorge !
Postar um comentário