Crônica do Alvaro Abreu
Fim da embromação
O
imbróglio das obras da BR101 não sai do noticiário. Ainda bem. Quanto
mais se pergunta e se conhece os fatos, mais se desvenda o tamanho do
buraco. Hoje, o nível
de conforto da concessionária e dos responsáveis pelo controle de suas
obrigações contratuais já está bem perto do zero. Está criada uma
indignação generalizada, sobretudo entre os que dependem da estrada para
ir e vir, para salvar vidas, receber o que comprou, vender o que
produziu. O governador quer conversar, a OAB resolveu se mexer, o MPF
vai investigar, o diretor da ANTT vem ao Estado e tudo o mais.
Duplicar
mais de 470km de estrada, com prazos e condicionantes previamente
definidos, exige experiência empresarial específica, recursos volumosos e
uma complexa engenharia financeira, fundamentada em informações
confiáveis sobre a viabilidade de sua realização. Entram nessa conta os
números dos investimentos com: estudos e projetos, desapropriações,
execução de todas as obras previstas, bem como os das despesas com
manutenção e operação da estrada ao longo do tempo. Do outro lado,
estarão as previsões de receitas com pedágios e multas durante o período
da concessão e as estimativas de valores para retornar os recursos
investidos pela própria empresa, pagar os seguros contra riscos e
perdas, amortizar os empréstimos contratados e assegurar uma margem
justa de lucratividade. Por
precaução, já não convém incluir investimentos em campanhas eleitorais e
propinas em geral. A falta de projetos básicos de engenharia torna
essas contas imprecisas e perigosas, exigindo revisões constantes e
fiscalizações sistemáticas.
A
tomar como verdadeiras as declarações do diretor as ECO101 e corretos
os números publicados no jornal, as minguadas obras em curso estão sendo
bancadas praticamente com a receita do pedágio. Se isso procede, sugiro
que suspendam imediatamente o contrato, por embromação empresarial ou
outra razão juridicamente razoável. No rumo em que está, a duplicação
não tem futuro colorido. Definitivamente, a concessão merece um bom
freio de arrumação.
Vitória, 26 julho de 2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

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